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BRASÍLIA, 1960

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BRASÍLIA, 1960
A Oscar Niemeyer

 
Os cones de pó vermelho
soprados na face nova.
Nos cones, sacis antigos
girando no pensamento.
Ah! cones de pó vermelho,
os guris não trazem sustos
às tuas carnes de vento?
 
Da torre o verde engatinha
na tarde que asfixia:
os cones de pó vermelho
bebem patas de cavalos
pastando desabalados
os agres cachos do tempo:
os cones e seus cavalos
pisando nas mãos do vento.
 
Os giros vêm do invisível
trazendo mensagem lívida.
 
Os cones de pó vermelho
tangendo as cores do dia,
sopram os mais raros mistérios
sobre os olhos e cabelos
Há fluidas mitologias
hauridas desse momento.
 
Cavalos desesperados
sobre pasmos e desvelos
pastam passos e lamentos,
ruminam campos do outrora
pisando nas mãos do vento
 
Joanyr de Oliveira, poeta mineiro, natural de Aimorés.
Transcrito do livro “Tempo de Ceifar”, 2002.

 

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À Brasília de Oscar Niemeyer

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À Brasília de Oscar Niemeyer
 
Eis casas-grandes de engenho,
horizontais, escancaradas,
onde se existe em extensão
e a alma todoaberta se espraia.
 
Não se sabe é se o arquiteto
as quis símbolos ou ginástica:
símbolos do que chamou Vinícius
"imensos limites da pátria"
 
ou ginástica, pra ensinar
quem for viver naquelas salas
um deixar-se, um deixar viver
de alma arejada, não fanática.
 
João Cabral de Melo Neto, poeta pernambucano, nasceu em Recife.
"Poemas para Brasília", de Joanyr de Oliveira.

 

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O espírito de Brasília

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Trabalhávamos em pleno sertão deserto, a mil quilômetros dos principais centros do país. O isolamento em que de repente nos vimos, com gigantesca tarefa a ser enfrentada partindo da estaca zero, terá também contribuído para a solidariedade dos homens a quem a Providência reservara a felicidade do trabalho com alegria – o da criação. Havíamos deixado longe as preocupações do cotidiano, substituídas por missão excepcional que não admitia a idéia de malogro.

Essas condições favoreciam a integração, a confiança recíproca, o respeito e a amizade. No ponto em que nos encontrávamos nada, vindo de fora, nos perturbava. Tudo convidava ao trabalho construtivo, à identificação com a tarefa, afastando ou atenuando conflitos e problemas de ordem pessoal.

A natureza da missão atraía principalmente os idealistas. Os engenheiros que se apresentaram foram sempre jovens, que aliavam à capacidade técnica o anseio de participar de um empreendimento grandioso. Vinham cheios de esperança e confiança. Sua presença estimulante terá vigorado a experiência e a fé dos mais velhos.

O entusiasmo e a compreensão de todos tornaram possível, por outro lado, organizar-se o serviço dentro do sistema adotado, que evidentemente convinha ao nosso temperamento, mas também convinha à obra.

Já ouvi dizer que Brasília foi construída sob o regime de "ditadura". Oscar Niemeyer, de quem me fiz grande amigo, em referência cordial ao meu método de trabalho, não deixou de aludir ao que lhe parecia nossa "maneira rústica de senhor de engenho."

Seria efetivamente "ditadura" o que se implantou como regime de trabalho nas obras da nova capital? Talvez. Mas não uma ditadura pessoal, não o arbítrio de um homem. Era a ditadura de cada um no seu setor, o regime da confiança mútua e da responsabilidade individual e coletiva. Não tínhamos tempo a perder com formalismos. Tínhamos o que fazer – e o fizemos. Os resultados servem de julgamento ao método de trabalho. Tudo se passou como numa batalha. A equipe se organizou sob uma hierarquia natural de combate, numa disciplina de guerra. Daí a falsa impressão de autoritarismo do comando. Na realidade o que havia era esse sentimento disciplinar imposto pelas circunstâncias e possibilitado pela confiança, a fé e o entusiasmo de cada um de nós, mobilizados para realizar a mais importante empresa de construção urbanística do século XX.

