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Em defesa dos buritis

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Em defesa dos buritis
Por Antonio Miranda
 
“Se algum dia a civilização ganhar essa paragem longínqua, talvez uma grande cidade se levante na campina extensa que te serve de sóco, velho Buriti Perdido”
Afonso Arinos

Um curioso livro foi lançado em 1958 sobre Brasília, a futura capital do Brasil. O livro, ao contrário de tantos outros que estavam sendo lançados nos anos que precederam à construção e à inauguração da Novacap, não versava sobre as suas origens históricas, tampouco sobre os homens que a idealizaram, nem sobre os seus atributos geofísicos e muito menos sobre sua arquitetura e urbanismo.

O livro em questão celebrava o buritizeiro!

Em edição aprimorada, em papel “cuchê” e com ilustrações primorosas, tinha o título um tanto paradoxal de “Brasília e o Buritiseiro”, com “s” mesmo. Paradoxal porque Brasília ainda era um vir-a-ser e o buritizeiro não constituía – e ainda não se constitui – em recurso econômico significativo para transformar-se em objeto de estudo e para merecer uma publicação até luxuosa como a que mereceu.

O autor – Francisco Manoel Brandão, revelou-se um apaixonado dessa singular palmeira nacional. Ele pesquisou a presença da palmeira (e do buritizeiro em particular) nas mais variadas disciplinas e atividades humanas, extraindo os seus aspectos etimológicos, botânicos, históricos, bíblicos, literários e o seu aproveitamento econômico, além de seu valor social e cultural.

De acordo com as pesquisas de Brandão, a origem da denominação dessa palmeira tão freqüente na paisagem primitiva dos cerrados brasilienses e, sobretudo, na região Norte do Brasil, é, inegavelmente, nheengatu ou tupi e o seu significado seria “palmeira de muita água” (cujo significado tanto vale por si mesmo quanto pelo meio que habita).

“Vários aspectos da vida dessa palmeira se relacionam efetivamente com a água, já porque do seu espique, bem como dos seus espádices, antes de desabrochar as flores, promane uma espécie de seiva ou líquido adocicado, já por habitar, de preferência, as aguadas, os lugares baixos, úmidos ou pantanosos, razão por que chamam-na também “palmeira do brejo”.

O buritizeiro é, destarte, enaltecido por suas virtudes alimentares, por sua utilidade na construção (principalmente na cobertura das moradias humildes), pelo uso no artesanato indígena e caboclo, por sua aparição na etnografia e no folclore.

“O buriti, como verificamos, tem uma grande vida a contar. Vida que começa na estória, na infra história dos povos, e termina na história, nos laboratórios, na terminologia técnica e cientifica da Botânica e da Ciência da Nutrição, transferindo-se ainda para os ambientes solenes e austeros dos Tribunais, da Justiça e do Direito”.

Caberia ressaltar o buritizeiro (Mauritia Vinifera de Martius) em território brasiliense. Brandão investiga a existência da palmeira do buriti em nossa geografia e em nossa história.

“Quando pisamos o território de Brasília, logo nos seus primeiros dias, tivemos as nossas vistas voltadas para os buritisais que aqui e ali vicejam como herança abençoada de que durante séculos vigiou as regiões do Planalto”.

Recorda, com prazer, a homenagem que se lhe fazia no Núcleo Bandeirante, ao denominar-se “Hotel Buriti” um dos primeiros alojamentos populares da então “cidade livre” em seu alvorecer.

“Decorridos 15 meses de nossa estada ali, tivemos conhecimento de séria contrariedade do Presidente Juscelino Kubitschek a propósito de uma ornamentação comemorativa que se fizera, em sua honra e louvor, com palmas de buriti.

É que no dia 26 de outubro de 1957 oferecera-se um lanche, no Palácio da Alvorada, em regozijo por mais um lance das obras, o qual se atingia naquela ocasião com a retirada das formas da estrutura de cimento armado do referido edifício.

Foi nessa oportunidade que o Presidente lavrou seu protesto contra aquela ornamentação que custara a mutilação de tão preciosa palmeira. E proibiu terminantemente a repetição do fato”.

O que vale realmente registrar é a revelação que Francisco Brandão faz da pendência em torno da Missão Cruls, por ele descoberta em conversa com o Dr. Carlos Alberto Quadros, Secretário-chefe do gabinete do Presidente da Novacap e cônsul geral honorário da República de El Salvador em Brasília.

Segundo o informante, tratava-se de uma demanda movida contra a Fazenda Nacional, ou melhor, de uma ação judicial contra danos causados à fazenda onde acamparam os integrantes da expedição comandada por Luís Cruls. Os proprietários entraram na justiça devido à ação presumivelmente predatória de elementos da citada Comissão.

“Nessa demanda pede-se e obtém-se indenização decorrente não só da turbação de posse e negócio, da cessão de lucros, como das perdas e danos ocasionados com a queima dos campos em época imprópria e a derribada de capões e dos Buritis”.

Tratar-se-ia, segundo o testemunho, de forma inconteste e até simbólica de que se reveste, do primeiro ato público de defesa da natureza no solo brasiliense, já em tempos tão remotos. O protesto fora inicialmente feito pela imprensa goiana (O Estado de Goyaz, 1897), logo através de cartório, na cidade de Formosa, subscrito por vários negociantes da cidade, proprietários da fazenda Bananal, localizada nos municípios de Mestre D’Armas e Santa Luzia, por onde andara os integrantes da Missão Cruls.

“Em dias do mez de Novembro do anno passado, entrando naquella fazenda a Comissão de Estudos da Nova Capital da União, alli foi por ella escolhido o local para o acampamento da mesma, o qual ficou estabelecido com a construcção de diversos ranchos, alguns com caráter de casa, indicando assim uma estada não provisória”, alegam os acusadores em documento reproduzido no livro de Brandão.

Os proprietários protestam contra a posse ilegal de suas terras, privando-lhes do uso das mesmas para a trata de gado e para aluguel a fazendeiros, assim como contra a depredação havida.

“Outrossim, essa fazenda, que é situada em uma chapada onde não existem mattas e sim pequenos capões, cabeceiras e vertentes servidas de burithys o estrago tornou-se conhecido, já quanto aos pequenos mattos e já quanto a essas palmeiras, devastadas em quazi sua totalidade, cuja utilidade não é ignorada por quem comprou e estima aquelles terrenos”.

Estimaram o prejuízo em dois contos de réis por cada mês que a Comissão permaneceu ilegalmente na propriedade. A União, decorrido um ano de ocupação das terras, não reconhecia qualquer direito de reclamação aos proprietários.

Uma certidão de 14 de janeiro de 1928, transcrevendo registros anteriores, foi elaborada pelo Cartório de Registros e Títulos e Documentos, da capital do Estado de São Paulo, e dá noticia do desenlace da questão, isto é, a condenação da União, obrigada a pagar uma quantia determinada por lei a Lobo & Irmão, demandantes, a título de “indenização por danos causados na fazenda Bananal, situada no município de Planaltina, pela Comissão Cruls”.

A carta de sentença, vinda do Supremo Tribunal Federal para execução, fora proferida pelo juiz federal de Goiás, em cuja documentação fica patente que os membros da Comissão Cruls se apropriaram das benfeitorias da fazenda, desmataram as poucas madeiras existentes, incluindo os “buritizaes, cujas folhas empregavam na cobertura de ranchos e que foram (…) na sua quase totalidade destruídas pelo pessoal encarregado de cortá-los e que para poupar trabalho abatiam os troncos de buriti, com grande danno para as vertentes d’água que elles protegiam e alimentavam”.

Estabelece ainda que, nos vinte e seis meses de acampamento, a Comissão efetuou queimadas em estações impróprias.

A Comissão julgou-se, inicialmente, inocente da invasão e da apropriação, seja invocando o dispositivo constitucional de reserva de 14.400km2 de terra para a nova Capital, seja alegando que os proprietários não apresentaram títulos de posse. A Comissão estaria executando um serviço de interesse geral, teria feito benfeitorias em vez de depredação, etc.

Impôs-se uma vistoria no local. Constatou-se o ocorrido. A União foi então, obrigada a pagar aos proprietários, pelo aluguel das propriedades e das benfeitorias, pela destruição dos pastos e buritizeiros, pelos juros devidos ao tempo decorrido, a quantia de 13 contos e setecentos mil réis, sendo dois contos relativos aos “dannos causados aos buritizais da fazenda Bananal pela Comissão de Estudo da Nova Capital da União”. A sentença foi proclamada em 5 de novembro de 1898, a intimação feita a 17 de agosto de 1899.

Mas a história se repete, na opinião de Francisco Manoel Brandão:

“Os fatos ocorridos ao tempo da Missão Luís Cruls tiveram como teatro a mesma zona onde agora, em nome não sabemos de que finalidade ou atividade agrícola ou industrial, vem sendo posto abaixo vários buritizais.

É o que está acontecendo e o que se pode ver nas proximidades da Fazenda do Torto e na lagoa do “Jaburu”, caminho do “Palácio da Alvorada”.

Próximo à sede daquela Fazenda vive ainda um Buriti, que, por se achar isolado dos demais, é chamado “Buriti Sozinho”.

Reconhece o autor da obra que a Novacap possui policia florestal mas apelava para que o mesmo espírito de defesa do meio-ambiente natural da região fosse encarnado então, como em tempos de Luís Cruls o fora, cujas autoridades foram obrigadas a responsabilizar-se pela obra devastadora de seus comandados…

“Uma coisa apenas desejamos que aconteça: quando a policia tiver, por esse fato, que responsabilizar alguém, que responsabilize o mandante desse atentado e não o desgraçado trabalhador que foi obrigado a cumprir uma ordem absurda dessa natureza”.
 

Transcrito do livro “Brasília: capital da utopia”, de Antonio Miranda – Editora Thesaurus.

