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Plano-Piloto para Poesia Concreta

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Plano-Piloto para Poesia Concreta
Augusto de Campos, Décio Pignatari
e Haroldo de Campos
Noigrandes, 4, São Paulo, 1958

poesia concreta: produto de uma evolução crítica de formas dando por encerrado o ciclo histórico do verso (unidade rítmico-formal), a poesia concreta começa por tomar conhecimento do espaço gráfico como agente estrutura. espaço qualificado: estrutura espácio-temporal, em vez de desenvolvimento meramente temporístico-linear, daí a importância da idéia de ideograma, desde o seu sentido geral de sintaxe espacial ou visual, até o seu sentido específico (fenollosa/pound) de método de compor baseado na justaposição direta – analógica, não lógico-discursiva – de elementos. “il faut que notre intelligence s’habitue à comprendre synthético-ideographiquement au lieu de anlytico-discursivement” (apollinaire). eisenstein: ideograma e montagem.

precursores: mallarmé (un coup de dés, 1897): o primeiro salto qualitativo: “subdivisions prismatiques de l’idée”; espaço (“blancs”) e recursos tipográficos como elementos substantivos da composição. pound (the cantos):método ideogrâmico. joyce (Ulysses e finnegans wake): palavra-ideograma; interpenetração orgânica de tempo e espaço. cummings: atomização de palavras, tipografia fisiognômica; valorização expressionista do espaço. apollinaire (calligrammes): como visão, mais do que como realização. futurismo, dadaísmo: contribuições para a vida do problema. no/brasil:/oswald de andrade (1890-1954): “em comprimidos, minutos de poesia”./joão/cabral de melo neto (n. 1920 – o engenheiro e psicologia da composição mais anti-ode): linguagem direta, economia e arquitetura funcional do verso.

poesia concreta: tensão de palavras-coisas no espaço-tempo. estrutura dinâmica: multiplicidade de movimentos concomitantes. também na música – por definição, uma arte do tempo – intervém o espaço (webern e seus seguidores: boulez e stockhausen; música concreta e eletrônica); nas artes visuais – espaciais, por definição – intervém o tempo (mondrian e a série boogie-wogie; max bill; albers e a ambivalência perceptiva; arte concreta, em geral).

ideograma: apelo à comunicação não-verbal. o poema concreto comunica a sua própria estrutura: estrutura-conteúdo. o poema concreto é um objeto em e por si mesmo, não um intérprete de objetos exteriores e/ou sensações mais ou menos subjetivas. seu material: a palavra (som, forma visual, carga semântica). seu problema: um problema de funções-relações desse material. fatores de proximidade e semelhança, psicologia da gestalt. ritmo: força relacional. o poema concreto,usando o sistema fonético (dígitos) e uma sintaxe analógica, cria uma área lingüística específica – “verbivocovisual” – que participa das vantagens da comunicação não-verbal,s em abdicar das virtualidades da palavra. com o poema concreto ocorre o fenômeno da metacomunicação; coincidência e simultaneidade da comunicação verbal e não-verbal, coma nota de que se trata de uma comunicação de formas, de uma estrutura-conteúdo, não da usual comunicação de mensagens.

0 comentáriosa poesia concreta visa ao mínimo múltiplo comum da linguagem, daí a sua tendência à substantivação e à verbificação: “a moeda concreta da fala” (sapir). daí suas afinidades com as chamadas “línguas isolantes” (chinês): “quanto menos gramática exterior possui a língua chinesa, tanto mais gramática interior lhe é inerente (humboldt via cassirer). o chinês oferece um exemplo de sintaxe puramente relacional baseada exclusivamente na ordem das palavras (ver fenollosa, sapir e cassirer).

ao conflito de fundo-e-forma em busca de identificação,chamamos de isomorfismo. paralelamente ao isomorfismo fundo-forma, se desenvolve o isomorfismo espaço-tempo, que gera o movimento. o isomorfismo,num primeiro momento da pragmática poética, concreta, tendo à fisiognomia, a um movimento imitativo do real (motion); predomina a forma orgânica e a fenomenologia da composição. num estágio mais avançado, o isomorfismo tende a resolver-se em puro movimento estrutural (movement); nesta fase, predomina a forma geométrica e a matemática da composição (racionalismo sensível).

