Posts com a Tag ‘Presidente Juscelino Kubitschek’

Brasília, 15 de março de 1960

Escrito por mariana em . Postado em Linha do Tempo Sem Comentários

Mensagem ao Congresso Nacional – Em sua Mensagem anual ao Congresso Nacional, o Presidente Juscelino Kubitschek assim se refere à mudança da Capital Federal para Brasília, no passo final da Introdução:

“Pouco mais de um mês nos separa do momento histórico em que a sede do Governo se há de transferir para Brasília – no coração do País – deixando esta bela e nobre cidade do Rio de Janeiro, que lhe deu abrigo pelo espaço de dois séculos. A 21 de abril próximo, a nova Capital estará apta a receber os três Poderes da República e a proporcionar-lhes os requisitos básicos para as suas atividades normais, não só no que se refere à instalação dos serviços públicos, como também no que concerne ao alojamento condigno dos servidores.

Mesmo os retrógrados e pessimistas já não podem opor-se à realidade que surge, esplendente, no Planalto Central do Brasil. Graças à bravura e à decisão do nosso povo, ao espírito criador de nossos artistas e à dedicação de chefes e operários, onde, faz três anos, havia apenas deserto e silêncio, existe, hoje, uma cidade de linhas monumentais, destinada a testemunhar, agora e sempre, a memorável arrancada para o Oeste.

Cumpriu-se, enfim, o preceito constitucional em que a Nação reiteradamente ordenava esse passo decisivo para a ocupação efetiva do nosso interior. Brasília não é apenas uma cidade nova, surgida milagrosamente na solidão do altiplano; não é apenas técnica e arte, pioneirismo e arrojo.
É antes de tudo a revolução, porventura a mais fecunda do nosso tempo: a mudança na rota de um País empenhado em transpor a barreira do subdesenvolvimento e ocupar, entre os povos do Mundo, o lugar que lhe cabe pela sua extensão, pelas suas riquezas, pelo valor dos seus filhos.

Antes mesmo de se tornar o centro de decisões nacionais, a novel metrópole já vai libertando a nossa hinterlândia do cativeiro da pobreza e do abandono. Extensos troncos rodoviários a ela fazem convergir do Norte e do Sul, da orla marítima e do extremo Oeste, multidões que se congregam por um ideal, gente enérgica, desejosa de um Brasil novo e orgulhosa de poder construí-lo.

Brasília não é um artifício, mas criação de rico impulso vital, imperativo da unidade da Pátria, fervoroso e antigo anelo que se converteu em ato – vitória enfim, dessa intrepidez e pertinácia capazes, tanto de fazer surgir do ermo uma cidade que maravilha os povos, como dessa epopéia de rasgar a Transbrasiliana no mundo primitivo da selva amazônica.

Com a expansão harmônica do País e o aproveitamento de poderosas energias latentes, como o transplante, para os remotos rincões do interior, da civilização que floresce à costa do Atlântico, há de vir, querendo Deus, um tempo de abundância e de genuína fraternidade que permita indistintamente a todos os brasileiros a fruição dos bens da cultura e do progresso.”

 

Conferência – No auditório do Ministério da Educação, no Rio de Janeiro, o senhor Augusto Guimarães Filho, arquiteto e Chefe da Divisão de Urbanismo da Novacap, profere uma conferência sobre Arquitetura e Urbanismo em Brasília.

 

Ligações rodoviárias – O Presidente Juscelino Kubitschek sanciona a Lei do Congresso Nacional, que toma o no. 3.735, e pela qual se autoriza o Poder Executivo a abrir pelo Ministério da Viação e Obras Públicas o crédito especial de Cr$ 2 bilhões para a conclusão das ligações rodoviárias de Brasília com os Estados da Bahia, Sergipe, Alagoas, Pernambuco, Paraíba, Ceará, Maranhão, Mato Grosso e Goiás.

 

Em mensagem ao Congresso Nacional, às vésperas da inauguração de Brasília, o presidente JK lembra que “onde, faz três anos, havia apenas deserto e silêncio, existe, hoje, uma cidade de linhas monumentais”. Acima, a nova capital ganha forma entre 1959 e 1960 (Foto: Arquivo Público do DF)

Brasília, 9 de março de 1960

Escrito por mariana em . Postado em Linha do Tempo Sem Comentários

Preparativos para a inauguração – De Brasília, a Agência Nacional recebe o seguinte comunicado, que distribui à imprensa:

“Os canteiros estão sendo cobertos de plantas e flores e o trabalho de asfaltamento de grandes áreas nesta cidade prossegue em ritmo acelerado, visando dar aos brasileiros e estrangeiros que aqui vierem a vinte e um de abril uma visão panorâmica da ‘cidade do século’. Já estão limpas todas as áreas que circundam as super-quadras dos edifícios de apartamentos do Eixo Rodoviário no Plano Piloto. O plantio de grama já ganha novo ímpeto, o mesmo acontecendo com a parte de iluminação pública que deverá estar funcionando em todo o plano até o fim do mês um curso. As ruas estão com seu aspecto de vias de acesso de uma cidade que já vive muito. Os observadores acreditam que a cidade se constituirá na maior surpresa mesmo para os mais céticos e pessimistas na data de sua inauguração, comprovando a capacidade realizadora do povo brasileiro.”

Palácio do Planalto – A imprensa divulga que os visitantes de Brasília já podem ler, em uma das paredes do Palácio do Planalto, situado na Praça dos Três Poderes, a seguinte inscrição histórica:

1789 – Os Inconfidentes mineiros incluem em suas reivindicações a idéia de interiorização da capital do país, reivindicação igualmente expressa nas Constituições de 1822, 1891, 1934 e 1946. Em 1955, Juscelino Kubitschek de Oliveira é eleito, a 3 de outubro, Presidente da República dos Estados Unidos do Brasil. Em 1956, o Presidente Juscelino Kubitschek, em abril, remete ao Congresso Nacional mensagem em que solicita a criação da Companhia Urbanizadora da Nova Capital, Novacap. A 19 de setembro sanciona a lei aprovada pelo Poder Legislativo e nomeia seu presidente Israel Pinheiro da Silva. Em 1960, convicto da grandeza do empreendimento e lutando decididamente contra todas as dificuldades, o Presidente Juscelino Kubitschek concretiza sua promessa de candidato, entregando ao povo brasileiro a nova capital – Brasília”.

 

A rotina do planalto central gira em torno de preparativos para a inauguração da nova capital: os prédios político-administrativos recebem retoques finais, a iluminação pública deverá estar funcionando até o fim do mês e o asfaltamento de vias públicas ocorre em ritmo acelerado. Na imagem, profissionais  de imprensa realizam a cobertura da construção do Congresso Nacional entre 1959 e 1960 (Foto: Arquivo Público do DF)

Brasília, 5 de março de 1960

Escrito por mariana em . Postado em Linha do Tempo Sem Comentários

Cardeal Cerejeira – A propósito de sua designação para representar, como Legado Pontifício, o Santo Padre João XXIII, nas festas da inauguração de Brasília, Sua Eminência Dom Manuel Gonçalves Cerejeira, Cardeal-Patriarca de Lisboa, dirige o seguinte telegrama ao Presidente Juscelino Kubitschek:

“Ao receber a altíssima missão de Legado Pontifício à inauguração de Brasília, peço licença para saudar em Vossa Excelência o prestigioso chefe da grande Nação brasileira e criador da nova Capital do Brasil do futuro”.

 

Discurso presidencial – Recebendo, em Belo Horizonte, o título de Professor Honorário da Faculdade de Medicina da Universidade de Minas Gerais, o Presidente Juscelino Kubitschek assim se refere ao plano educacional de Brasília:

“A construção de Brasília, em cujas linhas urbanísticas e arquitetônicas domina o sentido da modernidade, levou-nos a empreender, obedecendo a rigoroso planejamento, a construção de uma rede escolar primária e média, à altura da nova Capital brasileira. E posso afirmar-vos que em abril estará funcionando ali, simultaneamente a outras iniciativas de ensino, o grande centro de educação média, compreendo quatro ramos e funcionando lado a lado, numa experiência pedagógica nova em nosso meio e com uma capacidade para três mil e quinhentos alunos.”
Concluindo seu discurso, diz o Presidente Juscelino Kubitschek:

“Todo o vasto Plano de Metas em que concentrei minha atuação à frente dos destinos nacionais se resume no porfiado empenho de melhorar as condições de vida deste grande povo.

Não se pode compreender que esteja no âmbito de nossas fronteiras o maior deserto da terra. Nem é concebível que a Nação se divida em regiões de progresso e de subdesenvolvimento, como se todos não tivessem iguais direitos e oportunidades debaixo da mesma bandeira.

Por isso, convocamos o Brasil para o maior esforço coletivo de toda a sua História. E erguemos Brasília. Mas não para deixá-la adormecida no Planalto como uma ruína imponente e sim, como já tive oportunidade de acentuar, para que ali vibre o cérebro das altas decisões nacionais, na mais bela cidade do mundo construída no mais curto prazo da História. E rasgamos as estradas quase inconcebíveis no recesso das matas nunca pisadas pelo homem.
Mas não para que a mata volte a fechar-se nos caminhos èpicamente abertos com o sangue, o suor e as vidas dos nossos patrícios. E construímos Furnas. E realizamos Três Marias. Em suma: sacudimos o gigante, para vê-lo de pé.

Tudo quanto fizemos e ainda estamos realizando tem o sentido pleno da redenção nacional. Em lugar de pensar no homem brasileiro, de forma vaga e indefinida, como simples especulação filosófica, este Governo pensou em sessenta milhões de brasileiros, que em breve serão cem milhões, numa Pátria engrandecida com os seus próprios recursos e que hoje dá ao mundo, com o arrojo de suas iniciativas ciclópicas, a prova de que sabe ser digna da vastidão do seu território, base física da nacionalidade sobre a qual erguemos agora o Brasil de amanhã.”

 

Em março de 1960, a Esplanada dos Ministérios ainda não contava com um cartão postal intrínseco à história da cidade meio século depois: a Catedral. Ainda um projeto sendo erguido às vésperas da inauguração, a estrutura só ganhou a forma atual e foi aberta ao pública na década seguinte, em 1970. Acima, ilustração prévia da obra antes de sua construção (Imagem: Arquivo Público do DF)

 

Brasília, 4 de março de 1960

Escrito por mariana em . Postado em Linha do Tempo Sem Comentários

Declaração presidencial – A respeito de notícias divulgadas na imprensa carioca de que o Governo estaria interessado em movimentos que tem como objetivo o adiamento da data da mudança da capital para Brasília, a Secretaria de Imprensa da Presidência da República distribui as seguintes declarações do Presidente Juscelino Kubitschek:

“Essas notícias representam os últimos estertores de uma campanha que visa impedir a mudança da capital.

Anuladas todas as manobras, superados todos os pretextos, os adversários de Brasília lançam agora mão desse recurso descabido, que põe em dúvida o inflexível propósito do Governo de promover, em obediência à lei, a efetivação da mudança.

Brasília, contudo, traduz um movimento de tão profundo sentido nacional, que contra ele não podem prevalecer os desígnios de uma minoria que pretende contrariar uma aspiração de todo o povo brasileiro.

Nada impedirá que a 21 de abril, Brasília seja a Capital do país. No Planalto Central iniciaremos, então, uma nova etapa da nossa luta pelo desenvolvimento e por um Brasil maior.”

 

Fundação Educacional Brasília – Na pasta da Educação e Cultura, o Presidente Juscelino Kubitschek assina decreto de instituição da Fundação Educacional Brasília, que terá a finalidade de organizar e manter, na nova Capital, estabelecimentos de ensino de grau médio.

