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Brasília

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Brasília

Num pouso suave, a bela capital
aterrissou no Planalto Central
aqui, esquina não há
mas, se houvesse
talvez não coubesse
caras pintadas, diretas já, lulas lá.
Pássaro gigante
de asas abertas, a todos acolhe
em tua Esplanada
desfilam diferentes ideologias,
utopias, não importa
aqui, a todos é permitido sonhar.
Hoje jovem senhora
mais bela que outrora
Asa Norte, Asa Sul
compartilham teu céu azul
em teus blocos há vidas
entre calçadas muitas flores
e candangos que por ti morrem de amores.

Post Carmem de Melo, poetisa natural de Três Rios, RJ.

 

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Poemas de Toque

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Poemas de Toque
 
II
 
scls
duzentos e tal
         : o sol
                  pendurado num varal
amanhece
 
III
 
imensa solidão
    : o lago paranoou-se
                  em meu coração
 
IV
 
dourada a luz
                  verão das seis
: calda esparramada
                             pela W-3
 
V
 
agosto ensandece
: vago pela sqs
                     ensoldecido
 
VI
 
cento e seis sul
      às seis
: à beira do eixo
 meu coração
                    talvez
 
Nelson de Carvalho, poeta natural de Piquete, São Paulo.
Poema transcrito “Deste Planalto Central – Poetas de Brasília”, de Salomão Sousa.

 

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ESPAÇO LÍRICO

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ESPAÇO LÍRICO

Não amo o espaço que o meu corpo ocupa
Num jardim público, num estribo de bonde.
Mas o espaço que mora em mim, luz interior.
Um espaço que é meu como uma flor
 
Que me nasceu por dentro, entre paredes.
Nutrido à custa de secretas sedes.
Que é a forma? Não o simples adorno.
Não o corpo habitando o espaço, mas o espaço
 
Dentro do meu perfil, do meu contorno.
Que haja em mim um  chão vivo em cada passo
(mesmo nas horas mais obscuras) para
 
Que eu possa amar a todas as criaturas.
Morte: retorno ao incriado. Espaço:
Virgindade do tempo em campo verde.
 
Cassiano Ricardo, poeta natural de São José dos Campos, SP.
"Antologia dos Poetas Brasileiros", de Manuel Bandeira.

 

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TOADA DE MORADOR DE BRASÍLIA

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TOADA DE MORADOR DE BRASÍLIA

 
(continuação)
 
Eles vieram como ao sopro
de um vento de febre e cansaço.
 
Suas lembranças escorriam
na água dos rios da Amazônia
 
Seus olhos gemiam imagens
de caatingas fomes e secas
 
Em seu ouvido ressoavam
seduções das praias do Leste
 
Pés que já cruzaram os Pampas
Mãos que garimparam no Oeste
 
Ânsias bandeirantes curtidas
em desvairada paulicéia
 
Almas que no Sul pouco a pouco
foram despindo-se de europas
 
Vultos alterosos de Minas
Cargas de esperanças goiases
 
Eles vieram como a um gesto
da cruz deitada num abraço
 
Vieram e ali se encontraram
num sonho de pedra e argamassa
 
Juntaram-se enquanto juntavam
os tijolos sobre os tijolos
 
E eis que do mutirão ergueram-se
paredes num passe de mágica
 
Da cartola da geometria
saltou um éden rodoviário
 
Os pneus vão rodando macios
sobre esta cruz sem cruzamentos
 
Vamos por este asfalto à prova
de imagens de morte e tragédia
 
De trás do raiban contemplamos
o éden de enleios burocráticos
 
Os ministérios em fileiras
a assistirem nossos desfiles
 
E é impossível trocar beijos
pela Praça dos Três Poderes
 
Impossível falar da vida
quando ela não nutre um processo
 
Aí meu amor se alçou ao nível
de altas funções gratificadas
 
Minhas Musas Protocolares
soltas ao vento do Planalto
 
como encontrar-vos num desvio
nesta cidade feita a régua?
 
Como manter meu andar torto
em ruas não-ruas tão certas?
 
Como entre combogós dar forma
aos castelos que armo na areia?
 
Como ir em rumos matemáticos
se à contramão seguem meus sonhos?
 
Como entre paredes de vidro
ter ninho de amor exclusivo?
 
Como dobrar-vos ó princesas
do Império das Linhas Exatas?
 
Afonso Felix de Souza, poeta goiano, natural de Jaraguá.
"Brasília na Poesia Brasileira", de Joanyr de Oliveira.

 

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