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Athos Bulcão: poesia desenhada

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Athos Bulcão na frente do painel da Igrejinha

Com sua obra, Athos colocou a cereja no bolo de concreto brasiliense.

No mês em que o artista completaria 94 anos, a homenagem do Brasilia Poética a um autêntico artista da cidade

Atuam no tenro espaço
Teatros praças palácios
Hipostilos coruchéus
Observo a beleza dos traços
Seguidos de formas no céu
Barro vermelho miragens
Urge que surgem imagens
Levitante sol paisagens
Concretam mistérios segredos
Átomos eternos de Athos
Olhar de amar armando brinquedos

Renato Matos, cantor e compositor pioneiro de Brasília


Plano-Piloto para Poesia Concreta

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Plano-Piloto para Poesia Concreta
Augusto de Campos, Décio Pignatari
e Haroldo de Campos
Noigrandes, 4, São Paulo, 1958

poesia concreta: produto de uma evolução crítica de formas dando por encerrado o ciclo histórico do verso (unidade rítmico-formal), a poesia concreta começa por tomar conhecimento do espaço gráfico como agente estrutura. espaço qualificado: estrutura espácio-temporal, em vez de desenvolvimento meramente temporístico-linear, daí a importância da idéia de ideograma, desde o seu sentido geral de sintaxe espacial ou visual, até o seu sentido específico (fenollosa/pound) de método de compor baseado na justaposição direta – analógica, não lógico-discursiva – de elementos. “il faut que notre intelligence s’habitue à comprendre synthético-ideographiquement au lieu de anlytico-discursivement” (apollinaire). eisenstein: ideograma e montagem.

precursores: mallarmé (un coup de dés, 1897): o primeiro salto qualitativo: “subdivisions prismatiques de l’idée”; espaço (“blancs”) e recursos tipográficos como elementos substantivos da composição. pound (the cantos):método ideogrâmico. joyce (Ulysses e finnegans wake): palavra-ideograma; interpenetração orgânica de tempo e espaço. cummings: atomização de palavras, tipografia fisiognômica; valorização expressionista do espaço. apollinaire (calligrammes): como visão, mais do que como realização. futurismo, dadaísmo: contribuições para a vida do problema. no/brasil:/oswald de andrade (1890-1954): “em comprimidos, minutos de poesia”./joão/cabral de melo neto (n. 1920 – o engenheiro e psicologia da composição mais anti-ode): linguagem direta, economia e arquitetura funcional do verso.

poesia concreta: tensão de palavras-coisas no espaço-tempo. estrutura dinâmica: multiplicidade de movimentos concomitantes. também na música – por definição, uma arte do tempo – intervém o espaço (webern e seus seguidores: boulez e stockhausen; música concreta e eletrônica); nas artes visuais – espaciais, por definição – intervém o tempo (mondrian e a série boogie-wogie; max bill; albers e a ambivalência perceptiva; arte concreta, em geral).

ideograma: apelo à comunicação não-verbal. o poema concreto comunica a sua própria estrutura: estrutura-conteúdo. o poema concreto é um objeto em e por si mesmo, não um intérprete de objetos exteriores e/ou sensações mais ou menos subjetivas. seu material: a palavra (som, forma visual, carga semântica). seu problema: um problema de funções-relações desse material. fatores de proximidade e semelhança, psicologia da gestalt. ritmo: força relacional. o poema concreto,usando o sistema fonético (dígitos) e uma sintaxe analógica, cria uma área lingüística específica – “verbivocovisual” – que participa das vantagens da comunicação não-verbal,s em abdicar das virtualidades da palavra. com o poema concreto ocorre o fenômeno da metacomunicação; coincidência e simultaneidade da comunicação verbal e não-verbal, coma nota de que se trata de uma comunicação de formas, de uma estrutura-conteúdo, não da usual comunicação de mensagens.