Fundação Brasil Central – O Presidente Juscelino Kubitschek assina decreto fixando novas atribuições à Fundação Brasil Central e transferindo sua sede para Brasília, a fim de que possa mais efetivamente cooperar no desbravamento, colonização e aproveitamento econômico da região da qual a nova Capital é o centro.

 

Ao contrário do que afirmavam rumores dias antes de 21 de abril, Brasília não só seria inaugurada na data prevista como, no dia seguinte à inauguração, já estaria repleta de gente, carros e vida, conforme mostra a imagem da W3 Sul à época (Foto: Arquivo Público do DF)

Brasília, 23 de fevereiro de 1960

Escrito por mariana em . Postado em Linha do Tempo Sem Comentários

Presidente Eisenhower – Às 14h30 chega à região de Brasília, procedente de Porto Rico, o Boeing 707 em que viaja o Presidente Dwighat D. Eisenhower. O entusiasmo que se apossa da multidão, ansiosa por melhor se colocar quando do desembarque do Presidente dos Estados Unidos da América, leva-a a ultrapassar os cordões de isolamento, o que retarda de alguns minutos a descida do avião. O Boeing presidencial desliza, finalmente, pela pista e, no topo da escada colocada à porta, aparece o Presidente Eisenhower.
Centenas de autoridades civis, militares e eclesiásticas, tendo à frente o Presidente Juscelino Kubitschek e esposa, aguardam o desembarque do estadista norte-americano.
Uma grande multidão completa o quadro festivo, formada pelo moradores e operários de Brasília e, também, por numerosas caravanas vindas de outras cidades e, mesmo, de outros Estados.
Colocados em palanque especialmente armado para esse fim, a cerca de 30 metros do local de desembarque, entram em ação dezenas de fotógrafos e cinegrafistas brasileiros e estrangeiros, para documentar o encontro dos dois Presidentes. Estes trocam efusivos cumprimentos, enquanto troam as salvas da artilharia de estilo. Prestadas as honras militares, segue-se a apresentação das autoridades ao Presidente Eisenhower e à sua comitiva.
Como parte das solenidades de recepção, bandas militares executam os Hinos dos EE.UU. e do Brasil. O presidente da Novacap, faz entrega da chave da cidade ao Presidente Eisenhower, que, sob intensa ovação de todos os presentes, toma lugar no carro aberto e, de pé, acenando para os manifestantes, ruma para a cidade, na companhia do Presidente Kubitschek, à frente do cortejo de veículos conduzindo as autoridades.
O aeroporto, como a rodovia e a área urbana da nova Capital, estão engalanados para a ocasião, ornamentados com milhares de bandeiras e apresentando um aspecto realmente festivo.
Sempre de pé no automóvel, sorridente e acenando para o povo que o aclama, o Presidente Eisenhower, que traja um terno azul-marinho, é alvo de outra manifestação popular ao chegar à plataforma do Eixo Monumental, onde se reúne também uma multidão considerável, a maior até hoje vista em Brasília, ovacionando e agitando bandeirolas. Por entre a intensa vibração do povo, os dois Presidente tomam lugar no palanque ali armado, ouvindo-se então, executados por bandas militares, os Hinos Nacionais dos Estados Unidos e do Brasil.
O Presidente Juscelino Kubitschek profere, então, sua saudação ao Presidente Eisenhower.
Agradecendo, o Presidente Eisenhower profere em inglês discurso que é traduzido por seu interprete.
Após a solenidade na plataforma do Eixo Monumental, os dois Presidentes percorrem, de automóvel, alguns trechos da cidade, detendo-se na Praça dos Três Poderes, onde se visita o Palácio dos Despachos.
Do Palácio, os dois Presidentes dirigem-se ao sítio em que se ergue o monumento comemorativo da visita do General Eisenhower a Brasília, local onde se lê o documento firmado na ocasião, a Declaração de Brasília.
Alguns metros mais adiante, realiza-se a solenidade do lançamento da pedra fundamental da futura sede da Embaixada Americana em Brasília – usando-se um bloco de granito retirado do Dedo de Deus e oferecido pelo Prefeito do Município Fluminense de Teresópolis.
O Presidente Juscelino Kubitschek acompanha, a seguir, o Presidente dos Estados Unidos ao Palácio da Alvorada, onde o General Eisenhower se hospeda.
À noite realiza-se no Palácio da Alvorada uma recepção, a que se segue um jantar intimo.

Transporte de bagagem – Anuncia-se que, a partir de 10 de março, 2.333 caminhões farão o transporte da bagagem dos funcionários que em Brasília deverão estar funcionando no dia 20 de abril. Esses veículos sairão carregados do Rio de 30 em 30 minutos, durante quarenta dias e quarenta noites, a fim de que o transporte esteja terminado à véspera da transferência da Capital. A operação de instalação do primeiro grupo de funcionários requererá mão-de-obra estimada em 500 mil homens-hora.

 

Olhares ao redor de todo o mundo voltam-se ao planalto central brasileiro. Ainda antes de tornar-se oficialmente cidade, ela recebe visitas ilustres como a do então presidente dos EUA Dwighat D. Eisenhower. Gente importante, gente comum, qualquer pessoa quer presenciar o milagre saindo do papel de rascunho de Lucio Costa. Em menos de mês, Brasília vai se tornar verdade (Foto: Arquivo Público do DF)

Brasília, 22 de fevereiro de 1960

Escrito por mariana em . Postado em Linha do Tempo Sem Comentários

Presidente Eisenhower – Anuncia-se que no aeroporto de Brasília será construída uma estação provisória, que abrigará, além dos aviões que conduzirão os Presidentes dos Estados Unidos e do Brasil, 4 aviões dos tipos “Boeing” 207 e 727, que transportarão a comitiva do Presidente Eisenhower. Nesse local, será realizada a primeira cerimônia oficial em homenagem ao estadista norte-americano: o desfile de soldados da 6ª. Companhia sediada na cidade.
Cinegrafistas de toda a parte do mundo estão chegando a Brasília para colher flagrantes da visita que o Presidente dos Estados Unidos fará à nova capital do Brasil. Serão feitos filmes em cores e em cinemascope, para exibição nas telas dos cinemas de todas as cidades da terra. Números repórteres, dos mais categorizados, já se encontram em Brasília.

Televisão – Aceleram-se os trabalhos de construção da torre de televisão de Brasília. A firma incumbida da montagem vem desenvolvendo esforços no sentido de concluir a empreitada no prazo previsto. A torre, que se encontra localizada no eixo rodoviário, terá 150 metros de altura, sendo assentada numa base de cimento de 70 metros.

Banco do Brasil – Em entrevista à Agencia Nacional, o senhor Ascânio de Faria, diretor da Divisão de Caça e Pesca do Ministério da Agricultura, declara que o grande lago de Brasília, que já está sendo povoado de várias espécies de peixes, destinados à alimentação da população da futura capital, vai receber, agora, mais dois mil mandis, do Rio Mogi-Guaçu, em Pirassununga, São Paulo.
Quanto aos trabalhos de peixamento do grande lago, que vem sendo feito há algum tempo, declara o diretor de Caça e Pesca:
– Instalamos, por conta da Novacap, sete tanques para criação de peixes, visando ao povoamento do lago que tem 176 quilômetros de perímetro. Os tanques são de 40×10 metros, ou 400 metros quadrados, e já estão peixados com as seguintes espécies: Tanques 1 e 2 – Tilápia (tilápia melanopleura), espécie herbívora que importamos do Congo Belga. Atinge, no Brasil, até 2 quilos de peso, alimentado-se de capim de planta, folhas de batata-doce, de bananeira, etc. sendo grandemente prolífera. Tanque 3 – Tucunaré (cichla ocelaris) – peso máximo de 3 quilos. Cria-se em conjunto com a tilápia, que lhe serve de alimento. É uma espécie esportiva.
No tanque 4 cria-se o BlueGill, que atinge até 800 gramas (é uma espécie de pequeno porte), servindo de alimento para o Bass. Tanque 5 – Black-Bass (micropterus salmoide), espécie para águas frias, de grande porte, podendo atingir o peso recorde de 12 quilos e o peso comercial, com 2 anos, de 3 quilos. É uma espécie assalmonada, alimentando-se de Blue-Gill.
Na América do Norte a produção de Bass nas fazendas, em tanques, atinge anualmente a 200 milhões de quilos, segundo estatísticas do ‘Fish and Wildlife Service’.
Tanque 6 – Apaiaris (Astronetas acelatus), do Amazonas, atingindo até 1 ½ quilos. É muito saboroso.
Tanque 7 – serve de repositório para os alevinos que nascem nos demais tanques.
Esclarece o Diretor da D.C.P. que o plano já elaborado para daqui por diante será o seguinte: a) lançar no grande lago, em dezembro e março de cada ano, duas remessas de alevinos, na seguinte ordem: 1 – Alevinos de tilápia e Blue-Gill (peixe alimento); 2 – Alevinos das espécies nobres, de valor comercial. Os peixes-alimentos (tilápia e Blue-Gill), servirão de base para a criação do tucunaré e do Bass, embora também sirvam de alimentação para a população local.
As tilápias, os tucunarés, os Blue-Gill e os apaiaris foram transportados para Brasília do Km 47 – Universidade Rural – do Posto de Piscicultura da D.C.P.
– Já dispomos em Brasília de mais de 20 mil tilápias, informa finalmente o Sr. Ascanio de Faria, que serão lançadas em março, no grande lago.

Deputado Abelardo Jurema – Pela Voz do Brasil, o deputado Abelardo Jurema, líder da Maioria na Câmara dos Deputados, profere a seguinte alocução sobre a mudança da Capital para Brasília em 21 de abril próximo:
“Brasília constituiu uma constante em todas as nossas cartas constitucionais, desde 1891. Era assim um velho sonho a nos embalar dos primeiros dias de nossa formação republicana. A marcha para o Oeste imprimiria novos contornos à fisionomia política e econômica da Nação. Seria, sem dúvida, um reajustamento de nossas fronteiras econômicas àquelas fronteiras políticas que os nossos bandeirantes plantaram nos nossos sertões, escrevendo epopéias de sangue, de coragem, de sacrifício e de lutas épicas.
Ao espírito bandeirante, superpõe-se o espírito de pioneiro que o Presidente Juscelino Kubitschek plantou na consciência brasileira.
Rompendo com a rotina, sacudindo o gigante, dando todo vapor às nossas energias criadoras, o Presidente Juscelino Kubitschek desafiou o tempo, lançando-se à construção de Brasília. Há pouco mais de dois anos, lá estava o planalto virgem e a nova capital apenas numa miragem. Hoje, uma visão panorâmica, Brasília já rasga os céus com os seus edifícios e já indica ao País um novo destino. 80.000 brasileiros lá estão concluindo as obras da nova capital, desde as estradas às avenidas, dos edifícios públicos aos conjuntos residenciais, dos hospitais às escolas, das instalações elétricas aos serviços de abastecimento d’água, dos serviços telefônicos às redes de telecomunicações com o Brasil e o mundo, dos hotéis às agências bancárias, do Palácio da Alvorada ao Palácio do Congresso, do Palácio dos Despachos ao Palácio da Justiça, do grande lago às barragens para o aproveitamento hidrelétrico, do aeroporto às estações rodoviárias e ferroviárias, dos prédios comerciais aos aviários, dos cinemas aos mercados, dos clubes aos quartéis, tudo enfim que possibilite a habitabilidade para os primeiros brasileiros que de Brasília anunciarão a sua instalação oficial como Capital do Brasil em 21 de abril de 1960.
Nessa tarefa gigantesca de integração nacional, os legisladores que se mantiveram coerentes com o nosso passado constitucional não falharam no seu apoio à obra empreendida pelo Presidente Juscelino Kubitschek; todas as leis foram elaboradas, todos os recursos legais concedidos. Agora o Presidente Juscelino Kubitschek anuncia à Nação que Brasília já está em condições de receber o Governo. Executivo, Judiciário e Legislativo lá estarão em 21 de abril próximo.
Cumpriu o Presidente Juscelino Kubitschek a sua missão histórica, cabendo agora à Nação, ao Povo, a sua missão de trazer o futuro para o presente, dentro da conjuntura política, social, econômica e administrativa, irradiando de Brasília, em todas as direções, a ação realizadora de consolidação e expansão do que a nova capital significará para os destinos nacionais.
De meta-síntese dos planos de Governo para a nossa emancipação econômica, Brasília surge como o grande passo para o amanhã sem subdesenvolvimento, sem desníveis regionais, sem conformação com o pauperismo, dentro de rumos seguros para uma sobrevivência digna como Nação abençoada por Deus, engrandecida pelo povo brasileiro.”