renunciando à disputa do “absoluto”, a poesia concreta permanece no campo magnético do relativo perene. cronomicrometragem do acaso. controle. cibernética. o poema como um mecanismo, regulando-se a próprio: “feed-back”. a comunicação mais rápida (implícito um problema de funcionalidade e de estrutura) confere ao poema um valor positivo e guia a sua própria confecção.
poesia concreta: uma responsabilidade integral perante a linguagem. realismo total. contra uma poesia de expressão, subjetiva e hedonística. criar problemas exatos e resolvê-los em termos de linguagem sensível. uma arte geral da palavra. o poema-produto: objeto útil.

augusto de campos
décio pignatari
haroldo de campos

post-scriptum 1961: “sem forma revolucionária não há arte revolucionária” (maiacóvski).

 

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A paina

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A paina
 
A paina leve
plana
e breve dura
      
Por não ser
(inda que sendo)
empluma-se
em ave
ou vela
 
e paira.
 
A paina existe
porque insiste
pois, para ser,
desfaz-se
como quem
desiste.
 
Neve
ou névoa?
Pena
ou pluma?
 
Fina e errática
por um descuido da gramática
a paina,
substantiva inconcreta
nem por isso
é abstrata

Paulo José Cunha
Poema transcrito  da news-letter “Toda poesia é semente”, de Paulo José Cunha

 

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Agora, Brasília merece colo e carinho

Escrito por Brasília Poética em . Postado em Poemas para Brasília Sem Comentários

Agora, Brasília merece colo e carinho
Paulo José Cunha

Meus cinco ou seis leitores hão de me perdoar, mas durante este mês vou abrir uma exceção em nosso Telejornalismo em Close para cantar Brasília, a cidade que um dia foi plantada bem no meio do planalto goiano, e que completa neste 21 de abril seus 50 anos enfrentando a maior crise de sua história. O que a cidade e seus moradores mais precisam neste momento é de cuidado. A paciente já saiu da sala de cirurgia, e daqui a uns dias sai da UTI. É a hora da atenção e do carinho dos parentes e amigos, para que a recuperação ocorra da melhor forma possível. Demorou meio século para ocorrer esse batismo de fogo rumo à maioridade. Doeu, mas tem sido pedagógico. Estamos aprendendo muito com tudo isso. Principalmente, a gostar ainda mais desta bela esfinge do cerrado.

Aí vão dois poemas que escrevi para a querida Brasília. É meu jeito de acarinhar uma das mais belas realizações do gênero humano, tão importante que aos 23 anos que foi elevada pela UNESCO à condição de Patrimônio Cultural da Humanidade. Ela é maior, bem maior do que os que a envergonharam. Celebremos!

Cantiga de amor
Para Brasília

Há quem te veja nave de aço, avião
mas eu te vejo ave de pluma,
asas abertas sobre o chão.

Há quem te veja futurista e avançada
mas eu  recolho em ti a paisagem rural
lá de onde eu vim:
fazenda iluminada.

E quem declara guerra a teu concreto armado
nunca sentiu a paz do teu concreto desarmado.
Há quem te veja exata, fria, diurna e burocrática
mas te conheço é gata noturna, quente, sensual – enigmática.

Há quem te gostaria só Plano Piloto, teu lado nobre,
mas eu também te encontro na periferia, teu lado pobre.
Há quem só te reconheça nos cartões postais
mas eu te vejo inteira, Planaltina,
cercada de Gamas, Guarás e Taguatingas.

Aos que só te querem grande – Patrimônio Mundial,
egoisticamente te declaro patrimônio meu, exclusivo:
Brasília minha
e, no meu bem-querer diminutivo, Brasilinha.

