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José Hélder de Souza

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José Hélder de Souza medita: “Esta cidade nova/inventada no cerrado/branco quando envelhecer…estarei morto” (“Brasílico”). Antecipa a nostalgia, a saudade de quem a acompanhou por tantos anos e, um dia, há de experimentar a separação inevitável, decretada pela morte. A “casa sem história” se diluirá mais tarde, mas o vento sudoeste se perpetuará em blandícias, ao brotar nova aurora sobre superquadra cristalina, aquáticas noites…O legado maior do poeta será o descendente, filho legítimo desta terra cujos caminhos pisamos, os demais, os já maduros, na condição de meros adventícios…”Palipalanto” “é uma planta”, explica o poeta, a socorrer o leitor que busca (sem resposta) a informação nos dicionários e enciclopédias. Ele a descreve em minúcias, ensina-nos que ela é o vegetal mais parecido “com uma estrela”, “uma estrela branca”, e é “cheia de raios”. O palipalanto é “luz nas planuras de Goiás”, nas “lonjuras goianas onde brotou Brasília”. Informa o poeta, a lamentar sua existência ameaçada: “(…) está sumindo, cortada, pisada pelos bois,/o boi-latifúndio, boi do frigorifico,/triste boi industrial”. O epílogo são lamúrias: “Palipalanto,/palipalanto não há mais,/não há mais estrelas/nos campos de Goiás”.

Texto transcrito de “Esses poetas, esses poemas”, antologia “Poemas para Brasília”, de Joanyr de Oliveira

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Brasília bêbada

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Brasília bêbada
Por Conceição Freitas
 
Depois que a utopia se acomodou na realidade, passado o dia 21 de abril, o que terá acontecido? Quando os desfiles acabaram, o cheiro de pólvora dos fogos se diluiu no ar, os aviões fizeram fila para decolar levando uma gente engravatada e empoada de vermelho, como será que começou a rotina da nova capital?

Foi um deus-nos-acuda, pelo que dá para apreender das matérias, notinhas, desabafos e comentários publicados no Correio dos dias seguintes à inauguração. Senadores e jornalistas reclamaram das acomodações no Congresso e, por conseqüência, da arquitetura de Niemeyer. A área destinada à imprensa era precária. O plenário do Senado ecoava longamente o discurso dos parlamentares. Um jornalista ironizou: “Está resolvido o problema do quorum no Senado. O senador vota uma vez sim ou não e o secretário conta sete”. Naquele tempo, o voto não era eletrônico, não custa lembrar.

Deputados disputavam unha a unha apartamento e mobília. Houve um, bastante robusto, que ficou preso do lado de dentro de sua nova moradia e teve de se espremer entre os brise-soleirs da fachada do bloco para alcançar o apartamento vizinho e conseguir se liberar da inesperada prisão modernista.

Nos dias imediatamente após a inauguração, a cidade nova em folha era um tapete de lixo da festança. Descobriu-se então que havia apenas 20 garis para cuidar da limpeza de Brasília. Na falta de estabelecimentos comerciais, os camelôs invadiram a maquete de concreto armado.Muitos deles eram vendedores de quentinhas (as marmitas daquele tempo), aquecidas em trempes sustentadas em tijolos sobre o chão de poeira.

Nos poucos restaurantes da W3 Sul uma refeição completa custava 130 cruzeiros (o que já revela o período inflacionário que o país começava a percorrer). Por esse valor, o freguês tinha direito a macarronada, pão, uma cerveja, uma porção de goiabada e um cafezinho.

Era incipiente o abastecimento de água e luz nos primeiros dias da nova capital. Telefones, pouquíssimos. Serviço postal pífio. Quem quisesse mandar um telegrama tinha de declará-lo diante de todos para o telegrafista. Privacidade zero.