 

O empenho para povoar de peixes o enorme lago artificial, que tem 176 quilômetros de perímetro, demanda a construção de grandes aquários e criação de diversas espécies do animal. A depender do trabalho do Ministério da Agricultura, ainda mais tilápias, tucunarés e apaiaris deverão, em breve, bater barbatanas nas límpidas águas do Paranoá (Foto: Arquivo Público do DF)

Brasília, 10 de fevereiro de 1960

Escrito por mariana em . Postado em Linha do Tempo Sem Comentários

Catedral – Divulga-se que a iniciativa privada, representada pela maioria das empresas construtora que trabalham em Brasília, colaborará para o erguimento da catedral planejada por Oscar Niemeyer. A catedral, que ficará localizada na Praça dos Três Poderes, já tem sua construção iniciada, com o anel de base concluído, em formato circular.
Agora, as colunas começam a surgir e toda a população verifica que mais esta gigantesca obra, que abrigará os católicos da nova capital em suas maiores festas, terá sua construção finalizada em breve. Até agora foram reunidos para o levantamento do templo quatorze milhões e seiscentos mil cruzeiros, como colaboração de cerca de cinqüenta empresas construtoras e bancárias que operam aqui.
Coluna Norte da Caravana de Integração Nacional – Às 9 horas, parte do Rio de Janeiro, com destino a Porto Alegre, a Coluna Norte da Caravana de Integração Nacional. Batedores da Guarda Civil escoltam a caravana até à barreira da Rodovia Presidente Dutra.
Compõem a caravana trinta e sete veículos de fabricação nacional e mais de duzentas pessoas, entre autoridades civis e militares, jornalistas, cinegrafistas e fotógrafos. Na cidade de São José dos Campos, a ela se incorporarão mais cinco carros, também de fabricação nacional.
A Coluna Norte percorrerá todas as cidades que margeiam a rodovia Rio-São Paulo. De São Paulo rumará a Registro-Curitiba, Rio Negro-Lajes-Vacaria-Caxias do Sul, e finalmente, Porto Alegre, aonde deverá chegar na próxima segunda-feira.

Visita do Presidente Eisenhower – O Departamento de Estado dos Estados Unidos da América cede ao Governo brasileiro, por empréstimo, o equipamento de transmissão radiotelefônico que colocará Brasília em comunicação com o resto do mundo durante a próxima visita do Presidente Eisenhower.
O equipamento destina-se a 18 canais de radiotransmissão e pesa, ao todo, 25 mil libras, ou seja, de 10 toneladas, devendo seguir para Brasília logo após seu desembarque.
Com essa iniciativa do Itamarati os correspondentes estrangeiros que acompanharam o Chefe da Nação americana à futura Capital do Brasil terão sua missão facilitada.

Organização Judiciária – O Presidente Juscelino Kubitschek envia ao Congresso Nacional, acompanhado de mensagem, o projeto de lei que dispõe sobre a Organização Judiciária do Distrito Federal de Brasília.

Lei Orgânica de Brasília – O Presidente Juscelino Kubitschek envia ao Congresso Nacional, acompanhado de mensagem, o projeto de Lei Orgânica do Distrito Federal de Brasília.

Hospital de Brasília – O Presidente Juscelino Kubitschek aprova o plano de aplicação proposto pelo Ministério da Saúde, referente à dotação de duzentos milhões de cruzeiros, para prosseguimento das obras do Hospital Distrital de Brasília.

 

A catedral metropolitana da nova capital já tem o anel de base concluído, em formato circular. As colunas começam a surgir, mas a entrega da obra acontecerá só uma década depois da inaguração da cidade, no início de 1970 (Foto: Arquivo Público do DF)

Brasília, 5 de fevereiro de 1960

Escrito por mariana em . Postado em Linha do Tempo Sem Comentários

O.E.A – Acha-se em estudos, na Organização dos Estados Americanos, em Washington, o projeto para a construção, em Brasília, da sede de seus serviços no Brasil, sede ora situada no Rio de Janeiro.
Presidência da República – O Presidente Juscelino Kubitschek autoriza o levantamento do pessoal dos Gabinetes Militar e Civil para funcionamento na nova Capital, tendo em vista a próxima mudança da Secretaria da Presidência da República para Brasília.

Comunicações – O Presidente Juscelino Kubitschek assina decreto declarando de utilidade pública, para fins de desapropriação em caráter urgente, pelo Departamento de Correios e Telégrafos, de um terreno em Paulo de Frontin, Estado do Rio, com a área de 2.400 m2 para a instalação de uma das subestações do sistema de micro-onda entre o Rio de Janeiro e Brasília.

Governador Carvalho Pinto – O Presidente Juscelino Kubitschek recebe do Governador de São Paulo o seguinte telegrama:
“Lamentando a absoluta impossibilidade de comparecer, venho agradecer ao eminente Chefe da Nação o honroso convite com que me distinguiu para participar em Brasília da concentração promovida pela indústria automobilística nacional, ao ensejo do 4º aniversário do seu Governo. Já tive oportunidade, na passagem por São Paulo, da Caravana Sul, de dar-lhe o testemunho de meu apreço e caloroso apoio.
Venho agora congratular-me com Vossa Excelência e com a indústria automobilística pelo notável feito, exemplo da alta capacidade técnica dos veículos de fabricação nacional assim a serviço da causa da integração do vasto “hinterland” brasileiro, que notadamente caracteriza os patrióticos esforços do governo de Vossa Excelência, na luta contra o subdesenvolvimento”.

Ministério da Agricultura – O Ministro Mário Meneguetti reúne, em seu Gabinete, os diretores de Serviço e principais auxiliares para expor o seu plano de instalação, em Brasília, no menor tempo possível, do Ministério da Agricultura.
Inicialmente, o titular da pasta da produção mandara executar, pela Diretoria de Obras, o projeto da construção de armazéns e silos com capacidade para 12.000 toneladas, com um centro regulador dos produtos dos municípios satélites de Brasília.
Outra medida tomada é o fornecimento de pescado, que será distribuído de maneira que não falte esse alimento à população da nova Capital.
O Ministro da Agricultura terá, em Brasília, duas sedes: uma burocrática, outra rural, ou seja, “Ministério fora do asfalto, na zona rural”. Para esta sede já existe uma área estabelecida de 11.700 hectares de terra.

Núcleo Colonial do INIC – Localizado na região de Guariroba, dentro do Território Federal de Brasília, o Núcleo Colonial organizado pelo Instituto Nacional de Imigração e Colonização está em condições de tornar-se em futuro próximo um grande centro de abastecimento de gêneros de toda espécie à futura capital do país. Suas terras se estendem por 20 mil hectares, numa altitude média de 1.100 metros e, graças ao seu clima temperado-seco e ameno, e às condições naturais de irrigação, com mananciais permanentes, entre os quais sobressai o Rio das Pedras, poderão receber as mais variadas culturas e propiciar a formação de pastagens para a criação de gado.
Nada diz melhor da riqueza do solo do Núcleo Colonial de Brasília do que sua produção atual, variada e relativamente volumosa, abrangendo cereais, produtos horti-granjeiros, leite e frutas. Os principais produtos fornecidos pelo Núcleo à nova Capital são: café, fumo, cana de açúcar, arroz, milho, feijão, mandioca, batata, frutas diversas, leite e carne.
Esta produção tende a intensificar-se, pois o INIC já tem projetada a distribuição de novos lotes a colonos que desejarem lá se fixar. O projeto de distribuição compreende 20 mil hectares, assim divididos: 550 lotes rurais de 30 hectares, cada um e 500 lotes urbanos de 1.000m2. O INIC reservará uma área de 350 hectares para parques, jardins, campos de demonstração, etc e, para escoamento da produção, construirá estradas num total de 125 quilômetros.
Outros informes sobre o núcleo: temperatura média 19º; topografia ondulada. É servido por rodovias e aviões, estando distante do Rio de Janeiro 1.828 quilômetros via São Paulo e 1.868 quilômetros via Belo Horizonte. Por via aérea, o percurso é coberto em 3h e 20 m em aviões tipo “DC-3” e em 2h e 50m em “Convair”.

Caravana de Integração Nacional – A Coluna Norte da Caravana de Integração Nacional que partiu de Belém do Pará para juntar-se às Colunas Sul, Leste e Oeste e que no dia 2 do corrente participaram das festividades comemorativas do 4º aniversário da administração do Presidente Juscelino Kubitschek, chega ao Rio precisamente às 16h e 30m, depois de realizar excelente viagem e sem que fosse registrado qualquer acidente.
A Coluna, conduzindo quase 200 pessoas, percorreu 3.400 quilômetros, sendo que 2.200 no trecho Belém-Brasília, rompendo a selva amazônica através da rodovia Bernardo Sayão. O restante do percurso, ou seja, de Brasília ao Rio de Janeiro, foi realizado através de estradas quase completamente pavimentadas e construídas em obediência aos princípios da mais moderna técnica rodoviária.
Precedida de um esquadrão dos Dragões da Independência e de batedores da Inspetoria de Trânsito, a Coluna Norte da Caravana de Integração Nacional chega ao Palácio do Catete às 16 h e 35 m.
Da sacada do Palácio, o Presidente Juscelino Kubitschek, na ocasião, também acompanhado de suas duas filhas, aplaude e recepciona entusiàsticamente os integrantes da Coluna, que totaliza 65 veículos.
Após a parada da Coluna, com os veículos estacionados em fila dupla, usa da palavra o Coronel-Aviador Lino Teixeira, que rapidamente focaliza os principais aspectos da jornada. No decorrer de sua oração, o Senhor Waldir Bouhid enaltece a obra do Presidente Juscelino Kubitschek, exaltando o seu grande trabalho no sentido da completa união nacional, através da construção de estradas ligando todos os pontos do país, e finaliza seu discurso exaltando a memória de Bernardo Sayão, o pioneiro da grande obra, e de Ruy Almeida, ambos falecidos na luta pelo engrandecimento do Brasil.
A esse orador, segue-se com a palavra Dom Elizeu Carolli, Bispo de Bragança, Estado do Pará, que também participou ativamente da Coluna, realizando o trabalho de um verdadeiro guia espiritual. As palavras do Bispo de Bragança são constantemente interrompidas. Falando em nome do Presidente da República, e exaltando o grande feito, discursa Dom José Pedro, Bispo de Caetité, Bahia, que em Brasília, durante o grande churrasco, também saudara os componentes das quatro Colunas da Caravana de Integração Nacional. Durante o discurso, Dom José Pedro da Costa refere-se, com palavras repassadas de entusiasmo, à obra que o Presidente Juscelino Kubitschek está realizando, principalmente no que diz respeito à luta contra o subdesenvolvimento.
Grande manifestação de aplauso e simpatia recebe a Coluna durante sua passagem pela Avenida Rio Branco, quando o povo, postado à beira das calçadas, tributa ao caravaneiros as maiores manifestações de carinho, enquanto que das janelas e sacadas dos edifícios são atiradas sobre a Coluna verdadeiras chuvas de confetes, papéis picotados, flores e serpentinas. O mesmo entusiasmo popular é notado em frente ao Palácio do Governo e na Rua Silveira Martins.

