Linha do Tempo

Terça-feira, 19 de abril de 1960

Cardeal Cerejeira – Chega ao Rio de Janeiro Dom Manuel Gonçalves Cerejeira, Cardeal-Patriarca de Lisboa e Legado Pontifício para a inauguração de Brasília. Do “Vera Cruz”, em que viaja, Sua Eminência passa para a lancha “Garça”, do Ministério da Marinha. No Ministério, a “Garça” atraca junto ao mastro da Bandeira, desembarcando, em primeiro lugar o Cardeal Dom Manuel Gonçalves Cerejeira e o Sub-chefe do Cerimonial do Itamarati. Ao atingir o topo da escada, o Legado Pontifício, após ser saudado pelo comandante do 1º Distrito Naval, dirige-se, acompanhado do Sub-chefe do Cerimonial, para a esquerda do mastro da Bandeira. Os demais membros da comitiva colocam-se em linha, à esquerda e junto à escada em que desembarcaram, com a frente voltada para o edifício do Ministério.
Em seguida, são executados os Hinos Pontifício e Nacional, ouvindo-se, simultaneamente, as salvas de estilo. Terminado o Hino Nacional, o Cardeal Cerejeira e o Presidente Juscelino Kubitschek trocam demorado aperto de mão. Findos os cumprimentos, o comandante da Guarda de Honra apresenta-se ao Legado Pontifício e convida-o a passar em revista a tropa. Ao deslocar-se o Legado Pontifício para a testa da Guarda de Honra, o Presidente Juscelino Kubitschek dirige-se para o local onde se encontram as altas autoridades civis, militares e eclesiásticas.
Terminadas as apresentações, inicia-se o cortejo e, no momento em que o Cardeal Cerejeira e o Presidente Juscelino Kubitschek se dirigem para o carro presidencial, a Guarda de Honra apresenta continência e a Banda do Corpo de Fuzileiros Navais executa o “Cisne Branco”. Tendo à frente o carro presidencial, o cortejo desloca-se em direção à Praça Barão de Ladário. Ao longo da Avenida Rio Branco e demais artérias do itinerário, estavam formados contingentes do Exército, Marinha e Aeronáutica, constituindo o Destacamento Misto, sob o comando de um Oficial-General do 1º. Exército.
Na confluência da rua Visconde de Inhaúma com a Avenida Rio Branco, os Dragões da Independência passam a escoltar o cortejo presidencial, ao mesmo tempo em que uma chuva de flores e papéis picados desce do alto dos edifícios da Avenida Rio Branco. Durante todo o trajeto pela principal artéria da cidade enorme multidão aplaude o Cardeal Cerejeira, dando vivas a Portugal e Brasil.

 

Palácio Itamarati – O Presidente Juscelino Kubitschek preside, no Palácio Itamarati, a reunião da Comissão Brasileira da Operação Pan-Americana, despedindo-se, ao mesmo tempo, do funcionalismo do Ministério das Relações Exteriores. Após a reunião, o Presidente da República dirige-se ao salão em que se realiza o ato inaugural da Exposição de Antecedentes Históricos de Brasília, organizada em estreita colaboração entre o Serviço de Documentação da Presidência da República e a Divisão Cultural do Ministério das Relações Exteriores.
Da referida mostra constam vários quadros e painéis, todos documentando a idéia da construção da Capital do Brasil no interior, desde o tempo em que Tomé de Sousa se instalou na Bahia como Primeiro Governador Geral do Brasil.
Um dos ângulos mais interessantes da Exposição se situa na documentação referente aos Autos de Devassa da Inconfidência Mineira, em que a sentença de condenação dos acusados faz referencias ao fato de que os inconfidentes também estavam imbuídos da idéia de mudar a capital da Capitania de Minas Gerais, de Vila Rica para São João Del Rei. Enriquece ainda a Exposição uma coleção de mapas antigos, pertencentes à Mapoteca do Itamarati, onde se inclui o Planisfério de Jerônimo Marini, datado de 1518, original adquirido pelo Barão do Rio Branco.
Também faz parte da mostra o famoso mapa de Tozzi Colombina, com que esse geógrafo instruiu, em 1750, o seu pedido de concessão para instalar uma linha de diligencias partindo do Rio de Janeiro para atingir os confins do Oeste.
Vários objetos históricos que pertenceram a Tiradentes e José Bonifácio também constam da exposição, onde se vê o autografo da Constituição de 1891, em que pela primeira vez figura o dispositivo mudancista. Vê-se ainda na Exposição o original da emenda de Rui Barbosa à redação do mesmo dispositivo, além do farto material fotográfico relacionado com homens e fatos ligados à evolução da idéia da interiorização, desde o Marechal Floriano Peixoto até o Presidente Juscelino Kubitschek, focalizando também a criação da Novacap e a escolha do Plano Piloto de Lucio Costa.

