Posts com a Tag ‘SONETO’

SONETO DA CIDADE SUBTERRÂNEA

Escrito por Brasília Poética em . Postado em Poemas para Brasília Sem Comentários

SONETO DA CIDADE SUBTERRÂNEA
 
Infensa a essa Brasília que se ufana
existe outra cidade, dissidente,
intensa, visceral, profunda, humana,
imensa, seminal, gentil, decente.
 
Ao pé dos monumentos, sob a grama,
lateja a outra cidade, descendente
de um movimento antigo, sem programa,
de universalidade transcendente,
 
que essa gente comum, sempre espontânea,
era após era, conduz e sustenta.
Avesso à cupidez contemporânea,
 
prefiro a lucidez que nada ostenta:
saúdo esta Brasília subterrânea,
com milhares de anos (não cinqüenta).
 
Wilson Roberto Theodoro
Poema indicado para Menção Honrosa
Concurso Nacional de Poesia “Brasília: 50 anos”  

 

Continue lendo

Soneto crepuscular

Escrito por Brasília Poética em . Postado em Converse com os Poetas Sem Comentários

Soneto crepuscular

                         Para Francisco Carvalho
 
 
Nos campos de meu pai antigamente
as chuvas inundavam meus pensares
e do pomar do céu pingavam frutos.
 
Ventos ninavam aves repousadas
nas árvores vigias de seu sono,
sentinelas da luz crepuscular.
 
As ovelhas baliam suas crias,
os vaga-lumes alumbravam tudo
e a solidão das vacas nos currais.
 
Duendes se assustavam co’os trovões.
Na escuridão dos quartos o perfume
do amor gemente à sombra dos lençóis.
 
Invernos que de mim se evaporaram
nos campos de meu pai antigamente.


Nilto Maciel, poeta cearense, nasceu em Baturité.
Reproduzido da Antologia "Deste Planalto Central: Poetas de Brasília", de Salomão Sousa.

 

Continue lendo

Soneto do essencial

Escrito por Brasília Poética em . Postado em Converse com os Poetas Sem Comentários

Soneto do essencial
 
A vida, a que não tens e tanto buscas,
terás, se te entregares à poesia;
se andares entre as pedras, as mais bruscas,
da escarpa a que te leva a rebeldia;
 
se deres mais ao sonho, com que ofuscas
as luzes da razão e o próprio dia,
o coração que pulsa, se o rebuscas,
no eterno… Ou pulsa um deus que em ti havia?
 
Que pobre o teu sentir, se não te salvas
perdendo-te de vez nas terras alvas
que chamam da mais alta das estrelas.
 
Se a tanto te ajudar o engenho e arte,
ao impossível possas elevar-te
subindo em emoções, mas por vivê-las.
 
Afonso Felix de Sousa, poeta goiano, natural de Jaraguá.
"Poesia de Brasília", de Joanyr de Oliveira.

 

Continue lendo

SONETO POSITIVO No. 1

Escrito por Brasília Poética em . Postado em Converse com os Poetas Sem Comentários

SONETO POSITIVO No. 1
 
Eu te direi de amor em frase nova:
Verbo que em si conduz as singulares
Emanações fatais da escura prova
Que é força de ambições crepusculares.
 
Eu te direi da flor que se renova
Em frondes de segredos seculares,
Surgindo da clausura de uma cova
Em mutações tranqüilas e lunares.
 
Direi também de folhas, de aventuras
Levadas velozmente nas alturas
Dos ventos e das asas vencedoras;
 
Mas de tanto dizer que fique o silêncio
Que é cinza de palavras e que vence
O surto de inverdades tentadoras.
 
Joaquim Cardozo, poeta pernambucano, nasceu no Recife
Antologia dos Poetas Brasileiros, de Manuel Bandeira

 

Continue lendo


Leia também:

A passagem de Tom Jobim e Vinícius de Moraes pelo Catetinho

O texto de Antônio Carlos Jobim Setembro, sertão no estio. Frio seco. Altitude aproximada: 1.200 metros. Ar transparente, céu azul profundo, primavera e pássaros se namorando. Campos gerais, chapadões dos gerais. Cerrado e estirões de mata à beira dos rios.…

Alvorada de Espelhos

Alvorada de Espelhos Por Clemente Luz O imenso louva-a-deus traçado no papel, antes promessa da presença da cidade, já tem forma e base sólida no chão do planalto. No local mesmo onde a visão do profeta viu “que se formava…

Bernardo Sayão

Da morte emerges, Bernardo Sayão, e com que pureza! Assim te revemos, os que nunca te vimos, e não há em nós nenhuma surpresa. Assim te revemos, sertanejo tranqüilo, no retrato que te faz surgir num descampado, o olhar firme, …