Exposição presidencial – Através de uma cadeia de radioemisssoras e canais de televisão, o Presidente Juscelino Kubitschek, durante mais de duas horas e meia, realiza uma exposição sobre seu Governo, referindo-se também a Brasília, que chama de meta-síntese de sua administração.
Afirma que, se não fosse o fato em si da mudança da capital, algo de extraordinário deveria haver nesta obra para provocar as atenções gerais. Declara que Brasília contém um profundo sentido de cristalização filosófica do desenvolvimento; ela quer dizer que estamos saindo do litoral depois de 400 anos de lutas. Ela afirma que o gigante está voltado agora para o interior. Descrevendo aspectos urbanísticos da nova Capital, alude às opiniões de numerosas autoridades estrangeiras que nos visitaram, inclusive à do Ministro da Cultura de França, André Malraux, que classificou Brasília como a capital da esperança, dizendo:
“Se renascer a velha paixão das inscrições nos monumentos, gravar-se-á sobre os que aqui vão nascer: Audácia. Energia, Confiança. Não se trata de vossa divisa oficial, mas talvez da que vos dará a posteridade”.
Declara o Presidente ser profundamente doloroso que o Brasil em 1960 tenha dois terço de sua superfície como um deserto, mas que Brasília, o marco número um do desenvolvimento do Brasil, vai fazer a integração nacional como já o comprovaram as caravanas que acabam de realizar a ligação Norte-Sul, Leste-Oeste do país. Explica ainda que, dentro em breve, em lugar de vinte teremos vinte e uma estrelas, com o Estado da Guanabara em nossa bandeira.
O Presidente, em seguida, diz de sua satisfação de poder cumprir com a construção de Brasília um dos sonhos dos Inconfidentes mineiros até agora não realizado: o da interiorização da capital do Brasil.

Brasília, 3 de fevereiro de 1960

Escrito por mariana em . Postado em Linha do Tempo Sem Comentários

Rede Ferroviária Federal – A partir da mudança da Capital Federal para o Planalto Central, a Rede Ferroviária Federal S/A manterá permanentemente em Brasília elementos da Diretoria Jurídica e Financeira, a fim de acompanharem os processos de interesse da empresa.
A medida decorre de proposta do diretor jurídico que, à vista da próxima mudança do Supremo Tribunal Federal e do Tribunal de Recursos, aponta a necessidade de se organizar um escritório em Brasília com o encargo de representar a Rede.
Em agosto de 1959, a RFF iniciou entendimentos com a Novacap para a escolha do local destinado ao edifício em que irá funcionar em Brasília.

Sistema Escolar – Em portaria, o Ministro da Educação determina época especial para o corrente ano letivo nas escolas mantidas pelo Ministério da Educação e Cultura na cidade de Brasília, futura Capital brasileira. Pela citada portaria o ano letivo de 1960 será de 16 de maio a 23 de dezembro, com o período de 28 de agosto a 11 de setembro para as férias escolares. As provas parciais serão realizadas entre 22 e 27 de agosto e 12 e 23 de dezembro.

Rodovia Belo Horizonte-Brasília – A imprensa brasileira assinala que a grande rodovia que ligará o Rio de Janeiro a Brasília, num percurso de 1.200 quilômetros, já está com a sua pavimentação quase concluída e, consequentemente, oferecendo perfeitas condições de tráfego entre o Rio de Janeiro e o Planalto goiano.
Essa obra constituiu um dos pontos que mais despertaram a atenção dos integrantes da Coluna Leste da Caravana de Integração Nacional, que, juntamente com as Colunas Norte, proveniente de Belém do Pará; Oeste, oriunda de Cuiabá; e Coluna Sul, cujo trajeto teve inicio em Porto Alegre, participou ativamente dos festejos comemorativos do 4º aniversário da administração do Presidente Juscelino Kubitschek.
Durante os pernoites e, mesmo, nas rápidas paradas, os componentes da Coluna Leste da Caravana de Integração Nacional tiveram oportunidade de ouvir a opinião de vários prefeitos e de grande número de pessoas interessadas na vida e no progresso das comunidades, e todos tiveram palavras do mais franco elogio para o grande empreendimento.
Os prefeitos e habitantes das cidades de João Pinheiro, Felixlândia, Sete Lagoas, Lafaiete, Santos Dumont, Juiz de Fora, Barbacena, Três Marias e outros municípios de Minas e de Cristalina e Luziânia, em Goiás, foram unânimes em exaltar a obra e chegaram mesmo a considerá-la como um novo ponto de partida para a redenção econômica das respectivas comunas.
Dirigindo palavras de saudação aos caravaneiros, os prefeitos de Cristalina e Luziânia declaram ver na rodovia Belo Horizonte-Brasília um dos motivos de maior significação e importância para o barateamento do custo de vida.

Ministério da Saúde – A Agência Nacional divulga uma entrevista com o Doutor Mário Pinotti, Ministro da Saúde, a propósito da significação histórica de Brasília e sobre as providências de sua pasta no setor da assistência sanitária à futura Capital.

Colonização da Rodovia Belém-Brasília – Em Brasília, o Presidente Juscelino Kubitschek preside a uma reunião de Governadores dos Estados e Territórios da Bacia Amazônica, no Palácio da Alvorada, a fim de tratar da colonização das terras marginais da rodovia Bernardo Sayão.
A conferência, que conta com a presença dos Governadores do Amazonas, Maranhão, Rondônia, Rio Branco, Acre, do Superintendente do Plano de Valorização Econômica da Amazônia, do Arcebispo de Goiânia e de assessores presidenciais, tem como objetivo a obra de humanização e colonização das terras marginais do grande eixo rodoviário, agora aberto ao desenvolvimento do país. Em nome de todos os Bispos e prelados da região cortada pela rodovia, os sacerdotes presentes expressam seu desejo de colaboração e fazem apelo ao Presidente da República no sentido de serem adotada providencias imediatas para evitar a ocupação desordenada das terras devolutas e matas virgens. Em rápidas palavras, o Arcebispo de Goiânia informa o presidente sobre a luta titânica que o Bispo de Porto Nacional, Dom Alano, vem travando contra certos concessionários de terras devolutas, os quais, de posse de documentação falha, tentam espoliar os desbravadores das selvas e construtores da estrada, que ali estão se fixando. Apela Dom Fernando para a criação de um Grupo de Trabalho, a exemplo do que ocorre com a execução das tarefas resultantes dos históricos encontros de Campina Grande e de Natal. Desse grupo deverão participar representantes dos Governos da região, do Exército Nacional, do INIC, da Superintendência do Plano de Valorização Econômica da Amazônia, do Serviço Social Rural, do Departamento Nacional da Produção Vegetal, da Legião Brasileira de Assistência e de outros órgãos cuja cooperação vier a ser considerada necessária para a execução dos planos traçados. Os Governadores presentes apóiam a sugestão de Dom Fernando, tendo o Presidente Juscelino Kubitschek recebido a iniciativa com o maior entusiasmo e ordenado as primeiras providências no sentido da concretização da mesma, de sorte a não retardar o início dos trabalhos práticos um só instante, a fim de que o mesmo se efetive antes mesmo da mudança da Capital federal para Brasília. O Presidente Juscelino Kubitschek dá ordem para que se providencie a reunião, nos próximos dias, no Palácio do Catete, dos Bispos da região ao longo do eixo rodoviário Belém-Brasília, bem como de representantes dos Governos dos Estados interessados, além dos demais órgãos citados, para coordenação dos esforços que vão ser exigidos pelo trabalho a ser apresentado com a maior brevidade.

Coluna Norte da Caravana de Integração Nacional – Partem de Brasília para o Rio de Janeiro os integrantes da Coluna, que na primeira etapa atingem João Pinheiro, em Minas Gerais, onde pernoitam.