 

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a verdadeira leveza DE ser

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a verdadeira leveza DE ser
 
primeiro foi o mar
Rio…
depois cachoeira e o porto de um lago
cerrado,
cercado de água por todos os lados
 
depois o ar
o impulso
as asas
o alto habitat natural das pedras candentes-
incandescências
 
na vista definitiva do centro fumegante da terra
descubro contigo que a verdadeira leveza de ser é vulcânica
 
Sylvia Cyntrão, poetisa natural do Rio de Janeiro.
Transcrito “Deste Planalto Central – Poetas de Brasília”, de Salomão Sousa.

 

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O rio fantasma

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O rio fantasma
Ao rio que não corre em Brasília
 
Mudaria a tua cara fosse um rio
o lago que entranha tua carne
e purifica o seco aroma do cerrado
Imaginar correr o líquido nobre no planalto
transforma tua imagem silenciosa
distorce a tua silhueta clarazulada
 
Da estática far-se-ia o movimento
do sabor de terras viajadas, sabedonde
certamente seria outra a tua cara fosse um rio
o acidente a te lamber as pernas
e transportar, para outras terras, teu soluço
e tua saudade de mar.
 
Leonardo Almeida Filho, poeta paraibano, nasceu em Campina Grande.
Transcrito da antologia “Poemas para Brasília”, de Joanyr de Oliveira.

 

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BRASÍLIA – SETEMBRO DE 1959

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BRASÍLIA – SETEMBRO DE 1959

 

 

 

 

Dia 02
O Presidente Juscelino Kubitschek aprova parecer do Consultor Geral da República, Antonio Gonçalves de Oliveira, a propósito da transferência da Capital Federal para Brasília.

Dia 04


Foto: Arquivo Público do DF

O jornalista francês James Coquet, do jornal parisiense “Le Figaro”, percorre trechos da rodovia Belém-Brasília. Ao chegar a Belém, manifesta sua admiração pelo esforço gigantesco que está sendo realizado para a rápida construção da rodovia, que classificou de “obra ciclópica”.

Dia 05
Falando à juventude no Estádio do Fluminense Futebol Clube, o presidente Juscelino Kubitschek assim se refere à Brasília:

“Não encontramos um país fácil, nem condições inteiramente favoráveis, mas nunca cessou o nosso esforço de penetração do interior e de conquista da natureza. Recentemente, tomamos providências de larga envergadura: ocupamos definitivamente o centro do Brasil, até aqui deserto. Estamos destruindo a solidão em que se encontravam zonas até hoje desdenhadas e pondo fim à condição de arquipélago em que vivíamos, com tantos núcleos de população dispersos e privados de meios de comunicação e intercâmbio”.

Neste dia, em companhia do Ministro Horácio Lafer, visita Brasília o Secretário Geral das Nações Unidas, Dag Hammarskjoeld.

Dia 11
Rodovia Belo-Horizonte/Brasília – O Ministério da Viação divulga a conclusão, na rodovia Belo Horizonte-Brasília, da ponte sobre o córrego Poções, de 38 metros de cumprimento.

Dia 12
Correio Braziliense – lançada a pedra fundamental do Correio Braziliense.

Ligação telefônica – De Brasília, o Presidente JK fala pelo telefone com o Rio de Janeiro, inaugurando o circuito rádio-telefônico entre as duas cidades.

Inaugurações – Nesta data, em homenagem ao aniversário de JK, realizam-se numerosas inaugurações em Brasília:

Barragem do Paranoá – entre as obras inauguradas destaca-se o fechamento da barragem do Paranoá, a inauguração de trevos e viadutos e dezenas de quilômetros de pavimentação asfáltica nos principais eixos rodoviários de Brasília, inclusive o que vai até a ponta da península. O fechamento da barragem implica no inicio do represamento do Paranoá, para a formação do lago que circundará Brasília e que é um dos belos efeitos plásticos no plano urbanístico da nova capital. Por outro lado, esta obra ganha outra importância, porquanto ao pé da barragem será instalada uma usina hidrelétrica, que fornecerá energia para a cidade.

Trevos urbanos – de automóvel, o presidente JK percorre, inaugurando-os, os dois trevos pavimentados do Plano Piloto, inclusive o grande trevo da Avenida das Nações Unidas.

Catedral – O presidente JK procede ao lançamento da pedra fundamental da Catedral de Brasília, a ser construída, em terreno doado pela Novacap, com recursos oferecidos por particulares. A Catedral, verdadeira jóia arquitetônica, concebida por Niemeyer, no dizer do Arcebispo de Goiânia, Dom Fernando Gomes dos Santos, que oficiou a cerimônia litúrgica.

Aniversário de JK – o programa comemorativo do aniversário do presidente JK inicia-se com um toque de alvorada, defronte à residência presidencial, onde um grupo de cinqüenta colegiais canta, em coro, o “parabéns para você”.

Em seguida, no Palácio da Alvorada, realiza-se o plantio de uma muda “sequióia gigante”, oferecida pelo governador da Califórnia ao presidente da nação brasileira, através do embaixador dos Estados Unidos, John Moors Cabot, que ressalta ser a sequióia uma das árvores características da Califórnia que costuma viver mil anos.
Na Capela de Nossa Senhora de Fátima, o Arcebispo de Goiânia celebra missa, seguindo-se, na Avenida W-3, um desfile com dois mil colegiais e contingentes militares.

Blocos de apartamentos – o Presidente JK inaugura no programa de comemorações de seu aniversário, novos blocos de apartamentos, do plano de construções do IAPB e do IAPC, visitando ainda as obras do Hospital Distrital de Brasília.

Dia 13
Pioneiras Sociais – inaugura-se em Taguatinga, cidade-satélite de Brasília, o Hospital das Pioneiras Sociais, primeira unidade assistencial da cidade.

Dia 14
Congresso de Críticos – começam a chegar ao Rio de Janeiro, os arquitetos e criticos de arte estrangeiros que participarão do Congresso Internacional de Críticos de Arte, a instalar-se em Brasília a 17 do corrente.

Dia 15
Rodovia Belo Horizonte/Brasília – o Ministério da Viação divulga a conclusão, na rodovia Belo Horizonte/Brasília, da ponte sobre o rio São Marcos, na divisa dos Estados de Minas Gerais e Goiás. Trata-se de uma das mais imponentes obras de arte da rodovia Belo Horizonte/Brasília construída em concreto armado, numa extensão de 270 metros e a 22 metros de altura sobre o nível das águas.

Dia 16
Ministério da Marinha – o Ministro da Marinha expede aviso ao Presidente da Comissão de Estudos para Instalação da Marinha em Brasília, aprovando o minucioso trabalho dessa comissão sobre os estabelecimentos, serviços e forças a serem criados e instalados na futura capital.

Dia 17
Congresso Internacional de Críticos de Arte – instala-se em Brasília, o Congresso Internacional de Críticos de Arte que reúne as mais destacadas figuras da arte do mundo inteiro.

O professor Giulio Carlo Argan, da Universidade de Palermo, da Itália, cita Brasília em sua saudação como a “capital moderna do mundo moderno”.

Dia 21
V Bienal de São Paulo – O presidente JK fala sobre Brasília na inauguração da Bienal como “expressão avançada de nossa autenticidade criadora”.

Congresso Rodoviário – Falando, no Rio de Janeiro, na cerimônia de inauguração da Exposição do Congresso Internacional de Estradas de Rodagem, o presidente JK se refere a Brasília como “foco irradiador de energia, de cultura e de civilização na nova marcha para o Oeste”.

Dia 26
Câmara dos Deputados – visita Brasília uma comitiva de membros da Câmara dos Deputados, sob a chefia de seu Presidente, deputado Ranieri Mazzilli.

Dia 28


Foto: Arquivo Público do DF

Avião Caravelle – o primeiro avião “Caravelle” comprado na França pela Varig realiza viagem a Brasília, onde é batizado. A bordo do avião, o presidente JK inaugura uma placa comemorativa da viagem inaugural do “Caravelle” à futura capital.

Fonte: Diário de Brasília/Coleção Brasília/Serviço de Documentação da Presidência da República, 1959.

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BRASÍLIA – SETEMBRO DE 1958

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BRASÍLIA – SETEMBRO DE 1958

 

 

Dia 06
Para uma visita às obras de Brasília, chegou, em avião especial, às 10h, uma caravana de membros do Instituto de Engenharia de São Paulo, chefiada pelo Presidente João Soares do Amaral Neto.

Dia 07
Desfilam, no Dia da Pátria, destacamentos do Exército e da Aeronáutica e mais de mil escolares e atletas.
Em visita à Brasília, chegou às 12h, o médico parisiense Dr. Alfred Baconnet, acompanhado de sua esposa. Em sua companhia vieram também o Ministro para os Assuntos Econômicos em Paris, Máximo Sciolette e esposa.
O Dr. Alfred Baconnet celebrizou-se pelos seus trabalhos sobre o emprego de papaverina nas afecções cardíacas e por ter sido médico assistente do Papa Pio XII.

Dia 08


Foto: Arquivo Público do DF


O presidente da Itália, Giovanni Gronchi, visita Brasília e recebe o lote destinado a construção da Embaixada italiana na futura Capital do Brasil.

Dia 12
Em dois aviões “Constelation” da Panair do Brasil, chegou às 9:15h, a comitiva de alunos da Escola Superior de Guerra, sob a chefia do Major-Brigadeiro Vasco Alves Secco para a segunda visita de membros da ESG à Brasília.

Dia 13
A Comissão do Senado Federal encarregada dos assuntos da transferência da Capital, esteve neste dia em visita à Brasília e especialmente às obras do Congresso Nacional. Integravam a comitiva os senadores Cunha Melo, Gaspar Veloso e Paulo Abreu.

Dia 21
O Presidente Juscelino Kubitschek, às 8:30h, procedeu ao plantio de uma árvore (a segunda plantada por ele na Nova Capital), dando inicio à arborização da cidade de Brasília.