0 comentáriosa poesia concreta visa ao mínimo múltiplo comum da linguagem, daí a sua tendência à substantivação e à verbificação: “a moeda concreta da fala” (sapir). daí suas afinidades com as chamadas “línguas isolantes” (chinês): “quanto menos gramática exterior possui a língua chinesa, tanto mais gramática interior lhe é inerente (humboldt via cassirer). o chinês oferece um exemplo de sintaxe puramente relacional baseada exclusivamente na ordem das palavras (ver fenollosa, sapir e cassirer).

ao conflito de fundo-e-forma em busca de identificação,chamamos de isomorfismo. paralelamente ao isomorfismo fundo-forma, se desenvolve o isomorfismo espaço-tempo, que gera o movimento. o isomorfismo,num primeiro momento da pragmática poética, concreta, tendo à fisiognomia, a um movimento imitativo do real (motion); predomina a forma orgânica e a fenomenologia da composição. num estágio mais avançado, o isomorfismo tende a resolver-se em puro movimento estrutural (movement); nesta fase, predomina a forma geométrica e a matemática da composição (racionalismo sensível).

renunciando à disputa do “absoluto”, a poesia concreta permanece no campo magnético do relativo perene. cronomicrometragem do acaso. controle. cibernética. o poema como um mecanismo, regulando-se a próprio: “feed-back”. a comunicação mais rápida (implícito um problema de funcionalidade e de estrutura) confere ao poema um valor positivo e guia a sua própria confecção.
poesia concreta: uma responsabilidade integral perante a linguagem. realismo total. contra uma poesia de expressão, subjetiva e hedonística. criar problemas exatos e resolvê-los em termos de linguagem sensível. uma arte geral da palavra. o poema-produto: objeto útil.

augusto de campos
décio pignatari
haroldo de campos

post-scriptum 1961: “sem forma revolucionária não há arte revolucionária” (maiacóvski).

 

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PostAis Brazilienses de um Neocandango

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PostAis Brazilienses de um Neocandango


Atropelado de Paixão
 
Um dia ele foi recitar poesia no Eixão
e quase morre
atro
      pelado de paixão
O brasiliense correndo no Eixão
alcançará a inflação?
 
Qual é a sua ascensorista da emoção?
Qual é a sua maioral?
 
Táqui  procê, oh!
manda-chuva do império!
Cagão!


Ela Pelo Avesso
 
Na Esplanada dos Mistérios
Toda Dasp toda Dasp eu te encontrei
 
Marcas de carimbos em tua face
Números de processos no teu ser
 
Toda Dasp
                                              toDasp
                                                           toDasp
 
Extinguiram minha URP e eu gritei berrei
Abaixo o rei! Abaixo o rei!
 
E na Esplanada SeMistérios
Toda EMFA
           toda EMFA
                       eu te desindexei
 
Menezes y Morais, poeta piauiense.
Poemas transcritos do livro “Fincapé”, Coletivo de Poetas, Thesaurus Editora.

 

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A POESIA CONCRETA DE JOAQUIM CARDOZO

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A POESIA CONCRETA
DE JOAQUIM CARDOZO

Por Fábio Altman
 
A Brasília modernista não existiria sem Joaquim Maria Moreira Cardozo, o pernambucano que calculou os edifícios de Oscar Niemeyer. Cardozo era um intelectual da Renascença no Recife da primeira metade do século XX. Poeta (parceiro modernista de Manuel Bandeira e João Cabral de Melo Neto), chargista, professor universitário, editor e filósofo diletante, entrou para a história da capital como o engenheiro civil que transformou possibilidades em certezas. Para Niemeyer, com quem trabalhara na Pampulha, era o brasileiro mais culto que existia.
Cardozo buscava na matemática a esbelteza, os vãos audaciosos e as curvas rabiscadas por Niemeyer. Como conseguir, nas colunas do Alvorada, que elas tocassem o chão e o teto muito delicadamente, parecendo flutuar, “leves como pena”, na definição do arquiteto – e ainda assim sustentar o edifício? Cardozo desrespeitou as normas técnicas corriqueiras e chegou a uma solução. Para o arquiteto e urbanista Jeferson Tavares, da USP de São Carlos, ele alimentava “um protesto silencioso contra a obviedade”.

No fim dos anos 50, as regras da engenharia estabeleciam o uso no máximo de 6% de barras de ferro nas estruturas de concreto. Cardozo pôs 20% de ferro na trama das colunas, rompendo com os modelos de cálculo em voga. Hoje, com o avanço da tecnologia e da resistência dos materiais, é possível conseguir o mesmo efeito com apenas 3% de metal.