Toda Brasília estava “embriagada” pelas pistas extensas e largas e muito bem pavimentadas, como relatava matéria publicada no Correio de 22 de abril de 1960. “A falta de flechas indicadoras e a desconcertante topografia fazem com que os veículos percorram longos caminhos para objetivos bem próximos.” Quem se arrisca “à aventura dos trevos poderá encaminhar-se para Belo Horizonte ou São Paulo sem dar pelo engano”. O belo texto de um cronista anônimo termina assim: “Esta cidade, tumultuária e excessivamente lógica no seu traçado urbanístico, parece tonta na véspera de ser o centro político do país”.

Texto transcrito da “Crônica da Cidade”, edição do Correio Braziliense de 6/7/2010.

 

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Vocação histórica de Brasília

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Vocação histórica de Brasília
Por J. Guilherme de Aragão

 
Já em 1948, escrevêramos a propósito da interiorização da capital federal, ao comentar o primeiro relatório da “Comissão de Estudos para a Localização da Nova Capital do Brasil”, então sob a presidência do general Djalma Poli Coelho: “Pela sua magnitude e complexidade, a transferência da capital da República para o centro do país entra na categoria dos problemas nacionais de discussão intermitente, mas de solução cronicamente irrealizada.”

E vinha o exemplo das tentativas e sugestões históricas da mudança; a dos Inconfidentes, em 1789; a de Hipólito José da Costa, no “Correio Brasiliense”; a de José Bonifácio, na “Memória” à Assembléia-Geral Constituinte, em 1823; a de Varnhagen, perante o ministro da Agricultura, Tomaz Coelho, em 1887; a do deputado Virgilio Damásio, representante do Bahia perante o primeiro Congresso Constituinte da República, e conseqüente inscrição no art. 3º. da Constituição de 1891; finalmente, a palavra de ordem do art. 4º. do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias, da Constituição vigente, segundo o qual “a capital da União será transferida para o planalto central do país.”

E de toda essa sucessão mais do que sesquicentenária de bons propósitos em favor desse empreendimento invariavelmente considerado como necessário ao progresso do país, só havia, naquele ano de 1948, o roteiro de alguns estudos técnicos e um marco menos metafísico: a pedra fundamental de Planaltina.

Agora que a metrópole interior está sendo edificada, graças ao governo empreendedor e construtivo do presidente Kubitschek, chegamos felizmente a uma histórica fronteira em que mais de século e meio de sonho e aspiração se converte na realidade de Brasília. Coincidência curiosa: mineiros tinham sido os precursores da interiorização da metrópole, no século XVIII; na fronteira, entre o século XIX e o século XX, empreendeu o Estado de Minas Gerais a transferência de sua capital de Ouro Preto para Belo Horizonte; e na segunda metade deste século, é um estadista originário de Minas Gerais que está realizando a empresa histórica da transferência da capital da República para o planalto central.

Afigura-se, então, Brasília, a esta altura, como realização profética dos dois dos maiores sonhadores do progresso do Brasil interior – Hipólito José da Costa e José Bonifácio – ao mesmo tempo que se erige como instrumento novo de vitalização e transfiguração social e econômica do país. Para Hipólito José da Costa, por exemplo, a capital interior tornaria factível lançar “os fundamentos do mais extenso, ligado, bem defendido e poderoso império que é possível que exista na superfície do globo.”

E citava o exemplo de Washington, a pretexto de profligar os derrotistas: “Quanto às dificuldades da criação de uma nova capital, estamos convencidos de que todas elas não são mais do que mornos subterfúgios.” A facilidade com que nos Estados Unidos de América Setentrional se edificam novas cidades, o plano que os americanos executaram de fundar a sua nova capital, Washington, onde não havia uma só casa, mais no centro de seu território, é um argumento tirado da experiência dos nossos tempos, que nada pode contradizer.” Se estas palavras do redator do “Correio Brasiliense” são ainda hoje válidas tanto no seu aspecto construtivo em que pretende esmaltar a significação do empreendimento da capital interior como na parte dialética de combate a seus opositores, as de José Bonifácio ressoam como súmula doutrinária atualíssima.