Exatamente há um ano, no mesmo horário, em que plantou uma muda de “cangerana” (Cabralia Cangerana) em frente ao Grupo Escolar Provisório, do bairro denominado Novacap, JK plantou uma muda de “almacega”, árvore típica do cerrado, na quadra 23 das Casas Populares, na Asa Sul do Plano Piloto.

O presidente da Novacap plantou uma muda de ipê e o Dr. Ernesto Silva plantou uma muda de “flamboyant”. Neste dia, foram plantadas 2.500 mudas para constituírem os três primeiros parques das 528 Casas Populares já habitadas.

Dia 24
Neste dia, para uma visita às obras de Brasília, chegou às 10h, uma caravana de deputados nacionais, arquitetos e estudantes de arquitetura argentinos.

Dia 25
Assinado Termo de Acordo entre o Ministério da Saúde e a Novacap para a construção dos edifícios previstos para a rede hospitalar de Brasília.

Dia 29
No dia 29, às 11:20h, foi feita a ligação do conduto e lançado o primeiro jato de água na primeira câmara do reservatório R2 de Brasília.

Este reservatório acha-se colocado nas proximidades do Cruzeiro (Alto da mira), na altitude de 1.136 metros. Sua capacidade é de 30 milhões de litros.

Fonte: Revista Brasília, da Novacap, edição setembro de 1958, número 21.

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O POETA ANDARILHO, UM INÉDITO DE LUIS TURIBA

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"Caminhante não há caminho. Se faz caminho ao caminhar".
Assim o fiz e descobri que há poesia sim no caminho e ao caminhar você pode até fazer nascer um poema na sua mente-caderno errante.
O poeta japonês Matsuó Bashô (Senhor Bananeira, nascido em 1644) viajou, a pé, em sua vida errante, por todo o Japão agreste e agrário, atrás de luas, lagos, templos dentro de florestas, buscando o vagalume do haikai.
O poeta caminha em busca de seu verso, de sua iluminação. Também caminhei em busca da luz da saúde, do amor e da paz. Foi caminhando que curei literalmente meu caração recém-recuperado de uma cirurgia cardíaca.
Tive como companheiro das andanças um cajado e assim pude experimentar a construção de um semi-longo poema.  Resolvi dividí-lo em cinco partes e aqui decido publicar as duas primeiras partes deste inédito verso calejado pelas palavras dos caminhos.
Vá devagar que você chega lá: a lugar nenhum.

Turiba

O poeta andarilho e seu cajado alado
Luis Turiba

Sigo
 
passo a vida por um rio
         assim como a Portela na avenida
 
lavo-a enxáguo-a chuleio-a
 
levo-me leve em vôos sem lei
         meu fio terra é madeira de fibra
 
sou andarilho
 
portanto
         com (par) trilho
 
meus pés zeram a mente
 
piso o passo dos que passam
pé pós pé pós pé pós pé
até não mais prosperar
 
sigo a sina dos sem-cisma
tendo ao lado meu cajado
alado e desconfiado
um fariseu distraído
afável & aviolado
 
companheiro
dos meus pés cansados
das letras vivas dos passos
das pernas tortas do corpo
das caminhadas infindas
do porte atlético e ereto
 
enquanto caminho
menos é mais
aperto chacoalho sucumbo
até só sobrar
o que não soçobrou
 
busco a essência dos sistemas
tiro as porqueiras das emboscadas
passo acima de zilhões de formigas
congestionamentos túneis avenidas
assembléias passeatas estádios
 
verdadeiro sistema viário
         todas ao trabalho
um formigário ativo
e formigável
 
pulo sem machucá-las
sigo
         crio novas pontes
e na terra à vista
abro picadas pelas pistas
dou linha à pipa
         dou de bico
 
caio nas armadilhas
sem ter medo dos perigos
dessas trilhas
 
sou também uma formiga
um bonde da existência
nos trilhos dos descaminhos
 
salto e sigo
descalço dos meus encalços
pisando com meu cajado
na estrada rumo a riba
as expressas, os estribos
pelas trilhas gramas terras
que beiram a BR-criptica
 
sonhos senhas
sedes credos
scripts santos ao sol
flores filtros
afloram o céu
 
cada passo um destino
cada ritmo uma rotina
caminhada é teimosia
mas sim, sigo rumo ao fim
 
mesmo pisando desvios
sinto o som da sinfonia
buzinas arranques freios
sanfonas em surdinas
motores desafinados
entre gritos e silêncios
 
Luis Turiba, poeta pernambucano, natural de Recife.

 

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Vocação histórica de Brasília

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Vocação histórica de Brasília
Por J. Guilherme de Aragão

 
Já em 1948, escrevêramos a propósito da interiorização da capital federal, ao comentar o primeiro relatório da “Comissão de Estudos para a Localização da Nova Capital do Brasil”, então sob a presidência do general Djalma Poli Coelho: “Pela sua magnitude e complexidade, a transferência da capital da República para o centro do país entra na categoria dos problemas nacionais de discussão intermitente, mas de solução cronicamente irrealizada.”

E vinha o exemplo das tentativas e sugestões históricas da mudança; a dos Inconfidentes, em 1789; a de Hipólito José da Costa, no “Correio Brasiliense”; a de José Bonifácio, na “Memória” à Assembléia-Geral Constituinte, em 1823; a de Varnhagen, perante o ministro da Agricultura, Tomaz Coelho, em 1887; a do deputado Virgilio Damásio, representante do Bahia perante o primeiro Congresso Constituinte da República, e conseqüente inscrição no art. 3º. da Constituição de 1891; finalmente, a palavra de ordem do art. 4º. do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias, da Constituição vigente, segundo o qual “a capital da União será transferida para o planalto central do país.”

E de toda essa sucessão mais do que sesquicentenária de bons propósitos em favor desse empreendimento invariavelmente considerado como necessário ao progresso do país, só havia, naquele ano de 1948, o roteiro de alguns estudos técnicos e um marco menos metafísico: a pedra fundamental de Planaltina.

Agora que a metrópole interior está sendo edificada, graças ao governo empreendedor e construtivo do presidente Kubitschek, chegamos felizmente a uma histórica fronteira em que mais de século e meio de sonho e aspiração se converte na realidade de Brasília. Coincidência curiosa: mineiros tinham sido os precursores da interiorização da metrópole, no século XVIII; na fronteira, entre o século XIX e o século XX, empreendeu o Estado de Minas Gerais a transferência de sua capital de Ouro Preto para Belo Horizonte; e na segunda metade deste século, é um estadista originário de Minas Gerais que está realizando a empresa histórica da transferência da capital da República para o planalto central.

Afigura-se, então, Brasília, a esta altura, como realização profética dos dois dos maiores sonhadores do progresso do Brasil interior – Hipólito José da Costa e José Bonifácio – ao mesmo tempo que se erige como instrumento novo de vitalização e transfiguração social e econômica do país. Para Hipólito José da Costa, por exemplo, a capital interior tornaria factível lançar “os fundamentos do mais extenso, ligado, bem defendido e poderoso império que é possível que exista na superfície do globo.”

E citava o exemplo de Washington, a pretexto de profligar os derrotistas: “Quanto às dificuldades da criação de uma nova capital, estamos convencidos de que todas elas não são mais do que mornos subterfúgios.” A facilidade com que nos Estados Unidos de América Setentrional se edificam novas cidades, o plano que os americanos executaram de fundar a sua nova capital, Washington, onde não havia uma só casa, mais no centro de seu território, é um argumento tirado da experiência dos nossos tempos, que nada pode contradizer.” Se estas palavras do redator do “Correio Brasiliense” são ainda hoje válidas tanto no seu aspecto construtivo em que pretende esmaltar a significação do empreendimento da capital interior como na parte dialética de combate a seus opositores, as de José Bonifácio ressoam como súmula doutrinária atualíssima.

Começa ele na sua “Memória” à Assembléia Constituinte e Legislativa do Brasil, em 1823: “Parece muito útil, até necessário, que se edifique uma nova capital do Império no interior do Brasil para assento da Corte, da Assembléia Legislativa e dos Tribunais Superiores, que a lei determinar.” E vem agora a denominação profética da nova metrópole: “Esta capital poderá chamar-se Petrópole ou Brasília.”

Quanto às razões da transferência, menciona-as sob vários aspectos. Assim aduz quanto à defesa nacional: “sendo ela (a capital) central e interior, fica o assento do Governo e da legislatura livre de qualquer assalto ou surpresa feitos por inimigos externos.” Expende argumentos de redistribuição demográfica no interior: “Chama-se para as Províncias do Sertão o excesso da povoação sem emprego das cidades marítimas e mercantis.” Prenuncia a nova capital como centro ideal irradiador de vias de comunicação tal como está sendo orientada agora na fase prática de realização: “Como esta cidade (Petrópole ou Brasília) deve ficar, quanto possível, eqüidistante dos limites do Império, tanto em latitude como em longitude, vai-se abrir deste modo por meio das estradas que devem sair deste centro como raios para as diversas Províncias e suas cidades interiores e marítimas, uma comunicação que de certo criará, em breve, giro de comércio interno da maior magnitude, visto a extensão do Império, seus diversos climas e produções.”

Há ainda razões de ordem política da época, como a rivalidade entre cidades litorâneas decorrentes do direito de sede da Corte, deferido ao Rio de Janeiro. Finalmente, sugere o Patriarca, os meios financeiros de edificação da nova capital, consignando efusiva confiança pela concretização da magna obra: “Em suma, nunca faltam meios quando um povo rico e generoso, como o brasileiro, toma a peito empresas de honra e utilidade nacional.”

