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O avanço de Brasília

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Homens da indústria e das classe produtoras, habituados a ver com olhos abertos e a raciocinar em termos realistas, não nos escapa, de modo nenhum, o que essa iniciativa representa como esforço de pioneirismo, no sentido de estender as conquistas do progresso às extensas regiões até aqui abandonadas do centro e do oeste, procurando rapidamente arrancá-las do sub-desenvolvimento e integrá-las, como valor positivo, à vida útil, dinâmica e produtiva alcançada por muitas regiões do leste e do sul de nossa Pátria.

Somente isso, somente esse extraordinário esforço de pioneirismo já bastaria para justificar a decisão do ilustre Presidente Juscelino Kubitschek em lançar os fundamentos dessa obra e a ela dedicar seu esforço obstinado, sua energia pugnaz e seu devotamento sem reservas. Vivemos num país em que tudo é criação do espírito pioneiro e o que todos devemos desejar é que jamais chegue o dia em que não haja lugar para o impulso de renovação, a ânsia de novos caminhos, o pleno exercício de atividade criadora. Ao construir, no centro geográfico do país, a nova Capital da República, encontraremos, os brasileiros, a oportunidade de demonstrar que somos, realmente, capazes dessa imensa tarefa, e que as dificuldades a vencer se converterão em outros tantos títulos a assinalar a determinação de um povo na conquista de seu progresso, na marcha ao encontro de seu destino.

A interiorização da Capital do País, sendo um mandamento constitucional, corresponde também à amadurecida aspiração de eminentes homens públicos e de abalizados estudiosos da realidade brasileira, desde os longínquos acontecimentos políticos da Inconfidência. Podemos dizer que o próprio instinto nacional sentiu a necessidade de se transportar a sede do Governo para o planalto central, como meio adequado a possibilitar uma série de providências de largo alcance para estender o progresso real e dinâmico, envolvendo a questão do aumento da densidade de povoação, a da difusão cultural, a do desenvolvimento econômico, envolvendo todas as questões enfim atinentes à completa integração territorial do Brasil, procurando-se eliminar esse desnível ocorrente entre a civilização do litoral e do sertão, entre as condições de vida da orla marítima e do interior.

Eis aí, sem dúvida, um relevante aspecto de ordem política, de ordem social e de ordem econômica, ao qual não poderia ter sido indiferente a nossa geração. E eis porque, dispondo-se com firme energia e serena determinação a construir Brasília e promover a transferência da Capital, o ilustre Presidente Juscelino Kubitschek avulta nos seus predicados de estadista, possuído da paixão absorvente de servir ao seu País e ao seu Povo, sem medir sacrifícios.

Temos diante dos olhos exemplos edificantes, que demonstram como foi decisivo na evolução da vários povos o ato mudar a sua Capital para os locais que as condições especiais de cada um estavam a indicar como o mais apropriado. Refiro-me a Washington, nos Estados Unidos, e a Camberra, na Austrália. Mas no Brasil mesmo, encontramos o exemplo de como é possível fundar cidades, que adquiriram rápidos e extraordinários desenvolvimentos, não obstante as vozes de descrença que sempre se erguem contra o espírito pioneiro. Aí estão Belo Horizonte, Goiânia, Londrina para atestar que o generoso solo e a capacidade de progresso do Brasil jamais deixarão de retribuir com abundância e grandeza o esforço dos que crêem, dos que confiam e dos que se devotam ao trabalho criador.

O Presidente Juscelino Kubitschek lança aqui os fundamentos da grandeza futura do Brasil. Participemos do seu radioso entusiasmo e de sua fé em nossa Pátria, e procuremos também dar a nossa contribuição para essa obra, que as gerações que nos sucederem haverão de consagrar como uma obra configuradora do Brasil grande e progressista, com que sonharam nossos antepassados e que nós teremos tido a glória de ajudar a construir.

Lídio Lunardi.
Reproduzido da Revista "Brasília", da Novacap, novembro de 1957, número 11.

 

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26 de outubro de 1957

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Santuário de Nossa Senhora de Fátima – O Presidente Juscelino Kubitschek assiste, em Brasília, à cerimônia do lançamento da pedra fundamental do Santuário de Nossa Senhora de Fátima, que as Pioneiras Sociais construirão na futura Capital, por iniciativa de sua Presidente, Senhora Sarah Lemos Kubitschek. Na mesma ocasião inaugura-se a sede do núcleo das Pioneiras Sociais de Brasília, tendo sido entregue à população um Hospital-Volante recém-adquirido na Alemanha.
A Senhora Amélia Ataíde lê o seguinte discurso da Senhora Sarah Lemos Kubitschek:
"A emoção e o encantamento avultam, para as Pioneiras Sociais, ao lançar os fundamentos de um Santuário no momento mesmo em que se inauguram, na futura capital do país, além da sede do núcleo local da nossa instituição, com a sua direção confiada ao espírito esclarecido e à alma generosa de minha querida amiga Coaraci Pinheiro, um setor de costura para crianças pobres e um serviço de assistência social, bem como se procede à entrega, à população de Brasília, de um Hospital Volante, moderno e integralmente dotado de recursos que lhe permitam prestar, de maneira mais ampla e intensiva, os serviços que doravante lhe estarão afetos nesta região. Todos esses fatos, que objetivam a preocupação das Pioneiras Sociais em dar sentido prático e atuante ao seu programa assistencial, vêm ganhando em dimensão porque simultaneamente com eles se deitam os fundamentos de um templo, o que significa que, vivendo as contingências de sua condição, o homem somente alcança o conforto para o seu espírito quando, procurando a solução dos problemas materiais, não se esquece de que acima de tudo estão os valores morais e espirituais cujo influxo deve projetar-se sobre todo esforço e todo anseio de progresso e paz. Que não faltem as bênçãos de Nossa Senhora de Fátima à obra que empreendemos: que abençoe Ela Brasília e proteja o povo brasileiro a fim de que a nossa Pátria se torne sempre maior e mais poderosa, irradiando força e fé e prossiga, fiel ao intinerário que vem das suas origens, na sua missão pacífica e construtiva, contribuindo, com seu empenho e sua ação, para a grandeza da cristandade e a prevalência dos valores imperecíveis do espírito e do coração."
 
Falando a seguir, o Presidente Juscelino Kubitschek agradece por sua esposa os calorosos conceitos emitidos pelos oradores e se congratula com o povo de Brasília, para quem tem sempre voltado o seu melhor e mais carinhoso pensamento. Diz que era um imperativo implícito na própria definição do título "Pioneiras Sociais", que elas corressem em auxílio dos pioneiros que, nesses longínquos chapadões, procedentes de todos os quadrantes, sem preconceitos de fé, de regionalismo ou convicções políticas, obedecendo à nossa ancestral vocação bandeirante, vinham carregar a sua pedra para tornar realidade a profecia de São João Dom Bosco, levantando uma nova e verdadeira civilização interiorana, cimentando definitivamente as razões da unidade da Pátria, que já foi um milagre na história dos povos, e deflagrando um surto irrecorrível de renovação e arejamento da consciência nacional pela redenção econômica e pela polivalência do esforço brasileiro. Mas, como em todas as grandes obras humanas, tudo teria de ser feito na base do bem estar físico e espiritual dos indivíduos, por uma assistência operante e por um mínimo honroso de tranqüilidade familiar. Sem esse alicerce, nenhuma realização do homem poderia se revestir das características de perenidade. Rejubilava-se, pois, com a alta direção da Novacap e das Pioneiras Sociais, ao constatar que esse aspecto dos trabalhos estava sendo considerado com interesse e carinho, o que mais lhe solidificava a confiança na imperecibilidade daquilo que considerava a maior obra do seu Governo.
 
Aero-Clube – Elege-se a primeira Diretoria do AeroClube de Brasília, sob a presidência de Nilton de Jesus Araújo.
 
A Noite – O Presidente Juscelino Kubitschek inaugura em Brasília a sucursal de "A Noite" e da Rádio Nacional.
 
