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Brasília já foi terra espanhola

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Por Ana Miranda

Parece que a ideia de mudar a capital do Brasil para o interior é mais antiga do que se pensa. Consta que Capistrano de Abreu, nosso historiador e minucioso pesquisador de papéis velhos, num relato verbal mencionou que a primeira pessoa que teve a ideia foi certo senhor italiano, Francesco Tosi Colombina. Tosi veio para o Planalto Central em 1749, para desenhar mapas. Ele era um cartógrafo genovês e engenheiro militar, que trabalhava para a Coroa portuguesa. Os mapas, possivelmente realizados por ordem direta do marquês de Pombal, faziam parte de um plano do Tratado de Madri, a ser assinado um ano depois, 1750. A ordem era registrar o povoamento da área que pertencia à Espanha, pelo antiguíssimo Tratado de Tordesilhas, e que estava ocupada por colonos portugueses, e por índios – que nem eram considerados nesses tratados. Metade do Planalto Central pertencia à Espanha, ora vejam só, Brasília já foi terra espanhola! Ao menos nas abstratas leis, porque de fato pertencia aos índios e a alguns colonos com seus braços peludos e sua virilidade colonizadora lusitana.

Tosi já conhecia o Brasil, tinha andado pelo sul no comando de uma expedição, pelos Campos Gerais do Paraná, em 1734, apresentando depois um plano de ocupação das terras dos índios Guayanã, para mineração de ouro. Ele percorreu o Planalto Central, acompanhado de um ouvidor da capitania de Goiás; foram do interior de São Paulo até Vila Boa de Goiás: Vila Boa, ou Goiás Velho, onde muitos anos depois ia nascer a querida Cora Coralina, ah que saudades de sua poesia! No lombo de mula, numa viagem que sabemos como era árdua, Tosi foi até a outrora opulenta e cheia de ouro vila de Natividade, levantando uma Carta da Capitania de Goiás e Mato Grosso, mapa esse que foi entregue ao governador e capitão-general da capitania que era o conde dos Arcos.
Mas Tosi tinha sonhos arrojados. Conhecendo o território, tratou de conseguir licença para abrir uma estrada de carros, indo de São Paulo até as minas de Cuiabá, passando por Goiás. Ele teria o privilégio dos rendimentos da estrada por 10 anos, e ia receber uma sesmaria a cada três léguas ao longo da estrada. Seu plano foi aprovado em dezembro de 1750, mas ele não conseguiu organizar uma companhia para abrir a estrada, e a regalia caducou. Mas sempre fica alguma coisa boa, e no caso de Tosi, ficaram os valiosos mapas, assim como três desenhos de locais em Vila Boa: o largo do Rosário, com a casa do general e a igreja da Lapa; a praça do Jardim, com a rua Direita e a igreja do Rosário; e o centro da vila, com o rio Vermelho, a bela serra Dourada ao fundo.
Pombal não ouviu a opinião de Tosi, um pioneiro no conceito de interiorização do Brasil, e ouvindo a si mesmo resolveu mudar a capital da Bahia para o Rio de Janeiro, para onde depois se transferiu a Corte. Fico imaginando se a capital tivesse ido para o Planalto Central já nos meados do século 18. Brasília teria sido talvez construída com o ouro e o diamantes de Minas, em torno de uma igreja barroca, uma praça no centro, ruas estreitas, solares enfileirados, depois teria um palácio para o imperador, grandes edifícios para as artes e ciências, um jardim botânico com palmeiras imperiais, o sonho da Missão Francesa, condes, marqueses…Ia ser parecida com Diamantina, onde nasceu o JK.

Transcrito do Correio Braziliense, 30/06/2013, sob o título “Capistrano de Abreu em Brasília”.