Dir-se-á que todas essas afirmações ora surgem redivivas apenas com algumas modificações estilísticas ou simples substituição de termos como “Império” por “República”, “Província” por “Estado”. Impressionante é verificar, numa análise de substância, que a edificação de Brasília responde a velhos anseios dos construtores da pátria brasileira e, projetando-os à distância, na segunda metade do século XX, abre caminho para a edificação do grande Brasil, em nossos dias.

Neste ponto de refração da História, Brasília já está impelindo o país para um plano eminente de evidência externa como para uma posição, no âmbito interno, de centro de propulsão nacional, tal como a anteviu José Bonifácio. Quanto ao primeiro aspecto, é do conhecimento geral o interesse e a admiração que em todo mundo vem despertando a façanha da construção da nova capital. Quando, em setembro de 1957, estivemos nos Estados Unidos a convite do Departamento de Estado, choveram as indagações sobre tão apaixonante empreendimento. Bolsistas brasileiros que chegam da Europa trazem a nova de que Brasília é assunto corrente do homem de rua.

Arquitetos e artistas de países americanos e europeus incluem Brasília entre as novas maravilhas de nosso tempo.

E para completar, um congresso de arquitetura em Leningrado acaba de encerrar-se com um voto coletivo de visita à nova capital do Brasil, depois que os participantes exaltaram Brasília e a arquitetura brasileira.

Com tamanha evidência não apenas internacional, mas ainda mundial, Brasília está conquistando para o país surpreendente atração turística, justificável, aliás, por dois motivos. Em primeiro lugar, oferece espetáculo único em todo o mundo, pois não há noticia de país algum, na face da terra, a construir e transferir, neste momento, sua capital.

O empreendimento, já por si raro e singular, constitui convite fascinante à inteligência humana. Em segundo lugar, a arquitetura da nova capital submete qualquer espírito, avançado ou mesmo retrógado, a um impacto de espanto. É o perfil arrojado e imprevisto da cidade do futuro que surge vaporosa, funcional, como um desafio à arquitetura convencional, que nos persegue em toda grande cidade de construção tradicional.

É assim que, se pela projeção externa que já alcançou, Brasília é bem o símbolo do novo Brasil, dinâmico e empreendedor; do ponto de vista interno, afirma-se como centro de propulsão para outra obra não menos grandiosa, a de acelerar o progresso econômico e social do país.

É o que veremos proximamente.

(Transcrito de “O Jornal”, 21/8/1958)

 

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Brasília – Agosto de 1958

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BRASÍLIA – AGOSTO DE 1958

 

 

Dia 01
No dia 1º. de agosto, em avião de transporte da Força Aérea Norteamericana, chegaram às 18 horas, vários senadores e deputados dos Estados Unidos que tomaram parte na Conferência Interparlamentar do Rio de Janeiro e visitaram Brasília. Estavam acompanhados de suas esposas e filhos, num total de 39 pessoas.

Foram recebidos no aeroporto pelo presidente (Novacap) Israel Pinheiro e Carlos Alberto Quadros, seguindo em ônibus especiais para o Brasília Palace Hotel, onde ficaram hospedados.

No dia seguinte, depois de uma rápida excursão pelas obras, decolaram rumo aos Estados Unidos.

Dia 02
No dia 02 de agosto, 88 membros da Conferência Interparlamentar que acabava de se realizar no Rio de Janeiro, com esposa e filhos, chegaram em 2 aviões, para uma rápida visita a Brasília, sendo recebidos no aeroporto pelo presidente (Novacap) Israel Pinheiro.

Conduzidos ao auditório da Rádio Nacional, em ônibus especiais, ali ouviram uma exposição do Dr. Israel Pinheiro sobre o desenvolvimento dos trabalhos de construção. O conferencista falou em francês e um interprete repetia suas palavras em inglês. Após o almoço no Brasília Palace Hotel, seguiram para uma visita às obras.

Durante a visita ao Palácio da Alvorada, o Dr. Israel Pinheiro, em nome do Presidente da República, fez a doação de um terreno na avenida das Nações à Organização dos Estados Americanos, representada pelo seu Secretário Geral, Embaixador José A. Mora, para construção do edifício da sede, sendo lavrada uma ata.

Faziam parte da caravana, parlamentares de dezenas de nações e entidades internacionais: Itália, Turquia, Paraguai, Uruguai, Panamá, Argentina, Dinamarca, Paquistão, Ceilão, Indonésia, Suíça, Polônia, França, Noruega, Rússia, Israel, Países Baixos, Suécia, Áustria, Chile, Unesco, Oea, União Interparlamentar, e outros.

Dia 05
No dia 05 de agosto, às 17 horas, foi iniciado o lançamento da 1ª. camada de concreto asfáltico, sobre base estabilizada já existente, em Brasília.

O ato foi realizado na avenida que faz a ligação entre o Palácio da Alvorada e a Praça dos Três Poderes, na extremidade próxima a esta praça.

Achavam-se presentes o presidente (Novacap) Israel Pinheiro, o chefe do Departamento de Viação e Obras, Dr. Moacyr Gomes e Souza, o diretor da Divisão de Construção e Pavimentação, Dr. Vasco Viana de Andrade, o engenheiro dessa Divisão, Dr. Ataualpa da Silva Prego, o chefe do Gabinete da Presidência, Dr. Carlos Quadros, o Dr. Dino Daldegan e engenheiros da firma empreiteira.

Dia 06
Visita Brasília o Secretário de Estado dos EUA, John Foster Dulles, que planta nos jardins do Palácio da Alvorada uma magnólia, planta símbolo dos Estados Unidos da América.


Foto: Arquivo Público do DF

 

Dia 07
No dia 07 de agosto, de helicóptero, com os Drs. Israel Pinheiro e Moacyr Gomes e Souza, o Presidente Juscelino Kubitschek percorreu demoradamente várias obras.

Entre as obras visitadas e estudadas com os seus dois acompanhantes estavam a Barragem do Lago, a Usina do Paranoá, os Reservatórios de Água do Torto, os edifícios ministeriais, a terraplenagem do cruzamento dos Eixos Monumental e Rodoviário, a Esplanada Rodo-ferroviária, o Congresso e outras.

À noite, o presidente da República novamente voltou a examinar os serviços de construção do Palácio do Congresso.

Programado há vários meses, somente neste dia foi possível realizar-se o plantio de uma muda de “Maquilishuat”, a flor nacional da República de El Salvador, plantada no gramado da Capela de Nossa Senhora de Fátima, lado direito do templo.

Dia 08
No dia 08, sempre em companhia do Dr. Israel Pinheiro e engenheiros da Novacap e ainda de helicóptero, visitou a Península Norte, cujo loteamento fora concluído recentemente.

Dia 09
No sábado, dia 09, às 11horas, descia do helicóptero na Cidade Satélite de Taguatinga, na sua primeira visita de inspeção a esse núcleo auxiliar de população.

Dia 10
No dia 10, uma caravana de 15 membros do Instituto Pestalozzi do Rio de Janeiro esteve em visita a Brasília.

Ainda neste dia, chegaram para uma visita a Brasília, senadores e deputados japoneses.

Neste dia também esteve em visita a Brasília, o príncipe Gianfranco Alliata di Montcreale, deputado do Parlamento Italiano.

Dia 12
Tem inicio a construção da Catedral de Brasília, com o lançamento da pedra fundamental.

Dia 16
No dia 16 de agosto, procedente de Ouro Preto e Belo Horizonte, chegou, acompanhado de sua esposa, D. Laura Huxley, para uma visita a Brasília, como convidado do presidente da República, o notável escritor inglês Aldous Huxley.

Dia 17
Neste dia foi feita a ligação da pequena usina do Ipê, com turbina C.V., para servir exclusivamente à sede do sítio do Ipê.

Dia 20
Realizado entre os dias 20 e 23 de agosto, sob o patrocínio do Departamento de Educação Física e Assistência Social, o primeiro Seminário de Assistentes Sociais de Brasília.

Fonte: Revista “Brasília”, da Novacap, edição de agosto de 1958, número 20.

 

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Brasília – Julho de 1958

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BRASÍLIA – JULHO DE 1959

 

 

02 de julho
Funcionalismo – Em entrevista à imprensa, o Senhor João Guilherme de Aragão, Diretor-Geral do Departamento Administrativo do Serviço Público, indica as providências tomadas pelo Grupo de Trabalho incumbido da transferência da Administração Pública Federal para Brasília. dentre essas providências, salientam-se as referentes à Exposição de Motivos aprovada pelo Presidente da República fixando os quantitativos do primeiro Grupo Executivo que deverá, em 21 de abril de 1960, se encontrar funcionando em Brasília.
Para esse efeito já foram distribuídos os questionários que deverão ser preenchidos pelos funcionários de cada Ministério que integrarão o 1º. Grupo a ser transferido. Por outro lado, de acordo com a Exposição de Motivos número 1.156-59, de 23-6-59, o Presidente da República acaba de determinar a entrega imediata das unidades residenciais, que forem sendo concluídas, ao Grupo de Trabalho, mediante acordos com as diversas instituições.
A direção Executiva do Grupo de Trabalho já está apurando os dados dos primeiros questionários preenchidos de modo a possibilitar enquadramento uniforme de pessoal, de acordo com as residências disponíveis, cujo plano de resultados será submetido à apreciação dos órgãos interessados.
O Plano de Transporte estudado por Subgrupo Especial será submetido também a cada órgão diretamente interessado na mudança.
O Subgrupo encarregado dos estudos sobre o abastecimento já concluiu os seus trabalhos e as sugestões subirão em breve à aprovação presidencial.
Os problemas de Educação foram objeto de minucioso exame, reunindo-se em Brasília os componentes da Comissão que os estuda.
As conclusões já obtidas sobre as obras em andamento do Jardim de Infância, Escola-Classe e Escola-Parque e Ginásio que vem sendo executadas pela NOVACAP, bem como sobre a construção de outras unidades escolares nas superquadras, garantem rede escolar para abril de 1960.
O Ministério da Educação e Cultura, por outro lado, passou, através do Grupo Especial de servidores, a orientar diretamente em Brasília a execução dos planos sobre educação. O Edital de Concorrência sobre o mobiliário para a instalação inicial dos Ministérios, bem como a concorrência pública sobre a construção de Parque de Material destinado ao abastecimento das Repartições Públicas, será publicado no Diário Oficial dentro de poucos dias.