 

Presidente Gronchi – A propósito da inauguração de Brasília, o Presidente da República Italiana dirige o seguinte telegrama ao Presidente Juscelino Kubitschek:

“Ao ensejo da inauguração da nova Capital – Brasília – em dia fausto para a latinidade, quero fazer chegar ao povo brasileiro a saudação e os votos de felicidade do povo italiano e meus pessoais, votos por um futuro de prosperidade sempre crescente, através da constante consolidação das instituições democráticas e do progresso da vida econômica e social.
O povo italiano não se sente alheio à intrépida valorização dos recursos inexauríveis da terra brasileira, à qual, sob a orientação válida e genial de Vossa Excelência, se dedica o povo brasileiro com o espírito de iniciativa e a capacidade de trabalho que lhe são peculiares, o que tive ensejo de admirar de perto.
Como no passado, o povo italiano deseja contribuir com o trabalho e o pensamento – numa união de propósitos e de obras – não somente no interesse comum dos nossos dois países, como também no tocante a uma convivência mais segura e feliz de todos os povos num clima de liberdade, justiça e paz.”

 

Rodovia Fortaleza-Brasília – Uma caravana de onze veículos, todos de fabricação nacional, parte de Barreiras, Bahia, rumo a Brasília, numa demonstração do adiantamento das obras da rodovia Fortaleza-Brasília. No primeiro dia, a caravana vai pernoitar em Goiás, na cidade de Posse, após percorrer uma grande reta de 215 km no vale que divide as águas do São Francisco das do Tocantins.
A caravana dos operários construtores da grande artéria que está unindo o Nordeste à Capital do planalto tem por objetivo, além de dar por aberto ao tráfego o trecho que vai do interior do Estado da Bahia à nova Capital, levar uma mensagem cordial ao grande número de conterrâneos seus que ali trabalham nos serviços de construção civil ou nas vias de penetração que para lá se dirigem, como a Belém-Brasília, conforme se lê numa faixa colocada sobre o primeiro veiculo, saudando “os candangos que, com o espírito de Brasília, construíram a nova Capital”.
Sobre a rodovia, o Diretor Geral do DNOCS diz à imprensa:

“Consideramos aberto ao tráfego o trecho da Nordeste-Brasília que vai de Barreiras à nova Capital com a cobertura do percurso pelos veículos do Departamento em tempo considerado normal para estradas não pavimentadas. A rodovia, naturalmente, carece de obras complementares até o seu asfaltamento, serviços que serão continuados sem interrompimentos. O trecho Fortaleza-Barreiras, cujo prazo de conclusão foi fixado pelo Presidente Juscelino Kubitschek, será entregue ao transito em setembro próximo pelo Chefe de Governo.”

 

Mensagem presidencial – O Presidente Juscelino Kubitschek dirige ao povo carioca, através da Voz do Brasil, a seguinte mensagem de despedida:

“A tranqüilidade de consciência pelo dever cumprido se reúne a tristeza do adeus a esta encantadora cidade do Rio de Janeiro que, com inexcedível generosidade, hospedou o governo durante quase dois séculos.
A transferência não se faz sem o efeitos de natureza emocional. Confesso que me acho possuído, ao transmitir-vos esta mensagem de afeto e reconhecimento, pela sensação de estar perdendo alguma coisa – o privilegio de viver convosco, altivo, nobre e culto povo que, com o correr do tempo, vim a conhecer melhor e cada vez mais amar.
Estou certo de que, embora de longe, o magnetismo da vossa cidade continuará a imprimir caráter particular a decisões fundamentais para os rumos do Brasil e que os vossos centros de cultura prosseguirão jorrando a luz que dirige a marcha do Brasil para o seu grande destino.
Bem sabeis que, ao cumprir o preceito da Constituição que determina a mudança da Capital do país para o planalto central, atendemos a um imperativo de nossa formação republicana federativa. Com esse passo, remontamos às nossas raízes históricas e rendemos, aos varões ilustres que se constituíram patriarcas da Nação brasileira, homenagem das mais grandiosas de quantas lhes foram prestadas.
Deixo a responsabilidade da administração do Estado da Guanabara a um dos meus mais dedicados auxiliares, Embaixador José Sette Câmara Filho, que demonstrou, em todos os momentos, firmeza de caráter, inteligência arguta e excepcional exação no cumprimento dos deveres. Será ele um digno sucessor dos eminentes prefeitos, Drs. Sá Lessa, Negrão de Lima e Sá Freire Alvim, que o precederam, aos quais, de público, manifesto o meu mais sincero e efusivo reconhecimento pelos inestimáveis serviços prestados à cidade do Rio de Janeiro, durante o meu Governo.
Quero render, aqui, homenagem ao vosso último prefeito, Dr. Sá Freire Alvim, honrado homem público, administrador dos mais eficientes, realizador de inúmeras obras que em definitivo há de marcar a sua gestão à frente do executivo municipal.
Ao despedir-me, asseguro que, enquanto eu for Presidente da República, há de dar-vos o Governo Federal inteira colaboração, a fim de que o Rio de Janeiro mantenha o titulo com que o mundo todo o consagra – Cidade Maravilhosa.”

 

Indulto – Logo após a leitura de sua mensagem ao povo carioca, o Presidente Juscelino Kubitschek assina o decreto que indulta todos os sentenciados primários, condenados a penas que não ultrapassem três anos de prisão e que tenham cumprido, com boa conduta, um terço das mesmas. O decreto apresenta inicialmente os seguintes considerandos:

“…considerando que a transferência da Capital da República para Brasília constitui acontecimento de singular relevância para a Nação brasileira; considerando que todos os brasileiros devem participar desse acontecimento, inclusive os que estão em cumprimento de penas…”

 

O presidente Juscelino Kubitschek despede-se do Rio de Janeiro e o mundo inteiro tira os olhos da cidade maravilhosa para conhecer as modernas retas e tesourinhas esboçadas entre curvas árvores do cerrado. Faltam apenas dois dias para 21 de abril.  Uma caravana de onze veículos, todos de fabricação nacional, parte de Barreiras, Bahia, rumo à capital, numa demonstração do adiantamento das obras da rodovia Fortaleza-Brasília. A profecia que virou concreto agora aguarda para transforma-se em vida com a chegada de novos moradores (Foto: Arquivo Público do DF)

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Segunda-feira, 18 de Abril de 1960