Entre os soldados de Brasília, os que trabalhavam e só trabalhavam, engenheiros, auxiliares da administração, operários e os próprios empreiteiros, uma única preocupação existia: a de vencer a luta, a de dar conta do recado, a de cumprir a missão. Essa determinação, esse sentimento de responsabilidade, essa esperança e a certeza do êxito afastavam cogitações de qualquer outra natureza. Não havia ambições pessoais, não havia preocupação de dinheiro, não havia emulações subalternas. Cada um dos que viviam nos canteiros de obras, qualquer que fosse sua função ou encargo, como que tomara férias de suas próprias ambições.

Foi assim que surgiu o espírito de Brasília e foi com ele que se fez a nova e bela Capital. Em apenas três anos!

Reproduzido do livro "Brasília: memória da construção", de Tamanini.


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AOS DE 30, 40, 50

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AOS DE
30, 40, 50

 
Se você já tem 50 anos (tudo isso??), ou já passou dos 40, ou tem 30 e pouquinho e já se sente um velhinho ou uma velhinha cansada de guerra, vou contar, de novo e traveis, a história de três homens, grandes homens, que fizeram sua melhor obra depois dos 50. A história todo mundo conhece, o que talvez passe ao largo é a faixa etária dos três homens quando inventaram de inventar uma cidade.
O primeiro deles se chama Oscar Niemeyer. Tinha 50 anos quando trocou o Rio pelo cerrado bruto, o escritório com ar-condicionado por um barracão de madeira, o uísque 12 anos por qualquer coisa que estalasse na garganta, a vida cultural agitadíssima do Rio nos anos 50 pelas serestas solitárias e saudosas nas casas da W-3. E como ele fez o concreto voar, mas ele mesmo não voa, vinha de carro, mais de mil quilômetros de estradas inexistentes até chegar ao reinício do mundo.
O segundo, e não pela ordem de importância, se chamava Lucio Costa. Tinha 54 anos quando desenhou uma cidade em forma de borboleta, de avião, de vagalume ou de arco-e-flecha como couber na imaginação de cada um. Foi sua grande obra, seu ponto culminante. Lucio Costa, todos devem saber, não veio para Brasília, não porque não quisesse se aventurar na ranhadura das árvores do cerrado, mas por seu temperamento recluso.
Juscelino é o terceiro dos grandes homens da grande obra. Tinha também 54 anos quando decidiu construir Brasília e deixá-la inaugurada. Dava expediente durante o dia no Catete, pegava o Viscount à noite e singrava os céus do país até alcançar a ferida vermelha ao centro-sul de Goiás. Dormia um pouco no avião e ia visitar as obras. Dizem que durante o período áureo da construção, Juscelino dormia só esse tantinho, mais um outro tanto ainda menor, dentro do carro presidencial.
Para todos eles, Brasília era um grande risco. O presidente tinha de enfrentar a ferocidade da oposição e os obstáculos da obra em si mesma. Se fracassasse, era o fracasso de sua carreira política – e político é bicho fundamentalmente ambicioso e vaidoso.
Niemeyer já tinha feito a Pampulha, já era um grande cara na arquitetura moderna. Brasília era terreno virgem e o Estado totalmente disposto a construir todas as obras que ele projetasse – sonho dos sonhos dos arquitetos. Mas se a cidade se transformasse em ruína, como muitos esperavam?
Lucio Costa já tinha nome feito, seja pela arquitetura que havia construído, pelos ensaios de arquitetura que havia produzido, pela defesa do patrimônio histórico. Dos três, suspeito que ele fosse o que menos se importaria com o fracasso. E, dada a ousadia da empreitada, o fracasso era um fantasma onipresente.
Não confio nem um pouco em conselhos, boas intenções e auto-ajuda, mas o que esses três cinqüentões fizeram serve de empuxo para as horas de desalento.
 
Conceição Freitas
"Crônica da Cidade", Correio Braziliense – 26/02/2008

 

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Oscar Niemeyer e Fidel Castro em Brasília

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JK e Fidel Castro
Fidel Castro em Brasília – Foto: Arquivo Público do DF