(Diário de Brasília)

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1 de outubro de 1957

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1 de outubro de 1957 – Data da mudança – No Palácio do Catete, o Presidente Juscelino Kubitschek sanciona, em solenidade que conta com a presença de Ministros de Estado, parlamentares, membros da Magistratura e altas autoridades civis e militares, a lei do Congresso Nacional que fixa a data de 21 de abril de 1960 para a mudança da Capital Federal para Brasília.

Iniciando a solenidade, o Presidente da República apõe sua assinatura ao documento do Congresso, com caneta de ouro oferecida pelos jornalistas goianos.

Na oportunidade, o Presidente Juscelino Kubitschek profere o seguinte discurso:

"Este ato representa o passo mais viril, mais enérgico, que a Nação dá, após a sua independência política, para a sua plena afirmação, como povo que tomou a seus ombros uma das mais extraordinárias tarefas que a história contemporânea viu atribuir-se a uma coletividade: a de povoar e civilizar as terras que conquistou, vastas como um continente; a de integrar, na comunhão dos povos, para o bem comum da humanidade, um dos mais ricos territórios do mundo. Sendo este ato, ao mesmo tempo, o maior e mais severo compromisso que o Brasil toma consigo mesmo, entendi que a ele deviam estar presentes as altas autoridades da República, os representantes mais credenciados de nossa cultura e das nossas forças produtoras, todos aqueles que, com a inteligência, com a energia, com o trabalho perseverante possam concorrer para que a Nação não falhe, nesta histórica empresa.

Eis o motivo por que pedi a vossa presença, senhores. Sabeis que não se trata, singelamente, da transferência de uma capital, e que essa transferência apenas significa uma etapa. Sabeis que o sentido desta solenidade transcende os seus objetivos imediatos, vai além, visando o deslocamento, para as vastas áreas despovoadas do interior, da aplicação de esforços que tem sido grandes, mas que até agora só se tem exercido numa estreita faixa do litoral deste imenso país. Rejubilo-me com a circunstância de Deus me haver permitido cumprir o pacto que firmei com o povo brasileiro, atendendo aos veementes apelos que recebi de todo o país, nos dias de campanha da sucessão presidencial, para que se obedecesse ao mandamento da Constituição, que traduzia inadiável propósito, vontade firme, consciente e tenaz de operar essa mudança. E congratulo-me com o Congresso Nacional, que, com alto discernimento e patriotismo, soube auscultar os sentimentos desta Nação, soube acolher os seus históricos anseios, soube, mais uma vez, mostrar-se fidedigno cumpridor da soberana vontade do povo brasileiro."

A lei sancionada toma o número 3.273.

(Diário de Brasília)

 

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02 de maio de 1957

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02 de maio de 1957

 
Pouso noturno – A1 hora, chega a Brasília o Viscount presidencial, que realiza, assim, o primeiro pouso noturno no Aeroporto de Brasília. À bordo, o Presidente Juscelino Kubitschek despachara, em viagem, o expediente normal.
Em Brasília, o Presidente da República dirige-se à sua residência provisória, onde janta, às 2 horas.
Durante o dia, o Presidente da República despachará volumoso expediente.
 
Presidente do Paraguai – Visita Brasília o General Alfredo Stroessner, Presidente do Paraguai, a quem o Presidente Juscelino Kubitschek recebe pessoalmente, acompanhando-o na visita às obras da cidade. Várias homenagens são prestadas ao General Stroessner.
 
Mensagem papal – Sua Santidade o Papa XII dirige ao Presidente Juscelino Kubitschek a seguinte mensagem, a respeito da primeira Missa a ser celebrada no local em que se constrói Brasília:
"No dia do aniversário da Descoberta e da Primeira Missa nas terras de Santa Cruz, muito nos agrada que tão fausta data seja recordada com a celebração da Primeira Missa em Brasília. Pedindo a Deus que continue a derramar sobre a generosa Nação brasileira os Seus celestes favores para que progrida e prospere à luz do Evangelho e dos ensinamentos da Igreja, concedemos de coração a Vossa Excelência, às autoridades presentes à sugestiva cerimônia e a todo o querido povo brasileiro a nossa especial benção apostólica. Pius PP XII." (Diário de Brasília)

 

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28 de abril de 1957

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Falando no Rio de Janeiro, na sessão inaugural do IV Congresso de Municípios, o Presidente Juscelino Kubitschek assim se refere a Brasília:
"O meu Governo, como sabeis, tem as vistas voltadas para o interior e se empenha devotadamente em que o país procure o seu natural centro de gravidade, valorizando as grandes áreas do hinterland. Brasília é o corolário desse movimento para dentro; é, ao mesmo tempo, meta e ponto de partida, porque a marcha para o interior se frustrará, sem aquela base de apoio."

 

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DE BRASILIAE CAPITE

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"O meu governo, como sabeis, tem as vistas voltadas para o interior e se empenha devotadamente em que o país procure o seu natural centro de gravidade, valorizando as grandes áreas do ‘hinterland’. Brasília é o corolário desse movimento para dentro: é, ao mesmo tempo, meta e ponto de partida, porque a marcha para o interior se frustrará, sem aquela base de apoio."
Palavras do Presidente Juscelino Kubitschek, em 28/04/1957, no Rio de Janeiro.

 
 

DE BRASILIAE CAPITE *

 
        Oh! urbs,
                   serva tempõris
                            et caelõum…
 
        Ubi est laetitia
            populi tui!?…
 
      
        Oh! íncola
                    templi marmoris,
                    – cor tuum
                          ubi est!?…
 
 
* Poesia em latim
Hélio Soares Pereira, "Onde o horizonte vem esconder-se"

 

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03 de abril de 1957

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O Presidente Juscelino Kubitschek deixa Brasília às 9 horas, em avião, rumo à cidade goiana de Jataí, onde inaugura a nova rodovia, onstruída inteiramente em seu Governo e que se estende até a cidade matogrossense de Alto Araguaia;
Batizado – O Presidente Juscelino Kubitschek serve de padrinho no batizado da menina Brasiliana, fiha do casal Walfrido-Juanita de Freitas e já nascida na área da nova Capital.

(fonte: "Diário de Brasília")

 

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02 de abril de 1957

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Deixando o Rio de Janeiro pela manhã, por via aérea, o Presidente Juscelino Kubitschek, acompanhado dos Embaixadores de Portugal e França, viaja para Brasília, onde o avião presidencial pousa às 11 horas, assim inaugurando o novo aeroporto da futura Capital, dotado de extensa pista pavimentada e de moderna estação de passageiros.

Após ser homenageado pelos operários da NOVACAP, que o aclamam durante a inauguração do aeroporto, o Presidente da República inicia a inspeção das obras que se atacam simultaneamente em Brasília. A inspeção é efetuada na primeira camioneta Vemag fabricada no Brasil, camioneta oferecida ao Presidente da República e, imediatamente, enviada para Brasília. Assumindo a direção do veículo e convidando para a camioneta os Embaixadores de Portugal e França e o Presidente da NOVACAP, senhor Israel Pinheiro, o Presidente da República inicia a visita aos locais, convocando nos pontos-chave o arquiteto Lúcio Costa, para obter esclarecimentos sobre o Plano Piloto. Entre as obras visitadas figuram o Palácio Presidencial, a ser inaugurado em 1958, o edifício do almoxarifado da Novacap, os acampamentos de várias firmas construtoras e a Cidade Livre, construída fora dos limites da futura Capital e onde já existe mais de uma centena de residências. Dos 90 km de boas estradas existentes em Brasília, mais de dois terços são percorridos pela comitiva presidencial.

Às 14 horas, o Presidente da República oferece um almoço aos seus convidados na casa de madeira que serve como residência presidencial provisória.

Depois do almoço, o Presidente da República conferencia longamente com o arquiteto Lúcio Costa, debatendo-se na ocasião os aspectos mais característicos do Plano Piloto.

Após uma exposição do arquiteto, o Presidente da República visita a área em que a Novacap está permitindo construções particulares provisórias de madeira. O centro comercial, aí, é dos mais movimentados, com lojas, restaurantes, bancos, tipografia e hotéis. O Hotel Brasília, inaugurado há dois meses, com onze quartos, já ampliou suas instalações para trinta aposentos. Na construção de sua filiar, em Brasília, um Banco já despendeu Cr$ 1.600.000,00.