Brasília, 2 de fevereiro de 1960

Escrito por mariana em . Postado em Linha do Tempo Sem Comentários

Caravana de Integração Nacional – Em Brasília, celebra-se a cerimônia da chegada das quatro Colunas da Caravana de Integração Nacional. Já considerável massa popular se acumulava na Praça dos Três Poderes, na manhã de hoje, presentes numerosas autoridades, quando o Presidente Juscelino Kubitschek ali chegou, em helicóptero da FAB, para a recepção às Caravanas de Integração Nacional. Estas deram então entrada na praça, à frente a Coluna Sul, seguida pelas Colunas Leste, Norte e Oeste.
O Chefe do Governo, em pessoa, apresenta as boas-vindas aos integrantes das colunas, cumprimentando-os e trocando rápidas palavras com vários deles. Nessa ocasião, o entusiasmo popular chega ao auge, observando-se que a Coluna Norte merecia especial atenção de parte da multidão.
Depois de percorrer todo o trajeto em que estacionavam os números veículos, o Presidente Kubitschek deixa o local, ainda no helicóptero da FAB, acenando para o povo com a Bandeira Brasileira que, trazida de Belém, lhe fora ofertada pela Coluna Norte.
De grande solenidade se reveste a Missa de Ação de Graças que, como parte do programa de recepção, é celebrada pelo padre Teixeira, pároco de Brasília, no local em que se erguerá a Catedral de Brasília. Assistem ao ato o Presidente da República, D. Sarah Kubitschek, governadores de Estado, o Prefeito do Distrito Federal, parlamentares, demais autoridades em visita à cidade, todos os membros da Caravana de Integração Nacional e a quase totalidade da população de Brasília. Aviões da FAB, em vôos rasantes, deixam cair uma chuva de papel picado, antes da cerimônia religiosa.
Momentos antes da Missa, o Arcebispo de Goiânia pediu à comissão que até ali trouxera a imagem de Nossa Senhora de Nazaré, padroeira de Belém, que a colocasse no altar, ao lado de Nossa Senhora Aparecida, padroeira de Brasília.
O sermão pronunciado por D. Fernando Gomes é todo ele alusivo à marcha realizada pela Caravana de Integração Nacional e à sua significação para o futuro do país. Encerrando-a, diz o Arcebispo de Goiânia:
“A marcha começou, para o triunfo do futuro do Brasil”.
Às 14h, realiza-se o churrasco, que reúne todas as autoridades que se encontram em Brasília, bem como operários que estão edificando a futura Capital federal. O primeiro orador é o senhor Celso Lisboa, presidente da Câmara de Vereadores do Rio de Janeiro, que fala em nome desta e do povo de sua cidade. Segue-se com a palavra o Governador de Goiás, senhor José Feliciano Ferreira, falando em nome dos demais governadores presentes: o senhor José Adjunto Filho, prefeito de Unaí; um homem do povo, de nacionalidade norte-americana, há muito radicado em Goiás; o deputado por Goiás, Rezende Monteiro, em nome do vice-presidente da República, João Goulart.
O sexto orador da reunião é o senhor Lúcio Meira, presidente do Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico. O Brasil – diz – estava vivendo uma hora auspiciosa, uma hora histórica. Com sua inflexível determinação, o Presidente Juscelino Kubitschek faz de Brasília o marco da conquista do Oeste e da Amazônia, para que o país deixe de ser o antigo arquipélago econômico e social.
Graças ao espírito audaz do Chefe do Governo, o Brasil afinal se encontra consigo mesmo, vê trafegar por belas estradas, pavimentadas com asfalto brasileiro, veículos brasileiros, queimando gasolina brasileira.
“Neste instante – acentua – a indústria automobilística nacional pode dizer: presente”.
E mais adiante:
“Aí estão os veículos brasileiros, prontos para o cumprimento de sua missão”.
Encerra sua oração transmitindo ao Presidente Kubitschek “a palavra de fé nos destinos da pátria, neste momento em que as caravanas chegam e o Brasil parte no rumo do futuro”.
Usa da palavra também, o Bispo D. José Pedro, traduzindo o júbilo de todo o povo brasileiro ante a concretização das metas governamentais.
“Precisamos acreditar num Brasil que se unisse em torno de empreendimentos como este – Brasília -, sonho que se tornou realidade. Aqui estou, para bendizer a pessoa de Vossa Excelência”.
E, a certa altura de sua oração:
“As injustiças, as calúnias e as incompreensões foram a moldura de todos os grandes homens que, no passado, trabalharam pela grandeza dos povos. Deus está com o Brasil, através de Vossa Excelência”.
Várias outras personalidades fazem uso da palavra, entre as quais o coronel Paulo René de Andrade, representando a cidade natal do Presidente da República, Diamantina; e o senhor Marcílio Viana.
O orador seguinte é o Governador do Amazonas, senhor Gilberto Mestrinho. Em tom entusiástico, ressalta as realizações do atual Governo, mencionando dentre elas Furnas e Três Marias. Os derrotistas e caluniadores – diz – fazem acusações ao Governo, mas este tem respondido a todas as calúnias com empreendimentos concretos: indústria automobilística, estradas que cortam o país de Norte a Sul, petróleo, conquistas de toda a sorte. Encerra suas palavras apresentando ao Presidente, pelo muito que tem sido realizado, os agradecimentos da Amazônia e do Estado do Amazonas.
Um operário, procedente da Paraíba, embora não estivesse inscrito entre os oradores, toma a palavra e, com expressões do mais alto entusiasmo, em nome de seus companheiros, saúda o Presidente Kubitschek.
Apesar da chuva que caia sobre Brasília, o povo não faltou com o seu aplauso ao desfile das colunas da Caravana de Integração Nacional, pelas principais ruas da cidade.
O presidente Juscelino Kubitschek num gesto que calou fundo no espírito de quantos integravam a grande parada cívica, compareceu em um minúsculo veículo “Romi-Isetta”, para mais uma vez cumprimentar os caravaneiros.
Encerrando a solenidade, fala o Presidente Juscelino Kubitschek.
Após seu discurso, o Presidente Juscelino Kubitschek diz algumas palavras, agradecendo as manifestações de todos os oradores e a colaboração que vem recebendo para a consecução das metas, por mais difíceis e exaustivas.
Em seguida, assina dois atos de significação nacional: um decreto conferindo condições de funcionamento, como porto livre, a Manaus, e outro conferindo o nome de Bernardo Sayão à rodovia Belém-Brasília.
O último a falar, antes do discurso de encerramento do Presidente Juscelino Kubitschek, é o senhor Antonio Carlos Cantão, em nome do Centro Acadêmico 11 de Agosto, de São Paulo; faz ele entrega ao Presidente Juscelino Kubitschek da seguinte mensagem em pergaminho, de autoria do poeta Guilherme de Almeida:
“Sobre o imenso mapa do Brasil desenha-se, neste instante, uma imensa cruz. Partindo, simultânea, dos quatro pontos-cardeais, quatro pontas de aço riscam a terra, atravessam lavras, selvas, praias, montes, vales, desertos e cidades, mirando um ponto de convergência. Aqui chegados, juntos, os quatro traços formam a desmedida cruz. É esta…como a do Cruzeiro do Sul, a das velas do Descobrimento e a do lenho da Primeira Missa, que, no céu, no mar e na terra, vem presidindo os destinos do Brasil, também esta será a benção. E porque é traçada pelas quatro colunas motomecanizadas da Caravana de Integração Nacional, será de Redenção.
Provindas – Norte, Sul, Leste e Oeste – avançaram, firmes, as quatro pontas de aço. É o Brasil que tem encontro marcado consigo mesmo em Brasília pelo Sinal da Santa Cruz”.
A imprensa noticia que o sucesso da marcha empreendida de Belém a Brasília foi de tal ordem que se animaram os seus comandantes a prosseguir viagem até o Rio, dando-a por encerrada na praça fronteira ao Palácio do Catete.

 

Bacia Amazônica – Durante sua estada em Brasília, o Presidente Juscelino Kubitschek recebe os governadores dos Estados e Territórios Federais da Bacia Amazônica. Nessa audiência, reúnem-se com o Presidente da República os governadores José de Mattos Carvalho, do Maranhão; José Feliciano Ferreira, de Goiás; Gilberto Mestrinho de Medeiros Raposo, do Amazonas, e que representa o Governador do Pará; José Ponce de Arruda, de Mato Grosso; Paulo Nunes Leal, de Rondônia; Helio Araújo, do Rio Branco; e Manoel Fontenelle de Castro, do Acre.
Os governadores da Amazônia externam ao Presidente da República o seu desejo de ver executado um vasto plano administrativo e econômico para promover o rápido desenvolvimento de toda a região com o aproveitamento de seus incalculáveis recursos, elevando, ao mesmo tempo, o nível de vida de seus habitantes.
Na ocasião, os governadores apresentam a seguinte moção ao Presidente da República:
“Os governadores dos Estados e Territórios que compõem a Região Amazônica, no momento que reúne, na futura Capital da República, os participantes da Caravana de Integração Nacional, expressam a sua mais viva solidariedade ao dinamismo da administração do senhor Waldir Bouhid, o qual, à frente da Superintendência do Plano de Valorização da Amazônia, corresponde à confiança que lhe depositou o Senhor Presidente Juscelino Kubitschek ao lhe colocar sobre os ombros a pesada tarefa de encaminhar o enriquecimento de tão importante faixa do território pátrio.
Ao assumir essa posição, propugna a Amazônia por um esquema administrativo que assegure a continuidade da obra iniciada pelo senhor Waldir Bouhid no sentido de impedir qualquer colapso no ritmo que se imprimiu ao desenvolvimento da região, cujo abandono vinha ganhando características de verdadeira calamidade nacional.”
Recebe essa moção as assinaturas de todos os governadores acima.
O Presidente Juscelino Kubitschek assegura aos Governadores que teria todo o empenho em ver executado o plano sugerido pelos Governadores da Amazônia, solicitando-lhes que apresentassem um conjunto de medidas concretas e as estudassem com o senhor Waldir Bouhid, superintendente do Plano de Valorização da Amazônia. Os Governadores externaram sua satisfação pela receptividade dispensada pelo Presidente da República às suas mais importantes reivindicações. Fica assentado que os Governadores irão brevemente ao Rio para levar ao exame do Presidente Juscelino Kubitschek as medidas mais importantes e mais urgentes para acelerar o progresso daquela vasta região brasileira.

Brasília, 1 de fevereiro de 1960

Escrito por mariana em . Postado em Linha do Tempo Sem Comentários

Discurso presidencial – No despacho coletivo com o Ministério, às 7 horas da manhã, no Palácio do Catete, o Presidente Juscelino Kubitschek assim se refere a Brasília em seu discurso:
“Posso dizer, sem hipérbole, que a decisão relativa a Brasília constituiu para mim um esforço bem mais considerável do que toda a solicitude em acompanhar a parte executiva dessa obra, em verdade imensa e que temos de atribuir, não só à proteção de Deus, que não nos faltou, como à capacidade de trabalho de nossa gente, à dedicação inexcedível dos chefes e dos operários. Naquela ocasião, medi os prós e os contras, avaliei as dificuldades de toda a ordem: as materiais, com todo o cortejo de repercussões econômicas e problemas técnicos; mas, sobretudo, o significado de resolução e a gravidade decisiva do ato. O imperativo constitucional fora repetidamente ignorado e seria fácil permitir que continuasse letra morta. Mas a criação de Brasília, a interiorização do Governo, esse ato dramático e irretratável de ocupação efetiva do nosso vazio territorial, essa demonstração inequívoca de fé na capacidade realizadora dos brasileiros, esse triunfo do espírito pioneiro, essa prova de confiança na grandeza deste país, essa ruptura completa com a rotina e o conformismo, eu a sentia em intima e perfeita correspondência com a aspiração máxima do povo brasileiro: a revolução do desenvolvimento nacional. Brasília foi o primeiro ato dessa revolução, fecundo em conseqüências, a meta número um, a meta-síntese de um Brasil renovado.
Brasília significa, não apenas a mudança da sede de um Governo, mas de todo o rumo de uma grande nação. Sei como são fortes as resistências e os antagonismos, porque sei até onde essa mudança tem um aspecto revolucionário, porque estou bastante lúcido quanto à serie de transtornos e de modificações que ela vai ocasionar. Não fugirá a ninguém o aspecto heróico da empresa, nem os sacrifícios requeridos; mas o dia de amanhã explicará melhor do que qualquer discurso – que Brasília obedeceu a uma imperiosa necessidade. Mas dia, menos dia, seria necessário colocar o Brasil no seu centro, conquistar essa parte importante do seu território, integrar o país em si mesmo.
Eu me dou por feliz pelo privilégio de construir Brasília, de realizar essa aspiração, que pareceu inatingível a muitas gerações de brasileiros, em tempo recorde, mostrando ao mundo que somos capazes de fazer o que queremos, e fazer como melhor não o fariam outros povos, que marcham na vanguarda da técnica e da civilização.”

Caravana de Integração Nacional – Em Goiânia, todas as colunas da Caravana se concentram, entre homenagens populares, para a última parte da jornada, a efetuar-se de 1º a 2 de fevereiro, até Brasília.
Chegando a Brasília, os integrantes da Caravana concentrar-se-ão no parque Dom Bosco.

Remoção de pessoal – O Presidente Juscelino Kubitschek, em despacho proferido em exposição de motivos do D.A.S.P., aprova minuta do convênio a ser estabelecido com o Grupo de Trabalho, bem como o respectivo Plano de Aplicação, da importância de 580 milhões de cruzeiros, destinada a despesas de quaisquer natureza, com a remoção do pessoal para Brasília, inclusive aluguel e arrendamento de imóveis.

Rodovia Belém do Pará-Brasília – Tendo visitado a Coluna Norte da Caravana de Integração Nacional no “Estreito” do Tocantins, o senhor Mattos Carvalho, Governador do Maranhão, viaja por via aérea até Goiânia, a fim de ali esperar a Caravana, com a qual chegará a Brasília.

Falando à imprensa da cidade, o governador Mattos Carvalho externa seu grande entusiasmo pelo que lhe foi dado observar da rodovia Bernardo Sayão, ressaltando a significação da estrada para o desenvolvimento do país:
“A estrada Belém-Brasília – diz – é um símbolo de progresso e dignifica um governo porque representa o enriquecimento de uma nação.”
Continua declarando que Brasília dá aos brasileiros a certeza de que está surgindo uma pátria nova, merecendo, por isso, todos os sacrifícios e não sendo admissível a protelação da mudança da sede do Governo para a nascente cidade.
Concluindo, afirma o Governador que seu Estado, o Maranhão, já sente os efeitos benéficos de Brasília e da rodovia, visto ser maranhense o mais próximo porto marítimo e estarem todas as cidades do sul maranhense, especialmente a região de Imperatriz, ligadas à futura capital federal pela rodovia de integração nacional.

Fazenda Nacional – O senhor Raymundo Brígido Borba, Diretor-geral da Fazenda Nacional, constitui seu Gabinete definitivo, que deverá embarcar para Brasília antes da transferência da Capital.

Ranieri Mazzilli – O Presidente da Câmara dos Deputados, Ranieri Mazzilli, dirige ao Presidente Juscelino Kubitschek o seguinte telegrama:
“Peço ao eminente Presidente e amigo receber minhas congratulações efusivas pela partida da Coluna motorizada que participa da Caravana de Integração Nacional, simbolizando o sonho que seu dinâmico idealismo transformou em realidade brasileira”.