Candanga
para Paulo Bertran

Candanga, a alma leve dos cerrados,
a moça e seus cabelos, nos longes de Goiás.
Candangos nós, teus filhos de adoção.
Candangos nossos filhos,
nascidos do teu chão.

A mão que te acenou de tão distante
foi quem prometeu que te faria.
Trocou o talvez por neste instante,
e a cidade assim se fez.

Candangos Vladimir, Bertran, Oscar, Sayão,
Candangos Lúcio, Vera, Nicolas, Bulcão
Candangos Teodoro, Cássia, Renato, Catalão.

Misteriosos como os campos de cerrados
de longe, apenas troncos retorcidos
de perto, segredos revelados:

água de mina, raízes, folhas, flores
beleza pura que explode por detrás
dos detalhes escondidos na aridez
da vastidão dos campos de Goiás.

 

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BRASÍLIA – OUTUBRO DE 1959

Escrito por Brasília Poética em . Postado em O dia-a-dia da Construção Sem Comentários

 

BRASÍLIA – OUTUBRO DE 1959

 

 

 

 

07
Declaração presidencial – No discurso que profere perante a Conferência dos Governadores dos Estados da Bacia Paraná-Uruguai, em São Paulo, o presidente Juscelino Kubitschek refere-se a Brasília da seguinte forma:

“Não é meu propósito referir-me agora a todas as obras promovidas pelo meu Governo, e bem numerosas são elas, na região em apreço, pois são bem conhecidas dos ilustres Governadores, que tão diligentes e zelosos se tem mostrado no seu indispensável concurso à administração central, visando à sua normal execução. Lembro apenas, de passagem, as grandes rodovias-tronco pavimentadas que, de São Paulo, atingirão nossa extrema fronteira meridional, oferecendo a possibilidade de escoamento rápido à produção agrícola e industrial de consideráveis áreas do Vale; a majestosa ponte sobre o rio Paraná, com a finalidade de estreitar nossas relações de amizade e incrementar o intercâmbio comercial com o Paraguai; a construção, já em fase adiantada, da grande central elétrica de Cachoeira Dourada, que contribuirá para o fornecimento de energia à parte setentrional da Bacia, zona em que a carência de eletricidade se faz tanto mais sensível quanto recrescem dia a dia as suas exigências de progresso. É que, junto ao ponto mesmo em que começam a correr as águas que afluem para este Vale, no próprio divisor entre as grandes Bacias potamográficas do Brasil, a Amazônia, a do São Francisco e a do Paraná-Uruguai, se ergue agora Brasília, a nossa grande Capital da Esperança, como a cognominou André Malraux, e que já se prepara para constituir a 21 de abril próximo a sede dos Poderes da República, levando para o próprio centro geográfico do País o centro das decisões políticas da Nação, na materialização desse ideal longamente nutrido e esperado pelas gerações brasileiras de que algo de concreto e definitivo se devia fazer para cimentar, no futuro, a indestrutível unidade da Pátria, que não poderá continuar a ver relegadas à condição de deserto as áreas verdadeiramente continentais do Centro, do Norte e do Oeste. Estou seguro de que a construção de Brasília representará, para toda a Bacia Paraná-Uruguai, como para a Bacia Amazônica e a Bacia do São Francisco, uma nova era de Trabalho, ação, progresso, riqueza, cultura e civilização.”

09
Rodovia Belém-Brasília – O superintendente do Plano de Valorização Econômica da Amazônia envia ao presidente Juscelino Kubitschek o seguinte telegrama:

“Tenho a honra de comunicar a V.Excia, que delegações ao XI Congresso Internacional de Estradas de Rodagem, integradas de ministros dos transportes e de pavimentação da URSS, assessorados de professores catedráticos da Escola Politécnica daquela Nação e respectivo interprete; vice-ministro das comunicações da Polônia e diretores do Instituto de Pesquisas técnicas e de estradas do mesmo país; vice-ministro de transportes da Rumânia, assessorado por diretores dos Institutos de Pesquisas e de estradas e professor da Escola Politécnica do mesmo país; ministro dos transportes, ministro de construções e arquitetura da Bulgária; vice-diretor geral de transportes da Tchecoslováquia e professor da Escola Politécnica do mesmo país, percorreram em minha companhia 260 quilômetros da Rodovia Belém-Brasília. Na qualidade de maiores autoridades no assunto em seus países, externaram opinião entusiasmada sobre a Transbrasiliana, particularmente o trecho da floresta equatorial, considerando-se uma das obras de maior importância do governo de V.Excia. À chegada a Belém, ofereci um jantar aos delegados dos países referidos, durante o qual renovaram suas impressões sobre a Rodovia Belém-Brasília, manifestando, ainda, agradecimento pela gentileza com que tem sido tratados em nosso país.”

10
Ministro Antoine Pinay – Em Brasília, o presidente Juscelino Kubitschek recebe, no aeroporto, o senhor Antoine Pinay, Ministro das Finanças da França, para uma visita às obras da futura capital.

Logo ao chegar ao Palácio da Alvorada, o ministro Antoine Pinay fala à imprensa e dá a seguinte impressão sobre Brasília:

“Em 1957, quando o presidente Juscelino Kubitschek me falou do plano de construção da nova capital e me mostrou os elementos estudados, confesso que fiquei perplexo.

Mas hoje, diante da realidade que vi, não tenho como me exprimir, pois, de fato, me sinto humilhado. De qualquer forma, no entanto, estou muito admirado da audácia e do arrojo do Presidente Juscelino Kubitschek e das qualidades surpreendentes de realizador deste estadista brasileiro. Sei que é bastante cedo para fazer o julgamento da cidade como um conjunto, mas, de qualquer forma quero afirmar desde já pelo que se vê do traçado de suas avenidas e grandes artérias que ela será não só a capital mais moderna, como provavelmente a mais bela do mundo.”

Logo a seguir, o presidente Juscelino Kubitschek convida o ministro Antoine Pinay a visitar as dependências do Palácio da Alvorada, começando pela Biblioteca. Poucos minutos após é servido o almoço em homenagem ao estadista francês.

Ao fim do almoço, o presidente Juscelino Kubitschek oferece ao ministro Pinay um exemplar autografado do livro “Brasil, Capital Brasília”, do escritor brasileiro Oswaldo Orico.

Encerrada esta parte do programa, o presidente Juscelino Kubitschek convida o ministro das Finanças da França para verificar o andamento da construção em uma viagem de helicóptero.

Nessa ocasião, o senhor Antonie Pinay diz ao Presidente da República que esta era a primeira vez em que tomava assento em um helicóptero.

Depois de percorrer a parte da Praça dos Três Poderes, a Cidade Bandeirante, os grandes conjuntos residenciais e os prédios públicos, o presidente Juscelino Kubitschek ruma para o aeroporto com o seu ilustre convidado. Acompanha o presidente na viagem de helicóptero, o Embaixador da França e o Sr. Israel Pinheiro. Às 15:30h, no avião presidencial, o ministro deixa Brasília com destino ao Rio de Janeiro.

Ferreira de Castro – Toma parte no almoço oferecido pelo presidente Juscelino Kubitschek ao Ministro Antoine Pinay, o escritor português Ferreira de Castro que, a propósito de Brasília, assim fala aos jornalistas:

“Um dos momentos mais originais e romanescos da minha vida foi ver hoje nascer Brasília dentre as nuvens da cabine do avião que nos conduzia. Era um espetáculo surpreendente em que o sonho se fundia em realidade. Considero Brasília, depois de vê-la, um prodígio do gênio brasileiro e estou convencido de que do ponto de vista estético ela virá a exercer grande influência em muitos outros países.

Considero que o presidente Juscelino Kubitschek está realizando obra que não só honra o Brasil, mas a humanidade inteira, pois ela nos prova as possibilidades deste imenso e generoso país. O Palácio da Alvorada, que agora tenho a honra de visitar e percorrer, é uma obra-prima da arte moderna brasileira já tão conhecido no mundo como um templo célebre da era medieval. Em sua frente, encontrei uma sobriedade de linhas que se casa com a sua singeleza interna, com um bom gosto sem precedentes.”