À noite, depois de conduzir ao aeroporto alguns dos membros de sua comitiva, que regressariam ao Rio de Janeiro, o Presidente Juscelino Kubitschek efetua nova reunião com o Presidente, os engenheiros e técnicos da Novacap, para debater problemas vinculados ao rápido andamento da construção da cidade.

O Presidente da República pernoita em Brasília.

(fonte: "Diário de Brasília")


Foto: Arquivo Público do Distrito Federal


Foto: Arquivo Público do Distrito Federal

 

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Quinta-feira, 21 de abril de 1960

Escrito por mariana em . Postado em Linha do Tempo Sem Comentários

Missa Solene – Ao final da Missa solene em ação de graças pela inauguração de Brasília, cuja celebração começara às 23h45m do dia 20 de abril, Sua Eminência o Legado Pontifício profere vibrante alocução em saudação a Brasília, procedendo em seguida a benção da nova Capital. O Patriarca de Lisboa, nesse ato, segue o ritual preparado pela Sagrada Congregação do Concílio. Após a leitura da benção papal ao povo brasileiro, o Cardeal Cerejeira abençoa a bandeira brasileira, que já ostentava a alteração concernente ao Estado da Guanabara.

 

Benção Papal – Aos 45 minutos do dia 21 de abril, através da Rádio do Vaticano, diretamente de Roma, Sua Santidade o Papa João XXIII dirige ao Brasil, com sua Benção Apostólica, a seguinte mensagem de saudação:

“Aos queridos filhos do grande e nobre Brasil:
É com o maior júbilo para o nosso coração de pai comum que aproveitamos a oportunidade da inauguração da nova Capital do Brasil para dirigirmos ao seu laborioso e generoso povo nossa palavra e nossa benção. Muito nos agrada saber que em tão solenes celebrações, em que tomamos parte na pessoa de nosso Legado, sobressaem as cerimônias de caráter religioso, para invocar a Deus novas bênçãos e favores sobre a Nação inteira. Da Bahia de Todos os Santos a Piratininga e ao Rio de Janeiro, sob o impulso do exemplo sempre vivo de Nóbrega e Anchieta, e encorajado pelas proezas heróicas das Bandeiras do Sul e das Jornadas do Norte, o Brasil, pelo arrojo do seu Presidente, assenta os arraiais da sua nova Capital no planalto central de seu imenso e rico território, qual vigil atalaia sobre os destinos da nação. Brasília há de se constituir, assim, um marco miliário na história já gloriosa da Terra de Santa Cruz, abrindo novos sulcos de amor, de esperança e de progresso entre as suas gentes, que, unidas na mesma fé e língua, se tornarão aptas aos maiores cometimentos. Pedimos a Deus que, continuando a derramar em abundância as Suas graças, faça do Brasil uma nação cada vez mais forte, grande e livre, à luz do Evangelho e dos ensinamentos da Igreja, contra tudo aquilo que lhe possa minar a força, comprometer a grandeza e diminuir a liberdade. Com estes sentimentos e votos ao querido povo brasileiro, hoje espiritualmente reunido, com o seu Episcopado e Clero e, particularmente, ao Excelentíssimo Senhor Presidente da República e a todas as autoridades, bem como aos técnicos e operários que contribuíram, com as suas canseiras, para a realização de tão grande obra, concedemos, de todo o coração, a nossa especial Benção Apostólica.”

Despachos presidenciais – Em Brasília, a despeito do intenso programa de festas da inauguração da nova Capital, o Presidente Juscelino Kubitschek despacha com seus auxiliares imediatos numerosos assuntos de interesse da administração pública, notadamente questões ligada à organização do novo Distrito Federal e à instalação dos serviços públicos em Brasília.

 

 


Foto: Arquivo Público do DF

Alvorada – Às 8 horas da manhã, na Praça dos Três Poderes, com a presença do Presidente Juscelino Kubitschek, altas autoridades e grande massa popular, executa a Banda do Batalhão de Guardas o toque da Alvorada, após o que o Presidente da República hasteia o pavilhão nacional, ao som do Hino Nacional.
Após o hasteamento da Bandeira, o Presidente Juscelino Kubitschek profere as seguintes palavras:


Foto: Arquivo Público do DF

“Cabe-me a honra de içar neste momento a Bandeira Nacional. Faço-o com emoção que dificilmente poderia exprimir. Esta e todas quantas agora se hasteiam, não importa em que sitio de nosso imenso território, ostentam uma estrela a mais. Porque o país cresceu, se animou do espírito criador, e este espírito criador produziu mais uma entidade na Federação. Ai está a estrela do Estado da Guanabara que se vem juntar aos vinte Estados que giram harmoniosamente em torno de Brasília, Capital Federal da pátria brasileira, centro das futuras decisões políticas, cidade da esperança, torre de comando da batalha pelo aproveitamento do deserto interior.

A bandeira que vai tremular nos céus do Brasil simbolizará um país que se tornou maior. Sinto agora a mesma vibração, o mesmo entusiasmo, o mesmo tremor que sentem todos aqueles que estão praticando o mesmo gesto nos quatro cantos da Pátria. Meu pensamento volta-se, neste instante, para as novas gerações que hão de recolher o fruto de nossos trabalhos e encontrar um Brasil diferente daquele que encontramos, um Brasil integrado no seu verdadeiro destino. Diante da Bandeira Nacional, com suas vinte e duas estrelas, saúdo os pioneiros, os que lutaram para que chegássemos ao que somos, e saúdo os filhos dos nossos filhos para os quais, sem medir esforços e sacrifícios, erguemos as bases da nossa grandeza futura.”


Fotos: Arquivo Público do DF

Círculo Diplomático – Às 8h30m, os Embaixadores estrangeiros em Missão Especial à inauguração de Brasília comparecem ao Palácio do Planalto, a fim de apresentar cumprimentos ao Presidente Juscelino Kubitschek, com toda a solenidade prevista no protocolo. De cada um dos Chefes de Missão o Presidente Kubitschek ouve os mais calorosos elogios à nova Capital.
O senhor John Moors Cabot, Embaixador dos Estados Unidos da América, entrega ao Presidente Juscelino Kubitschek a seguinte carta do Presidente Dwight D. Eisenhower:

“Prezado Senhor Presidente:
Vossa Excelência certamente se lembrará de quão grandemente fiquei impressionado durante o nosso encontro em Brasília, em fevereiro último, com o extraordinário empreendimento do Governo e do povo brasileiro construindo essa inspiradora nova Capital. Nesta festiva ocasião da inauguração de sua grande cidade do futuro desejo renovar minhas congratulações a Vossa Excelência pela sua visão e esforço e pelo esplendido espírito do povo livre do Brasil, com os meus calorosos cumprimentos. Sinceramente, Dwight Eisenhower.”

Embaixador do Uruguai – Logo após a recepção dos Embaixadores em Missão Especial, o Presidente Juscelino Kubitschek recebe, no Palácio do Planalto, as credenciais do novo Embaixador do Uruguai, Senhor Salvador Ferrer Serra.

 

Poder Executivo – Após o Círculo Diplomático, o Presidente Juscelino Kubitschek reúne, no Palácio do Planalto, os Ministros de Estado, para instalação do Poder Executivo em Brasília, em presença também dos Embaixadores estrangeiros e de altas autoridades. Nessa reunião, declarando instalado o Executivo, o Presidente Juscelino Kubitschek profere discurso em que assinala a importância do momento histórico.

