Toada pra se ir a Brasília

Escrito por Brasília Poética em . Postado em Poemas para Brasília Sem Comentários

Toada pra se ir a Brasília
 
(continuação)
 
Tenho a chave do futuro;
não quero outra maravilha,
Que os outros viajem pra lua,
eu não sei; irei pra Brasília.
 
Brasília de asas abertas
pra me contar, em segredo,
o dom de acordar mais cedo
do que os pássaros no arvoredo.
 
Brasília onde se diz que houve
uma lagoa dourada.
Brasília, onde Oscar Niemeyer
arquitetou – rosa em arco –
 
o Palácio Alvorada.
E nesta noite em que vivo
Eu preciso é de alvorada.
Não preciso de mais nada.
 
Vou-me embora, vou sem mágoa.
O coração do Brasil
deve estar mas em seu peito,
não aqui, à beira d’água.
 
Vou-me embora, satisfeito.
Não sou nenhum girassol
mas padeço de um mal bíblico
que é correr atrás do sol.
 
Solução a quem espera
por um mundo menos vão.
É fugir para o sertão
e esconder-se atrás da esfera.
 
Chegarei de madrugada,
quando cantar a seriema.
Brasil, capital – Brasília.
Onde mais bonito poema?
 
Vou-me embora pra Brasília,
que já nos meus olhos brilha.
Porque é a única cidade
onde nunca haverá saudade.
 
Cassiano Ricardo, poeta natural de São José dos Campos.
"Poemas para Brasília", antologia de Joanyr de Oliveira.

 


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