Declaração presidencial – Na inauguração do Mercado Livre do Produtor no 2, no Rio de Janeiro, o Presidente Juscelino Kubitschek, falando de improviso, assim se refere ao encontro, em Brasília, no dia 2 de fevereiro, da Caravana de Integração Nacional:
“Dentro de poucos minutos, vou transpor os céus deste País e, em algumas horas, descer no Planalto Central, onde, amanhã, assistiremos a uma solenidade singela, porém tocante e de profunda significação nacional: o encontro das Caravanas de Integração Nacional. Sabem o que significa esse movimento? Saíram de Belém, no Estado do Pará, às margens do Rio Amazonas, 65 automóveis, conduzindo 250 pessoas, para uma viagem até Brasília. Outros tantos automóveis saíram de Porto Alegre, Rio Grande do Sul, ao encontro dessa caravana em Brasília. São quase 5 mil quilômetros de território brasileiro que estão sendo atravessados, de Norte a Sul, pela primeira vez na história do Brasil. E com uma particularidade: todas as caravanas transportadas por automóveis brasileiros, utilizando petróleo brasileiro e rodando em estradas pavimentadas com asfalto brasileiro.
É o Brasil que se levanta nos seus próprios pés para dominar as dificuldades e começar uma nova marcha, que nos dará a emancipação e a liberdade econômica. Daqui partiu outra caravana, que chegará amanhã a Brasília; de Cuiabá, no longínquo Mato Grosso, saiu outra caravana, que amanhã também como a daqui se encontrará em Brasília, formando uma verdadeira cruz de travessia do Brasil, em todas as suas direç cruz de travessia do Brasil, em todas as suas direções.
Os senhores devem ter ouvido falar no que foi o drama para romper esta estrada através da floresta virgem e impenetrável da região amazônica. Nós a atravessamos com o maior esforço, devassamos os mistérios mais impenetráveis do território brasileiro, e hoje esta Nação já pode ser circulada de Norte a Sul e de Leste a Oeste.
Os descrentes, os negativistas não acreditavam fossem possíveis empreendimentos de tal envergadura. Havia no País uma mentalidade ainda negativa, uma mentalidade que apelava sempre para a beira do abismo. Nós a estamos vencendo, nós a estamos dominando, e no fim deste Governo a Nação terá os instrumentos básicos indispensáveis para caminhar sozinha, independente e livre, na rota do seu destino.
Eu sabia que dificuldades inúmeras teria que enfrentar nesta jornada. Sabia que teria que exigir sacrifícios do povo brasileiro, mas pergunto: qual a maneira de uma nação progredir? Viver à custa de auxílios estrangeiros, colonizar-se, humilhar-se diante dos mais poderosos, para realizar o seu desenvolvimento, ou lutar com as próprias forças e vencendo as dificuldades, orgulhosamente proclamar que tem bravura e energia para forjar o seu próprio destino?
Estamos, nesta hora, assistindo a uma nova marcha do Brasil. Estamos subindo o Planalto Central, para conquistar dois terços desta Nação, ainda completamente desertos.”

 

Em discurso presidencial, JK refere-se às Caravanas de Integração Nacional, com cidadãos que cruzam asfaltos brasileiros, transportados por carros fabricados no país e alimentados por combustível também nacional. Esse movimento reúne-se em Brasília para vivenciar de perto o desenvolvimento. Os candangos da imagem acima não são diferentes: levantam-se para ver com os próprios olhos a inauguração da nova capital  (Foto: Arquivo Público do DF)

Brasília, 28 de janeiro de 1960

Escrito por mariana em . Postado em Linha do Tempo Sem Comentários

Seleção de professores – Dados publicados no primeiro número do boletim oficial Educação em Brasília, da Comissão de Administração do Sistema Educacional de Brasília – CASEB – do Ministério da Educação e Cultura, indicam que o trabalho de Seleção de professores de ensino elementar e médio para a rede escolar da nova Capital está atingindo o final de sua primeira etapa, qual seja a distribuição e coleta de formulários com informações sobre o “curriculum-vitae” de cada candidato e as atividades pedagógicas exercidas.

Inúmeros tem sido os mestres, de todos os pontos do país, que os solicitaram, subindo a mais de duzentos inscritos.

Para esta seleção, o estudo pormenorizado dos formulários será complementado com entrevistas e provas escritas. Visando documentar esta tarefa, a CASEB incluiu uma cópia destes formulários no seu boletim. Os mestres que forem escolhidos firmarão contratos de serviços regidos pela legislação trabalhista, recebendo passagem para si e sua família, além de ajuda de custo para sua instalação em Brasília, tendo direito a residência, mediante aluguel acessível e o ensino primário ou secundário gratuito para seus filhos.

Além do trabalho de seleção do magistério que lecionará em Brasília, a direção-executiva da CASEB está cuidando também do contato com os funcionários públicos que vão mudar-se no primeiro escalão para a nova capital e estudando a matrícula de seus filhos.

 

Caravana de Integração Nacional – A Coluna Leste da Caravana de Integração Nacional parte, pela manhã, do Rio de Janeiro para Brasília, saindo da praça fronteira ao Palácio do Catete, depois de despedir-se do Presidente Juscelino Kubitschek, presentes Ministros de Estado, o Arcebispo Auxiliar do Rio de Janeiro, D. Hélder Câmara, General Odílio Denys, Comandante do 1º. Exército, Prefeito do Distrito Federal e numerosas outras autoridades civis, militares e eclesiásticas, bem como grande massa popular, que aplaude entusiasticamente o acontecimento.

Com a partida das Colunas do Rio e de Cuiabá, completam-se os quatro movimentos da Caravana de Integração Nacional que, procedentes do Norte, Sul, Leste e Oeste, convergem para Brasília.

Os Dragões da Independência do Batalhão de Guardas deram realce à cerimônia, sendo executado o Hino Nacional, após a chegada do Presidente da República à sacada do Palácio. Em seguida, toda a multidão presente guardou um minuto de silêncio, em memória do Embaixador Osvaldo Aranha.

Após a alocução do Major Edson Perpétuo, o Presidente Juscelino Kubitschek pronuncia as seguintes palavras:

“Há 150 anos, o Brasil esperava esta hora, a hora do inicio das novas bandeiras para a conquista e posse do território nacional. Esta solenidade marca o inicio de uma nova marcha. Vamos subir o Planalto Central, para, dali, nos lançarmos à conquista dos seis milhões de quilômetros quadrados que ainda jazem desertos e adormecidos, esperando o passo redentor dos brasileiros. Esta bandeira sai do Rio de Janeiro em automóveis brasileiros, com pneumáticos brasileiros, e petróleo brasileiro, e vai trafegar por estradas asfaltadas com asfalto brasileiro. É a nação que desperta para a sua grande arrancada, e, felizmente, apoiada pelo calor e pelo entusiasmo do povo brasileiro. As palavras pessimistas daqueles que não acreditam no Brasil está ficando superadas. Ao povo carioca, que é um artífice extraordinário da grandeza e da prosperidade desta Nação, ao povo carioca, que veio assistir a esta partida da Bandeira da Integração Nacional, uma saudação muito afetuosa. A todos aqueles que agora saem daqui para reeditar as façanhas do Século XVIII, desejo a maior felicidade, certo de que, ao recebê-los, segunda-feira, em Brasília, estaremos plantando a semente profunda da grandeza e da prosperidade do Brasil.”

A Coluna Leste, chega a Petrópolis precisamente às 12,35 minutos. Nos limites da cidade de Petrópolis, o Governador Roberto Silveira e o Prefeito Nélson de Sá Earp recebem a Caravana e a ela se juntam até o quartel do 1º. Batalhão de Caçadores, onde o Comandante, Coronel Perry de Lima, e demais oficiais homenageiam a Caravana com um almoço. A coluna segue, após o almoço para Juiz de Fora onde pernoitará.

A Coluna Oeste deixa Cuiabá às 5 horas da manhã, viajando até Alto Araguaia, onde pernoita.

A Coluna Norte vence a etapa de Gurupi a Porangatu. A viagem continua com passagem em novos núcleos surgidos nestes últimos anos por influência da rodovia Belém-Brasília, dentre os quais Entroncamento, Formosa, Estrela do Norte, Amaro Leite e Campinorte. A caravana pernoita em acampamento no rio Passa-Três, distante um quilômetro do centro da cidade de Uruaçu, junto do local onde há seis dias desabou o aterro da ponte em virtude de enchente provocada por uma tromba d’água violenta. Essa ponte foi construída há oito anos para acesso ao centro urbano. Sua destruição não obstou a marcha da Caravana, a não ser que a obrigou a fazer a travessia em balsas rumo a Ceres, Anápolis e Goiânia.

A Coluna Sul vence a etapa Limeira-Jaboticabal.

Brasília, 26 de janeiro de 1960

Escrito por mariana em . Postado em Linha do Tempo Sem Comentários

Cerejeiras japonesas – Anuncia-se o embarque, no Japão, pelo navio “África Maru”, de cento e dez mudas de cerejeiras para plantio experimental em Brasília. A promessa do envio das mudas de cerejeiras foi feita ao Presidente Juscelino Kubitschek por Sua Alteza Imperial o Príncipe Mikasa, quando de sua visita ao Brasil, em junho de 1958.

Confederação Nacional do Comércio – Em sua primeira reunião do ano, a Diretoria da Confederação Nacional do Comércio debate, entre outros assuntos, o problema de sua transferência para Brasília, em abril próximo, obedecendo assim à determinação legal segundo a qual a entidade sindical máxima do comércio deve ter sua sede na Capital da República.

Todos os diretores, falando a respeito, encarecem a necessidade dessa mudança a 21 de abril, não só por determinação da lei mas como uma demonstração do desejo da CNC de colaborar com o Governo no importante empreendimento.

A Confederação ainda não edificou sua sede em Brasília, embora já tenha o terreno para esse fim. Os diretores são unânimes em reconhecer, porém, que não se deve esperar a construção do edifício próprio para que a CNC para ali se transfira, e deliberaram que o Senhor Charles Edgar Moritz, Presidente da Novacap, para acertar as providências indispensáveis ao funcionamento da Confederação em Brasília, a partir de 21 de abril próximo.

Caravana de Integração Nacional – A Coluna Sul, sob o comando do Major Leopoldo Freire, já atingiu a cidade de São Paulo. O Major José Edson Perpétuo, Ajudante de Ordens do Presidente da República e um dos organizadores do patriótico movimento, recebe um radiograma do Major Freire comunicando que a Coluna Sul, tendo em vista as solicitações das populações de Itapetininga e Sorocaba, decidiu desviar o itinerário, passando por aquelas duas cidades.

Depois de almoçarem na cidade de Sorocaba, os integrantes dessa Coluna partem com rumo a São Paulo e ali chegam às 14 horas de hoje. O trajeto no rumo de Itapetininga e de Sorocaba permitiu o trânsito por uma rodovia inteiramente pavimentada.

Nos limites do município de São Paulo, a coluna é recebida pelo próprio Governador do Estado, Professor Carvalho Pinto, por um representante do Cardeal- Arcebispo Dom Carlos Carmelo de Vasconcelos Motta e por várias autoridades civis e militares.

Dos limites do município até o Palácio do Governo, a Coluna é precedida por batedores o Exército, da Fôrça Pública e da Guarda Civil do Estado e por onde passa é vivamente aclamada pelo povo.

As viaturas, num total de 25 e conduzindo 80 pessoas, ficam estacionadas no pátio interno do Palácio do Governo. Os integrantes da Coluna ficam hospedados no Hotel Claridge.

A Coluna Norte, que partiu de Belém do Pará, transitando pela rodovia Belém- Brasília,de 55 viaturas e 240 pessoas.

Depois de ter atravessado o Estreito, na noite de ontem, segunda- feira, passou pela localidade de Araguarina e já se encontra a caminho de Guará. Essa parte da Caravana é composta de 55 viaturas e 240 pessoas.