Começa ele na sua “Memória” à Assembléia Constituinte e Legislativa do Brasil, em 1823: “Parece muito útil, até necessário, que se edifique uma nova capital do Império no interior do Brasil para assento da Corte, da Assembléia Legislativa e dos Tribunais Superiores, que a lei determinar.” E vem agora a denominação profética da nova metrópole: “Esta capital poderá chamar-se Petrópole ou Brasília.”

Quanto às razões da transferência, menciona-as sob vários aspectos. Assim aduz quanto à defesa nacional: “sendo ela (a capital) central e interior, fica o assento do Governo e da legislatura livre de qualquer assalto ou surpresa feitos por inimigos externos.” Expende argumentos de redistribuição demográfica no interior: “Chama-se para as Províncias do Sertão o excesso da povoação sem emprego das cidades marítimas e mercantis.” Prenuncia a nova capital como centro ideal irradiador de vias de comunicação tal como está sendo orientada agora na fase prática de realização: “Como esta cidade (Petrópole ou Brasília) deve ficar, quanto possível, eqüidistante dos limites do Império, tanto em latitude como em longitude, vai-se abrir deste modo por meio das estradas que devem sair deste centro como raios para as diversas Províncias e suas cidades interiores e marítimas, uma comunicação que de certo criará, em breve, giro de comércio interno da maior magnitude, visto a extensão do Império, seus diversos climas e produções.”

Há ainda razões de ordem política da época, como a rivalidade entre cidades litorâneas decorrentes do direito de sede da Corte, deferido ao Rio de Janeiro. Finalmente, sugere o Patriarca, os meios financeiros de edificação da nova capital, consignando efusiva confiança pela concretização da magna obra: “Em suma, nunca faltam meios quando um povo rico e generoso, como o brasileiro, toma a peito empresas de honra e utilidade nacional.”

Dir-se-á que todas essas afirmações ora surgem redivivas apenas com algumas modificações estilísticas ou simples substituição de termos como “Império” por “República”, “Província” por “Estado”. Impressionante é verificar, numa análise de substância, que a edificação de Brasília responde a velhos anseios dos construtores da pátria brasileira e, projetando-os à distância, na segunda metade do século XX, abre caminho para a edificação do grande Brasil, em nossos dias.

Neste ponto de refração da História, Brasília já está impelindo o país para um plano eminente de evidência externa como para uma posição, no âmbito interno, de centro de propulsão nacional, tal como a anteviu José Bonifácio. Quanto ao primeiro aspecto, é do conhecimento geral o interesse e a admiração que em todo mundo vem despertando a façanha da construção da nova capital. Quando, em setembro de 1957, estivemos nos Estados Unidos a convite do Departamento de Estado, choveram as indagações sobre tão apaixonante empreendimento. Bolsistas brasileiros que chegam da Europa trazem a nova de que Brasília é assunto corrente do homem de rua.

Arquitetos e artistas de países americanos e europeus incluem Brasília entre as novas maravilhas de nosso tempo.

E para completar, um congresso de arquitetura em Leningrado acaba de encerrar-se com um voto coletivo de visita à nova capital do Brasil, depois que os participantes exaltaram Brasília e a arquitetura brasileira.

Com tamanha evidência não apenas internacional, mas ainda mundial, Brasília está conquistando para o país surpreendente atração turística, justificável, aliás, por dois motivos. Em primeiro lugar, oferece espetáculo único em todo o mundo, pois não há noticia de país algum, na face da terra, a construir e transferir, neste momento, sua capital.

O empreendimento, já por si raro e singular, constitui convite fascinante à inteligência humana. Em segundo lugar, a arquitetura da nova capital submete qualquer espírito, avançado ou mesmo retrógado, a um impacto de espanto. É o perfil arrojado e imprevisto da cidade do futuro que surge vaporosa, funcional, como um desafio à arquitetura convencional, que nos persegue em toda grande cidade de construção tradicional.

É assim que, se pela projeção externa que já alcançou, Brasília é bem o símbolo do novo Brasil, dinâmico e empreendedor; do ponto de vista interno, afirma-se como centro de propulsão para outra obra não menos grandiosa, a de acelerar o progresso econômico e social do país.