“Cardozo foi um transgressor”, diz José Carlos Sussekind, o mais recente calculista de Niemeyer, quarenta anos ao lado do arquiteto. O que era concreto armado, sorri Sussekind, virou uma trama de “aço à milanesa” na concepção de Cardozo. Não fosse ele, o ministro francês da Cultura André Malraux, em visita a Brasília, não poderia ter dito que “as colunas do Alvorada são o elemento arquitetônico mais importante desde as colunas gregas”.

Cardozo inovou também nas delgadas lajes. O italiano Pier Luigi Nervi (1891-1979), o grande mestre de estruturas, capaz de pôr tudo em pé, espantou-se ao ver o Palácio Itamaraty. Ao se deter diante do mezanino do Ministério das Relações Exteriores, confessou: “Projetei uma ponte com 3 quilômetros de extensão, mas conseguir esta espessura de laje me parece bem difícil”. Antes, o próprio Nervi criticara o trabalho de Cardozo, atávico rompedor de normas, por considerar que ele desrespeitava padrões estabelecidos,  e essa postura era arriscada. “Mas, ao contrário do que estabelece o senso comum, a engenharia só avança quando rompe as normas”, afirma o engenheiro Yopanan Rebello, diretor técnico da Ycon, de São Paulo, estudioso da obra de Cardozo.

Rebello lembra uma máxima do engenheiro José Carlos de Figueiredo Ferraz, prefeito de São Paulo entre 1971 e 1973, para quem os ditames cartesianos, rigorosos, davam conta “apenas dos abismos, esquecendo-se dos buracos corriqueiros”. Por isso, muitas vezes, é preciso desafiá-los.
Intuição –
Na cúpula invertida da Câmara dos Deputados, Cardozo criou uma rede de anéis de aço embutidos no concreto. Niemeyer se lembra da euforia do discreto parceiro, que lhe telefonou para dizer: “Encontrei a tangente que vai permitir que a cúpula pareça apenas pousada na laje”.

Até hoje não se sabe de que maneira Cardozo fazia os cálculos – a inexistência de arquivos é empecilho. “Ele intuía as estruturas e somente depois as calculava”, afirma Rebello. “Os atuais programas de computador, apesar de 100% precisos, parecem ter matado a intuição”. No caso de Cardozo, imaginação e engenharia andavam juntas. “As estruturas planejadas pelos arquitetos modernos são verdadeiras poesias”, dizia. “Trabalhar para que se realizem esses projetos é concretizar uma poesia”.

O homem que calculava morreu triste e praticamente só (era solteiro, sem filhos) em 1978, aos 81 anos. Em fevereiro de 1971, uma obra desenhada por Niemeyer e calculada por ele, o Pavilhão da Gameleira, em Belo Horizonte, desabou, provocando a morte de 68 operários. Cardozo foi inicialmente condenado, em 1974, a dois anos e dez meses de prisão. Um recurso de apelação do jurista Evandro Lins e Silva o absolveu, mas já era tarde. Chorava muito, diariamente. Nos últimos anos de vida, deprimido, sumia no corpo magro. Um ano antes de morrer foi convidado por Niemeyer, generoso, a passar um tempo com ele no Rio. Hospedado num hotel em Copacabana, ia diariamente ao escritório do arquiteto para conversar. Mas já tinha perdido parte da lucidez, num processo que se acelerara. Joaquim Cardozo é o pilar mais injustiçado da história da construção de Brasília.

Transcrito da Revista Veja – Edição Especial “Brasília 50 anos”, novembro de 2009.


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Poeta poesia

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Poeta poesia
(para Nicolas Behr)

depois de ler
um livro
do Nicolas Behr

envelheci
ganhei um século
de poesias

depois de ler um livro do Nicolas
e o meu que fiz?

li três vezes

depois levantei
tomei um copo
de leite gelado
e não dormi

(parecia)
Hipnotizado
poeta atrás da língua
que nem cachorro doido

chocado
com o ovo da galinha
com o dito cujo
ou somente chocado

poesia
feito sangue
de réptil na rodovia,
atropelado

e muito mais…
dele se diz
próprio de quem é
estigma
insuplantável

de si mesmo

poeta poesia
Nicolas Behr

extrapola essa estória
que acaba tendo um fim
embolado

lê de novo!
formando círculos
cabeça de poeta
avoado

Marcelo Baiocchi Villa-Verde, poeta goiano, natural de Goiânia.