Em radiograma, o Coronel-Aviador Lino Teixeira informa que a viagem está transcorrendo normalmente, sendo excelente o moral e o estado de saúde do pessoal.

De Araguarina para o Sul, a Coluna Norte percorre um trecho ainda em fase inicial de construção, mas com os trabalhos em franco progresso, tendo almoçado no acampamento armado no local denominado Capivara, que em breve será também um próspero povoado, chegando finalmente a Guará.

Supremo Tribunal Federal – O Supremo Tribunal Federal divulga a seguinte nota, a propósito da transferência do Poder Judiciário para Brasília:

“Os Ministros do Supremo Tribunal Federal, reunidos hoje na sala da Presidência, ouviram a leitura das informações prestadas pelo Senhor Ministro Antonio Villas Boas, membro da Comissão enviada pelo Supremo a Brasília, e o relatório do engenheiro-arquiteto, Doutor Ademar Marinho, que acompanhou a dita Comissão. As conclusões do Ministro Villas Boas são favoráveis à possibilidade de transferência do Supremo, com seus Ministros e funcionários administrativos, para Brasília, na data legalmente determinada. Quanto ao relatório do engenheiro-arquiteto Marinho, contém várias restrições ao anunciado término das obras e condições de habitabilidade indispensáveis a essa transferência.

Na reunião, ficou decidido que se remetesse a Novacap e ao Sr. Ministro da Justiça cópias do relatório do Engenheiro Marinho, solicitando a máxima diligência no sentido das medidas reclamadas.

Também se assentou que em março irá novamente a Brasília a Comissão de Ministros, acompanhada pelo Engenheiro Marinho, para uma última inspeção.”

Brasília, 24 de janeiro de 1960

Escrito por mariana em . Postado em Linha do Tempo Sem Comentários

Caravana de Integração Nacional – A Coluna Norte, procedente de Belém, com 50 carros, chega a Açailândia, onde, precisamente há um ano, o Presidente Juscelino Kubitschek assistira à solenidade do encontro dos tratores das patrulhas de desmatamento. Açailândia, que há um ano e meio ainda era floresta virgem, hoje constitui centro em que já se aglomera uma população pioneira na tarefa de implantar a civilização numa região antes completamente desabitada e desconhecida.

Este povoado, servido por excelente campo de aviação, dista 72 quilômetros de Imperatriz, cidade centenária, à margem direita do rio Tocantins, marcando o limite meridional da Hiléia Amazônica e o inicio do chapadão goiano.

Antes de deixar o campo 163, a Caravana assiste Missa campal, celebrada pelo Padre Vitaliane Vare, secretário do Bispo de Guamá, Dom Eliseu. O próprio Bispo serve como acólito da cerimônia, à qual compareceram todos os membros da Caravana, no total de 240 pessoas. É a Missa rezada justamente no local onde o Engenheiro Bernardo Sayão pereceu, atingido por gigantesca árvore. Uma grande cruz de madeira assinala o ponto em que se deu o infausto acontecimento.

A Caravana já se encontra em pleno território maranhense. Os motoristas das viaturas consideram satisfatórias as condições da estrada, levando em conta a época de chuva e o fato de ainda se acharem em fase final de construção vários trechos da rodovia. Todos os integrantes da Caravana estão satisfeitos por haverem cumprido a primeira etapa da jornada sem o menor acidente.

A Coluna Sul percorre o trecho entre Rio Negro, no Paraná, na fronteira de Santa Catarina, e Curitiba, onde chega às 12 horas.

Brasília, 23 de janeiro de 1960

Escrito por mariana em . Postado em Linha do Tempo Sem Comentários

Telecomunicações – O Presidente Juscelino Kubitschek autoriza a Comissão Executiva do Plano Postal Telegráfico a empregar a importância de 550 milhões de cruzeiros, constante do Orçamento em vigor, para atender a diversos serviços, inclusive o estabelecimento de telecomunicações com Brasília.

 

Caravana de Integração Nacional – A Caravana já se encontra em pleno movimento.

Assim é que, ontem, dia 22, a Coluna Sul deixou Porto Alegre para pernoitar em Vacaria, vencendo um percurso de 230 quilômetros. Nesta data, pela manhã, essa mesma coluna parte de Vacaria, no Rio Grande do Sul, com destino a Rio Negro, no Paraná, numa etapa de 364 quilômetros.

Amanhã, pela manhã, a Coluna Sul se deslocará de Rio Negro, com destino a Curitiba, onde pernoitará.

Por sua vez, a Coluna Norte inicia nesta data sua marcha, deixando Belém às 8 horas da manhã, para alcançar São Miguel do Guamá, às 10,50 horas, prosseguindo dessa cidade até o quilômetro 163, término do trecho até agora asfaltado, no Norte, e onde pernoitará.

Lambretistas de Belém fizeram a escolta da primeira camioneta que conduzia os dirigentes da coluna (Valdir Bouhid e Coronel Lino Teixeira) e a Imagem de Nossa Senhora de Nazaré, Padroeira de Belém e da Amazônia, até a saída da Cidade. Todos os carros, numerados, saíram da porta da Catedral, após a missa de despedida e a benção dada a cada veículo pelo Vigário Geral de Belém.

Em seguida à Rural Willys número um seguiram os jipes conduzindo os 35 jornalistas convidados pela Rodobrás; em ônibus, caminhões e caçambas da Mercedes-Benz, DKW-Vemag, Volkswagen, General Motors, seguiram os convidados e representantes das indústrias automobilísticas e as autoridades e técnicos da SPVEA e Rodobrás.

Dois Governadores (Hélio Araújo, do Rio Branco, e o Coronel Paulo Nunes Leal, de Rondônia), os Cônsules dos Estados Unidos e do Japão e o Bispo da Prelazia de Guamá, D. Elizeu, acompanharam desde o inicio a caravana.

Sobre o rio Guamá está em construção uma ponte de 80 metros de comprimento, sendo essa e a ponte de Estreito as duas principais obras de arte do extenso traçado de cerca de 2.200 quilômetros entre Belém e Brasília.

À margem esquerda do Guamá é que está colocada a estaca zero da rodovia que se desenvolve, desse ponto em diante, sobre terreno que há dois anos ainda era coberto de mata virgem.

Do Guamá ao Campo 163 a estrada oferece as melhores condições de tráfego, bastando dizer, para ressaltar esse fato, que os veículos da Caravana – todos de fabricação nacional – puderam chegar a seu destino apesar de violentíssimo temporal que assolava a região.

Brasília, 22 de janeiro de 1960

Escrito por mariana em . Postado em Linha do Tempo Sem Comentários

Caravana de Integração Nacional – A imprensa noticia que, no próximo dia 2 de fevereiro, o Presidente Juscelino Kubitschek assistirá, acompanhado de seu Ministério, do Palácio do Planalto, a entrada, na Praça dos Três Poderes, em Brasília, da Caravana de Integração Nacional, constituída pelas colunas Norte, Sul, Leste e Oeste, tendo à frente dos Governadores dos Estados a serem pelas mesmas percorridos.

A Caravana, partindo, com sua diferentes colunass, de Belém, Porto Alegre, Rio e Cuiabá, convergindo sobre a nova Capital da República, oferecerá ao povo brasileiro uma visão maciça do desenvolvimento alcançado pela indústria automobilística nacional e ao mesmo tempo revelará que o sistema rodoviário brasileiro atingiu o importante objetivo de ligar umas às outras as diferentes regiões do país, integrando-as num bloco único.

A Caravana de Integração Nacional é uma idéia que partiu da indústria automobilística brasileira, com o objetivo de prestar uma homenagem ao Presidente Juscelino Kubitschek pela passagem do 4º. aniversário de seu Governo. A organização da Caravana ficou a cargo da própria Presidência da República, sendo supervisor da mesma o Coronel Aviador Lino Teixeira, Sub-chefe do Gabinete Militar, e coordenador o Major Edson Perpétuo, Ajudante de Ordens do Presidente da República. O empreendimento será realizado sem nenhum ônus para os cofres públicos, de vez que as indústrias automobilísticas contribuirão com os veículos, pessoal e demais encargos. Cada coluna será constituída por 50 viaturas, num total, portanto, de duzentas, estando compreendidos nesse número todos os tipos de veículos fabricados pela indústria automobilística nacional, que percorrerão os nossos sertões, numa demonstração do progresso alcançado por esse setor da indústria brasileira.

As Colunas da Caravana de Integração Nacional tem seus pontos de partida em Belém, Porto Alegre, Rio e Cuiabá, isto é, procederão do Norte, Sul, Leste e Oeste, concentrando-se em Brasília. Os itinerários a serem seguidos pelas mesmas serão, também, uma amostra do trabalho levado a efeito pelo Departamento Nacional de Estradas de Rodagem e pela Rodobrás, que construiu em tempo recorde muitos dos trechos a serem agora entregues ao povo brasileiro.

A Coluna Norte da Caravana de Integração Nacional, sob o comando do Coronel Lino Teixeira, deixará a 23 a cidade de Belém, no Estado do Pará, a fim de cobrir o seguinte itinerário: Belém Guamá, Açailândia, Estreito (onde atravessará o rio Tocantins), Guará, Gurupi, Porangatu, Ceres, Anápolis e Brasília. A estrada, numa extensão de cerca de 2.250 quilômetros, é de terra, estando asfaltados os trechos de Belém a Guamá e de Anápolis a Brasília.

Comandada pelo Major Leopoldo Freire dos Santos, do Estado Maior do Exército, a Coluna Sul é a primeira a partir, deixando, hoje, Porto Alegre, pela manhã, atingindo à tarde a cidade de Vacaria. Daí prosseguirá viagem, passando por Rio Negro, Curitiba, onde se subdividirá em duas, seguindo uma para Capão Bonito, pela estrada da Serra, e a outra para Registro, pela estrada nova do Litoral, atingindo, as duas, São Paulo. Nessa Capital, a Coluna destacará seis veículos que se deslocarão para a BR-55, estrada “Fernão Dias”, a fim de se encontrarem em Belo Horizonte com a Coluna Leste. O grosso das viaturas da Coluna Sul prosseguirá de São Paulo para Limeira, Jaboticabal, Prata, Goiânia, Anápolis e Brasília. O itinerário a ser coberto pela Coluna Sul será de 2.300 quilômetros, dos quais 1.100 já totalmente asfaltados. A ligação de São Paulo a Belo Horizonte, pela BR-55, cobre 570 quilômetros, dos quais 400 estão pavimentados.

A Coluna Leste, comandada pelo Major Edson Perpétuo, partirá do Rio na manhã do dia 28 de janeiro corrente, da praça fronteira ao Palácio do Catete, para cobrir perto de 1.200 quilômetros com o seguinte itinerário: Juiz de Fora, Belo Horizonte, Três Marias, Cristalina e Brasília.

Desse percurso, 1.100 quilômetros já estão asfaltados, estando apenas por pavimentar cerca de cem quilômetros não consecutivos.

A partida da Coluna Leste, no próximo dia 28, do Rio, será revestida de solenidade, na praça fronteira ao Palácio do Catete. Uma banda de música executará, então, o Hino Nacional, seguindo-se uma revoada de pombos da Diretoria de Comunicações do Exército.

A Coluna Oeste, organizada pelo Governador do Estado de Mato Grosso, Sr. Ponce de Arruda, partirá de Cuiabá, no próximo dia 25, passando por Rondonópolis, Alto Araguaia, Mineiros, Jataí, Rio Verde, Goiânia, Anápolis e Brasília, num percurso de 1.300 quilômetros.

A Diretoria de Comunicações do Exército manterá ligação constante entre as diversas colunas, juntamente com a rede de rádio do DNER, da SPVEA e dos rádios-amadores do país, acompanhando-as sempre e proporcionando a todos os brasileiros informações sobre a marcha da Caravana de Integração Nacional, em seus quatro movimentos. Essas informações serão distribuídas às emissoras, aos jornais e transmitidas diariamente pela “Voz do Brasil”.

