Posts com a Tag ‘sol’

Brasiliense

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Brasiliense

Sou passarinho que canta
acima do vento ao redor.
Sou buriti alagado,
espreguiçando-se ao sol. (…)

na vastidão do cerrado
com luz a perder de vista,
sou um ipê encravado
que sobrevive no asfalto. (…)

não há bem que me conforte,
nem mal a me atormentar;
sou um candango de sorte,
peão forte a se urbanizar (…)

Raul de Taunay, poeta brasiliense
Poema transcrito da seção “Tantas Palavras”, Correio Braziliense (14/12/2011)

 

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Asas

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Asas

Brasília:
o chão a refletir o sol a clarear o céu
Esse vazio me enche.
 
Brasília:
o céu a refletir o chão a clarear o sol
Esse vazio me prende.
 
Brasília:
o sol a refletir o céu a clarear o chão
Esse vazio de chão.
 
Brasília:
o chão, o sol, o céu…
Esse vazio na gente.
 
Brasília:
por entre as quadras do grande pássaro
pulsam-me asas
Asas.
 
Sids Oliveira, poeta brasiliense
Poema transcrito do livro “Fincapé”, Coletivo de Poetas, Thesaurus Editora

 

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Henriqueta Lisboa

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Henriqueta Lisboa homenageia a cidade a falar do sol, da lua, da galáxia de Brasília. É que, embora radicada em Minas, teve a oportunidade de vê-la “à hora do nascer do sol”, transmudada de chofre em “bloco de topázio em prismas/alçado pelo azul do céu”, e à noite, “aquário escuro” sob uma lua de muitas originalidades: “Nenhuma lua vi maior/nem mais límpida em longitude/nem mais redonda em corola”. Também a Via Láctea? Sim, porque “Foi numa noite de mistério”. “Os astros formavam códigos/senhas algarismos e siglas”. Henriqueta Lisboa testifica porque viu “…a galáxia de Brasília/pairando sobre a flor de pedra”.

Texto transcrito de “Esses poetas, esses poemas”, da antologia “Poemas para Brasília”, de Joanyr de Oliveira

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Sinfonia da calçada em sol maior

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Sinfonia da calçada em sol maior
 
quando brasília nasceu
tudo era cheio de vida
e a vida toda era uma só
 
quando brasília surgiu
tudo era tão simples
e o tempo tão simples
 
quando brasília manheceu
tudo era tão quase
no quase quase tudo: sol
 
quando brasília se abriu
tudo era pra sempre
para sempre: nascente
 
Augusto Rodrigues, poeta goiano.
Poema transcrito do livro “Onde as ruas não têm nome”

 

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Caminhada de domingo

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Caminhada de domingo
  
Ando
Meio panda
Quase um pato
Sol na cabeça
Pés no asfalto
Pelo domingo lerdo e chato
Clamando tanto pelo inusitado
Algo como um gato caindo do telhado
O telhado desabando sobre o gato
 
Na aragem seca do planalto
Vejo, sem pejo
A nua princesa a dançar o ventre
Beijo seus seios de pêssego
Salivo as uvas de seus beijos
Respiro o odor tamarindo
De seu sexo de róseo mistério
 
Meio tonto
Quase tombo
Tropeço nos escombros dos meus sonhos
O Sol se põe em gema por trás da catedral
O sangue das nuvens dá cor ao meu olhar
A olhar
O ar
 
Guido Heleno, poeta goiano, natural de Anápolis.
Poema transcrito da antologia “Poemas para Brasília”, de Joanyr de Oliveira

 