Poema transcrito do livro "6 títulos, um poema" Thesaurus Editora


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Sob o signo da poesia

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Sob o signo da poesia
Por Joanyr de Oliveira

Entre as primeiras frases que me vêm – ao iniciar este registro em atendimento a honroso convite do prof. Ronaldo Mousinho -, destaco esta, cunhada por Anderson Braga Horta, crítico literário e poeta pioneiro da Capital da República: “Brasília nasceu sob o signo da poesia.”

Em mais de uma ocasião, tenho enfatizado que desde os tempos da chamada Inconfidência Mineira, estava na alma de alguns poetas o impulso em direção ao coração geográfico do Brasil. Tomás Antonio Gonzaga, Cláudio Manoel da Costa, Alvarenga Peixoto associavam independência política, soberania, com a região que temos o privilégio de habitar, como partícipes da “Marcha para o Oeste”.

Antes que se definisse a área em que os “insanos” de Juscelino viriam a concretizar uma das mais arrojadas obras de todos os tempos, os vates – reitero – já se voltavam para cá. (Lembremo-nos de que vate, além de quem verseja, é, também, quem vaticina, profetiza, advinha…) Suas almas e mentes anelavam por Brasília – “avant la lettre”, é bom ressalvar, para que nesta assertiva não se veja absurdo, clamoroso anacronismo. Anelavam pela Brasília cuja idealização em documento oficial; quando José Bonifácio, Hipólito José da Costa, Varnhagen e outros de igual quilate erguiam a voz em favor da transferência da capital litorânea para o interior rejeitado e esquecido.

Em 1923, ao que consta, Brasília finalmente se torna tema poético. É a pena de Osvaldo Orico que tem o privilégio de cantá-la pela primeira vez, o que dele fez o vanguardeiro do grande número de poetas que escrevem sobre Brasília. (E, de muitos, se tornam legião se considerarmos, antes, a condição de radicados na nova Capital). Porventura surpreendido com a palavra “legião”, não suponha o leitor tratar-se de força de expressão, de exagero: em pesquisa realizada durante mais de um ano para os livros “Poesia de Brasília e Literatura de Brasília”, a sair, pinçaram-se cerca de 1.000 (sim, mil) nomes de brasilienses que já escreveram e publicaram pelo menos um poema em livro, suplemento cultural, jornal ou revista…

Entre os poetas da cidade por Malraux cognominada “Capital do Século”, temos vários do mais alto conceito, consagrados pela crítica, como o já referido Anderson Braga Horta, José Santiago Naud, Fernando Mendes Vianna, José Godoy Garcia, Lina del Peloso, Oswaldino Marques, Hugo Mund Jr., Cassiano Nunes, Jesus Barros Boquadi, José Helder de Souza, para – sem desmerecer os novos e os outros – ficar apenas em alguns dos veteranos. Enfatiza-se que, de poetas nivelados aos melhores do Brasil, temos aqui mais de uma dezena, o que é deveras impressionante, sobretudo se levarmos em conta a idade desta ainda jovem Capital. Isto posto, não nos deveria surpreender o fato de ser quase incontável o número de brasilienses, (poetas e prosadores) laureados em importantes concursos nacionais e até internacionais.

As antologias editadas em Brasília, algumas delas colocadas entre as de mais alto nível no País, constituem mais uma eloqüente demonstração da importância da cidade que elegemos como nossa.

Com estas palavras, escritas às vésperas do encaminhamento ao prelo dos originais de “Brasília: Vida em Poesia”, associo-me ao querido idealista Ronaldo Mousinho, aos poetas – já bem conhecidos – Ézio Pires, Esmerino Magalhães Jr, Ronaldo Cagiano, Berecil Garay, Amargedon e Danilo Gomes (este também aplaudido cronista), e aos demais autores que nestas páginas se congregam para homenagear a “Capital da Esperança”, no transcurso de seu trigésimo sexto aniversário de fundação.