 

Congresso Nacional – Enquanto se processa no Palácio do Planalto a cerimônia de instalação do Poder Executivo, o Senado Federal e a Câmara dos Deputados realizam, em suas respectivas salas, sessões preparatórias da reunião conjunta a celebrar-se mais tarde, presidido o Senado Federal pelo Senhor João Goulart, e a Câmara dos Deputados pelo Senhor Ranieri Mazzilli.
Às 11h30m, as duas Câmaras reúnem-se no recinto da Câmara dos Deputados, para instalação solene do Congresso Nacional. Comparecem à solenidade o Presidente Juscelino Kubitschek, o Legado Pontifício, os Embaixadores em Missão Especial, Governadores e Ministros de Estado e altas autoridades civis, militares e eclesiásticas.
Discursando, o Senhor João Goulart, Vice-Presidente da República, profere a oração em que declara instalado o Congresso Nacional na nova Capital.
Falam, a seguir, o Senador Filinto Muller, Vice-Presidente do Senado Federal e o Deputado Ranieri Mazzilli, Presidente da Câmara dos Deputados.

 

Arquidiocese de Brasília – Ás 10h15m instala-se no local da futura Catedral de Brasília a Arquidiocese da nova Capital. A cerimônia, oficiada pelo Núncio Apostólico no Brasil, Monsenhor Armando Lombardi, conta com a presença do Legado Pontifício e de altas autoridades. É então empossado solenemente o Arcebispo de Brasília, Dom José Newton de Almeida Batista.

 

Supremo Tribunal Federal – Ás 9h30m instala-se em seu Palácio, o Supremo Tribunal Federal, em cerimônia a que todos os Ministros comparecem de toga e capelo.
A sessão é presidida pelo Ministro Frederico de Barros Barreto, estando presentes nos Ministros Lafayette de Andrada, Vice-Presidente; Nelson Hungria, Villas Boas, Cândido Motta Filho, Gonçalves de Oliveira, Sampaio Costa e Vasco Henrique D’Ávila e ainda o Procurador Geral da República, Sr. Carlos Medeiros Silva.
Por motivos justificados deixam de comparecer à solenidade os Ministros Luiz Gallotti, Ribeiro da Costa, Ary Franco, Hahnemann Guimarães e Rocha Lagoa.
Iniciando os trabalhos, o Ministro-Presidente profere o seguinte discurso:

“Cabe-me, neste momento, a honra excepcional de inaugurar a sede do Supremo Tribunal Federal na nova capital da República dos Estados Unidos do Brasil.
Honra que sobremodo me distingue, como magistrado e como brasileiro.
E, de fato, esta obra monumental parece simbolizar, na sua importância, a magnitude e importância de um dos Poderes da República, a Justiça, em sua cúpula.
Evidencia-se em suas linhas arquitetônicas, em seu acabamento, a realização desse intento de seus idealizadores.
E bem é que tão acertadamente se conceitue este Poder, pois, na palavra de Rui Barbosa, “a Justiça é a essência do Estado”.
Consolida-se, por sem dúvida, o Estado, quando se assegura à sua Justiça a força e o conceito que ela merece.
Nesta Egrégia Corte, não é excessivo ressaltar, se julgam e amparam elevados interesses da nacionalidade.
Eis o Pretório Excelso em lugar condigno, para cumprir a sua nobre e augusta missão, tão nobre e augusta quanto vital para a nossa instituição democrática, da qual, como poderia ser repetido pelo Mestre inesquecível, “o eixo é a Justiça, eixo não supositício, não meramente moral, mas de uma realidade profunda e tão seriamente implantado no mecanismo do regime, tão praticamente embebido através de todas as suas peças que, falseando ele ao seu mister, todo o sistema em paralisia, desordem e subversão.”
Como já disse, em outra oportunidade, a fim de conservar a coordenação dos órgãos da soberania nacional, por força do principio fundamental do regime republicano, fixado no art. 36 da Carta Maior, acerca da independência e harmonia dos poderes, sistema de freios e contrapesos, na União e nos Estados, é relevante a função do Supremo Tribunal Federal, guarda e interprete máximo da Constituição e das leis ordinárias, participando ele, destarte, na construção e preservação do regime. E, no uso de sua missão primacial, foram por ele corrigidos até preceitos das Cartas Estaduais.
Releva afirmar, outrossim, que esta Corte Suprema, na grandeza de suas atitudes, mas, dentro da esfera traçada pelo Estatuto de 1946, continuará a manter, destemidamente, suas tradições e insuperáveis prerrogativas institucionais, defendendo a aplicação das leis e exigindo respeito ao direito e aos interesses magnos da Justiça.
Neste planalto e nesta hora, em que, entre festejos e aplausos, se instala a Capital do País, espero venha a surgir uma nova era, a que tanto aspiramos, para os melhores destinos da nossa Pátria, era que se anuncia no arrojo e suntuosidade deste empreendimento de repercussão histórica, que é Brasília.”

O Senhor Carlos Medeiros Silva, Procurador Geral da República, profere as seguintes palavras:
“Nesta histórica sessão, o Egrégio Supremo Tribunal Federal se congratula com a Nação brasileira no cumprimento de um dispositivo constitucional, sonho dos pioneiros de nossa independência política, promessa da República e hoje realidade.
Se outros motivos de júbilo faltassem neste dia glorioso, somente o fato da complementação constitucional, preconizada em três assembléias constituintes, bastaria para que o guardião supremo das leis se regozijasse com os demais poderes do Estado pelo grandioso acontecimento.
Mas não é possivel calar-se nesta hora e minguar os louvores ao Chefe do Poder Executivo, Presidente Juscelino Kubitschek de Oliveira, e ao Congresso Nacional, que tão decididamente se empenharam para que a mudança da Capital da União para o Planalto Central se realizasse.
É um privilégio de nossa geração, aqui reunidos, neste dia que lembra Tiradentes, celebrando Brasília, é honra insigne, para mim, como Chefe do Ministério Público Federal poder falar a Vossas Excelências nesta cátedra.
Glória ao Pretório Excelso e a todos os seus membros pelo feliz acontecimento que ora celebramos.”

O Ministro Nelson Hungria profere a seguinte oração:
“Senhor Presidente, estou certo de interpretar o sentimento e a vontade de todos os nossos ilustres companheiros nesta solenissima jornada, saudando em Vossa Excelência, o primeiro Presidente do Supremo Tribunal Federal, na sua nova sede, em Brasília, a nova Capital do Brasil.
No mesmo passo, quero congratular-me com Vossa Excelência e com os nossos colegas por nos acharmos nesta nova metrópole, em pleno coração geográfico do Brasil, em que o Poder Judiciário se acha enquadrado neste digno e dignificante Palácio.
É bem certo, Senhor Presidente, que aqui não vamos encontrar as comodidades que haviamos conquistado, através de dilatados anos, na velha Capital. Aqui vamos encontrar uma vida talvez cheia de dificuldades, de desajustes, de deficiências sob o ponto de vista material; mas, em compensação, estou certo de que aqui teremos mais tempo, mais vagar, para nossas meditações. Talvez a nossa Justiça seja ainda mais caprichosa em qualidade do que aquela que distribuimos na velha Capital. Aqui estaremos no eixo geográfico do Brasil e poderemos, por isso mesmo, realizar, na frase de Rui Barbosa, que Vossa Excelência acaba de relembrar, o ideal de Justiça como eixo do regime democrático-liberal que nos dirige.
Estou certo, Senhor Presidente, de que aqui, longe dos rumores da babilônia carioca, longe daquela cidade tentacular, que nos absorvia até a medula, com o paroxismo do seu struggle for life, nós poderemos fazer uma justiça mais profunda, uma justiça mais refletida e, mais que tudo, revestida do mais puro cunho de brasilidade.
Era o que tinha a dizer.”

Ao declarar encerrados os trabalhos, o Ministro Presidente agradece a presença das altas autoridades civis e militares e outras pessoas gradas.

 

Marco de Brasília - Às 13,00 horas, em solenidade a que comparece o Presidente Juscelino Kubitschek, inaugura-se o marco histórico da fundação de Brasília, situado na Praça dos Três Poderes, entre os Palácios do Planalto e do Supremo Tribunal Federal.
O marco inaugurado é constituído de um bloco de concreto, revestido de mármore e tendo em seu interior um modelo da cidade, contendo dados relativos à construção da Capital e ainda opiniões emitidas pelas mais diversas personalidades e entidades.
O ato foi simples e constou da leitura da “Prece Natalícia de Brasília”, escrita e lida, na ocasião pelo orador oficial da solenidade, poeta Guilherme de Almeida.
Após a leitura do poema, Guilherme de Almeida oferece ao Presidente da República um exemplar do trabalho, gravado em pergaminho.