Organização Judiciária – O Diário Oficial publica a Lei no. 3.754, de 14 de abril de 1960, que dispõe sobre a Organização Judiciária do Distrito Federal de Brasília e dá outras providências. O Diário Oficial publica ainda as razões pelas quais o Presidente Juscelino Kubitschek vetou alguns dos dispositivos do texto aprovado pelo Congresso Nacional.   Comemorações em Ouro Preto – Em Ouro Preto, o Presidente Juscelino Kubitschek participa das festividades comemorativas de mais um aniversário do suplicio de Tiradentes, desta feita antecipadas pelo fato de estar marcada para 21 do corrente a mudança da Capital para Brasília. Na Praça Tiradentes, de um palanque, o Presidente Juscelino Kubitschek profere discurso em que se refere ao exemplo histórico dos Inconfidentes e à construção de Brasília como ponto de partida para uma nova era histórica no país.   NOVACAP – O Presidente Juscelino Kubitschek nomeia o Senhor Guilherme Machado para o cargo de Diretor da Novacap, na vaga do Senhor Íris Meinberg.   Prefeito de Brasília – O Presidente Juscelino Kubitschek nomeia o Senhor Israel Pinheiro da Silva para o cargo de Prefeito do Distrito Federal de Brasília.   Exposição de Nova York – A imprensa assinala que o stand do Brasil na XV Feira Mundial de Nova York, a inaugurar-se no próximo dia 4 de maio, terá como tema central Brasília. O projeto, extremamente harmonioso, procurou captar o sentido arquitetônico da nova Capital, em suas linhas de singeleza e simplicidade. O pavilhão reproduz, externamente, o Palácio da Alvorada. Atrás das colunas, internamente – de maneira a não serem vistas do lado de fora – ficarão situadas as vitrinas, em que serão expostos, em pequena quantidade, de forma quase que simbólica, os principais e mais expressivos produtos brasileiros, significando o progresso do Brasil atual. Máquinas colocadas ao fundo do pavilhão, responderão, automaticamente, às mais variadas perguntas sobre nosso país. Nas paredes, serão colocados mapas luminosos do Brasil e de Brasília. A organização do pavilhão brasileiro está a cargo do Senhor Francisco Medaglia, Direto do Escritório Comercial do Brasil em Nova York.   Ordem dos Advogados – O Conselho da Ordem dos Advogados do Brasil designa uma comissão, sob a presidência do Professor Nehemias Gueiros, para providenciar a instalação da Seção da Ordem no novo Distrito Federal de Brasília.   Ministério da Saúde – Ao embarcar para Brasília, o Professor Mário Pinotti, Ministro da Saúde, dirige a seguinte mensagem ao povo do Rio de Janeiro: “Ao deixar o Rio de Janeiro com destino a Brasília, nova Capital da República, é com a mais grata satisfação que me dirijo aos cariocas para externar-lhes a minha acendrada esperança no futuro do Estado da Guanabara, que será o marco decidido da expansão e do progresso do seu povo. Se Brasília, obra memorável e ciclópica do presidente Juscelino Kubitschek, representará para a pátria brasileira a bendita e promissora evolução do seu desenvolvimento econômico, também o Estado da Guanabara irá representar um dos seus maiores pontos de apoio, quer no aspecto político cultural, quer no econômico, conjunto de fatores que assegura ao Rio, de muito tempo, um lugar de alto destaque no cenário do Brasil. A frente do Ministério da Saúde, aqui no Rio, não desfitei um só momento o panorama imenso do Brasil, empenhando-me pela melhoria crescente do estado sanitário do seu ‘hinterland’, propiciando melhores condições de saúde às suas gentes. Todavia, nem por isso mesmo, o Ministério da Saúde descurou-se do seu dever para com as grandes metrópoles que concentram, em seus limites, milhões de patrícios e semelhantes necessitados de assistência médico-social. Agora, que Brasília será o elo visível da integração e da unidade nacional, continuarei no recesso do planalto central, no mesmo posto, olhando o Brasil caminhar para as suas novas dimensões, impulsionando, com o entusiasmo que sempre foi o meu apanágio, a máquina do Ministério da Saúde, no sentido de tornar o Brasil um país livre das grandes endemias que ainda flagelam suas populações. A esta Cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro o Ministério da Saúde não faltará com a sua colaboração marcadamente interessada no seu bem-estar, principalmente por dever de gratidão para quem carinhosamente hospedou o Governo da Nação por quase dois séculos sem desvincular-se da nobre e brava independência cívica de seus filhos de tão fecundas realizações para a Pátria comum. Em Brasília, serei um carioca a serviço do Brasil." Inspetoria Florestal – O Presidente Juscelino Kubitschek cria, em decreto, a Inspetoria Florestal do Distrito Federal de Brasília. Fuzileiros Navais – Chegam a Brasília os fuzileiros navais e marinheiros integrantes da Operação Alvorada, e que realizaram o percurso Rio de Janeiro-Brasília à pé. Supermercado – Inaugura-se em Brasília o moderno supermercado para abastecimento inicial dos moradores do Plano Piloto, com 60 funcionários especializados.  