05 de julho
Escolas primárias – Realizada a primeira concentração de escolas primárias de Brasília, com desfile na W-3 de cerca de quatro mil crianças e oito carros alegóricos.

06 de julho
Hospital Distrital – O Ministério da Saúde visita, em Brasília, as obras do Hospital Distrital, planejado para 260 leitos e para assistir a 40.000 habitantes, já que os demais casos de internação crônica serão encaminhados a outras instituições. A inauguração está prevista para meados de 1960 e as obras estão sendo realizadas em ritmo acelerado, com turmas que se revezam nas 24 horas do dia.

Telecomunicações – O Presidente Juscelino Kubitschek dispõe que se atribuam à Companhia Urbanizadora da Nova Capital os estudos, construção e instalação de uma rede de telecomunicações entre Brasília e as cidades de Belo Horizonte, Rio de Janeiro e São Paulo.

15 de julho
Planejamento rural – O Presidente Juscelino Kubitschek cria, em decreto, a Comissão Técnica do Planejamento e Construção na Área Rural de Brasília.
A referida Comissão tem por finalidade estudar, planejar, projetar, especificar, orçar, estabelecer prioridades, organizar e executar os projetos de aproveitamento da área rural de Brasília destinada ao Ministério da Agricultura, bem como todas as obras e instalações necessárias aos órgãos de ensino, pesquisa e extensão agrícola e veterinária do referido Ministério.

16 de julho
Inspeção presidencial – Chega a Brasília, para mais uma visita de inspeção, o Presidente Juscelino Kubitschek, que se demorará na futura Capital até o dia 20.

18 de julho
Adidos militares – Visitam Brasília os adidos militares, navais e aeronáuticos às Embaixadas estrangeiras acreditadas junto ao Governo brasileiro, em número de 44 pessoas.

19 de julho
Estado-Maior da Aeronáutica – Visita Brasília o Chefe do Estado-Maior da Aeronáutica, Major-Brigadeiro Reynaldo de Carvalho, em companhia de numeroso grupo do Estado-Maior, em visita de inspeção.

21 de julho
Escola Superior de Guerra – Visita Brasília a equipe da Escola Superior de Guerra encarregada do setor de estudos sobre a nova Capital.

Dr. Irvine H. Page – Após visitar Brasília, o doutor Irvine H. Page, médico do Presidente dos Estados Unidos, telegrafa ao Presidente Juscelino Kubitschek nos seguintes termos:
“Estamos profundamente impressionados com sua magnífica criação. Brasília é uma experiência única numa geração e reflete uma visão que o resto do mundo é obrigado a admirar”.

23 de julho
Correios e Telegráfos – Expondo pela “Voz do Brasil” a situação das atividades postal-telegráficas em Brasília, o coronel Everardo de Simas Kelly, Diretor do Departamento de Correios e Telégrafos, informa que o material adquirido para instalação de um novo sistema de rádio de onda curta, alta freqüência, composto de seis canais telefônicos e doze telegráficos, permitirá seis ligações simultâneas entre Rio e Brasília e o escoamento de todos os despachos telegráficos, podendo ainda o D.C.T. ceder a determinados órgãos do governo canais privativos, num total de oito. Esse sistema, conhecido por “Doublé Single Side Band”, será, ainda, em 1960, talvez alguns meses após a transferência da Capital (21 de abril), substituído por outro sistema mais moderno e mais eficiente. É o sistema de micro-ondas, com 120 canais, que permite 120 ligações telefônicas simultâneas e mais um “link” de televisão, que possibilitará aos habitantes de Brasília, bem como às cidades componentes dos circuitos (Juiz de Fora, Belo Horizonte, Ueraba e Goiânia), assistir aos melhores programas de televisão do Rio de Janeiro.
O material para o sistema rádio já foi adquirido pela NOVACAP e os estudos, em estado bem adiantado, permitirão o inicio dos trabalhos ainda no mês de agosto próximo.
Quanto ao sistema de micro-ondas, que funcionará em 1960, já foram elaborados todos os estudos e enviadas às principais firmas do Rio e de São Paulo cartas-convites para que suas propostas possam ser julgadas pela Companhia Urbanizadora da Nova Capital e pelo Departamento dos Correios e Telégrafos, que assinarão um convênio para a execução, exploração e manutenção desse sistema de telecomunicações.

Aspectos constitucionais – Na Confederação Nacional do Comércio, o senhor Carlos Medeiros Silva profere conferência sobre “Aspectos constitucionais e legais da mudança da Capital”.

26 de julho

Primeiro Ministro do Japão – A convite do Presidente Juscelino Kubitschek, o senhor Nobusuke Kishi, Primeiro-Ministro do Japão, visita Brasília, percorrendo todas as obras de construção e almoçando no Palácio da Alvorada.
Sobre sua visita, o Primeiro-Ministro Kishi dirigirá ao Presidente Juscelino Kubitschek a seguinte mensagem:
“Conhecendo de perto uma parte das maravilhosas realizações do desenvolvimento que o Brasil está levando avante com ritmo acelerado, vencendo toda espécie de dificuldades, senti fortalecer em mim a fé na paz mundial e na felicidade da humanidade.
Senti-me também profundamente impressionado pela grandiosa construção de Brasília, como símbolo que é da crescente vitalidade do Brasil jovem”.

30 de julho
Discurso presidencial – Em visita ao DASP, por ocasião da comemoração do 25º. aniversário do Departamento, o Presidente Juscelino Kubitschek profere discurso em que assim se manifesta sobre Brasília:
“Aquilo que seria fatalmente uma utopia, perenemente à espera de um amanhã destinado a não sair jamais das sombras do futuro, ergue hoje as suas vigas de ferro e as suas paredes de cimento, no Planalto Central – a nova Capital brasileira, espelho de nossa capacidade de fazer, exemplo de nossa vitalidade, lição de nossa cultura e de nossa técnica.
Nesta hora de evolução brasileira, se não levássemos adiante o empreendimento de Brasília, estávamos realizando diante do mundo e diante do porvir a anomalia de um desencontro do País consigo mesmo.
Dispondo de grande urbanistas e de grandes arquitetos, que impuseram os seus nomes e as suas obras à admiração internacional, não podíamos deixar que o tempo se escoasse sem fazer convergir para o empreendimento modelar da grande cidade do Planalto a experiência e a visão daqueles técnicos. E por isso fomos plantar com a pressa de quem necessita recuperar o tempo perdido, o maravilhoso núcleo urbanístico, que já se desenha no horizonte. E os que ontem riam pelo tamanho do nosso sonho, já se surpreendem agora com o tamanho da realidade que lá está.
Na árdua batalha em que me empenho, sempre contei com a preciosa colaboração deste Departamento. A visita de cortesia, que a data de hoje perfeitamente explica, vale também como um pretexto a confessar de público esta colaboração silenciosa, que se estende por todo o amplo conjunto da rede administrativa brasileira. E que não é apenas técnica, no sentido da fria participação de ordem cientifica – é também política, no sentido da sutileza dos valores humanos.
…Há ainda uma circunstância a assinalar nesta oportunidade. E eu a escolho para fecho deste discurso. Com a mudança da Capital para Brasília a 21 de abril de 1960, é este o derradeiro aniversário do D.A.S.P. no Rio de Janeiro. Órgão de cúpula integrante da Presidência da República, pertence ele ao quadro das entidades pioneiras que no próximo ano se transplantarão para Brasília e ali assistirão ao amanhecer de um novo Brasil na nova cidade que ajudaram a edificar. E espero rever-vos, no dia de hoje, no próximo ano e numa celebração como esta, em que festejaremos, com a memória deste encontro, o primeiro aniversário do D.A.S.P. na nova Capital do Brasil.
Não vos aceno mais com uma promessa. Desta vez, tenho a honra de fazer-vos um convite”.

31 de julho
Rodovia Belo Horizonte-Brasília – O Departamento Nacional de Estradas de Rodagem informa ser a seguinte a situação, em 31 de julho, dos serviços da Rodovia Belo Horizonte-Brasília, com extensão de 568 km: terraplenagem, 531.4 km; regularização, 454 km; reforço de sub-leito, 409.5 km; sub-base, 353.6 km; base, 204.9 km; imprimidura, 168.4 km; tratamento supercial, 109.6 km. Foram concluídas ainda 29 obras de arte especiais do total de 35 previstas para o trecho, com o comprimento total de 2.407 metros, o que equivale a uma obra de comprimento igual a 1.25 vezes a extensão da Avenida Rio Branco.

Venda de lotes – Até esta data, a NOVACAP já vendeu, apenas em seu escritório no Rio de Janeiro, 2.119 lotes em Brasília, no total de Cr$ 824 milhões.

Fonte: Diário de Brasília – volume VI

 

 

 

BRASÍLIA – JULHO DE 1958

 

10 de julho
Palácio da Justiça – Iniciadas as obras do Palácio da Justiça – STF – e do Palácio do Planalto.

14 de julho
Palácio do Congresso – Iniciadas as obras do Palácio do Congresso.

18 de julho
Esplanada dos Ministérios – Iniciadas as obras dos edifícios da Esplanada dos Ministérios;

População – O IBGE informa que a população de Brasília é de 30 mil habitantes.

24 de julho
Trem Explorador – Chega a Anápolis, o trem Explorador, que partiu da estação de Alfredo Maia, no Rio de Janeiro, com uma comitiva chefiada pelo Diretor-Geral do DASP, dr. João Guilherme de Aragão. A viagem durou 67 horas.