Foto: Arquivo Público do DF

Desfile militar e operário - Às 16,30 horas inicia-se no Eixo Rodoviário o desfile militar e operário, diante do Presidente Juscelino Kubitschek e altas autoridades, que passam em revista os destacamentos das escolas militares, que abriram a parada tendo à frente o esquadrão da Escola Naval, seguido da Escola de Aeronáutica, e, finalmente o esquadrão da Academia Militar das Agulhas Negras e o Batalhão da Guarda Presidencial. Seguem-se tropas que integraram as colunas militaress procedentes da Bahia e do Rio de Janeiro.


Foto: Arquivo Público do DF

Após a parada militar, desfilam os operários da NOVACAP, os contrutores de Brasília, engenheiros, técnicos e “candangos”, bem como máquinas, tratores, caminhões, máquinas de terraplenagem e toda sorte de engenhos adotados em construções civis.
Em último lugar, chegam atletas que conduzem o Fogo Simbólico, que partira da Cidade de Salvador no dia 29 de março e passara pelas mãos de cerca de três mil atletas em seu percurso até Brasília. Na ocasião de receber o fogo simbólico, o acadêmico Osvaldo Orico profere discurso alusivo ao ato.
O Presidente Juscelino Kubitschek retira-se em seguida.


Foto: Arquivo Público do DF

Fogos de artificio - À noite, realiza-se um grande espetáculo de fogos de artificio, na Plataforma do Eixo Monumental.

Recepção – Encerrando o programa oficial do dia 21, realiza-se no Palácio do Planalto a recepção às altas autoridades e ao Corpo Diplomático, oferecida pelo Presidente da República e a Senhora Juscelino Kubitschek.

 

Quarta-feira, 20 de abril de 1960

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Partida do Presidente Juscelino Kubitschek – O Presidente Juscelino Kubitschek, acompanhado de sua esposa e filhas, antes de embarcar para Brasília, visita pela manhã o Palácio do Catete, onde se despede de todos os funcionários que não foram transferidos para a nova Capital do país.
A cerimônia, embora simples, sem qualquer protocolo, apresenta aspecto tocante, visto que alguns servidores, não conseguindo conter a emoção, choram ao abraçar o Presidente da República.
O Chefe do Governo faz questão de reunir no seu antigo Gabinete de trabalho todos os servidores do Catete, independente de qualquer categoria funcional e, abraçando um a um, deseja a todos as maiores venturas.
Durante algum tempo de palestra com os representantes da imprensa, o Presidente Juscelino Kubitschek externa os seus agradecimentos a todos que, de qualquer forma, naquela casa presidencial, emprestaram colaboração ao seu Governo, considerando-os como cooperadores dos mais eficientes.
Falando em nome dos jornalistas credenciados no Palácio do Catete, o Sr. Valdemar Bandeira, decano da Sala de Imprensa, agradece as atenções com que o Presidente da República sempre os distinguiu.
Ao retirar-se do Palácio do Catete, o Presidente Juscelino Kubitschek é alvo de significamente manifestação de apreço e carinho por parte de alunos da Escola Rodrigues Alves contígua ao Palácio Presidencial, que, agitando lenços brancos, se despediam do Chefe do Governo. Nessa ocasião, a Sra. Sarah Kubitschek, visivelmente emocionada, não consegue esconder as lágrimas, o mesmo acontecendo com suas duas filhas.
Com esforço, o Presidente da República consegue entrar no automóvel, pois a massa popular que o aplaude dificulta sua locomoção, e somente a muito custo os batedores conseguem romper a aglomeração popular e rumar para o Aeroporto.
O Presidente da República, acompanhado da Sra. Sarah Kubitschek e de suas duas filhas Márcia e Maristela, chega ao Aeroporto Militar Santos Dumont pouco antes das 10 horas sendo aguardado por numerosas pessoas que vão apresentar as despedidas ao Chefe da Nação.
Após os cumprimentar a todos quantos se encontram no Aeroporto Militar Santo Dumont, o Presidente Juscelino Kubitschek, tendo ao lado a Senhora Sarah Kubitschek e suas duas filhas Márcia e Maristela, sobe as escadas do ‘Viscount’, volta-se para a multidão e dá um ‘Viva o Estado da Guanabara’.

 


Foto: Arquivo Público do DF

 

Chave de Brasília – A abertura das solenidades de inauguração de Brasília dá-se com a chegada do Presidente Juscelino Kubitschek à Praça dos Três Poderes, a fim de receber das mãos do Presidente da Novacap a chave simbólica da cidade. O Presidente da República é recebido por grande multidão e, após agradecer os aplausos populares, toma lugar na tribuna fronteira ao Palácio do Planalto, em companhia de sua esposa e filhas e do Senhor Israel Pinheiro. Este, entregando a chave de ouro da cidade, profere discurso em que exalta a construção de Brasília.

Após um orador popular, o Presidente Juscelino Kubitschek profere seu discurso de agradecimento.
Finda a oração presidencial, o Senhor Israel Pinheiro oferece ao Presidente Juscelino Kubitschek o Livro de Ouro onde se consignam os nomes de todos aqueles que construíram Brasília, do Catetinho à Praça dos Três Poderes.
A cerimônia encerra-se com a entrega ao Senhor Israel Pinheiro, pelo Presidente Juscelino Kubitschek, da Ordem Nacional do Mérito.

 

Cardeal Cerejeira – Viajando por via aérea, procedente do Rio de Janeiro, chega a Brasília Sua Eminência o Cardeal Cerejeira, Legado Pontifício, sendo recebido no Aeroporto Internacional de Brasília pelo Presidente da República, Ministros de Estado, Cardeais, parlamentares e autoridades civis e militares, congregações religiosas e grande massa popular.
Logo após descer do avião e ao receber os cumprimentos de boas-vindas do Presidente Juscelino Kubitschek e auxiliares do seu Governo, o Cardeal Manuel Cerejeira ouve a execução do Hino Pontifício e do Hino do Brasil, passando, a seguir, revista a um contingente misto do Exército, da Aeronáutica e da Marinha, ocasião em que uma bateria do Exército dá as salvas de estilo.
Após essas cerimônias de estilo, o Legado Pontifício é apresentado pelo Chefe do Cerimonial do Ministério das Relações Exteriores às autoridades presentes, dentre elas o Vice-Presidente da República, Sr. João Goulart, o Presidente da Câmara dos Deputados, Sr. Ranieri Mazzilli, o Ministro Barros Barreto, Presidente do Supremo Tribunal Federal, aos Cardeais brasileiros, aos Ministros de Estado e autoridades dos três Poderes da República.
Logo após, o Legado Pontifício, em companhia do Presidente Juscelino Kubitschek e autoridades dirige-se para sua residência oficial durante a sua permanência nesta cidade, recebendo durante o trajeto as mais calorosas manifestações de carinho do povo de Brasília.

 

Missa Solene – Às 23h30m, coloca-se no altar armado na Praça dos Três Poderes, em frente ao edifício do Supremo Tribunal Federal, a Cruz histórica da frota de Pedro Álvares Cabral, trazida de Braga para a Missa da inauguração de Brasília.
A Missa solene em ação de graças, iniciada às 23h45m, é oficiada pelo Legado Pontifício, Cardeal Cerejeira, acolitado pelos Cardeais brasileiros – D. Augusto Álvaro da Silva, da Bahia; D. Jaime de Barros Câmara, do Rio de Janeiro; e D. Carlos Carmelo de Vasconcelos Mota, de São Paulo.