Brasília, avião do futuro

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Brasília
Um avião de concreto que me leva ao futuro
Meu mundo
Cidade da alvorada, sem você fico sem rumo
As vidas
Que se encontram sem destino no centro das curvas
Essa história
Surgiu na companhia de todo esse céu azul
Ruas, avenidas no Planalto Central
Congresso, Catedral do Senado Federal
Pessoas de todos os estados do país
Essa é a capital que você fez e que eu fiz
Vivemos mergulhados nessa grande sociedade
Cidade da esperança, cidade da verdade

Brasília
Um universo paralelo que simula a fantasia
As luzes
Que à noite mostram o brilho das cidades vizinhas
As torres
Que te fazem acreditar estar no topo do mundo
As pontes
Que atravessam o espelho nesse céu do lago azul

Ruas, avenidas do Planalto Central
Congresso, Catedral do Senado Federal
Pessoas de todos os estados do país
Essa é a capital que você fez e que eu fiz
Vivemos mergulhados nessa grande sociedade
Cidade da esperança, cidade da verdade

Letra de Sara Santos e Blandu Correia
Música inscrita no concurso “Canta Brasília”, em homenagem aos 53 anos de Brasília
Transcrito do Caderno Especial “Brasília – a capital de todos os sons”, Correio Braziliense
21 de abril de 2013

URBE RARA

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URBE RARA

Na Capital da Esperança
tange-me a face
o vento adolescente do
Planalto Central.
 
Além da visão de Dom Bosco,
diviso espectros dissonantes
no caleidoscópio de sonhos
de cada candango esquecido.
 
Presa aos vértices da cidade,
a mentira da carne
e os desvarios do poder
implodem o que há de negro
e obscuro
n’alguns homens enviesados,
que deambulam entre
catedrais de ausência
e templos de solidão.
 
Os estômagos do poder,
vísceras psicopáticas
de império e lama,
diluem-se no ácido de seus donos,

enquanto estes afundam-se, soberbos,
em suas histórias insondáveis,
guardadas nos mármores profanos
de imunes castelos.
 
A Brasília de todos os santos
expele o miasma
da carnificina moral
que o parlamento,
        entre estertores e manobras,
esculpe no cotidiano
de desvios.
 
        Brasa, ilha,
        rasa milha,
        fruto de outros sonhos e quimeras,
 
experiência de ruptura e vanguarda,
lispectoriana projeção
de solidão e deslimites,
 
fora dos eixos, ao la(r)go,
no Paranoá violado,
na 109 Sul ou nos guetos do Conic,
 
mais que o risco na prancheta,
cosmoplanáutica invenção,
 
que criou alma, ganhou asas
para angariar cosmos inauditos
além do vôo dos que se sonharam Ícaro,
mas se perderam em Samambaia
ou em mutiladas latitudes.
 
Brasília,
síntese das heterogeneidades
de um país retaliado,
resumo das áfricas
das tribos e minorias,
da ancestralidade inconclusa,
dos atalhos e migrações,
 
        malgrado o estigma
               dos pulhas
 
ainda és fluxo de enigmas
e vertente da voluptuosa marcha dos que,
em aguerrido bandeirantismo,
buscam colher estrelas
e escrever poemas,
                                   resiste, insiste e persiste.
 
contra o tempo e seus estigmas,
inventando estrelas
na semeadura insone dos candangos.
 
Ronaldo Cagiano, poeta mineiro, natural de Cataguases .
Poema transcrito do livro “Brasília: vida em poesia”

 

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Flamboyants de Brasília e Planalto Central

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Flamboyants de Brasília

Tão vasto este Planalto
Em que se vive e se morre
Entre o negro do asfalto
Onde nosso sangue escorre
E um céu de azul cobalto
Há um vermelho inflamado
Como se fogo do céu
Tivesse se derramado
E caído aqui ao léu
Na copa dos flamboyants
Que explodem de coloridos
Entre as luzes das manhãs
E aparecem renascidos
Sanguíneos e revigorados
Colorindo as avenidas
Que rasgam este cerrado
E ao chegar o dia ao fim
Suas flores despedaçadas
Tingem o chão de carmim
Cumpriram sua jornada
Não viverão outro dia
E partem, sem nostalgia
Nos dando as suas cores
Vão-se deixando a alegria
De sua vida de flores

 