Antes de embarcar para o Rio o romancista luso faz questão de abraçar o presidente Juscelino Kubitschek e agradecer-lhe as homenagens que recebeu do Chefe do Governo do Brasil. Ao apertar a mão do presidente, diz Ferreira de Castro:

“Volto encantado com o presidente, o homem e a obra.”

14
Universidade Mackenzie – O presidente Juscelino Kubitschek, antes de comparecer, em São Paulo, ao banquete oferecido pela classe médica, atendendo ao convite dos professores e alunos da Faculdade de Urbanismo da Universidade Mackenzie, visita esse estabelecimento de ensino superior, onde é recepcionado com entusiasmo. Ao saudar o Presidente da República, o presidente do diretório acadêmico da Faculdade de Urbanismo dá ciência ao Chefe do Governo de que os formandos de 1959 naquele ramo de arquitetura colariam grau em Brasília, numa demonstração de apoio à soberba realização que já é a nova Capital do país. O presidente Juscelino Kubitschek agradece a homenagem e declara que se sentia feliz com a manifestação de aplauso dada pelos futuros urbanistas a uma das maiores iniciativas a que se vinha consagrando sua administração.

15
"Brasilien baut Brasília" - No Palácio das Laranjeiras, o presidente Juscelino Kubitschek recebe o álbum "Brasilien baut Brasília" – "Brasil constrói Brasília", que reproduz aspectos da Exposição Internacional de Arquitetura (Interbau) realizada em Berlim, em 1957, na qual foram apresentados pela primeira vez ao público europeu os planos urbanísticos e arquitetônicos da Nova Capital Brasileira.

Faz a entrega ao Chefe do Governo a escultora Mary Vieira, brasileira que vive e trabalha em Zurique e que se encontra há uma semana no Rio. Foi ela quem, juntamente com o seu marido, professor Carlo Belloli di Seriate, organizou e paginou o volume, editado por uma companhia industrial suiça. A concepção plástica do volume chama a atenção para a integração dos componentes estéticos num todo – ideal de Brasília – e propõe essa mesma integração entre os elementos do livro, através da imagem fotográfica e do equilíbrio da composição gráfica, material e cor.

Nas 110 páginas do volume, impresso em papel acetinado, com capa em aluminio, as imagens do pavilhão brasileiro na Interbau de Berlim contam como se tentou demonstrar, através de uma arquitetura racional e expositiva, o plano de Lúcio Costa e a obra de Oscar Niemeyer. Da leitura dos textos e comentários essencialmente históricos verifica-se também a repercussão que teve sobre o público a apresentação das construções erguidas na Nova Capital. Dos 10 volumes impressos, um foi ofertado ao presidente da República, dois a Lucio Costa e um ao Museu de Brasília.

16
Grupo de Trabalho – Volta a reunir-se o Grupo de Trabalho de Brasília, tratando inicialmente de preparativos para proporcionar a ida a Brasília de servidores a serem transferidos. À reunião estarão presentes todos os representantes dos Ministérios e das Forças Armadas, tendo sido lidos ofícios encaminhados aos Institutos e Caixas e à administração da Novacap, referentes às datas em que deverão ser entregues os apartamentos destinados aos servidores.

Trata-se também de assuntos relativos à apresentação da relação dos funcionários a serem transferidos, bem como à substituição dos que estiverem impossibilitados para a mudança.

22
Livro de Moisés Gicovate – Lança-se no Rio de Janeiro o livro "Brasília – Uma realização em marcha", do escritor Moisés Gicovate. A obra, que traz ilustrações de Storni, abrange uma introdução, um estudo sobre o nascimento das capitais, retrospecto histórico, geopolítica da localização das cidades e informes diversos e completos sobre Brasília. Merece menção especial o capítulo "Em busca do Tempo Perdido", no qual demonstra o autor que Brasília, colocada no centro da convergência do País, significa a recuperação do tempo perdido e determinará a dinamização do progresso nacional, corrigindo os pontos de estrangulamento de nossa economia e permitindo encontrar solução para os problemas brasileiros, dentro das nossas realidades em três dimensões: tempo, espaço e profundidade.