 


Foto: Arquivo Público do DF

 

A importante cerimônia ao ar livre é presenciada pelo Presidente Juscelino Kubitschek e sua esposa, colocados em local próximo e fronteiriço ao altar; pelas altas autoridades do país, dispostas em área à esquerda do Chefe do Governo; pelos numerosos representantes diplomáticos, colocados à direita, e pelo povo, operários, funcionários e milhares de visitantes.
Antes de ser iniciada a missa é lido um ‘breve’ pelo qual o Papa João XXIII nomeia o Cardeal Manuel Gonçalves Cerejeira, Patriarca de Lisboa, Legado ‘a-latere’ à inauguração de Brasília. O ‘breve’ é lido em latim e português, sendo, em seguida, o Cardeal Legado conduzido para o trono pontificial a fim de ser paramentado para a Missa.
Todo o cerimonial é descrito por D. Hélder Câmara. O Arcebispo-Auxiliar do Rio de Janeiro exorta o povo brasileiro a, unido, marchar para o progresso que despontava com aquele empreendimento do Governo de Juscelino Kubitschek, considerado no mundo inteiro como um marco glorioso na vida de um povo. As palavras de D. Hélder, pedindo ao povo que orasse pela glória de Deus e do Brasil, são ouvidas em silencio pela multidão que se encontra na Praça dos Três Poderes. O Coro Renascentista canta o “Kyrie Eleison” e, pouco depois, entoa outras peças sacras, acompanhado da Orquestra de Câmara de São Paulo.
No momento da elevação do Santíssimo, a banda do Corpo de Fuzileiros Navais executa o Hino Nacional e todo o logradouro é iluminado por dezenas de refletores.

 

Na imagem, pouco antes da meia-noite do dia 21 de abril de 1960, o Coro Renascentista e a banda do Corpo de Fuzileiros Navais celebram a inaguração da cidade em missa solene em frente ao Supremo Tribunal Federal (Foto: Arquivo Público do DF)

Terça-feira, 19 de abril de 1960

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Cardeal Cerejeira – Chega ao Rio de Janeiro Dom Manuel Gonçalves Cerejeira, Cardeal-Patriarca de Lisboa e Legado Pontifício para a inauguração de Brasília. Do “Vera Cruz”, em que viaja, Sua Eminência passa para a lancha “Garça”, do Ministério da Marinha. No Ministério, a “Garça” atraca junto ao mastro da Bandeira, desembarcando, em primeiro lugar o Cardeal Dom Manuel Gonçalves Cerejeira e o Sub-chefe do Cerimonial do Itamarati. Ao atingir o topo da escada, o Legado Pontifício, após ser saudado pelo comandante do 1º Distrito Naval, dirige-se, acompanhado do Sub-chefe do Cerimonial, para a esquerda do mastro da Bandeira. Os demais membros da comitiva colocam-se em linha, à esquerda e junto à escada em que desembarcaram, com a frente voltada para o edifício do Ministério.
Em seguida, são executados os Hinos Pontifício e Nacional, ouvindo-se, simultaneamente, as salvas de estilo. Terminado o Hino Nacional, o Cardeal Cerejeira e o Presidente Juscelino Kubitschek trocam demorado aperto de mão. Findos os cumprimentos, o comandante da Guarda de Honra apresenta-se ao Legado Pontifício e convida-o a passar em revista a tropa. Ao deslocar-se o Legado Pontifício para a testa da Guarda de Honra, o Presidente Juscelino Kubitschek dirige-se para o local onde se encontram as altas autoridades civis, militares e eclesiásticas.
Terminadas as apresentações, inicia-se o cortejo e, no momento em que o Cardeal Cerejeira e o Presidente Juscelino Kubitschek se dirigem para o carro presidencial, a Guarda de Honra apresenta continência e a Banda do Corpo de Fuzileiros Navais executa o “Cisne Branco”. Tendo à frente o carro presidencial, o cortejo desloca-se em direção à Praça Barão de Ladário. Ao longo da Avenida Rio Branco e demais artérias do itinerário, estavam formados contingentes do Exército, Marinha e Aeronáutica, constituindo o Destacamento Misto, sob o comando de um Oficial-General do 1º. Exército.
Na confluência da rua Visconde de Inhaúma com a Avenida Rio Branco, os Dragões da Independência passam a escoltar o cortejo presidencial, ao mesmo tempo em que uma chuva de flores e papéis picados desce do alto dos edifícios da Avenida Rio Branco. Durante todo o trajeto pela principal artéria da cidade enorme multidão aplaude o Cardeal Cerejeira, dando vivas a Portugal e Brasil.

 

Palácio Itamarati – O Presidente Juscelino Kubitschek preside, no Palácio Itamarati, a reunião da Comissão Brasileira da Operação Pan-Americana, despedindo-se, ao mesmo tempo, do funcionalismo do Ministério das Relações Exteriores. Após a reunião, o Presidente da República dirige-se ao salão em que se realiza o ato inaugural da Exposição de Antecedentes Históricos de Brasília, organizada em estreita colaboração entre o Serviço de Documentação da Presidência da República e a Divisão Cultural do Ministério das Relações Exteriores.
Da referida mostra constam vários quadros e painéis, todos documentando a idéia da construção da Capital do Brasil no interior, desde o tempo em que Tomé de Sousa se instalou na Bahia como Primeiro Governador Geral do Brasil.
Um dos ângulos mais interessantes da Exposição se situa na documentação referente aos Autos de Devassa da Inconfidência Mineira, em que a sentença de condenação dos acusados faz referencias ao fato de que os inconfidentes também estavam imbuídos da idéia de mudar a capital da Capitania de Minas Gerais, de Vila Rica para São João Del Rei. Enriquece ainda a Exposição uma coleção de mapas antigos, pertencentes à Mapoteca do Itamarati, onde se inclui o Planisfério de Jerônimo Marini, datado de 1518, original adquirido pelo Barão do Rio Branco.
Também faz parte da mostra o famoso mapa de Tozzi Colombina, com que esse geógrafo instruiu, em 1750, o seu pedido de concessão para instalar uma linha de diligencias partindo do Rio de Janeiro para atingir os confins do Oeste.
Vários objetos históricos que pertenceram a Tiradentes e José Bonifácio também constam da exposição, onde se vê o autografo da Constituição de 1891, em que pela primeira vez figura o dispositivo mudancista. Vê-se ainda na Exposição o original da emenda de Rui Barbosa à redação do mesmo dispositivo, além do farto material fotográfico relacionado com homens e fatos ligados à evolução da idéia da interiorização, desde o Marechal Floriano Peixoto até o Presidente Juscelino Kubitschek, focalizando também a criação da Novacap e a escolha do Plano Piloto de Lucio Costa.

 

Presidente Gronchi – A propósito da inauguração de Brasília, o Presidente da República Italiana dirige o seguinte telegrama ao Presidente Juscelino Kubitschek:

“Ao ensejo da inauguração da nova Capital – Brasília – em dia fausto para a latinidade, quero fazer chegar ao povo brasileiro a saudação e os votos de felicidade do povo italiano e meus pessoais, votos por um futuro de prosperidade sempre crescente, através da constante consolidação das instituições democráticas e do progresso da vida econômica e social.
O povo italiano não se sente alheio à intrépida valorização dos recursos inexauríveis da terra brasileira, à qual, sob a orientação válida e genial de Vossa Excelência, se dedica o povo brasileiro com o espírito de iniciativa e a capacidade de trabalho que lhe são peculiares, o que tive ensejo de admirar de perto.
Como no passado, o povo italiano deseja contribuir com o trabalho e o pensamento – numa união de propósitos e de obras – não somente no interesse comum dos nossos dois países, como também no tocante a uma convivência mais segura e feliz de todos os povos num clima de liberdade, justiça e paz.”