Brasília vai de vento em popa. A cidade recebe diversos visitantes que vêm conferir a promessa de JK tornando-se realidade. O presidente, por sua vez, nomeia Israel Pinheiro ao cargo de primeiro prefeito do Distrito Federal. No Plano Piloto, é inaugurado um moderno supermercado para abastecimento inicial dos moradores, com 60 funcionários especializados. Mas não é só no Brasil que a cidade planejada dá o que falar, a imprensa internacional assinala que o stand do Brasil na XV Feira Mundial de Nova York, em maio, terá como tema central Brasília.  Salve 21 de abril! (Foto: Arquivo Público do DF)

Quarta-feira, 20 de abril de 1960

Partida do Presidente Juscelino Kubitschek – O Presidente Juscelino Kubitschek, acompanhado de sua esposa e filhas, antes de embarcar para Brasília, visita pela manhã o Palácio do Catete, onde se despede de todos os funcionários que não foram transferidos para a nova Capital do país. A cerimônia, embora simples, sem qualquer protocolo, apresenta aspecto tocante, visto que alguns servidores, não conseguindo conter a emoção, choram ao abraçar o Presidente da República. O Chefe do Governo faz questão de reunir no seu antigo Gabinete de trabalho todos os servidores do Catete, independente de qualquer categoria funcional e, abraçando um a um, deseja a todos as maiores venturas. Durante algum tempo de palestra com os representantes da imprensa, o Presidente Juscelino Kubitschek externa os seus agradecimentos a todos que, de qualquer forma, naquela casa presidencial, emprestaram colaboração ao seu Governo, considerando-os como cooperadores dos mais eficientes. Falando em nome dos jornalistas credenciados no Palácio do Catete, o Sr. Valdemar Bandeira, decano da Sala de Imprensa, agradece as atenções com que o Presidente da República sempre os distinguiu. Ao retirar-se do Palácio do Catete, o Presidente Juscelino Kubitschek é alvo de significamente manifestação de apreço e carinho por parte de alunos da Escola Rodrigues Alves contígua ao Palácio Presidencial, que, agitando lenços brancos, se despediam do Chefe do Governo. Nessa ocasião, a Sra. Sarah Kubitschek, visivelmente emocionada, não consegue esconder as lágrimas, o mesmo acontecendo com suas duas filhas. Com esforço, o Presidente da República consegue entrar no automóvel, pois a massa popular que o aplaude dificulta sua locomoção, e somente a muito custo os batedores conseguem romper a aglomeração popular e rumar para o Aeroporto. O Presidente da República, acompanhado da Sra. Sarah Kubitschek e de suas duas filhas Márcia e Maristela, chega ao Aeroporto Militar Santos Dumont pouco antes das 10 horas sendo aguardado por numerosas pessoas que vão apresentar as despedidas ao Chefe da Nação. Após os cumprimentar a todos quantos se encontram no Aeroporto Militar Santo Dumont, o Presidente Juscelino Kubitschek, tendo ao lado a Senhora Sarah Kubitschek e suas duas filhas Márcia e Maristela, sobe as escadas do ‘Viscount’, volta-se para a multidão e dá um ‘Viva o Estado da Guanabara’.  