29 de julho
Primeiro vôo – No primeiro vôo da capital, realizado nesta data, o presidente JK voou do Aeroporto ao Palácio da Alvorada, de helicóptero.

 

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Brasília

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Brasília
 
Eu vi o sol de Brasília
à hora do nascer do sol:
bloco de topázio em prismas
alçado pelo anzol do céu
ali na faixa do horizonte
à altura de minhas mãos.
O sol que sempre vai nascer
às mesmas horas da alvorada
com a mesma ardência o mesmo adejo
a mesma graça de alvorada
quando meus olhos forem cegos.
 
Eu vi a lua de Brasília
flutuando no aquário escuro.
Nenhuma lua vi maior
nem mais límpida em longitude
nem mais redonda em corola.
Era um jorrar de lua a flux
em água vidros azulejos
mármores espaços à frente
relvas gramíneas buritis.
Uma lua vinda de outrora
que se perdera e se encontra
em novo giro agora fixo
para os amores que despontam.
 
Vi a galáxia de Brasília
pairando sobre a flor de pedra
da catedral em ofertório.
Foi numa noite de mistério.
Os astros formavam códigos
senhas algarismos e siglas,
projetavam perfis
de Profeta Patriarca
Inventor Arquiteto
Construtor Operário Artista.
 
A galáxia refluía à fonte:
são os astros de humana estirpe
entressonhados  noite a noite
que coroam Brasília.
 
Henriqueta Lisboa, poetisa mineira, nasceu em Lambari.
Reproduzido da antologia “Poemas para Brasília”, de Joanyr de Oliveira.

 

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O cenário

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O cenário
 
Desde fins do século XVII, princípios do século XVIII, viram-se os planaltos goianos cortados pelo homem civilizado à procura do ouro. Às pressas lançavam-se todos na direção do sudoeste, onde Bartolomeu Bueno, o filho, fundara, às margens do Rio Vermelho, a “Vila de Sant’Ana”, que logo tomaria seu nome, “Vila do Bueno”, para finalmente se tornar conhecida como “Vila Boa de Goiaz”, nome que ficou. Ali o ouro era apanhado fácil à flor da terra e nas águas rasas do rio.

Não havia parada. Rumo marcado, fazia-se urgente chegar lá. A meio caminho, correndo tranqüilo, um outro ribeirão guardava seu ouro escondido nas margens. Os primeiros conquistadores não se deram ao trabalho de pesquisar. Parar não podiam, as minas de “Vila Boa” estavam longe ainda. Anhanguera, pai, a seu tempo também passara, deixando as marcas do seu trajeto em roteiros inteligentes e esclarecidos. Suas artimanhas de sertanejo sabido, incendiador de rios, corriam entre os silvícolas que povoavam o cerrado e as matas do planalto. Mas, em 1746, o bandeirante Antonio de Bueno Azevedo, saindo de Paracatu e atravessando o São Marcos, descobriu as minas de Santa Luzia e fundou florescente povoado às margens do ribeirão que corria tranqüilo a meio caminho, batizado, então, também de Rio Vermelho, como o da “Vila Boa”, pois era costume chamar assim os rios de areia aurífera.
 
Santa Luzia, a Luziânia de hoje, teve seu tempo de fastígio, como todas as localidades nascidas à sombra do ouro. Para lavar o cascalho das catas, rico de pepitas e areia dourada, trouxeram de longe, num rego de sete léguas de extensão, que acompanhava a falda dos morros e era todo calçado de pedra, as águas do Saia Velha. Durante dois séculos foi essa a mais importante obra de engenharia do sertão. O Vermelho corria em nível mais baixo, não houve como aproveitar suas águas; com o tempo, esgotadas as areias de ouro de seu leito, foi perdendo até o nome e acabou, dentro da Vila, com o “Canal Grande”.
 
Quando o ouro escasseou, surgiram as grandes fazendas de criação. Aquelas paragens passaram a viver na quietude uniforme do planalto. Os buritis alinhavam-se tranqüilos nas veredas silenciosas. “Canelas de ema” floriam na estação de abril. O murici cheiroso, as cabacinhas perfumadas, pontilhavam o cerrado agreste. O gado vagava por aquele mundo, mudando de quando em quando de pastagem no campo aberto.
 
Esquecidos além do meridiano de Tordesilhas, os bandeirantes aventureiros não puderam tolerar a vida monótona e primitiva das vastas fazendas. Sentiam dentro de si, tal como seus ancestrais, aquela força atávica que faz sonhar o homem com outras terras, outras gentes e partir em busca da conquista. E assim se foram.
 
O silencio da planura se fez maior. A vida mais pacata e doce. Ali não havia chegado ainda o ronco das máquinas pesadas da civilização contemporânea. Que vinham a caminho. E que ganhariam aquelas paragens quebrando para sempre sua quietude, o seu silêncio. Às centenas, aos milhares, chegariam os técnicos, os operários, traçando no solo o sinal da nova posse. Um sonho de séculos estava por materializar-se na paisagem bucólica e perdida. Novos anhangueras, novos bandeirantes ergueriam ali uma bela e nobre cidade. Dentro em pouco não mais cantariam as seriemas ao alvorecer e ao por do sol. Velozes desapareceriam os veados campeiros em busca de novos abrigos. As “canelas de ema” não se cobririam de flores por toda aquela vasta extensão…”

Reproduzido do livro “Brasília: Memória da Construção”, de L. Fernando Tamanini.

 

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Aniversário de Brasília – Cinquentenário em debate

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Aniversário de Brasília
Cinquentenário em debate

A Comissão UnB 50 anos de Brasília reúne-se novamente no próximo dia 21 para retomar o planejamento das ações comemorativas do cinquentenário da cidade. Formado por professores, jornalistas, ex-alunos e decanos da Universidade de Brasília, o grupo vai criar um calendário de atividades para lembrar o aniversário da inauguração da capital federal. Integram a comissão o reitor da UnB, José Geraldo de Sousa Júnior, o chefe de gabinete do reitor, Nielsen de Paula Pires, o chefe da Secretaria de Comunicação, Luiz Gonzaga Motta, o vice-reitor, João Batista de Sousa, e os decanos da UnB Rachel Nunes da Cunha, Márcia Abrahão Moura, Wellington Lourenço de Almeida, Pedro Murrieta Santos Neto e Denise Bomtempo Birche de Carvalho. Ainda fazem parte do grupo os professores da UnB Aldo Paviani, Luís Humberto Miranda Martins Pereira, José Carlos Coutinho, Bárbara Freitag Roaunet, Vladimir Carvalho, Roberto Armando Ramos de Aguiar, Norberto Abreu e Silva Neto, João Antonio de Lima Esteves, Sylvia Ficher e Cristiano Otávio Paixão Araújo Pinto. Completam a lista o jornalista TT Catalão, o secretário Extraordinário de Ensino Integral do GDF; Marcelo Aguiar, a ex-aluna da UnB Ana Maria Lopes e o presidente da Associação de Alunos de Pós Graduação da universidade, James Lewis Gorman Júnior.

(transcrito do Correio Braziliense, 2 de maio de 2009)

 

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Uma palavra sobre o comício de Jataí

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Uma palavra sobre
o comício de Jataí

Por Affonso Heliodoro

Ao comemorar os 50 anos do Comício de Jataí é oportuno dizer-se mais uma palavra sobre o momento histórico vivido naquela cidade.

É preciso, é mesmo fundamental o ensino e o debate da história recente do Brasil, antes que ela se transforme no relato de fatos que não existiram, de coisas que não aconteceram ou mesmo de coisas que aconteceram e que, com o correr do tempo, várias versões transformem as verdades históricas em lendas contadas de diferentes maneiras e ao sabor do interesse ou da vontade de cada um. A história de Minas, por exemplo, é repleta de comentários contradizentes. E assim acontece com todo fato passado mal documentado, o que é corrente na história do Brasil e, naturalmente, até com a história, tão recente ainda, de Brasília.

O Comício de Jataí tem suas origens bem antes de sua realização no pequeno burgo goiano. Serafim de Carvalho, colega de JK na Faculdade de Medicina de Minas Gerais, mudancista como tantos outros goianos e jovens estudantes paulistas. Estudantes liderados pelo acadêmico de direito Paulo de Azevedo Marques, hoje Juiz aposentado da Justiça de São Paulo, já marcavam posição do povo goiano e da juventude paulista, àquela época. A mudança da capital para o interior do Brasil era, sim, preocupação de Juscelino Kubitschek e Israel Pinheiro, tanto que, por ocasião da Constituinte de 1946, ambos, Juscelino e Israel, deputados federais, faziam inflamados discursos propondo a mudança da capital para o interior. Que a capital deixasse o litoral e trouxesse para o centro do país as condições indispensáveis à ocupação e o natural crescimento econômico das vastas regiões isoladas, hoje transformadas em celeiro econômico do Brasil. Assim, JK ao chegar em Jataí em 1955, já levava, não em seu programa de governo, em seu Programa de Metas, mas em seu pensamento e em sua decisão, a idéia da mudança da capital para o interior. Durante a pré-campanha, ainda em 1955, como governador de Minas Gerais, JK percorreu todo o território nacional, marcadamente as capitais dos Estados e algumas cidades do interior, recolhendo informações, reivindicações e necessidades das várias regiões do país.