Parque da cidade

No Parque da Cidade há um bosque
Um céu vermelho, o verde, água-espelho
Um quiosque, um realejo, uma cerveja
Um medo cru, uma cereja, uma saudade
Um beijo, um coração e um nu sem pejo
Uma maldade, uma oração, um arremedo
Um desafio, um desalmado, um assovio
Um som transado, sandália e salto alto
Um travesti, um soprano e um contralto
Uma urgência, um xixi, um contrabando
Uma macumba, uma muamba, uma rumba
Uma cachaça, uma quizumba e uma praça
Um churrasquinho, fumaça, um pedalinho
Uma certeza, um fumo bom, uma beleza
Uma riponga, um doutor e um delegado
Um curió, uma araponga e um senhor
Um louco gozo, uma dor e um drogado
Um cara chato, uma freira e um candidato
Uma zoeira, uma santa e uma tacanha
Um sem nexo, outro focado e muito sexo
Uma virgem, uma piranha e uma vertigem
Um bom negócio, artimanha e muito ócio
No Parque da Cidade há um poste
 
Post Naor Seixas
Poemas transcritos do livro "Flamboyants, barcos noites e manhãs", 2010

 

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Brasília

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Brasília

Num pouso suave, a bela capital
aterrissou no Planalto Central
aqui, esquina não há
mas, se houvesse
talvez não coubesse
caras pintadas, diretas já, lulas lá.
Pássaro gigante
de asas abertas, a todos acolhe
em tua Esplanada
desfilam diferentes ideologias,
utopias, não importa
aqui, a todos é permitido sonhar.
Hoje jovem senhora
mais bela que outrora
Asa Norte, Asa Sul
compartilham teu céu azul
em teus blocos há vidas
entre calçadas muitas flores
e candangos que por ti morrem de amores.

Post Carmem de Melo, poetisa natural de Três Rios, RJ.

 

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"Nada obstará a marcha do País para a conquista de si mesmo…"

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Encerrando, em Belo Horizonte, o Congresso dos Municípios Mineiros, o Senhor Presidente Juscelino Kubitschek proferiu importante discurso em que abordou questões da maior relevância não apenas para as comunas do grande Estado montanhês mas para as de todo o Brasil. São desse discurso as expressões que abaixo reproduzimos e com as quais, referindo-se à mudança da capital da República para o Planalto Central, S. Excia. ainda uma vez reafirma sua inabalável confiança no êxito do grande empreendimento que tanto vem empolgando a Nação:

"No empenho de valorizar o nosso hinterland – senhores – tenho as vistas voltadas não só para Minas, mas para todo o interior do País. A mudança da Capital da República será o remate de esforços quase sobre-humanos em que me venho empenhando com todas as minhas energias. A nós, mineiros, que edificamos esta Capital numa região desnuda, quase desértica, e a vemos florescer esplendidamente, esse problema não intimida. Se nossos maiores criaram Belo Horizonte, havemos de poder criar Brasília. É uma ação ousada, bem o sabemos, mas, se recuarmos ante dificuldades, retardar-se-á de séculos, talvez, a integração efetiva do Brasil interior na comunidade nacional. A transfiguração política, demográfica, econômica e social que o País experimentará, com a mudança da sede de seu Governo, virá remunerar, generosamente, os sacrifícios que a Nação fizer. Só conhecerá o País a verdadeira grandeza no dia em que dominarmos os grandes vazios interiores, plantando cidades, rasgando estradas, levando o progresso técnico aos rincões remotos e explorando-lhes as imensas riquezas. E Brasília é o grande passo para esse mundo futuro.

Nada poderá deter esse passo. Nada obstará a marcha do país para a conquista de sim mesmo, que é a ocupação efetiva de suas grandes áreas internas. Por ela, empenharei a minha própria vida. Não vejo sentido nas vidas que se economizam, que se recusam a consumir-se na chama de um ideal. A vida é uma dádiva de Deus, e, como dádiva, há de continuar a dar-se generosamente. Não nos é lícito entesourá-la, como um avaro. Continuando a obra da criação, que é perene, havemos de converter a nossa vida em criação também perene.

Sei que me acompanhais nesse empreendimento desmarcadamente grande para que seja sustentado pela energia de um só homem. Sei que conto convosco, homens do interior, sobretudo, homens de Minas. A nossa prudência, o nosso comedimento, a nossa discrição jamais impediram, em nós, os gestos que transformam os destinos de um povo. Se é da natureza mineira a reflexão pausada, se cautos somos na resolução, a verdade é que somos igualmente pertinazes e intrépidos, quando algo foi decidido."

Reproduzido da Revista "Brasília", editada pela Novacap, edição número 4, abril de 1957.