Transcrito do livro “Brasília: Vida em Poesia”, organizado por Ronaldo Alves Mousinho.

 

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Subversiva

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Subversiva
 
A poesia
quando chega
                     não respeita nada.
Nem pai nem mãe.
                             Quando ela chega
de qualquer de seus abismos
desconhece o Estado e a Sociedade Civil
infringe o Código de Águas
                                      relincha
como puta
nova
em frente ao Palácio da Alvorada
 
E só depois
reconsidera: beija
                     nos olhos os que ganham mal
                     embala no colo
                     os que têm sede de felicidade
                     e de justiça
 
E promete incendiar o país
 
Ferreira Gullar, poeta maranhense.
Poema transcrito da seção “Tantas Palavras”, Correio Braziliense, 8/6/2010.

 

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Saudade de Brasília

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Sou a carioca mais brasiliense do planeta. O Rio de Janeiro está no meu coração mas Brasília é dona da minha alma. Aqui cresci, estudei, plantei árvores, criei filhos e cultivei as minhas conversas com o verso. Poesia para mim é um jogo. Palavras, rimas, ritmos, ginga. Poemas são jogos malabares que exerço cotidianamente. Como fazer a cama e tomar café. Poesia também é clarão, jorro, saída, explosão de luz. A luz no fim do túnel.

 

SAUDADE DE BRASÍLIA

Foi neste vasto verde
quase quadriculado
que me dei a mim
a sua saudade.
Morros ondulantes
cercam minha alma
e o silêncio do pasto
fiz por merecer.
Curvas serenas, montanhas
e a nostalgia que atravessa
os dias que alcançam a calma
que me faz estremecer.
Cavalos, curral, lenha,
mel, bolo, sol,
ordenha, leite, vasilhas
e a paz que tenho com você.

Mas no peito se agita
uma égua desvairada
que prefere a seca e o cerrado
a W3, a L2 e a Esplanada.
Brasília, quem diria,
agora me causa banzo
de um imenso quase beijo
de um dilacerado desejo
de um coração espantado.
Com suas ruas, suas retas,
seus ipês, seus flamboyants,
seu trânsito, seu lado fatal
e com as pontas da catedral
que apontam pra suas manhãs.
 

Ana Maria Lopes, poetisa natural do Rio de Janeiro.
Transcrito do site “Poesia no fim do túnel”
http://blog.clickgratis.com.br/anamarialopes


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A HORA EXATA

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A HORA EXATA
 
Hora de mitos, fábulas claras
urdindo dorso, cérebro,
transparências benignas.
 
Hora de poesia. Ritos
de imemoráveis raízes,
intimidades de mares, planetas,
pássaros.
 
Hora exata, branca,
como relâmpago.
 
Joanyr de Oliveira, poeta mineiro, nasceu em Aimorés.
Reproduzido da antologia poética “Casulos do Silêncio”

 

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A poesia é um dos meus nervos

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A poesia é um dos meus nervos
aquele mais sensível
que move as minhas demais mãos
os demais passos de meus pés
Move as lâminas com as quais derroto
os arrotos dos Hades do tédio
com os quais não dou sais
às cinzas dos rancores e das tragédias

Dos veios dos vales, das fêmeas?
Quem não veio das heranças do sol?

Ainda são as retinas, as tiras de cor
Há o miosótis, a pele, o espelho de chuva
a seiva reluzente nas frondes humanas
Com a poesia desponto do escuro
embarco sem os grumos das ausências
Fervo o sangue com os braços da poesia
e com os nervos quentes das palavras
Remo os barcos às margens dos homens

Mostrou os brotos de verdes extremos?
Quem ainda não retesou os nervos?

Salomão Sousa, poeta goiano, nasceu em Silvânia.
"Deste Planalto Central: Poetas de Brasília"
Antologia de Salomão Sousa.