Rede Mineira de Viação – A imprensa anuncia que a Rede Mineira de Viação está recebendo 33 mil toneladas de trilhos novos, importados do Japão, destinados à remodelação de 443 kms de linha, visando ao transporte regular de cargas para Brasília.

Esses trilhos estão sendo colocados no trecho Garças de Minas-Belo Horizonte (221 kms) e entre os km 603 e 825 (22 km) da linha Tronco, permitindo a tração diesel-elétrica na linha de Angra dos Reis a Goiandira e na linha de Garças à capital mineira, em toda a sua extensão.

Para completar esse equipamento, a RMV está recebendo mais 20 mil toneladas de trilhos novos cedidos pela Novacap, suficientes para a substituição de cerca de 270 km de linha e que serão colocados a partir do Km 825, em direção a Goiandira, no acesso a Brasília.

Além de facilitar o escoamento das safras produzidas no Triângulo Mineiro para atendimento do consumo da futura capital, esse programa se integra aos estudos formulados pelo Grupo de Trabalho do DASP, em cooperação com a Rede Ferroviária Federal, que incluem a RMV nas áreas por onde se efetuará regularmente o transporte de cargas para Brasília.

27
Governador de Córdoba – Visitando Brasília, a convite do presidente Juscelino Kubitschek, o senhor Arturo Zanichelli, governador do Estado argentino de Córdoba, assim se manifesta sobre a futura Capital:

"Faço questão de, inicialmente, ressaltar que falarei de Brasília como um homem do interior argentino. Em minha pátria, também lutamos há um século pela interiorização da nossa capital. De tudo que vi em Brasília volto mais convencido da necessidade de medidas como esta em países de extensões muito grandes como o Brasil e a Argentina. Considero Brasília a obra mais importante dos últimos tempos na América do Sul, fruto da inteligência e da audácia do homem brasileiro. A mim, particularmente, parece que a nova capital virá solucionar o problema de áreas ainda por ocupar, como o Oeste brasileiro. Tenho a impressão de que Brasília se caracteriza como um grande centro de turismo, o maior desta parte do continente. Neste particular, sou dos que pensam que o turismo deverá pagar, em grande parte, as despesas com a sua feitura. Quando desembarquei aqui já sabia que não iria encontrar o Brasil como um grande pássaro dormindo, cujas asas se voltavam para o Atlântico. Encontrei um gigante desperto, cuja cabeça é São Paulo, tendo por coração Brasília e por alma o Rio de Janeiro. Tive dois contactos com o Presidente Juscelino Kubitschek e guardo a melhor impressão de sua rapidez e agilidade, própria dos políticos de nossa época. Somente um homem desse teor seria capaz de realizar uma obra arrojada como Brasília."

Fonte: Diário de Brasília, 1959. Serviço de Documentação da Presidência da República.

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MARCO ZERO

Escrito por Brasília Poética em . Postado em Poemas para Brasília Sem Comentários

MARCO ZERO

Quando não havia torre, lago ou rodoviária
Que o Eixão era somente uma forma imaginária
A ciriema cantava solene compenetrada
Vacas e bois ruminavam no meio da Esplanada
Partiu-se de um ponto
Traçaram-se as retas
Cruzaram-se os eixos
Riscaram-se os mapas
Somaram-se os números
Mediram-se os ângulos
Ligaram-se as máquinas
Rasgaram-se as ruas
Quando não havia ainda
Samambaia e Setor P
Quando lobos farejavam
Nos campus da UnB
E tatus faziam túneis
Muito antes do metrô
Tropeiros e comitivas
Arranchavam livremente
Onde se fez o Palácio
Onde se fez… a Rodô
Partiu-se de um ponto
Traçaram-se as retas
Cruzaram-se os eixos
Riscaram-se os mapas
Somaram-se os números
Mediram-se os ângulos
Ligaram-se as máquinas
Rasgaram-se as ruas
Quando só havia mesmo
Este céu por testemunha
Quando tudo que se via
Era o vasto chapadão
Seguidores de estrelas
Caçavam pedras e índios
Muito antes de Ana Lídia
Ou da forma… do avião
Partiu-se de um ponto
Traçaram-se as retas
Cruzaram-se os eixos
Riscaram-se os mapas
Somaram-se os números
Mediram-se os ângulos
Ligaram-se as máquinas
Rasgaram-se as ruas