 

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Cordel para Brasília

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Cordel para Brasília

Brasíli@ 4.8º…
Homenagem à Capital do Brasil

A Capital da Esperança
Tornou-se Realidade
De um sonho de Dom Bosco
À grandiosa Cidade
Por JK construída:
Dia-a-dia nos invade…

Brasília surgiu a esmo?!
Seu nome foi registrado
Em 1822…
Em artigo publicado
Na Tipografia Rolandiana:
Por oculto deputado…

Deputado des.conhecido
A Brasília o nome deu
Aditamento à Constituição
A História assim se deu
Logo no primeiro artigo:
Nossa Brasília: nasceu…

Brasília era nome corrente
Bonifácio persistiu
Propôs a Nova Capital
Preconizou: Anteviu
O lindo nome de Brasília:
Ele também sugeriu…

2 de outubro de 56
JK aqui desceu
Com Lott, Lúcio e Israel
O Cerrado percorreu
Ernesto, Nélson, Balbino:
O fato assim aconteceu…

JK com entusiasmo
Veio ao Planalto Central
Trouxe Régis e Oscar
Adentrou-se ao matagal
Onde é o Catetinho:
Raiz da nossa Capital…

Na primeira comitiva:
Veio Bernardo Sayão
Governador Ludovico
Deu apoio à construção
O Altamiro Pacheco:
Teve participação…

Esteve lá no Cruzeiro
Perto do Memorial
Deixou a marca da luz
No centro da Capital
Café na Fazenda Gama:
À vontade no quintal…

Lúcio Costa rabiscou
Ave-cidade-avião
Pássarinho-borboleta
Libélula em evolução
Um vôo extraordinário:
No Planalto da Nação…

A cidade foi sonhada
Por profetas, visionários
Poetas a anteviram
Muitos a preconizaram
JK a construiu:
‘Anjos’ a eternizaram…

Era um vale vastíssimo
Torto, Gama, Bananal
Vicente Pires: Riacho Fundo
Bela Água Mineral
Era o Sítio Castanho:
Hoje é nossa Capital…

Havia fazenda de gado
No meio do Planalto Central
Um descampado sem-fim
Cerrado monumental
Agora é uma Alvorada:
Nave do transcendental…

Nascente de três bacias
No Planalto da Nação
Águas Emendadas é:
As veias do coração
As artérias de Brasília:
Devem ter preservação…

"Vale convexo" de Belcher:
Rios Preto e Descoberto
Talvegue do Santa Rita
Na vastidão do incerto
Criou-se o Paranoá:
Na imensidão do deserto…

O Lago Paranoá
É o nosso Pantanal
Linha D`água: Cota Mil
É vida para a Capital
40 km de compasso:
Aqüífero monumental…

O Lago Paranoá
Melhorou a umidade
5 km de largura
35 m de profundidade
600 milhões de m³
Banham a nossa cidade…

Colosso da Arquitetura
Urbi revolucionária…!
Homem deitado e em pé:
Congresso – Rodoviária
Megalópolis do Planalto:
Epopéia visionária…

Cidade-mater do Brasil:
Um orgulho nacional
Feito Londres sertaneja
Jerusalém Tropical:
É a Roma do Cerrado:
Ás do Planalto Central…

Brasília teve (têm) inimigos
Ferrenhos adversários
Venceu os seus oponentes
Na saga dos operários
Servidores bandeirantes:
Persistentes visionários…

Candangos e engenheiros
Pedreiros e arquitetos
Obreiros de uma Nação
Futuro e destino incertos
Sertanejos resistentes
Desbravadores: honestos…

Nova Capital do Brasil
Comissão de Localização
Marechal José Pessoa
Comandou a Direção
Ernesto Silva na Equipe:
Saúde, Arte-Educação…

24 de setembro 1956
Novacap em ação
Israel Pinheiro da Silva
Engenheiro Bernardo Sayão
Ernesto Silva, Íris Meinberg:
São heróis da construção…

Aos candangos da Brasília
Rendo a minha homenagem
Com suor, sangue e poesia
Em um linda mensagem
Construiram a nave-mãe:
Em permanente viagem…

Brasília hoje é um pólo
Pulsa cri@tividade…
Poesia à flor da pele
Nas artérias da Cidade
Os candangos são heróis:
Bandeirantes de verdade…