 

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A Poesia me Pede a Mão

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A Poesia me Pede a Mão
 
A poesia me pede a mão
sussurrando ao pé do ouvido:
pega caneta e folha. Tira
a roupa que te atrapalha.
Joga fora a máscara diária.
Vamos ao recôndito reino
lá pelas ínvias estradas
do soterrado labirinto
onde ardem tuas fogueiras
e tristes se amoitam sombras.
Liberta, vem desbravar
matas afundar em rios
penetrar grutas e estrelas.
Depois contempla o papel:
lá estarão em palavras
teus infernos e teus céus
 
Astrid Cabral, poetisa amazonense, nasceu em Manaus.
"Deste Planalto Central: poetas de Brasília"
Antologia de Salomão Sousa

 

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POEMAÇÃO FEIRA DO LIVRO DE BRASÍLIA

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POEMAÇÃO FEIRA DO LIVRO DE BRASÍLIA
1. Recital Poético-Musical Sindicato dos Escritores do DF
Produção Meireluce Fernandes, presidente do SEDF
Local Auditório – Pátio Brasil Shopping
Data 6/09
Horário 15hs
Duração 4 horas
Abertura Poemas musicados pelo Coral Alegria, sob regência de Ana Boccucci e participação especial de Nestor Kirjner
Atuações
Antonio Miranda (Poesia Simbólica)
Eileen Guedes de Paiva e Mello (Jogral em Movimento)
Gustavo Dourado (Cordel Nordestino)
Nazareth Tunholi (Prelúdio à Natureza)
Lurdiana Araújo (Poemas Diversos)
Francisco Teófilo (A Paixão em Shakespeare)
Carlos Porfírio / Jorge Amâncio (Poesia Afro)
Allen Guimarãres (Tempo de Poesia)
Pedrita Braile (Poemas do Coração)
Poesia Gauchesca (Poetas do Grupo Loiva e Bambil do CTG)
Márcia Oliveira (Água ondulante – Haicais)
Ana Carollina da Silva Braz (Poemas Mirins) e
Ida Carla Siqueira Mossri (Poesia para a Poesia)
Suzana Diniz , Pedro Aprígio e Sonia Ferreira.
Ao final, o programa estará aberto a apresentações espontâneas de poetas interessados em mostrar seus trabalhos.

POEMAÇÃO FEIRA DO LIVRO DE BRASÍLIA
2. Cordel e RAP – Recital poético-musical
Produção Gustavo Dourado
Apoio:MeireluceFernandes
Local Auditório – Pátio Brasil Shopping
Data 7/09
Horário 18h00
Participações
Nestor Kirjner
Meireluce Fernandes (SEDF)
Antônio Miranda (poeta, cordenador da I BIP)
Gustavo Dourado (cordelista)
Anand Rao (repentista)
Eudes Brasil (TO, cordelista)
Vânia Diniz (cordelista)
Sandra Fayad (cordelista)
Desafio Rep x Rap: com DJ Japão (rapeiro) e Donzílio Luís (repentista), da Academia Ceilandense de Letras.


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!!!

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               !!!
 
Quão pouco valor
te dão
cuide-se então
 
deite-se
descanse
ande devagarinho
 
sente-se
assente no chão
 
não se perca
não morra
 
poesia e
arquitetura.
 
 
Marcelo Baiocchi Villa-Verde, poeta natural de Goiânia.
Reproduzido do livro "6 títulos, um poema"
Editora Thesaurus

 

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CANTO EM LOUVOR DA POESIA

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CANTO EM LOUVOR DA POESIA

Quero a poesia em essência
abrindo as asas incólumes.
Boêmia perdida ou tísica,
quero a poesia liberta,
viva ou morta, amo a poesia.
 
Poesia lançada ao vento
quero em todos os sentidos.
Despida de forma e cor,
Repudiada, incompreendida,
quero a poesia sem nome,
feita de dramas humanos.
 
Quero ouvir na sua vor
o canto dos oprimidos:
usinas estradas campos,
quero a palavra do povo
transfigurada num poema.
 
Que o meu canto sobrenade
ondas revoltas do mar
e alcance todos os portos
e beije todas as praias.
Quero a poesia sem pátria,
banida pobre extenuada,
a poesia dos proscritos,
negra ou branca, amo a poesia.
 
Quero a palavra fluente,
viva e inquieta como o sangue.
Pura ou impura eu reclamo
a poesia do momento,
filtrada exata constante.
 
Domingos Carvalho da Silva, poeta natural de São Paulo.
"Rosa Extinta",  Clube de Poesia de São Paulo

 

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