Foto: Arquivo Público do DF

  Chave de Brasília – A abertura das solenidades de inauguração de Brasília dá-se com a chegada do Presidente Juscelino Kubitschek à Praça dos Três Poderes, a fim de receber das mãos do Presidente da Novacap a chave simbólica da cidade. O Presidente da República é recebido por grande multidão e, após agradecer os aplausos populares, toma lugar na tribuna fronteira ao Palácio do Planalto, em companhia de sua esposa e filhas e do Senhor Israel Pinheiro. Este, entregando a chave de ouro da cidade, profere discurso em que exalta a construção de Brasília. Após um orador popular, o Presidente Juscelino Kubitschek profere seu discurso de agradecimento. Finda a oração presidencial, o Senhor Israel Pinheiro oferece ao Presidente Juscelino Kubitschek o Livro de Ouro onde se consignam os nomes de todos aqueles que construíram Brasília, do Catetinho à Praça dos Três Poderes. A cerimônia encerra-se com a entrega ao Senhor Israel Pinheiro, pelo Presidente Juscelino Kubitschek, da Ordem Nacional do Mérito.   Cardeal Cerejeira – Viajando por via aérea, procedente do Rio de Janeiro, chega a Brasília Sua Eminência o Cardeal Cerejeira, Legado Pontifício, sendo recebido no Aeroporto Internacional de Brasília pelo Presidente da República, Ministros de Estado, Cardeais, parlamentares e autoridades civis e militares, congregações religiosas e grande massa popular. Logo após descer do avião e ao receber os cumprimentos de boas-vindas do Presidente Juscelino Kubitschek e auxiliares do seu Governo, o Cardeal Manuel Cerejeira ouve a execução do Hino Pontifício e do Hino do Brasil, passando, a seguir, revista a um contingente misto do Exército, da Aeronáutica e da Marinha, ocasião em que uma bateria do Exército dá as salvas de estilo. Após essas cerimônias de estilo, o Legado Pontifício é apresentado pelo Chefe do Cerimonial do Ministério das Relações Exteriores às autoridades presentes, dentre elas o Vice-Presidente da República, Sr. João Goulart, o Presidente da Câmara dos Deputados, Sr. Ranieri Mazzilli, o Ministro Barros Barreto, Presidente do Supremo Tribunal Federal, aos Cardeais brasileiros, aos Ministros de Estado e autoridades dos três Poderes da República. Logo após, o Legado Pontifício, em companhia do Presidente Juscelino Kubitschek e autoridades dirige-se para sua residência oficial durante a sua permanência nesta cidade, recebendo durante o trajeto as mais calorosas manifestações de carinho do povo de Brasília.

  Missa Solene – Às 23h30m, coloca-se no altar armado na Praça dos Três Poderes, em frente ao edifício do Supremo Tribunal Federal, a Cruz histórica da frota de Pedro Álvares Cabral, trazida de Braga para a Missa da inauguração de Brasília. A Missa solene em ação de graças, iniciada às 23h45m, é oficiada pelo Legado Pontifício, Cardeal Cerejeira, acolitado pelos Cardeais brasileiros – D. Augusto Álvaro da Silva, da Bahia; D. Jaime de Barros Câmara, do Rio de Janeiro; e D. Carlos Carmelo de Vasconcelos Mota, de São Paulo.  

Foto: Arquivo Público do DF

  A importante cerimônia ao ar livre é presenciada pelo Presidente Juscelino Kubitschek e sua esposa, colocados em local próximo e fronteiriço ao altar; pelas altas autoridades do país, dispostas em área à esquerda do Chefe do Governo; pelos numerosos representantes diplomáticos, colocados à direita, e pelo povo, operários, funcionários e milhares de visitantes. Antes de ser iniciada a missa é lido um ‘breve’ pelo qual o Papa João XXIII nomeia o Cardeal Manuel Gonçalves Cerejeira, Patriarca de Lisboa, Legado ‘a-latere’ à inauguração de Brasília. O ‘breve’ é lido em latim e português, sendo, em seguida, o Cardeal Legado conduzido para o trono pontificial a fim de ser paramentado para a Missa. Todo o cerimonial é descrito por D. Hélder Câmara. O Arcebispo-Auxiliar do Rio de Janeiro exorta o povo brasileiro a, unido, marchar para o progresso que despontava com aquele empreendimento do Governo de Juscelino Kubitschek, considerado no mundo inteiro como um marco glorioso na vida de um povo. As palavras de D. Hélder, pedindo ao povo que orasse pela glória de Deus e do Brasil, são ouvidas em silencio pela multidão que se encontra na Praça dos Três Poderes. O Coro Renascentista canta o "Kyrie Eleison" e, pouco depois, entoa outras peças sacras, acompanhado da Orquestra de Câmara de São Paulo. No momento da elevação do Santíssimo, a banda do Corpo de Fuzileiros Navais executa o Hino Nacional e todo o logradouro é iluminado por dezenas de refletores.  

Na imagem, pouco antes da meia-noite do dia 21 de abril de 1960, o Coro Renascentista e a banda do Corpo de Fuzileiros Navais celebram a inaguração da cidade em missa solene em frente ao Supremo Tribunal Federal (Foto: Arquivo Público do DF)