Há de tudo por aqui
Espaço-multiplicidade
Arquitetura inovadora
Sonhos: engenhosidade
A Capital do Brasil
Dá asas à Liberdade…

Gustavo Dourado

www.gustavodourado.com.br

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A CARTA CELESTE

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A CARTA CELESTE
 
Brasília, cidade-monumento, erguida sobre o chapadão do Planalto Central, cidade-Patrimônio Cultural da Humanidade, cidade clássica, aparentada, no pensamento idealizador, com a Cidade Ideal de Platão, com a Cidade de Deus, de Santo Agostinho, com a Cidade do Sol de Campanella, com a Utopia, de Thomas Morus, com a Cidade Contemporânea para Três Milhões de Habitantes e com a Cidade Radiosa, ambas de Le Corbusier e definidoras da Carta de Atenas, cidade-continuação e cidade-desejo dos Inconfidentes e mais tarde, de Hypólito José da Costa  (durante outro Correio Braziliense), de José Bonifácio de Andrade ("…uma nova capital, no interior do Brasil, em uma das vertentes do rio São Francisco, que poderá chamar-se Petrópole ou Brasília…"), do historiador Varnhagen ("…para a futura capital da União Brasílica o triângulo formado pelas lagoas Feia, Formosa e Mestre D’Armas, das quais manam águas para o Amazonas, para o São Francisco e para o Prata!" – depois definida pelo polígno Cruls), cidade-sonho da "grande cvilização que surgirá entre os paralelos 15" e 20", na visão de Dom Bosco, cidade-mística, ligada ao Egito antigo, cidade-irmã de Roma (ambas natas a 21 de abril) e da democracia da cidade grega, em luz suplantando a Cidade-Luz, cidade planejada, modernista, idealizada sob os três vértices de Lucio Costa, de Niemeyer, de JK, cidade cosmopolita, cidade universal, sob suas quatro escalas – monumental, bucólica, gregária e residencial -, mas também cidade-estado, totalitária e absolutista como Washington, cidade-berço da ditadura militar, força de atração humana e de segregação social, cidade sobreposta à cidade colonial, à casa-grande e às fazendas de gado, cidade infensa ao homem do Brasil interior, ao Goiás, ao cerrado e aos caminhos coloniais, cidade-espelho dos antagonismos mais fundos, dela emanado jardins de plantas, vias expressas, prédios-monumentos ordenados pelo homem, para um incerto novo espírito que irradiará novas memórias e ficções para o orbe, cidade-incógnita do terceiro milênio.
 
Alex Cojorian,
Texto em colaboração com Ataíde Mattos
"Abstrata Brasília Concreta", de W. Hermuche

 

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Pulsações de um Planalto Central

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Pulsações de um Planalto Central
 
"Mas é Atenas! Uma Atenas marciana…"
 
        Décio Pignatari – desde a plataforma da Estação Rodoviária,
        contemplando pela primeira vez a Praça dos Três Poderes, em 1965.
        Noutro momento, à beira-lago, indagou de um visitante alemão:
 
Wo sind die Gött?
(Onde estão os deuses?)
 
Nem acrópoles
Nem pirâmides
 
Nem eram antenas
Nem era cidade
 
Eram apelos cifrados
Aos astronautas de Nazca:
 
SQN
(Salvem Quem Necessita)
 
SQS
(Socorro Queremos Socorro)
 
SOS
(Save Ours Souls)
 
Luís Martins da Silva, poeta cearense, natural de Nova Russas.
"Poemas para Brasília", de Joanyr de Oliveira

 

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Missão Cruls

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Missão Cruls
 
Em maio de 1892, o governo Floriano Peixoto criou a Comissão Exploradora do Planalto Central e entregou a chefia a Louis Ferdinand Cruls – ou Luiz Cruls -, astrônomo e geógrafo belga radicado no Rio de Janeiro desde 1874, que dirigia o Observatório Imperial. Objetivo: conforme disposto na Constituição, proceder à exploração do Planalto Central da República e à conseqüente demarcação da área a ser ocupada pela futura capital. O grupo, de vinte pessoas, sai do Rio em 9 de junho de 1892 e chega a Pirenópolis, Goiás, no dia 1º de agosto. Do Rio até Uberaba, no Triângulo Mineiro, de trem. Daí em diante, a cavalo. O relatório final é apresentado em 1894. Fragmento:
 