A obra de Oscar Niemeyer possui uma grandiosidade milenar. Quem percorre atento o Eixo Monumental, ainda mais à noite, iluminado, tem noção da plenitude e da dimensão de sua realização como artista. Sua obra, de uma profunda pureza estética, inspirada na natureza, nas curvas barrocas de nossa lembrança colonial e na sensualidade das formas femininas e levada ao mais extremo despojamento, é de arrebatar. Ela não se resume, porém, à genialidade de um homem sensível; é, também, a representação do sonho de um povo em se tornar mais moderno, mais expressivo, mais criativo e realizador.
O refinamento de Oscar Niemeyer, assim como o de sua obra, faz lembrar a simplicidade, a modéstia. Mas não há simplicidade ou modéstia nem na obra nem na pessoa. A modéstia que pensamos ter Oscar Niemeyer nada mais é do que a sua imensa gentileza para com a humanidade, que vem naturalmente de seu espírito público e de sua sensibilidade social; e seus desenhos de arquitetura resultam dos mais complexos mecanismos de compreensão espacial, estrutural, histórico e poética.
Assim costumam ser muitas das grandes obras de arte; quando um obra de arte chega a transcender o próprio processo de criação, torna-se dotada de uma imagem de espontaneidade. A perfeição da obra surge a partir do momento em que todos os seus elementos se harmonizam e não se percebe mais nenhum traço do modus operandi, ela é naturalmente aquilo que vemos, ou lemos, ou escutamos. E surge quando a obra expressa a alma, o estilo do seu autor de forma inconfundível; ela não poderia ser de outra maneira. Assim são os edifícios, as esculturas, as praças, os palácios projetados por Oscar Niemeyer. Parecem o seu rosto, a sua voz, o seu sonho. Estão na paisagem como aves pousadas, como pedras polidas pelos séculos, estão ali como rios, ilhas ou montanhas. Passam a fazer parte da paisagem como elementos naturais. Às vezes, parecem nuvens, olhos, conchas, ocas indígenas; às vezes, um disco voador, ou um gesto de revolta.
Contemplar um museu ou uma universidade desenhada por Oscar Niemeyer é o mesmo que ler sua filosofia a respeito da vida e da arte. Assim como nos sentimos espiritualizados ao entrar em suas igrejas, assim como nos sentimos enobrecidos em sua companhia, tamanha a sua deferência, especialmente para com os mais humildes. Ele é capaz de gestos altruístas, gestos de apoio, generosidade, desprendimento. Em uma festa repleta de presidentes e empresários, ele procura um lugar discreto onde se acomodar, perto dos amigos. Agora, Oscar Niemeyer nos dá mais uma lição de vida, ao completar 100 anos de idade. Apaixonado, criativo, coerente, crítico, atento, sonhador…
Há alguns anos, estive em Havana, convidada pela Casa de las Américas, e numa recepção em palácio, apresentada a Fidel Castro, ele me pediu que falasse sobre Brasília, a cidade onde eu acabara de dizer que me criara. Falei sobre o pôr-do-sol mais bonito do mundo, sobre o planalto, a terra vermelha, o sentimento de espaço, a vegetação inusitada, os prédios que apareciam da noite para o dia, a beleza e a ousadia da arquitetura. E Fidel Castro declarou sua admiração por Oscar Niemeyer, disse que, talvez, nosso arquiteto seja o único brasileiro deste século que daqui a 3 mil anos será lembrado. Lembrei-me da história das belas ruínas.

Ana Miranda
Correio Braziliense, 23 de dezembro de 2007

 

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À Brasília de Oscar Niemeyer

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À Brasília de Oscar Niemeyer
 
Eis casas-grandes de engenho,
horizontais, escancaradas,
onde se existe em extensão
e a alma todoaberta se espraia.
 
Não se sabe é se o arquiteto
as quis símbolos ou ginástica:
símbolos do que chamou Vinícius
"imensos limites da pátria"
 
ou ginástica, pra ensinar
quem for viver naquelas salas
um deixar-se, um deixar viver
de alma arejada, não fanática.
 
João Cabral de Melo Neto, poeta pernambucano, nasceu em Recife.
"Poemas para Brasília", de Joanyr de Oliveira.

 

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Ode a Oscar Niemeyer

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Ode a Oscar Niemeyer
 
A Athos Bulcão
 
A arquitetura extraordinária
de Oscar Niemeyer
(e admito as críticas
que se lhe fizeram
ou venham a fazer)
é apenas um minúsculo visor,
olho mágico de apartamento,
que nos permite
– a nós, leigos –
contemplar
numa perspectiva reduzida
mas global,
o espírito verídico,
o caráter inteiriço,
desse homem de ferro e cimento armado,
mas que não repele
as sinuosidades verdes das ondas,
as delicadezas do rococó,
estética graciosa,
mal compreendida
(como ele, às vezes),
homem múltiplo,
gênio inconteste,
como os seus mestres renascentistas,
milionário singelo.
comunista por compromisso com o fraterno,
que sentimos pródigo,
neste tempo de indigência,
neste deserto de colossos,
em que os únicos mitos
são os da propaganda e os da droga,
como coluna
sustentáculo,
pai, irmão, amante,
em Brasília,
no Brasil,
entre os nossos patrícios
desamparados,
enganados e
explorados,
e aguardando
aquela promessa de Brasil
do pão certo,
da terra possuída,
da casa construída,
e até do cemitério igualitário dos ancestrais
em que (oh! doçura!)
nos converteremos
em terra da nossa terra!
 