Paulo Tovar e Haroldinho Mattos, poema que venceu o Festival da CUT

PAULO TROVAR, POETA QUE PULSOU COM BRASÍLIA

 

"Até logo! Até logo! Companheiro
Despeço-me sombrio e te asseguro
O nosso afastamento passageiro
É sinal de um encontro no futuro"

É sempre assim: quando um poeta descansa, toma seu rumo e pede passagem; é mais um verso que se faz lágrima na plumagem. Quando um poeta escorrega para a lembrança, é como a fumaça ou quem sabe, uma rima pobre na busca do rico milagre.

Com Paulo Tovar não será diferente. Ele também contribuiu para o Livro Universal da Poesia. Poeta andarilho, quase um Bashôzinho buscando seus caminhos nos campos de arroz pelo cerrado do Planalto Central, ele foi uma figura presente e marcante da nossa geração em Brasília. Juntou-se a nós (Nicolas Behr, Renato Matos, Haroldinho Matos, Neio Lúcio, Wagner Hermuche, Noélia. Paulo Djorge – vou parar nessa simbólica meia dúzia de três ou quatro) nessa caminhada que começou ali no início dos anos 80, no gramado da 310 Sul, nos Concertos Cabeças, e terminou agora depois de quase três anos de uma incansável luta contra um câncer no cérebro.

Tovar não passou em vão por esta trilha estreita, seca e breve que é nossa existência. Deixou seu carimbo. Fez poesias, músicas, parceiros, deixou filhos, amores, venceu festivais, criou polêmicas, plantou árvores. Tive a notícias da sua partida no início da noite de ontem. Ele havia sido levado para o hospital já totalmente inconsciente, com falência múltiplas dos órgãos. Era a viagem sem volta. O poeta iria descansar. Hoje, recebi muitos i-meios e certamente a internet será o canal ideal da sua despedida de tantas lembranças guerreiras.

Entre as mensagens, escolhi a de Paulo Timm, ex-secretário de Meio Ambiente do governo Roriz, economista, professor da UnB, também poeta como nosostros, ele escreveu:

"Não há como falar do Tovar sem falar em música. E não há como falar de sua morte sem emoção. E me ocorre uma bela e comovente canção – acho que do Chico Buarque ou cantada por ele, o Tovar sempre me criticava por entender pouco de música- , que diz: "Em Mangueira quando morre um poeta, todos choram". Pois hoje Brasília está transformada numa imensa Mangueira, toda verde e rosa chorando a passagem de um de seus maiores poetas: Paulo Tovar

Timm foi companheiro de Tovar em Olhos D´Água, assim como Áurea Lúcia, Renato Matos, Bic Prado e tantos outros. Conviveram com o poetinha no interior do Goiás, cuidando da terra e das águas.

Timm escreve: "Vai com a tua Juriti encantar novos caminhos. Fica apenas meu testemunho da tua condição humana, da tua alma frágil que jamais se deixou seduzir

pelo desencanto de um mundo, que de tão cruel te marcou tanto, com tantas cicatrizes."

Façamos nossas, as sua palavras, professor. Paulo Tovar venceu o 1º Festival de Música da CUT Nacional. Inventou o poema-óculos; o "H2OlhoS", uma criação genial que ele vendia de bar em bar. Tinha sempre um projeto debaixo do braço e uma idealização na cuca, um jeito dengoso de ser e uma angústia no viver.

