UMA CANÇÃO PARA NIEMEYER

Escrito por Brasília Poética em . Postado em Converse com os Poetas Sem Comentários

UMA CANÇÃO
PARA NIEMEYER

A minha vida é sempre assim…
É como a flora do cerrado…
São galhos tortos postos
sobre estes troncos torturados…
Mas preparei flores para ti…
E frutos bem adocicados…
Cajus, cagaitas e pequis…
Mangas colhidas com cuidado!

Retas perseguem setas e rotas nunca dantes experimentadas…
Eu vi um ângulo impossível furar o vão e virar escada!
Era uma mão ou era uma asa aquela concha tão desvairada?
E aquele vão onde passam vans…? E aquele voo por sobre o nada?!

E aquele círculo em espiral e aquela curva tão concavada!
E olhem só que palmas esguias! E estas formas enfileiradas…
Esteta louco! Não vê que cai! Este experimento vai dar em nada!v
Vejo que ri atrás dos bigodes e da prancheta endiabrada!
(…)

Paulinho Dagomé
Poema transcrito da coluna “Fora do Plano”, Correio Braziliense, 13 de julho de 2015.

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