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Geometria

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Geometria
                         A Rubem Valetim

A vida
se complica
em cada passo

podemos
dizer
assim:

agimos
com compasso
abrindo horizontes

em círculos
A geometria
da vida

não caminha
em linha reta
a não ser

que queira
apenas ligar:
berço e sepultura.

Heitor Humberto de Andrade, poeta baiano.
Poema transcrito do livro “Nas grades do tempo”
André Quicé Editor

A casa faz silencio outra vez

Nada de abraços que demoram
entre partidas
ternuras trêmulas
e despedidas que nunca terminam

A casa faz silêncio

Sei pelo arrumado da cama
no lado em que já ninguém deita

Sei pelo café
passado às pressas
açucarado mal humorado e frio
no esquecimento
da xícara sobre a mesa

toda a vida
toda a vida
alisando o descascadinho da louça

a casa
essa manhã
todo silêncio.

Elzita Lima, poetisa goiana
Post Blog da El

 

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Dúvidas

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Dúvidas
Pelos caminhos perdidos
A água está dolorida
– Não se sabe se o seu gosto
É o de sangue ou da vida (?)
– Passo pelas curvas do tempo,
Onde o sol entra
Nas palavras úmidas de dúvidas
– Como ser poeta
Ou semeador de utopias
Se as dúvidas disso desconfiam?
– Como dar voz às palavras
Se as dúvidas logo gritam
– Cuidado!
– Não insista!
Seu discurso pode ser fascista
Como viver sem as dúvidas
E despreocupados
Numa ilha chamada Brasília,
Cercadas de pontes-piratas por todos os lados???
Ser Candango antigo
Não se sabe se é prêmio ou castigo?
– Como saber
Se é um direito ou um delito,
Alimentar dúvidas
Sobre tudo neste mundo???
De que adianta
Exigirem de mim a verdade,
– “somente a verdade!!!”
Se perante a justiça cega
Dúvidas são certezas da impunidade
Se durmo com minhas dúvidas
Fico sem saber se durmo
Em condomínio ou condemônio?
– Seja o dia de sol ou de chuva,
A única certeza que tenho é a das dúvidas.

Ézio Pires, poeta natural de Cantagalo (RJ)
Poema transcrito do livro “Deste Planalto Central – Poetas de Brasília”, antologia organizada por Salomão Sousa.

 

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Brasília

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Brasília

passo eixos
cruzo esplanadas
sou planalto
e sempre reto
desfaço
 
passo eixos
cruzo esplanadas
sou asfalto
e sempre cego
amasso
 
passo eixos
cruzo esplanadas
sou elipse
e sempre seta
esfumaço
 
passo eixos
e sempre
cruzo esplanadas
 
Post Gustavo Footloose, poeta brasiliense.

 

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