Homenagem ao poeta Paulo Tovar, transcrita do Blog do Turiba.
http://blogdoturiba.blogspot.com

 

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SANTA LUZIA DAS MARMELADAS

Escrito por Brasília Poética em . Postado em Poemas para Brasília Sem Comentários

SANTA LUZIA DAS MARMELADAS
 
Povos antigos de vozes sonantes
e graves
como não mais se usam.
 
Velhas casas frias sem luzes
com brechas nos portais
e janelas oclusas como suas almas
de penumbras. Velhas.
 
Latrinas nos quintais,
Esquecimentos, vilarejos íntimos.
A porta dos fundos ainda se abria
para os sertões oitocentistas.
da imperial cidade de Santa Luzia
da província anônima de Goiás.
 
Paulo Bertran, poeta goiano, natural de Anápolis.
Transcrito do livro “Sertão do Campo Aberto”, Verano Editora/2007
Postado por Paulo Timm

 

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Convite

Escrito por Brasília Poética em . Postado em Blog do Velho Ranja Sem Comentários

A comédia musical Últimos apresenta a história de um movimento de homens e mulheres sem-teto. Foi escrita em versos e contém dez canções, que constam do CD encartado no livro.

A marcha dos Últimos atravessa as ruas, passa por uma disputa interna para definir um líder (quando se promove um "campeonato de sofrimento") e se defronta, enfim, com o prefeito Fernando Fernando, representante da ordem. 

Há uma trama subsidiária, envolvendo a rivalidade de dois homens em torno do amor de uma mulher.

As músicas passeiam por gêneros diversos. Os cantores Celia Rabelo, Eduardo Rangel e Wilzy Carioca (além do autor) e os instrumentistas Jaime Ernest Dias e Oswaldo Amorim, entre outros artistas, participam do disco, que tem arranjos de José Cabrera.

O dramaturgo contou, no argumento, com a colaboração de André Amaro. O livro traz ilustrações de Sergio Kon, prefácio da ensaísta Ilka Marinho Zanotto e apresentação do escritor Luiz Ruffato.
 

Fernando Marques é professor universitário, jornalista, escritor e compositor. Autor dos livros Retratos de Mulher (poemas, Varanda) e Zé (teatro, Perspectiva) e de canções como "A Profissão de Cátia". Tem trabalhos publicados nos jornais Correio Braziliense, O Globo, Folha de S. Paulo, O Estado de S. Paulo, Jornal da Tarde e Rascunho e em revistas como Cult e Folhetim. Doutor em Literatura Brasileira pela Universidade de Brasília com tese sobre teatro musical. . Parte de sua produção acha-se em www.fernandomarques.art.br

O coquetel de lançamento de Últimos acontece no dia 20 de junho, sexta-feira da semana que vem, aqui em Brasília; e dia 27 de junho em São Paulo.

Para outras informações: http://arthurtadeucurado.blogspot.com

Grande abraço!

 

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CANTO EM LOUVOR DA POESIA

Escrito por Brasília Poética em . Postado em Converse com os Poetas Sem Comentários

CANTO EM LOUVOR DA POESIA

Quero a poesia em essência
abrindo as asas incólumes.
Boêmia perdida ou tísica,
quero a poesia liberta,
viva ou morta, amo a poesia.
 
Poesia lançada ao vento
quero em todos os sentidos.
Despida de forma e cor,
Repudiada, incompreendida,
quero a poesia sem nome,
feita de dramas humanos.
 
Quero ouvir na sua vor
o canto dos oprimidos:
usinas estradas campos,
quero a palavra do povo
transfigurada num poema.
 
Que o meu canto sobrenade
ondas revoltas do mar
e alcance todos os portos
e beije todas as praias.
Quero a poesia sem pátria,
banida pobre extenuada,
a poesia dos proscritos,
negra ou branca, amo a poesia.
 
Quero a palavra fluente,
viva e inquieta como o sangue.
Pura ou impura eu reclamo
a poesia do momento,
filtrada exata constante.
 
Domingos Carvalho da Silva, poeta natural de São Paulo.
"Rosa Extinta",  Clube de Poesia de São Paulo

 

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