Em meados daquele ano, sobrevoou, num avião Douglas DC-3, a baixa altura, toda a região amazônica. Viu, do alto, toda a impressionante grandeza e o mistério da grande Selva. Alongou sua estada em Goiânia e, depois, em Xavantina, onde e quando fez questão de informar-se sobre o clima e as potencialidades daquela área tão rica e tão despovoada. Era, certamente, a idéia da mudança da capital para terras já percorridas por Cruls e pelos Marechais Polli Coelho e José Pessoa. É óbvio que JK conhecia os projetos já realizados. O grande acervo de estudos sobre a região já feitos, a luta de muitos brasileiros para o cumprimento de determinação constitucional, e a destinação natural daquela imensidão de Brasil entregue ao abandono. É claro que JK, desde os pronunciamentos na Constituinte em 1946, tinha o problema da mudança em sua cabeça, embora o alvo inicial fosse Minas Gerais. O que ocorria, então, é que candidato à eleição à Presidência da República, terrivelmente combatido pela UDN (União Democrática Nacional), capitaneada por Carlos Lacerda, não poderia revelar seu propósito de transferir a Capital, tirá-la do Rio de Janeiro, afastá-la das lindas praias cariocas. Pior ainda, a Cidade Maravilhosa deixaria de ser a Capital do Brasil, o “cérebro das altas decisões nacionais”, depois de quase duzentos anos gozando desse privilégio.

Mas tarde, durante o governo de JK, Brasília em construção e já definida como futura capital do país, os jornais do Rio e de São Paulo lideraram furioso movimento nacional contra a mudança. O interesse pessoal gritava mais alto que os interesses nacionais. Com a mídia nacional, formada em oposição a JK, também ocorria a mesma rusguenta campanha. Se, depois de eleito, a virulenta oposição a Brasília manifestou-se com tanta fúria, imagine-se um candidato, qualquer que fosse, propondo, como programa de governo, tal medida. Não seria, portanto, de bom alvitre, o candidato Juscelino Kubitschek chegar ao seu primeiro palanque falando em mudança da Capital. Mas era fundamental, em virtude da exigüidade do tempo, e uma vez eleito, que a discussão começasse o mais cedo possível. No governo, se eleito, teria que tomar as medidas e necessárias providências, inclusive já localizadas as correntes de oposição ao grandioso projeto. A pregação mudancista, seria uma tragédia para sua candidatura. Ele, o candidato, seria esmagado pela grande mídia oposicionista, como quase ocorreu, mesmo depois de eleito Presidente da República. Só depois das manifestações populares reivindicando a medida, ele teve chance de declarar-se mudancista, reafirmando sempre que faria a mudança ainda no seu período governamental.

Assunto tão delicado, exigia tratamento cuidadoso. Os que o combatiam, com vigor, não eram apenas opositores políticos, mas verdadeiros inimigos pessoais. Inimigos do progresso, contra medida tão vigorosa como a mudança da Capital. A configuração da necessidade de um procedimento comedido, em relação ao projeto, é a postura de JK em relação às agressões sofridas por Brasília e por ele, durante a construção, e mesmo depois de construída a obra do século. Era preciso, portanto, que alguém se manifestasse antes dele, para trazer o assunto à baila e, consequentemente, ao debate.

É de se notar o seguinte: todas as campanhas políticas visando à eleição para a Presidência da República, sem exceção, sempre começaram por grandes comícios nas principais capitais do Brasil: Rio, São Paulo, Belo Horizonte, Porto Alegre, Salvador e outras, bem como em cidades de população numerosa. Qual seria a real razão da campanha de Juscelino ter seu primeiro comício na pequena cidade de Jataí, no interior de tão longínquo, àquela época, Estado de Goiás? A resposta é simples e está contida nas palavras ditas acima: sua candidatura morreria no nascedouro, se prometesse, como meta de seu governo, a mudança da capital para o interior. A participação de Toniquinho, fazendo a histórica pergunta no comício de Jataí, parece estar condicionada ao movimento mudancista de goianos e paulistas, que já se espalhavam para outras regiões. A partir de Jataí, em todos os comícios que se seguiram, JK era questionado e cobrado. Todos queriam ouvir do candidato o compromisso assumido em Jataí. Àquela época as comunicações não eram como as de hoje. 50 anos se passaram. Os telefones, o rádio, a televisão incipiente, não poderiam ter levado àquelas paragens tão distantes, mas no tempo tão próximas da palavra de JK, a notícia do compromisso assumido em Jataí. Como as pessoas, eleitores de JK, ficaram sabendo da promessa revolucionária? Certamente porque já havia, nas hostes pessedistas, um trabalho de preparação feito no sentido de dar ao candidato o respaldo e uma sustentação popular, um clamor público, que desse substância ao seu compromisso. JK sabia da oposição à sua candidatura, mesmo dentro de seu partido, o PSD. Pernambuco, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, e até Benedito Valadares, líder do PSD mineiro, se opunham à candidatura de JK. No Rio de Janeiro, Capital da República, o PSD também não se abria declaradamente a favor da candidatura do ilustre mineiro. Falasse em mudança da Capital, sem o respaldo do povo, estava liquidada sua pretensão de galgar o poder, eleger-se Presidente do Brasil. Assim, a grande significação do histórico comício de Jataí é a abertura do debate sobre a mudança da capital lançado em comício popular por um homem do povo. Era o que JK precisava para desencadear, Brasil a fora, sua chamada Meta-Síntese, sua trigésima primeira meta, sua terceira filha, como gostava de referir-se a Brasília. A mudança da capital para o Planalto Central, capitulado na primeira Constituição Republicana do Brasil, seria agora preocupação permanente do homem que teve a coragem de enfrentar os maiores obstáculos, os mais ferrenhos adversários. Brasília seria inaugurada ainda em seu governo.

A interiorização da capital já era proposta dos colonizadores portugueses, como foi preocupação do Brasil Imperial. Desaguou na República e veio encontrar sua realização no estadista e administrador inigualável: Juscelino Kubitschek de Oliveira. Assim, quero terminar estes comentários afirmando que JK foi a Jataí buscar a pergunta que lhe seria feita por um popular sobre o cumprimento do dispositivo constitucional: a mudança da capital do Rio de Janeiro para o interior de Goiás. Foi com esse respaldo popular que ele se lançou à luta pela transferência da capital para o Centro-Oeste. Foi com o apelo feito em todos os comícios pelo Brasil, com a certeza de que a mudança da Capital era anseio popular, que ele se lançou à grande aventura. Jataí marca, incontestavelmente, o embasamento da proposta do candidato JK para transferir do litoral para o interior a Capital do Brasil. Em 1960, o litoral brasileiro representava um terço do nosso território, e contava com uma população de 70 milhões de habitantes. Dois terços da nossa Pátria, o Centro-Oeste, dispunham de apenas, em média, meio habitante por km2, ou seja, um terço do Brasil era densamente povoado. Dois terços do Brasil, um deserto, onde vastas regiões jamais tinham sido pisadas por pés de homens civilizados.

Brasília trouxe, realmente, o Brasil para seu imenso território, até então abandonado, embora a luta de goianos e mato-grossenses que marcaram, com denodo e coragem, a presença de nossa Pátria nestas vastidões territoriais, tão cobiçadas por outros povos. Brasília é a posse definitiva do Brasil inteiro, integrado pelas estradas de ferro (3.416 km construídos durante o governo JK), somadas às que já existiam; de rodagem (24 mil km de estradas também construídas no governo JK); rios drenados e dragados; portos e aeroportos recuperados. Era o país integrado e preparado para a agricultura. Seria o JK-65:5 anos de agricultura para 50 de fartura.

Reproduzido do livro “JK: exemplo e desafio”, de Affonso Heliodoro.
Thesaurus Editora

 

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CELACANTO

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CELACANTO
 
Nadando em costas d’África
Fruía o celacanto
Emissário do outrora
O seu quinhão de pranto
No sal que imita a lágrima
Das águas no acalanto
 
Talvez último príncipe
De extinta dinastia
Em seus rudes sentidos
A solidão doía
Gritava o alto silêncio
Da profundeza fria
 
Da espécie separado
Por muitos milhões de anos
Só – atual e pré-histórico –
Assombrando os oceanos
Que mistérios guardava
Nos seus pobres arcanos?
 
Na viuvez atônita
Tu celacanto corres
De ti e contra ti
Que de lembrar te morres
E que em tua orfandade
De ninguém te socorres
 
Tosco irmão celacanto
Em solitário nado
Brasão de sonho em fuga
Em campo blau plantado
É verde o teu enigma!
E eu te decifro e calo.
 
Anderson Braga Horta, poeta mineiro, nasceu em Carangola.
Reproduzido da antologia “Poetas de Brasília”, de Joanyr de Oliveira.

 

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CELACANTO

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CELACANTO
 
Nadando em costas d’África
Fruía o celacanto
Emissário do outrora
O seu quinhão de pranto
No sal que imita a lágrima
Das águas no acalanto
 
Talvez último príncipe
De extinta dinastia
Em seus rudes sentidos
A solidão doía
Gritava o alto silêncio
Da profundeza fria
 
Da espécie separado
Por muitos milhões de anos
Só – atual e pré-histórico –
Assombrando os oceanos
Que mistérios guardava
Nos seus pobres arcanos?
 
Na viuvez atônita
Tu celacanto corres
De ti e contra ti
Que de lembrar te morres
E que em tua orfandade
De ninguém te socorres
 
Tosco irmão celacanto
Em solitário nado
Brasão de sonho em fuga
Em campo blau plantado
É verde o teu enigma!
E eu te decifro e calo.
 
Anderson Braga Horta, poeta mineiro, nasceu em Carangola.
Reproduzido da antologia “Poetas de Brasília”, de Joanyr de Oliveira.

 

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A ILHA

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A ILHA
 
E olhamos a ilha assinalada
pelo gosto de abril que o mar trazia
e galgamos nosso sono sobre a areia
 
num barco só de vento e maresia.
Depois, foi a terra. E na terra construída
erguemos nosso tempo de água e de partida.
 
Sonoras gaivotas a domar luzes bravias
em nós recriam a matéria de seu canto,
e nessas asas se esparrama nossa glória,
 
de um amor anterior a todo estio,
de um amor anterior a toda história.
E seguimos no caminho de ser vento
 
onde as aves vinham ver se havia maio,
e as marcas espalmadas contra o frio
recobriam de brancura nosso rumo.
 
e abrimos velas alvas que se escondem
dos mapas de um sonho pequenino,
do início de uma selva que se espraia
 
na distância entre mim e o meu destino.
 