Cassiano Nunes, poeta paulista, nasceu em Santos.
"Poemas para Brasília", de Joanyr de Oliveira.

 

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01 de novembro de 1956

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O presidente da Novacap, Israel Pinheiro, e Oscar Niemeyer estudam os locais para construção dos primeiros prédios: o Palácio Residencial (Alvorada) e o Hotel (Palace);
Nesta data, haviam 232 operários em toda a área onde Brasília seria construída. A construção do Catetinho está praticamente concluída. Um pequeno oásis no meio do cerradão. Um orgulho. Os engenheiros e operários comemoram com churrasco, costume que depois vai se incorporar aos hábitos dos brasilienses. O Catetinho, um palácio tosco em forma retangular, de tábuas, sustentado por grossos troncos de madeira de lei. Ainda não haviam tijolos nem pedras no local. Já dispunha de água corrente, luz elétrica, mobiliário rústico no térreo, cozinha e sala de jantar. No primeiro piso, sala, quartos, banheiros e ampla varanda.

 

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Do Plano da Cidade

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"Do Plano da Cidade
 
O tempo voa sem plano
                          Há que um plano realizar.
                
                 "O ideal de Tiradentes e
           as pregações de Hipólito em
          prol de uma cidade no interior
           central do Brasil , tiveram em
            José Bonifácio de Andrada e  
                    Silva o primeiro homem
          executivo a incorporar a idéia e
              lutar para dar-lhe a forma de         
                            decisão nacional."
 
O tempo voa sem plano.
                          Há que um plano realizar.
Até aqui tanto plano
                          abrindo asas no sonhar.
 
                              "Francisco Adolfo de
                Varnhagen aliou suas pujantes
                     condições de escritor às de
           geográfo e antropólogo clarividente
                              para se constituir, na
                História, o mais perseverante e
                  erudito defensor e planificador
                     do ideal de interiorização da
                      Capital brasileira, durante o
                                                 Império."
 
O tempo voa sem plano.
                          Há que um plano realizar.
Até aqui tanto plano
                         abrindo asa no sonhar.
Tanto sonho empassarado
                         lutando para aterrisar.
 
                                  "O arquiteto Oscar
                   Niemeyer foi escolhido para a
                       chefia do Departamento de
                Urbanística e Arquitetura, sendo
                   encarregado de abrir concurso
                      para escolha do plano-piloto:
                 assim, em março de 1957, uma
                  comissão julgadora constituida
                     por sir William Halford, Stano
                     Papadaki, André Silva, Oscar
                        Niemeyer, Luis Hildebrando
                  Horta Barbosa e Paulo Antunes
                      Ribeiro escolheu o projeto do
                               arquiteto Lúcio Costa."
 
O tempo voa sem plano.
                          Há que um plano realizar.
Até aqui tanto plano
                          abrindo asas no sonhar
Tanto sonho empassarado
                          lutando pra aterrisar.
 
Agora, plano pousado.
                          Capital. De alto pousar.
 
                              …" um pássaro, cujas
                         longas asas, ligeiramente
                          curvadas para baixo, são
                formadas por um eixo estrutural
                       (de 13km) que une as alas
                     residenciais norte e sul sem
                    qualquer interrupção e passa
                         sobre o eixo monumental
                          (perpendicular) em plano
               superior, com ampla perspectiva
                para a testa da cidade. Aí fica a
                        esplanada dos Ministérios
                    formada de imenso tapete de
                   grama e ladeada pelos blocos
                                      dos ministérios."
 
O tempo voa sem plano.
                         Há que um plano realizar.
Até aqui tanto plano
                         abrindo asas no sonhar.
Tanto plano empassarado
                         lutando pra aterrisar.
Agora, plano pousado.
                         Capital. De alto pousar.
Planando alto, planando alto,
                         no coração do Planalto
um pássaro singular."
 
Poetisa Stella Leonardos, nascida no Rio de Janeiro.
"Saga do Planalto", 2002.

 

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