É o que veremos proximamente.

(Transcrito de “O Jornal”, 21/8/1958)

 

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VEIO, VIU, VENCEU

Escrito por Brasília Poética em . Postado em Poemas para Brasília, Posts Sem Comentários

VEIO,
VIU,
VENCEU

Por Conceição Freitas
 
Taguatinga não estava no mapa, mas ela se impôs nas pranchetas dos urbanistas pela insistência dos brasileiros que queriam aproveitar, um cadinho que fosse, da utopia que estava sendo construída. Veio, viu e venceu. Mas, para vencer, construiu uma estratégia de deixar Juscelino sem saída. Aquela que todo taguatinguense conhece: para comover o presidente da República, os sem-terra daquele tempo ocuparam uma área próxima à Cidade Livre e deram a ela o nome de Sarah Kubitschek.

Naquele 1958, os nordestinos estavam enfrentando uma das piores secas da história. Sabedores de que Juscelino estava construindo uma nova capital, eles desceram em grandes levas para o Planalto Central, mas foram barrados na porta de entrada, onde hoje é o começo do Núcleo Bandeirante (de quem vem do Plano). Israel havia mandado fechar as entradas da cidade, assustado com a chegada ininterrupta de paus de arara superlotados de nordestinos. Era pouca Brasília para tantos brasileiros.

Às pressas, Lucio Costa esboçou uma cidade-satélite – a primeira -, mas os novos candangos não sabiam esperar, não podiam esperar o planejamento do urbanista e a vontade de Israel. Cerca de três mil brasileiros recém-chegados a Brasília, que se amontoavam em barracas de saco de cimento, pedaços de madeira velha, de folhas de zinco, fizeram uma manifestação histórica, na noite de 5 de junho de 1958, no restaurante onde Juscelino iria jantar, na Cidade Livre.

JK não foi e Israel mandou Ernesto Silva enfrentar a multidão. “Subi num caixote de madeira e falei com os manifestantes”, lembra doutor Ernesto. Eram homens e mulheres agitados, cansados da peleja, da viagem, da penúria, esperando por Juscelino. “Disse a eles que a Novacap já providenciara a criação de uma cidade-satélite a 25 quilômetros do Plano Piloto.” Marcou nova reunião para o dia seguinte, um domingo. Doutor Ernesto foi e levou a planta da nova cidade – era o trunfo que tinha para acalmar aquela gente com os nervos despedaçados.

Se Juscelino tinha pressa para construir a nova capital, os brasileiros tinham mais urgência ainda para ter um lugar para viver. Aqueles migrantes, a maioria nordestinos fugindo da seca, precisavam desesperadamente de Brasília, mas até àquele 5 de junho de 1958, Brasília não havia pensado que aqueles homens não podiam esperar pelas pranchetas.

Ao longo de 51 anos, Taguatinga repetiu incontáveis vezes o gesto de resistência. Na cidade nasceram movimentos culturais de resistência e contestação – o Teatro Rolla Pedra, o Teatro da Praça, o Mamulengo Presepada, o Detrito Federal, o Bar do Careca, lugares, bandas, trupes, projetos, sonhos de gerações de taguatiguenses para quem a utopia não era exclusivamente do Plano Piloto.

Na intensa e múltipla Avenida Comercial Norte, existe uma loja de R$ 1,99 chamada Shop Jota Ka. É Taguatinga inventando um novo Juscelino, mais popular, mais engraçado, bem menos solene que Brasília. É o jeito taguatinguense de ser brasiliense.

Reproduzida da “Crônica da Cidade”, Correio Braziliense, 5 de junho de 2009.

 

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Brasília – Março de 1958

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BRASÍLIA 1958
Março

 

Fala o presidente da Novacap


Foto: Arquivo Público do DF

Na Sociedade Mineira de Engenheiros, o Dr. Israel Pinheiro pronunciou uma conferência sobre a futura Capital Federal.

