Três Poderes

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Três Poderes

Não havia lua cheia,
Nem a chuva leve caía sobre nós,
Mas o néctar que da lua pingava
Molhava nossas almas
Com uma luz mais que brilhante,
E fazia nascer em meu coração
Um sentimento desconcertante,
Uma paixão inimaginável,
Uma loucura fascinante.

Cercados por Três Poderes,
Uma praça, em um espaço aberto,
Coberto pelas estrelas e luzes da noite
A Terra, dava a nós o leito…
O chão onde pisávamos
E nos encontrávamos
Para sermos o que quiséramos,
O que sonhávamos.

O ar enchia nossos pulmões,
Corações, veias, mentes, almas
De um frescor alucinante
Que nos arrepiava o corpo,
Que nos embaraçava os cabelos,
Que nos jogava um contra o outro
Como um abraço louco
E animal.

O Fogo queimava nossa pele
E um desejo à flor da pele
Nos dominava e nos aproximava
Para que, em beijos apaixonantes,
Nossas bocas se tocassem
E se completassem
Como a lua completa o céu
E o céu completa a vida.
Nada nos dividia.
Tudo nos unia.

Quero dar-te a alegria
Que jamais em tua vida surgiu e
Jamais teu olho negro viu.
Quero completar-te e servir-te
E, como numa orgia de sentimentos fantásticos,
Perder-me em desatino,
Esquecer-me do meu destino
E entregar-me ao teu prazer.

Post do poeta Alessandro Eloy Braga.
Poema transcrito do livro “Madrigais cantantes”

 


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