 

Rodovia Fortaleza-Brasília – Uma caravana de onze veículos, todos de fabricação nacional, parte de Barreiras, Bahia, rumo a Brasília, numa demonstração do adiantamento das obras da rodovia Fortaleza-Brasília. No primeiro dia, a caravana vai pernoitar em Goiás, na cidade de Posse, após percorrer uma grande reta de 215 km no vale que divide as águas do São Francisco das do Tocantins.
A caravana dos operários construtores da grande artéria que está unindo o Nordeste à Capital do planalto tem por objetivo, além de dar por aberto ao tráfego o trecho que vai do interior do Estado da Bahia à nova Capital, levar uma mensagem cordial ao grande número de conterrâneos seus que ali trabalham nos serviços de construção civil ou nas vias de penetração que para lá se dirigem, como a Belém-Brasília, conforme se lê numa faixa colocada sobre o primeiro veiculo, saudando “os candangos que, com o espírito de Brasília, construíram a nova Capital”.
Sobre a rodovia, o Diretor Geral do DNOCS diz à imprensa:

“Consideramos aberto ao tráfego o trecho da Nordeste-Brasília que vai de Barreiras à nova Capital com a cobertura do percurso pelos veículos do Departamento em tempo considerado normal para estradas não pavimentadas. A rodovia, naturalmente, carece de obras complementares até o seu asfaltamento, serviços que serão continuados sem interrompimentos. O trecho Fortaleza-Barreiras, cujo prazo de conclusão foi fixado pelo Presidente Juscelino Kubitschek, será entregue ao transito em setembro próximo pelo Chefe de Governo.”

 

Mensagem presidencial – O Presidente Juscelino Kubitschek dirige ao povo carioca, através da Voz do Brasil, a seguinte mensagem de despedida:

“A tranqüilidade de consciência pelo dever cumprido se reúne a tristeza do adeus a esta encantadora cidade do Rio de Janeiro que, com inexcedível generosidade, hospedou o governo durante quase dois séculos.
A transferência não se faz sem o efeitos de natureza emocional. Confesso que me acho possuído, ao transmitir-vos esta mensagem de afeto e reconhecimento, pela sensação de estar perdendo alguma coisa – o privilegio de viver convosco, altivo, nobre e culto povo que, com o correr do tempo, vim a conhecer melhor e cada vez mais amar.
Estou certo de que, embora de longe, o magnetismo da vossa cidade continuará a imprimir caráter particular a decisões fundamentais para os rumos do Brasil e que os vossos centros de cultura prosseguirão jorrando a luz que dirige a marcha do Brasil para o seu grande destino.
Bem sabeis que, ao cumprir o preceito da Constituição que determina a mudança da Capital do país para o planalto central, atendemos a um imperativo de nossa formação republicana federativa. Com esse passo, remontamos às nossas raízes históricas e rendemos, aos varões ilustres que se constituíram patriarcas da Nação brasileira, homenagem das mais grandiosas de quantas lhes foram prestadas.
Deixo a responsabilidade da administração do Estado da Guanabara a um dos meus mais dedicados auxiliares, Embaixador José Sette Câmara Filho, que demonstrou, em todos os momentos, firmeza de caráter, inteligência arguta e excepcional exação no cumprimento dos deveres. Será ele um digno sucessor dos eminentes prefeitos, Drs. Sá Lessa, Negrão de Lima e Sá Freire Alvim, que o precederam, aos quais, de público, manifesto o meu mais sincero e efusivo reconhecimento pelos inestimáveis serviços prestados à cidade do Rio de Janeiro, durante o meu Governo.
Quero render, aqui, homenagem ao vosso último prefeito, Dr. Sá Freire Alvim, honrado homem público, administrador dos mais eficientes, realizador de inúmeras obras que em definitivo há de marcar a sua gestão à frente do executivo municipal.
Ao despedir-me, asseguro que, enquanto eu for Presidente da República, há de dar-vos o Governo Federal inteira colaboração, a fim de que o Rio de Janeiro mantenha o titulo com que o mundo todo o consagra – Cidade Maravilhosa.”

 

Indulto – Logo após a leitura de sua mensagem ao povo carioca, o Presidente Juscelino Kubitschek assina o decreto que indulta todos os sentenciados primários, condenados a penas que não ultrapassem três anos de prisão e que tenham cumprido, com boa conduta, um terço das mesmas. O decreto apresenta inicialmente os seguintes considerandos:

“…considerando que a transferência da Capital da República para Brasília constitui acontecimento de singular relevância para a Nação brasileira; considerando que todos os brasileiros devem participar desse acontecimento, inclusive os que estão em cumprimento de penas…”

 

O presidente Juscelino Kubitschek despede-se do Rio de Janeiro e o mundo inteiro tira os olhos da cidade maravilhosa para conhecer as modernas retas e tesourinhas esboçadas entre curvas árvores do cerrado. Faltam apenas dois dias para 21 de abril.  Uma caravana de onze veículos, todos de fabricação nacional, parte de Barreiras, Bahia, rumo à capital, numa demonstração do adiantamento das obras da rodovia Fortaleza-Brasília. A profecia que virou concreto agora aguarda para transforma-se em vida com a chegada de novos moradores (Foto: Arquivo Público do DF)

Segunda-feira, 18 de Abril de 1960

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Organização Judiciária – O Diário Oficial publica a Lei no. 3.754, de 14 de abril de 1960, que dispõe sobre a Organização Judiciária do Distrito Federal de Brasília e dá outras providências.

O Diário Oficial publica ainda as razões pelas quais o Presidente Juscelino Kubitschek vetou alguns dos dispositivos do texto aprovado pelo Congresso Nacional.

 

Comemorações em Ouro Preto – Em Ouro Preto, o Presidente Juscelino Kubitschek participa das festividades comemorativas de mais um aniversário do suplicio de Tiradentes, desta feita antecipadas pelo fato de estar marcada para 21 do corrente a mudança da Capital para Brasília. Na Praça Tiradentes, de um palanque, o Presidente Juscelino Kubitschek profere discurso em que se refere ao exemplo histórico dos Inconfidentes e à construção de Brasília como ponto de partida para uma nova era histórica no país.

 

NOVACAP – O Presidente Juscelino Kubitschek nomeia o Senhor Guilherme Machado para o cargo de Diretor da Novacap, na vaga do Senhor Íris Meinberg.

 

Prefeito de Brasília – O Presidente Juscelino Kubitschek nomeia o Senhor Israel Pinheiro da Silva para o cargo de Prefeito do Distrito Federal de Brasília.

 

Exposição de Nova York – A imprensa assinala que o stand do Brasil na XV Feira Mundial de Nova York, a inaugurar-se no próximo dia 4 de maio, terá como tema central Brasília. O projeto, extremamente harmonioso, procurou captar o sentido arquitetônico da nova Capital, em suas linhas de singeleza e simplicidade. O pavilhão reproduz, externamente, o Palácio da Alvorada. Atrás das colunas, internamente – de maneira a não serem vistas do lado de fora – ficarão situadas as vitrinas, em que serão expostos, em pequena quantidade, de forma quase que simbólica, os principais e mais expressivos produtos brasileiros, significando o progresso do Brasil atual. Máquinas colocadas ao fundo do pavilhão, responderão, automaticamente, às mais variadas perguntas sobre nosso país. Nas paredes, serão colocados mapas luminosos do Brasil e de Brasília. A organização do pavilhão brasileiro está a cargo do Senhor Francisco Medaglia, Direto do Escritório Comercial do Brasil em Nova York.

 

Ordem dos Advogados – O Conselho da Ordem dos Advogados do Brasil designa uma comissão, sob a presidência do Professor Nehemias Gueiros, para providenciar a instalação da Seção da Ordem no novo Distrito Federal de Brasília.

 

Ministério da Saúde – Ao embarcar para Brasília, o Professor Mário Pinotti, Ministro da Saúde, dirige a seguinte mensagem ao povo do Rio de Janeiro:

“Ao deixar o Rio de Janeiro com destino a Brasília, nova Capital da República, é com a mais grata satisfação que me dirijo aos cariocas para externar-lhes a minha acendrada esperança no futuro do Estado da Guanabara, que será o marco decidido da expansão e do progresso do seu povo.

