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Brasília!

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Brasília tem
Uma esquina
Em cada poeta
E um poema
A cada esquina.

Brasília!

Tira teus óculos escuros
Para enxergares
A claridade
O azul desse céu

Para olhares minuciosamente
Para cada ser humano
Ires fundo na sua alma
No seu sofrimento

E sobretudo
Para transformares
O purgatório de muitos
Num céu que hoje apenas
É de poucos.

Jô Pessoa, poetisa pernambucana natural de Garanhuns
Poemas transcritos do livro “A Noiva da Esplanada”

 

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Poeta poesia

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Poeta poesia
(para Nicolas Behr)

depois de ler
um livro
do Nicolas Behr

envelheci
ganhei um século
de poesias

depois de ler um livro do Nicolas
e o meu que fiz?

li três vezes

depois levantei
tomei um copo
de leite gelado
e não dormi

(parecia)
Hipnotizado
poeta atrás da língua
que nem cachorro doido

chocado
com o ovo da galinha
com o dito cujo
ou somente chocado

poesia
feito sangue
de réptil na rodovia,
atropelado

e muito mais…
dele se diz
próprio de quem é
estigma
insuplantável

de si mesmo

poeta poesia
Nicolas Behr

extrapola essa estória
que acaba tendo um fim
embolado

lê de novo!
formando círculos
cabeça de poeta
avoado

Marcelo Baiocchi Villa-Verde, poeta goiano, natural de Goiânia.

Poema transcrito do livro "6 títulos, um poema" Thesaurus Editora


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Augusto Estellita Lins

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Augusto Estellita Lins, em “Cântico para uma cidade-moça”, confronta Brasília e o mundo, o mundo que se fez vetusto e frontalmente destoa do espírito verde, arejado, saudável daquela que a ternura do poeta rotula de “…minha pequena…”. Traz-lhe à presença, logo no inicio da estrofe primeira, as metrópoles há milênios bafejadas por aziagos ventos. “Porque as grandes cidades, Senhor – disse Rilke -/são malditas”. Lembra-nos o autor as Elegias de Duíno, em que (na “Décima elegia”, 1º verso da 2ª. estrofe), de certo modo reitera certa dose de rejeição, quando vê as “Estranhas ruas da Cidade-Aflição”. A catedral do geboso que Victor Hugo celebrizou, Babel, Jericó e seu muros derribados pelas trombetas do general-profeta Josué, tudo é apresentado para enfatizar a face e a alma de Brasília, “cidade-moça”, imune ao sufocante peso da História e “ingênua/pura/casta/virgem”.

No poema que vem a seguir, temos a “Brasliatown”, “Brasilville”, “Brazilia City”, contemporânea da glória de idiomas de hoje. Os últimos versos de Augusto Estellita Lins tem o título de “Sonata no 5 Brasília descoberta”. Neles “figuram codificações pós-renascentistas, como a alternação de ritmos lentos-rápidos nos movimentos. As variações sobre o mesmo tema e as repetições de alguns versos em distintos contextos, como as dos que provêem da Divina Comédia, contribuem para acentuar a tonalidade barroca e épica. Os quatro movimentos conduzem a uma sucessão de temas da criação, construção, denegação e o renascimento da cidade que ocorreu depois do governo militar (na imagem do tropel das mulas-sem-cabeça) e da morte de Juscelino. O poema todo obedece à dualidade mito-realidade, paralela à dupla criação por um estupro virtual cometido por Juscelino contra Pindorama, que seria o propótipo brasileiro da deusa Géa, a Terra que era preciso violentar para nela plantar a metrópole Brasília”.

Transcrito de “Esses poetas, esses poemas”, da Antologia “Poemas para Brasília”, de Joanyr de Oliveira.

 

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O POETA

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O POETA
 
Porque as flores florem e o flume flui,
e o vento varre a fúria vã das ruas,
eu desenfurno tudo quanto fui
e me corôo com meus sóis e luas.
 
Porque o vôo das aves é meu vôo,
e a nuvem é alcáçar que não rui,
paro a mó do pensamento onde môo
a vida, e abro no muro que me obstrui
 
a áurea, ástrea senda, a porta augusta.
Que importa se a clepsidra me corrói
as praças das infâncias em ruínas?
 
Poemas são meninos e meninas
ao sol do Pai, que tudo reconstrói.
Poeta é flor e flume em terra adusta.
 
Fernando Mendes Vianna, poeta carioca, nasceu no Rio de Janeiro.
"Tributo ao Poeta", Biblioteca Nacional de Brasília.

 

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!!!

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               !!!
 
Quão pouco valor
te dão
cuide-se então
 
deite-se
descanse
ande devagarinho
 
sente-se
assente no chão
 
não se perca
não morra
 
poesia e
arquitetura.
 
 
Marcelo Baiocchi Villa-Verde, poeta natural de Goiânia.
Reproduzido do livro "6 títulos, um poema"
Editora Thesaurus

 

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O POETA NÃO VEIO PARA RESPONDER

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O POETA NÃO VEIO PARA RESPONDER
 
                                                              A Fernando Mendes Vianna
 
 
O poeta não veio para responder.
Nem para fazer: a água, o prado,
o pranto, o sonho, o susto, o grito,
o muro, a crença, a lança, o mundo…
O que existe já moldou sua própria fisionomia,
O que pulsa já mediu seus rumos,
sua intensidade real.
O que paira já estabeleceu sua correta cronologia.
 
O poeta não veio para responder,
senão para a tessitura das dúvidas e incógnitas.
Para a antevéspera, para a eternidade sem aplauso,
para o anverso da matéria, das normas, das teorias.
A exatidão jamais se casou
com a alma da poesia.
Nos meios-tons reside a verdade perfeita.
No indivisível, tudo está sem turbação alguma.
No irrevelado, pontifica o coração do mistério.
 
Se quereis saber, indagai aos magos,
aos iluminados em seus montes e transfigurações,
aos espíritos salpicados de estrelas,
aos físicos, às dialéticas, à meteorologia, às aves,
à lucidez das loucuras.
Indagai a vós mesmos.
 
O poeta não veio para responder:
palavras deslizam em sua boca,
conceitos se ampliam mas, lívidos, desfalecem.
Os liames como o cosmo diluem-se num átimo
ante o verbo e a eloqüência.
Os tribunos (sim) estão para os transbordamentos.
Os pregadores, em seus santos delírios,
se espargem nas alturas.
(Colhei nos dilúvios de suas bocas.)
 
O poeta se oculta (e se revela)
no cerne dos entes e das coisas.
Seu domicilio é o inefável, o inviolado silêncio.
(Seus lábios pertencem aos deuses.)
 
Joanyr de Oliveira, poeta mineiro, natural de Aimorés.
"Poetas Mineiros em Brasília", de Ronaldo Cagiano

 

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