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Cassiano Ricardo

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Cassiano Ricardo, em “Toada pra se ir a Brasília”, adverte sobre os “malefícios” do sol marinho, e promete: “Vou-me embora pra Brasília,/sol nascido em chão agreste”. Razões de sobejo encontrava para tão firme decisão, não são poucas as que vai enumerando em cada estrofe, em cada verso. Começa por afiançar que “a esperança mora a oeste”, que aqui reencontraria a infância, o avô (Anhangüera), nesta terra nunca haveria saudade (por inexistirem aqui as ruas vetustas e sinuosas, os quintais povoados de folguedos), etc. É sabido que o poeta ficou nos nobres propósitos, Brasília por ele aguardou inutilmente, mas ele ao menos contribuiu em favor da boa imagem da cidade nascente, em um tempo em que muitas a tinham como impossível, inviável, absurda, e nada mais que fruto de insanos projetos faraônicos. “Toada pra se ir a Brasília” é, provavelmente, o mais divulgado de todos os poemas brasilienses. Familiares de C.R. aludem ao seu grande apreço por esse poema, que ele deixou como “legado” aos descendentes.

Transcrito de “Esses poetas, esses poemas”, antologia “Poemas para Brasília”, de Joanyr de Oliveira

 

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Panorâmica explanada

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Panorâmica explanada

O prato da Câmara
posa um show de câmera
no olho espelhado: sol
abrasando o horizonte,
os plenários vazios.
Eclipsadas turvas caricaturas
as meias-luas de Brasília.
A grama ri, de cócegas.
Crianças de cócoras
rolando a ribanceira
onde dormiu a bandeira
brasileira
militante-guarda-chuva.
De Marte, um guizo,
um risco, o giz dourado:
magia da tarde na esplanada.
No peito, o cenário calado
como uma rocha esculpida
na eterna vaga do universo.
Pássaros entrevoam
o crepúsculo
ferido de morte e beleza
em cor de sangue.
A noite chega
escorregando
em estrelas
 
Angélica Torres Lima, poetisa goiana, nasceu em Ipameri.
Transcrito do livro “Paleolírica, poemas” –  Alô Comunicação, Brasília.

 

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Poemas de Toque

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Poemas de Toque
 
II
 
scls
duzentos e tal
         : o sol
                  pendurado num varal
amanhece
 
III
 
imensa solidão
    : o lago paranoou-se
                  em meu coração
 
IV
 
dourada a luz
                  verão das seis
: calda esparramada
                             pela W-3
 
V
 
agosto ensandece
: vago pela sqs
                     ensoldecido
 
VI
 
cento e seis sul
      às seis
: à beira do eixo
 meu coração
                    talvez
 
Nelson de Carvalho, poeta natural de Piquete, São Paulo.
Poema transcrito “Deste Planalto Central – Poetas de Brasília”, de Salomão Sousa.

 

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ESPACIAL

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ESPACIAL
 
"A suntuosa Brasília, a esquálida Ceilândia contemplam-se.
 Qual delas falará primeiro?"

                                               Carlos Drummond de Andrade
 
 
Quando o sol renasce em Brasília, resplandece
no pêndulo da balança do Congresso Nacional
e encerra a revelação da nova orientação.
Mãos postas, oro pro nobis, nobres navegantes,
os Encantados, por um longo instante, estiaram
um vastíssimo dossel amarelo sobre as cabeças,
mas não é de sonho a atmosfera domingueira,
não obstante tudo pareça mais lento e impossível.
Nas obras construtoras dos monumentos,
nos imponentes esqueletos futuristas, o barro
vermelho, modernizado, lamenta a sorte
dos operários, discriminados.
No planalto central, o céu mais próximo
acentua a gravidade, forja uma sensação
de indignidade nos habitantes, colhendo água
do fundo do poço milagroso, em introspeções.
A vegetação deformada do cerrado protege,
com sua casca grossa, os escolhidos,
delicadas flores silvestres, escarlates.
A poeira encarde a roupa, a alma, o pensamento,
concede à língua do poeta, comedida, elaborar
no tempo uma alérgica poesia, iluminista.
No plano piloto, em arrojada arquitetura,
os edifícios parecem apenas pousados na terra,
peças de xadrez no tabuleiro artificial.
Podendo, a qualquer momento, levantar vôo,
desaparecendo no espaço sideral, dando lugar
ao surgimento de dinossauros fantásticos…
Só acredito nesse céu.
 
Gisele Lemper, poetisa carioca
"Duo"

 

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