Antonio Carlos Secchin, poeta natural do Rio de Janeiro.
Reproduzido do “Poemário”
I Bienal Internacional de Poesia de Brasília

 

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VICISSITUDE

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VICISSITUDE
 
Ah, quantas vezes abro a cortina ensolarada,
para ter pena da vida!
para espiar o calor amortecendo as flores,
o calor secando a água do rio;
para ver a claridade estontear o passarinho
e o vento levar as folhas pelo espaço.
 
Ah, quantas vezes baixo a pobre cortina,
para ter pena da vida!
Há falta de luz no sol,
de azul no céu,
de calor na terra,
de círculo no horizonte.
 
Ah, quantas vezes abro e fecho a janela
para ter pena de mim mesmo!
 
Guadencio de Carvalho, poeta piauiense, nasceu em Oeiras.
“Poetas de Brasília”, antologia de 1962 – Editora Dom Bosco.

 

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Brasília: uma nova era nacional

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Brasília: uma nova era nacional
Por Nilton Veloso

Imposições da sociologia nacional recomendam, há várias décadas, a transferência da Capital Federal para o Planalto Central, atendendo a uma necessidade de caráter expansionista da civilização brasileira.

Ingressamos nesse caminho, dobrada a primeira metade do século XX, quando não se pode dizer que seja tarde, mas quando já é indiscutível a urgência de mudar a posição geográfica do governo, em decorrência de fatores econômicos, sociais e políticos.

Uma ligeira visão histórica do problema revela determinantes da localização da primitiva e da atual Capital do Brasil, mostrando ao mesmo tempo como se alteraram as condições do passado em face de uma palpitante atualidade. Com a súbita convergência da atenção usurpavam as antigas fascinações do oriente, assim como com a testemunhada fraqueza das capitanias, mergulhadas na depravação e ameaçados pelos piratas, na maior parte franceses, que desejavam estabelecer-se no território, criou-se o governo geral, com sede na Bahia.

Salvador, a primeira capital, ao meio da costa brasileira e eqüidistante dos donatários do norte e do sul, representava o sonho de unidade, procurando estabelecer uma garantia de defesa de todo o litoral.

Estratègicamente, a metrópole estava bem localizada para os problemas da época. Eventos posteriores, relacionados ainda com a segurança da colônia, originaram a divisão do Brasil em dois governos, o do norte, com sede na Bahia, e o do sul, com sede no Rio de Janeiro.

Mais tarde, unificado de novo o governo, o Rio de Janeiro, sem as honras da metrópole, era, no entanto, a cidade mais rica do Brasil, entreposto do comércio do sul e das minas de ouro. Daí o interesse dos franceses pela sua conquista.

A unidade do governo estabelecida com Tomé de Souza foi ilusória, e sucessivos desastres limitaram consideravelmente o domínio da Bahia. Transferida a residência do vice-rei para o Rio de Janeiro, ali se instalou, a partir de 1763, a capital do Brasil.

Tínhamos então, como até bem pouco tempo e de certo modo ainda agora, uma civilização litorânea, cuja centralização política podia ser explicada no Rio de Janeiro. Mas é difícil negar que esse fato não tenha embaraçado um desenvolvimento mais generalizado do país.

Há cerca de três décadas, começou para o Brasil uma era de transformação econômica em ritmo ascendente. A civilização, comprimida na orla marítima, não se mostra condizente com as necessidades nacionais, sobretudo em face de um panorama internacional em que nos colocamos na categoria dos povos subdesenvolvidos.

Todo o inegável progresso que experimentamos tem sentido social um tanto restrito, porque não se converte em altos padrões de vida coletivos. As comunidades do interior, mal aquinhoadas na distribuição das rendas públicas, não conseguem promover o seu normal desenvolvimento, o que de fato é impossível entre as populações pobres, cujas áreas de vida não são alcançadas por adequados sistemas de transportes e pelos investimentos.

Povo pobre e governos locais pobres.

Com a instalação do governo federal em Brasília, destacar-se-ão grandes forças de articulação econômica e de aproveitamento de imensos recursos naturais até hoje sem nenhuma significação na marcha expansionista do País. A alteração do meridiano político, pelas suas enormes consequências, se transformará numa obra de desbravamento nacional.

É, aliás, necessário que o Brasil atinja uma unidade real através da posse de sua verdadeira capacidade econômica. Isto para que os milhões de brasileiros espalhados pelo interior possam integrar-se, de maneira efetiva, no esforço de engrandecimento da Nação.

Artigo reproduzido da revista “Brasília”, da Novacap, edição de abril de 1959, número 28.

 

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Brasília – Fevereiro de 1959

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BRASÍLIA 1959
Fevereiro

 

Príncipe Bernhard
O príncipe Bernhard, da Holanda, viajou para Brasília, em companhia do Presidente Juscelino Kubitschek, sendo recebido pelo Dr. Israel Pinheiro, presidente da Novacap e autoridades locais.
Ao receber o Príncipe dos Países Baixos, no Palácio da Alvorada, o presidente Juscelino Kubitschek pronunciou discurso, no qual salientou que brasileiros e holandeses são povos que plasmaram a sua cultura dentro dos ideais cristãos e prezam, acima de tudo, o culto do Direito e da Justiça.
Após o almoço, a que compareceram o ministro Negrão de Lima e membros da comitiva do Príncipe e do Presidente, ambos percorreram as obras de Brasília.
Durante a sua visita à nova Capital brasileira, o príncipe Bernhard fez o plantio nos jardins do Palácio da Alvorada de uma árvore procedente de terras holandesas, lançou também a pedra fundamental da futura sede da Embaixada da Holanda. E depois afirmou aos jornalistas presentes: “Estou completamente impressionado com a amplitude das obras de Brasília”

Visita de governadores
A convite do presidente Juscelino Kubitschek, os governadores do Nordeste que se encontravam no Rio, participando dos debates da “Operação Nordeste”, visitaram as obras de construção da Nova Capital, onde foram recebidos pelo Dr. Israel Pinheiro, presidente da Novacap e pelo governador de Goiás, José Feliciano. Após o almoço, no “Brasília Palace Hotel”, os caravaneiros percorreram as instalações do Palácio da Alvorada, bem como diversas obras que estão sendo erguidas em Brasília.

Arquitetos
Uma comissão de arquitetos filiados à Associação dos Engenheiros do Serviço Público Federal, visitou as obras de Brasília. Chefiavam a comissão os srs. J.G.Meira Lima, Isac Rosenfeld e o general José Pinheiro Campos.

Grupo de trabalho
Com a presença do presidente Juscelino Kubitschek, foi inaugurado, em Brasília, o escritório do Grupo de Trabalho incumbido de promover a transferência dos servidores públicos para a nova capital.
Compareceram à cerimônia, João Guilherme de Aragão, diretor-geral do DASP e presidente do Grupo de Trabalho; Filinto Maia, almirante Amaral Peixoto, coronel Horta Barbosa e o funcionário Bolívar Machado Barbosa, um dos cinco primeiros servidores civis já transferidos para Brasília.

Caixa inaugura
Um conjunto residencial e um bloco de lojas foram inauguradas pela Caixa Econômica Federal do Rio de Janeiro, em Brasília. A cerimônia contou com a presença do presidente Juscelino Kubitschek, do príncipe Bernhard, dos Países Baixos, e autoridades locais.
Após desatar a fita simbólica, o chefe do governo foi saudado pelo Almirante Augusto Amaral Peixoto, que declarou estar aquela autarquia pronta a continuar colaborando na conquista do Brasil de hoje. O Presidente da República felicitou a administração da Caixa, pela obras já realizadas na futura capital, entre as quais a Sucursal que ali mantém e cujas novas instalações, numa das lojas construídas, também foram inauguradas. A essa nova dependência foi dado o nome de “Bernardo Sayão”, em homenagem ao pioneiro mártir da Estrada Belém-Brasília.

Pronto-socorro
O Presidente Juscelino Kubitschek autorizou a aplicação da importância de cento e cinqüenta milhões de cruzeiros, destinada ao inicio das obras de construção do Hospital de Pronto-Socorro de Brasília.

Pontes
Foram concluídas as pontes sobre o Córrego da Casa Branca, com 56 metros; sobre o rio Extrema Grande, com 58 metros; e sobre o Rio Boi, com 100 metros. Todas as pontes na rodovia Belo Horizonte-Brasília.

Telas
Realizou-se no Instituto do Açúcar e do Álcool a doação ao Governo brasileiro de mais quatro valiosas telas, destinadas ao Palácio da Alvorada, em Brasília. As telas foram adquiridas em Londres e doadas por alguns industriais e banqueiros amigos da cultura.

Primeiro agricultor
Foi registrada no Serviço de Estatística da Produção, do Ministério da Agricultura, a primeira propriedade agrícola de Brasília.
Trata-se da “Granja São Judas Tadeu”, cuja área atinge 100 hectares.
Seu proprietário, Ubirajara Santos Roland, é também o primeiro agricultor sediado no futuro Distrito Federal.

Herbert Minnemann
O sr. Herbert Minnemann esteve em Brasília e, de volta a Hamburgo, na Alemanha, fez uma conferência a respeito da transferência da Capital brasileira e publicou na “Ubersee-Rundschau” um artigo que termina com as seguintes palavras: “Os poucos edifícios em Brasília permitem vislumbrar um sem número de surpresas que mais tarde se oferecerão. A grandiosidade do projeto e do planejamento, o zelo de todos os construtores da nova capital, sejam eles o presidente da República, um arquiteto, um artífice ou um operário, exprimem nítida e audivelmente a fé bem firme no futuro do Brasil”.

Fonte: revista “Brasília”, da Novacap, edição de fevereiro de 1959.

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