"Em resumo, a zona demarcada goza, em sua maior extensão, de um clima extremamente salubre, em que o emigrante europeu não precisa da aclimação, pois encontrará aí condições climatéricas análogas às que oferecem as regiões as mais salubres da zona temperada européia. (…) Entretanto, como demonstra a exploração à qual procedeu esta Comissão, existe no interior do Brasil uma zona gozando de excelente clima, com riquezas naturais, que só pedem braços para serem exploradas."
 
A única objeção à mudança da capital que o relatório considerou merecedora de resposta foi a da distância. Mas a conclusão é que ela carece de fundamento, porque o centro do quadrilátero de 14.400 quilômetros quadrados demarcado dista aproximadamente 970 quilômetros do Rio de Janeiro e será sempre possível construir-se estrada de ferro cujo traçado não excederá 1.200 quilômetros, distância esta que poderia ser facilmente vencida em vinte horas. Cruls posicionou seu quadrilátero no triângulo formado pelas lagoas Formosa, Feia e Mestre D’Armas. O mesmo local indicado por Varnhagen em 1877. Está definida a área que vai ser a principal base dos estudos futuros.
Em tempo. Astrônomo, Cruls se encanta com o céu da área:
 
"O estudo do nosso céu e a limpidez atmosférica ferem a atenção. (…) A pureza atmosférica vai ao ponto de, muito superior à do Rio, permitir com instrumentos menos poderosos ver os astros que lá exigem melhores condições para se mostrar (…) O nosso céu, de uma beleza notável, carrega-se pela manhã de nuvens a leste, passando elas pelo zênite nas proximidades do meio-dia para, à tarde, acumularem-se pelo lado oeste e, afinal, desaparecerem quase totalmente, descendo a nebulosidade às vezes quase a zero; parecem fazer cortejo ao sol."
 
Extraído do livro "Brasília Kubitschek de Oliveira", de Ronaldo Costa Couto.

 

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José Bonifácio

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José Bonifácio

Outro destacado nome na galeria dos ‘mudancistas’ (designação muito usada em finais dos anos 50, e início dos 60, quando se acendrou a resistência dos inimigos da transferência para o Planalto Central, em face da determinação, em seu favor, do Presidente Juscelino Kubitschek) foi o paulista José Bonifácio de Andrade e Silva ( 13.06.1763-06.04.1838), nascido em Santos.
O estadista, cognominado Patriarca da Independência, era escritor e cientista. Apesar de divergências com D. Pedro I, de que lhe resultou prisão e deportação na França, na abdicação ( 07.04.1831) José Bonifácio veio a ser honrado com a tutoria do futuro imperador. O Brasil era ainda Colônia quando o então vice-presidente do Governo de São Paulo, em suas "Instruções aos Deputados à Corte de Lisboa", consignou recomendação relativa à criação de uma capital no Planalto. Ele defendia, em documento anterior, a criação de ‘uma cidade central, no interior do Brasil, para assento da Regência, que poderá ser em 15º de latitude, em sítio sadio, ameno, fértil e junto a algum rio navegável." (Havia fortes divergências, e hostilidades lusitanas.)
Com a independência, José Bonifácio, primeiro-ministro, teve a vitória de ver a proposta de inclusão, entre os Artigos Adicionais de nossa Constituição, da seguinte definição: "O Congresso brasileiro ajuntar-se-á na capital, onde ora reside o Regente do Reino do Brasil, enquanto se não funda no centro daquele uma nova capital.