Chegando as diversas Colunas a Anápolis, no dia 1º. de fevereiro, na manhã do dia 2 chegarão a Brasília.

O Presidente Juscelino Kubitschek, acompanhado de seu Ministério e de altas autoridades, assistirá, do Palácio do Planalto, à entrada, na Praça dos Três Poderes, das Colunas da Caravana de Integração Nacional, trazendo os Governadores dos Estados. Em seguida, haverá missa em Ação de Graças, após o que será realizado um almoço de que participarão o Presidente da República, os Ministros de Estado e outras autoridades.

Brasília, 21 de janeiro de 1960

Escrito por mariana em . Postado em Linha do Tempo Sem Comentários

Presidente do México – A convite do Presidente Juscelino Kubitschek, visita Brasília o senhor Adolfo López Mateos, Presidente dos Estados Unidos Mexicanos.

Viajando no avião presidencial, em companhia do Presidente Juscelino Kubitschek e senhora e autoridades civis e militares, o Chefe do Governo mexicano e esposa chegam a Brasília pouco depois das 12 horas.

Após a troca de cumprimentos, das apresentações de praxe e das honras militares, prestadas por um destacamento da Aeronáutica, o Presidente mexicano, juntamente com o Chefe do Governo brasileiro, dirige-se ao local em que brevemente será construída a sede da representação diplomática do seu país. Ai, ao som dos Hinos Nacionais do Brasil e do México, é então inaugurada uma placa comemorativa da visita.

Saudando o Presidente mexicano, nessa oportunidade, o Senhor Israel Pinheiro pronuncia um discurso em que, ao lado de um breve histórico sobre a construção da cidade focaliza os seus problemas de urbanismo. Ainda nessa ocasião uma aluna do grupo escolar local, ao término da fala do Presidente da Novacap, dirige uma saudação ao Presidente López Mateos.

Finda esta parte, realiza-se a visita às obras de construção da cidade, notadamente a Praça dos Três Poderes, local em que estão sendo construídos os Ministérios, a Plataforma Rodoviária e outras obras de vulto.

No Palácio da Alvorada, o Presidente Juscelino Kubitschek e senhora, oferecem um almoço aos visitantes, de que participam várias autoridades. Findo o almoço, o Presidente da República convida o Presidente López Mateos e senhora, para, em helicóptero, sobrevoar a cidade e a represa do rio Paranoá, fornecedor do grande lago que circundará Brasília e cujas águas já estão sendo acumuladas.

No decorrer da visita ao Palácio da Alvorada, o Senhor Luiz Gonzáles Aparício, presidente da Associação de Arquitetos Mexicanos e do Colégio Nacional de Arquitetos do México, entrega a Oscar Niemeyer um pergaminho. Essa homenagem, frisa, representa um testemunho eloqüente da admiração e da simpatia dos arquitetos mexicanos pela obra do artista brasileiro, cuja fama há muito transpôs as fronteiras do continente.

O Presidente Juscelino Kubitschek, a esse ensejo, em breve improviso, além de associar-se às homenagens prestadas a Niemeyer, refere-se à cultura dos profissionais mexicanos e lembra a necessidade de um maior intercâmbio cultural e artístico entre o Brasil e o México. Dirigindo-se ao Presidente López Mateos, o Chefe do Governo brasileiro diz que a sua visita a nosso país simbolizava também o desejo de maior aproximação entre os dois grandes povos irmãos.

Agradecendo o oferecimento do Governo brasileiro, traduzido na cessão do terreno em Brasília para a construção da Embaixada do seu país, o Presidente López Mateos diz que para os estudiosos da geografia em seu país sempre causara admiração o fato de a maioria da população brasileira estar contida no litoral e que tão belas regiões do nosso imenso território aparecessem sempre como pontos inexplorados. Pensávamos que isso constituía um repto ao gênio criador dos brasileiros. Agora, porém, vemos o povo empenhado em conduzir seu país à conquista desse grande território, orgulhoso de receber a tarefa de construir essa magnífica cidade que trouxe ao interior o trabalho do litoral. Dirigindo-s aos trabalhadores, frisa o Senhor López Mateos:

“Magníficos são vocês, trabalhadores brasileiros, que com as suas mãos e com o seu valioso trabalho levantaram essa cidade. É meu grande desejo que aqui se inicie um novo ciclo para o Brasil, o ciclo maravilhoso em que, a par do desenvolvimento cultural e espiritual, encontre nessa soberba terra assuntos definitivos e perduráveis, pois este é o ponto de partida do grande ciclo de ouro do Brasil.”

Depois de referir-se à inteligência, à bravura e ao espírito de sacrifício do trabalhador brasileiro, o Presidente Lopes Mateos encerra seu breve discurso congratulando-se com o Presidente Juscelino Kubitschek e com o país pela gigantesca obra que, diz, pode ser qualificada como a obra do século, porque a construção de Brasília representa um passo glorioso de sua vida, tão glorioso como a conquista da sua própria independência.

Os dois Presidentes regressam ao Rio de Janeiro no mesmo dia.


Presidente do México visita Brasília
Foto: Arquivo Público do DF

 

Igreja Episcopal – A Novacap doa à Igreja Episcopal Brasileira, ramo da Comunhão Religiosa Anglicana que funciona em nosso país desde 1880, um terreno onde será construído na nova Capital um templo nacional dessa comunidade protestante. A escritura de doação do terreno é lavrada no cartório Hugo Ramos, tendo assinado pela entidade doadora o Sr. Israel Pinheiro, presidente da Novacap, e pela Igreja Episcopal Brasileira, o Reverendo D. Edmundo K. Sherrill. Após a lavratura e assinatura do termo de doação, usa da palavra o Reverendo Dr. Octacílio M. Costa, que agradece à Novacap a oportunidade concedida à sua organização evangélica para construção de um templo à altura da nova Capital do Brasil e conclui congratulando-se com o Presidente Juscelino Kubitschek pela idealização e concretização de Brasília.

Inter-American Visitors Association – Divulga-se que cem professores norte-americanos, dentre os quais integrantes de departamentos de escolas superiores nos campos de Engenharia, Arquitetura, Desenho e Belas Artes, além de urbanistas e industriais de diversos ramos, visitarão o Brasil no próximo mês de abril a fim de assistir o ato que os agentes internacionais de turismo já denomimaram de a “solenidade do século”, ou seja, a transferência da Capital do país para Brasília. Nos Estados Unidos, a divulgação em torno da nova capital brasileira é das maiores, nos setores de agências de viagem e de turismo, bem como nos escritórios de nossas empresas de aviação que para ali fazem linhas regulares. O patrocínio desta caravana será da Inter-American Visitors Association, entidade especializada em organizar viagens para aqueles que integram seus quadros. Entre os industriais que a ela pertencem estão homens que dirigem fábricas de aviões, de elevadores, de produtos eletrônicos, proprietários de cadeias de hotéis e restaurantes, além de cerca de vinte outras profissões.

Brasília, 16 de janeiro de 1960

Escrito por mariana em . Postado em Linha do Tempo Sem Comentários

Caravana de Integração Nacional – Os jornais comentam a organização da Caravana de Integração Nacional constituída de quatro colunas procedentes dos quatro pontos cardeais do território nacional, formada por automóveis e caminhões fabricados no Brasil, onde a receberá o Presidente Juscelino Kubitschek, acompanhado de todo o Ministério no dia 2 de fevereiro.

Selos comemorativos – No empossamento da Comissão Filatélica, o Ministro da Viação declara que a primeira tarefa da nova entidade será a emissão dos selos referentes à inauguração de Brasília, a serem lançados em 21 de abril.

Brasília, 15 de janeiro de 1960

Escrito por mariana em . Postado em Linha do Tempo Sem Comentários

Fundação Casa Popular – A imprensa divulga que se encontram em andamento as obras de construção, pela Fundação da Casa Popular, de mais de um conjunto residencial em Brasília, constituído de 180 apartamentos de sala, três quartos e demais dependências.

Trata-se da quarta etapa de obras da Fundação Casa Popular na futura Capital, pois as etapas anteriores consistiram na construção de um conjunto de 500 casas, já habitadas há quase um ano e meio, e de um grupo de 840 apartamentos (28 blocos de três pavimentos), inaugurado em dezembro último pelo Presidente Juscelino Kubitschek. Com o novo núcleo, ascenderá a 1.520 moradias o total de edificações da Fundação da Casa Popular em Brasília.

Represa do Paranoá – O Arsenal de Marinha do Rio de Janeiro entrega à Novacap as primeiras seções das comportas para a represa do rio Paranoá, em Brasília. O Arsenal construiu as comportas e agora as está enviando, por seções, para remontagem no local da instalação definitiva. Esse serviço será executado sob a supervisão de engenheiros navais pertencentes aos quadros do Arsenal. Ainda para Brasília, o Arsenal ultima, em sua Divisão Técnica, os planos para uma embarcação destinada a navegar no lago que está sendo formado pelo represamento das águas do rio Paranoá.

Brasília, 5 de janeiro de 1960

Escrito por mariana em . Postado em Linha do Tempo Sem Comentários

Caravana de Integração Nacional – A imprensa divulga que dois grupos de reconhecimento, tendo à frente, cada um deles, um Oficial do Exército e um engenheiro do Departamento Nacional de Estradas e Rodagem, já iniciaram os trabalhos de que foram incumbidos tendo em vista a posterior execução dos deslocamentos das Colunas Sul e Leste que se encontrarão, em Brasília, no próximo dia 1º. de fevereiro, com as que procederão do Norte e do Oeste do país.

Constituirão essas colunas a Caravana de Integração Nacional, integrada por Governadores de Estado, pelo Prefeito do Distrito Federal, dirigentes da indústria automobilística e autoridades ligadas a esses setores das metas governamentais, que o Presidente Juscelino Kubitschek, acompanhado do Ministério, receberá em Brasília, sendo esse acontecimento parte das comemorações do programa do quarto aniversário do Governo. A finalidade da Caravana de Integração Nacional é demonstrar praticamente que estão prontas e em condições normais de utilização as ligações rodoviárias das diferentes regiões do país com a futura Capital.

As colunas de reconhecimento partiram dia 3 de janeiro, do Rio, deslocando-se a primeira delas para São Paulo, de onde seguirá para Matão, Prata, Goiânia, Brasília, retornarão da futura Capital por Paracatu, Três Marias, Belo Horizonte, Juiz de Fora e, finalmente, Rio. A outra, depois de São Paulo, demandará Capão Bonito, Curitiba, Lajes e Porto Alegre. Essas colunas, além de verificar o estado das rodovias, entrarão em entendimentos com as autoridades das localidades por onde passarem, tendo em vista o plano e a finalidade da caravana, data de sua passagem e outras providências relativas ao empreendimento.


Leia também:

A passagem de Tom Jobim e Vinícius de Moraes pelo Catetinho

O texto de Antônio Carlos Jobim Setembro, sertão no estio. Frio seco. Altitude aproximada: 1.200 metros. Ar transparente, céu azul profundo, primavera e pássaros se namorando. Campos gerais, chapadões dos gerais. Cerrado e estirões de mata à beira dos rios.…

Alvorada de Espelhos

Alvorada de Espelhos Por Clemente Luz O imenso louva-a-deus traçado no papel, antes promessa da presença da cidade, já tem forma e base sólida no chão do planalto. No local mesmo onde a visão do profeta viu “que se formava…

Bernardo Sayão

Da morte emerges, Bernardo Sayão, e com que pureza! Assim te revemos, os que nunca te vimos, e não há em nós nenhuma surpresa. Assim te revemos, sertanejo tranqüilo, no retrato que te faz surgir num descampado, o olhar firme, …