Se Brasília, obra memorável e ciclópica do presidente Juscelino Kubitschek, representará para a pátria brasileira a bendita e promissora evolução do seu desenvolvimento econômico, também o Estado da Guanabara irá representar um dos seus maiores pontos de apoio, quer no aspecto político cultural, quer no econômico, conjunto de fatores que assegura ao Rio, de muito tempo, um lugar de alto destaque no cenário do Brasil. A frente do Ministério da Saúde, aqui no Rio, não desfitei um só momento o panorama imenso do Brasil, empenhando-me pela melhoria crescente do estado sanitário do seu ‘hinterland’, propiciando melhores condições de saúde às suas gentes. Todavia, nem por isso mesmo, o Ministério da Saúde descurou-se do seu dever para com as grandes metrópoles que concentram, em seus limites, milhões de patrícios e semelhantes necessitados de assistência médico-social.
Agora, que Brasília será o elo visível da integração e da unidade nacional, continuarei no recesso do planalto central, no mesmo posto, olhando o Brasil caminhar para as suas novas dimensões, impulsionando, com o entusiasmo que sempre foi o meu apanágio, a máquina do Ministério da Saúde, no sentido de tornar o Brasil um país livre das grandes endemias que ainda flagelam suas populações.
A esta Cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro o Ministério da Saúde não faltará com a sua colaboração marcadamente interessada no seu bem-estar, principalmente por dever de gratidão para quem carinhosamente hospedou o Governo da Nação por quase dois séculos sem desvincular-se da nobre e brava independência cívica de seus filhos de tão fecundas realizações para a Pátria comum.
Em Brasília, serei um carioca a serviço do Brasil.”

Inspetoria Florestal – O Presidente Juscelino Kubitschek cria, em decreto, a Inspetoria Florestal do Distrito Federal de Brasília.

Fuzileiros Navais – Chegam a Brasília os fuzileiros navais e marinheiros integrantes da Operação Alvorada, e que realizaram o percurso Rio de Janeiro-Brasília à pé.

Supermercado – Inaugura-se em Brasília o moderno supermercado para abastecimento inicial dos moradores do Plano Piloto, com 60 funcionários especializados.

 

Brasília vai de vento em popa. A cidade recebe diversos visitantes que vêm conferir a promessa de JK tornando-se realidade. O presidente, por sua vez, nomeia Israel Pinheiro ao cargo de primeiro prefeito do Distrito Federal. No Plano Piloto, é inaugurado um moderno supermercado para abastecimento inicial dos moradores, com 60 funcionários especializados. Mas não é só no Brasil que a cidade planejada dá o que falar, a imprensa internacional assinala que o stand do Brasil na XV Feira Mundial de Nova York, em maio, terá como tema central Brasília.  Salve 21 de abril! (Foto: Arquivo Público do DF)

Domingo, 3 de abril de 1960

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Almoço no Catetinho – Em Brasília, o Presidente Juscelino Kubitschek oferece um almoço, no Catetinho, aos operários pioneiros da construção da nova Capital do Brasil, oportunidade em que manifesta seu agradecimento a quantos contribuíram, nos primeiros dias, para o início da construção de Brasília.

Relatório da NOVACAP – A Assembléia da NOVACAP aprova o Relatório apresentado pelo Presidente da Companhia a respeito dos trabalhos realizados em 1959.

 

Acima, candango pioneiro faz pose para foto entre 1957 e 1960 na Lonalândia, acampamento improvisado localizado onde hoje se encontra a atual Candangolândia (Foto: Arquivo Público do DF)

Brasília, 24 de março de 1960

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Homenagem ao Presidente Juscelino Kubitschek – No Rio de Janeiro, o Presidente Juscelino Kubitschek é homenageado com um banquete pela Sociedade Americana e a Câmara de Comércio Americana. Saudando o homenageado, o Senhor John Moors Cabot, Embaixador dos Estados Unidos da América, assim se refere a Brasília:

“Com a inauguração de Brasília, o monte de escombros da muralha de silêncio será nivelado pelos ‘bulldozers’ para os alicerces sobre os quais o novo Brasil se constrói. Brasília juntar-se-á a Washington nas manchetes mundiais. E como a fundação de Washington  simbolizou os Estados Unidos, Brasília simbolizará esta nação, que tem papel tão importante a desempenhar nos assuntos mundiais.”

Comunicações burocráticas – O Presidente Juscelino Kubitschek, pelo decreto 47.958, desta data, dispõe sobre as comunicações burocráticas entre o Rio de Janeiro e Brasília.

Gabinete Militar e Civil – O Presidente Juscelino assina decretos mandando servir em Brasília, o General de Exército Nelson de Melo e o diplomata José Sette Câmara, chefes, respectivamente, dos Gabinetes Militar e Civil da Presidência da República.

Imprensa Nacional – O Ministro da Justiça e Negócios Interiores assina ato designando o Sr. Alberto Sá Souza Brito Pereira para ter exercício em Brasília. A propósito dessa designação, disse em despacho, o titular da pasta: “A mudança do Departamento de Imprensa Nacional, já iniciada, é um imperativo da mudança da Capital da República. Ao seu diretor-geral, enquanto não efetivada a transferência total do órgão, continuará cabendo, na forma da legislação em vigor, a administração do Departamento em Brasília e no Rio de Janeiro, valendo-se da distribuição que se fizer conveniente dos elementos administrativos de que dispõe.”

Brasília, 22 de março de 1960

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Programa da Mudança – O Presidente Juscelino Kubitschek envia mensagem ao Congresso Nacional acompanhada de projeto de lei que autoriza o Poder Executivo a abrir, pelo Ministério da Justiça, o crédito de 150 milhões de cruzeiros para atender a despesas de qualquer natureza, inclusive de material e pessoal, decorrentes da execução do programa organizado pela Comissão de Planejamento e Execução das Solenidades de Instalação do Governo Federal na Nova Capital do País.

Televisão – O Presidente Juscelino Kubitschek assina decreto de outorga de concessão à Rádio Rio Limitada para estabelecer, a titulo precário, na cidade de Brasília, sem direito de exclusividade, uma estação de radiotelevisão.

Brasília, 21 de março de 1960

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Imprensa Nacional – Com a presença do Presidente Juscelino Kubitschek, realiza-se em Brasília a primeira experiência da rotativa Marinoni do Departamento de Imprensa Nacional, em sua nova sede. O Diário Oficial é impresso com a data de hoje, o nome da cidade e a primeira página somente com o registro do fato. Mais de mil pessoas, entre elas a maioria dos operários que constroem o grande prédio desta repartição federal, jornalistas, deputados e o Vice-governador Porfírio da Paz, estavam presentes a esta inauguração. O prédio da Imprensa Nacional, segundo informações do seu Diretor Geral, sr. Brito Pereira, terá duzentos metros de frente, tendo área total de quarenta mil metros quadrados. Mais duas máquinas de grande porte já se acham na nova capital para serem montadas até 21 de abril próximo vindouro.
“Até lá, explica o Sr. Brito Pereira, teremos todos os meios para editar o Diário Oficial e o Diário do Congresso”.
Foi grande o número de pessoas que conseguiu um exemplar do primeiro Diário Oficial saído da ‘Marinoni’, tendo a maioria solicitado ao Presidente Juscelino Kubitschek que o autografasse.

Inaugurações – Partindo, de helicóptero, do local da sede da Imprensa Nacional, o Presidente Juscelino Kubitschek se dirige aos conjuntos residenciais das diversas autarquias, inaugurando vários prédios dos mesmos. Entre os setores visitados estão os do IPASE, IAPI, IAPETC, IAPB E CAPFESP, onde o Presidente é recebido pelos Presidentes das autarquias. A maioria hoje terminada, que tem dois quartos e sala, com quarto de empregada, está situada em prédios de seis pavimentos, com dois elevadores. Nas proximidades dos mesmos, já estão funcionando confeitarias, farmácias e lojas de artigos variados, em edificações que obedecem aos projetos e especificações da Novacap.


Foto: Arquivo Público do DF

Comunicações – O Presidente Juscelino Kubitschek, pelo Decreto no. 47.953, desta data, atribui à Novacap a construção, manutenção e operação dos serviços de comunicações radiotelegráficas entre Brasília e várias cidades.

Conselho de Saúde em Brasília – Pelo Decreto número 47.952, desta data, o Presidente Juscelino Kubitschek institui o Conselho de Saúde em Brasília.


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