 

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10 de novembro de 1956

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Foto: Arquivo Público do DF

JK chega à Brasília e inaugura o Catetinho – A luz elétrica, tênue e com limitado poder de irradiação, "brilhou" pela primeira no Planalto Central. Juscelino estava ali para inaugurar o Catetinho,  a residência provisória do Presidente da República. A cidade começou a surgir naquele momento, algo como duas dezenas de dias após a chegada dos primeiros operários e dos primeiros caminhões com material de construção vindos do Rio de Janeiro e de Belo Horizonte.
Graças ao gerador de 2,5 hp, também já funcionava um radioamador que estabeleceu conexão com o Palácio do Catete, no Rio de Janeiro, Anápolis, Goiânia, Araxá e Belo Horizonte. "Milagre…" gritavam os construtores pioneiros. O Planalto deixava de ser mudo.
Após o jantar, serenata ao som de "Peixe vivo" e o "Canto da Nova Capital", música de Dilermando Reis com letra de Bastos Tigre. Uma festa.
Um carioca foi o primeiro candango a chegar em Brasília: Agripino Pereira Lins, na época com 42 anos, era natural de Vila Isabel. Encarregado de abastecer o avião que JK utilizou durante a campanha para a presidência, ele partiu do Rio de Janeiro com o primeiro caminhão de material para a construção da cidade;

 

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Canto da Nova Capital

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CANTO DA NOVA CAPITAL

- A caminho da floresta brasileira,
a escalpa planura verdejante.
Com a crença que conduz nossa bandeira
surgirá a mais bela capital
no sertão da nossa terra.

Serás, oh! nascente Brasília,
a cabocla gentil,
Capital do Brasil.

Serás, no Planalto Central,
a alvorada real de grandeza e de paz.

Eras o sonho do Brasil
na alma de um povo viril.

Mas surgirás no Planalto
a te ergueres para o alto
Brasília!

Canto da nova capital, primeira música composta e cantada em Brasília, em 10/11/1956, durante a inauguração do Catetinho.
Letra: Bastos Tigre
Música: Dilermando Reis

 

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21 de outubro de 1891

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A Câmara dos Deputados, depois de acaloradas discussões e da apresentação de vários projetos, aprova o Substitutivo do deputado Paranaguá com o seguinte teor: "Art. 1o. – Fica concedido ao Poder Executivo o crédito de 250.000 $ para mandar estudar, escolher e demarcar no Planalto Central a superfície de 14.400 quilômetros quadrados, para nela ser estabelecida a futura Capital Federal";

 

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Os goianos tramam contra os mineiros. E Goías vence a disputa pelo local da construção de Brasília.

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- Ô moço, podia me emprestar esse livro ?Venerando Borges ofereceu o livro a Israel:- Doutor Israel, eu tenho outro exemplar, pode ficar com este.Selava-se naquele momento, com a entrega do livro, a rendição do último baluarte de resistência, e os goianos puderam respirar aliviados e voltar para casa.

Planalto Goiano ou Triângulo Mineiro ?

A escolha, no interior do país, do local onde se construiria a nova capital, processou-se através do trabalho de várias comissões técnicas e estendeu-se por muitos anos. O ponto de partida foi, naturalmente, o art. 3o. da Constituição de 1891, que fixara claramente onde seria o futuro Distrito Federal: no “Planalto Central da República”.

A expressão “Planalto Central” permitiu acirrada disputa entre goianos e mineiros, entendendo os ùltimos que boa parte do oeste de Minas situava-se no Planalto Central e seria muito melhor construir a nova cidade no Triângulo Mineiro, de terra férteis e dispondo já de excelente rede ferroviária (Estradas de Ferro Mogiana e Oeste de Minas), do que fazê-lo no planalto goiano, de terras pobres de cerrado, sem nenhuma estrada de acesso e distante mil quilômetros dos fornecedores de materiais de construção.

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Leia também:

A passagem de Tom Jobim e Vinícius de Moraes pelo Catetinho

O texto de Antônio Carlos Jobim Setembro, sertão no estio. Frio seco. Altitude aproximada: 1.200 metros. Ar transparente, céu azul profundo, primavera e pássaros se namorando. Campos gerais, chapadões dos gerais. Cerrado e estirões de mata à beira dos rios.…

Alvorada de Espelhos

Alvorada de Espelhos Por Clemente Luz O imenso louva-a-deus traçado no papel, antes promessa da presença da cidade, já tem forma e base sólida no chão do planalto. No local mesmo onde a visão do profeta viu “que se formava…

Bernardo Sayão

Da morte emerges, Bernardo Sayão, e com que pureza! Assim te revemos, os que nunca te vimos, e não há em nós nenhuma surpresa. Assim te revemos, sertanejo tranqüilo, no retrato que te faz surgir num descampado, o olhar firme, …