A palestra do presidente da Novacap atraiu grande massa de pessoas ao auditório da entidade, que ouviu com a maior atenção e interesse a explanação do ilustre conferencista. Inicialmente, o sr. Israel Pinheiro ocupou-se em explicar o projeto do professor Lucio Costa, vencedor da concorrência para a escolha do Plano Piloto de Brasília. Em seguida, o orador abordou plano rodoviário para a nova Capital, parte do qual está sendo atacado.

Revelou o sr. Israel Pinheiro também o lado humano de Brasília, referindo-se especialmente, ao entusiasmo, à fé inabalável dos trabalhadores e moradores da nova Capital no seu êxito. Entre outras coisas, pôs em relevo a grande funcionalidade de Brasília, cujos menores detalhes foram meticulosamente estudados pelo professor Lucio Costa e pelo arquiteto Oscar Niemeyer.

Chamou bastante atenção dos presentes a grande missão do lago artificial de Brasília e que deverá ser de grande beleza panorâmica.

Aspectos como o acesso à nova Capital e o seu abastecimento foram amplamente focalizados também pelo conferencista. A fidelidade com que o orador soube narrar o que existe em Brasília e a forma como a cidade funcionará depois de concluída entusiasmou bastante os assistentes. Tanto que, após a conferência, numerosas pessoas mostravam-se dispostas a adquirir lotes na nova Capital para ali edificarem residências.

 

Três motivos

O escritor Plínio Salgado, em artigo publicado em “A Marcha”, estuda pormenorizadamente os três motivos em favor de Brasília: ocupação do território a oeste, defesa nacional na guerra atômica e recomposição no equilíbrio econômico.

Inicialmente o sr. Plínio Salgado comenta: “A fundação de Brasília e a mudança imediata da Capital do País para aquela cidade são imperativos do momento nacional e internacional em que vivemos. Além de persistirem os motivos tão eloquentemente expostos por Veloso de Oliveira, em 1810, por José Bonifácio, em 1823, por Thomaz Delfino, em 1891 – todos baseados na necessidade de afastar o Governo Central do bulício e das paixões das massas populares que se acumulam nas cidades de elevado índice populacional – outros surgiram, como razões do nosso tempo”.

Mas adiante o ilustre homem público escreve: “A mudança da Capital para Brasília vai influir no sentido de corrigir esse desequilíbrio, incrementando a economia de grandes zonas do nosso vasto território. O brado de alarme dado por Euclides da Cunha em “Os Sertões”, mostrando o contraste entre a civilização do litoral e o completo abandono do homem brasileiro além da faixa privilegiada amplia-se hoje com uma ressonância jamais atingida, em face das consequências que se fazem sentir nos próprios centros de índices populacionais elevados. É a queda da produção motivada pela falta de dinheiro e de crédito, pela insuficiência de transportes, pela ausência de assistência técnica, de aparelhagem agrícola moderna, pelo abandono do homem rural. O encarecimento do custo de vida nas metrópoles hipertrofiadas liga-se diretamente a esse desequilíbrio orgânico da nacionalidade.

Assim, a mudança da Capital será o começo de uma descentralização dos recursos indispensáveis ao nosso interior, o primeiro passo para atingirmos um equilíbrio econômico, sem o qual o Brasil não poderá sobreviver.

Estes são os três motivos pelos quais Brasília se impõe ao entusiasmo de todos os nossos patrícios. O governo do sr. Juscelino Kubitschek, quando nada tivesse realizado, bastaria Brasília para consagrá-lo na História Política e Administrativa do País. E se tivermos em vista a audaciosa rapidez com que está criando a nova Capital e a firmeza com que tem enfrentado os argumentos dos que raciocinam sem visionar largos panoramas nacionais e internacionais, do presente e do futuro, mas adstringindo-se à paisagem reduzida de problemas de segunda ordem, então poderemos considerar Brasília como uma autêntica revolução da mentalidade nacional.

E assim como, em relação ao Rio de Janeiro, podemos dividir a história desta cidade em dois períodos: antes e depois da revolução de Oswaldo Cruz e Pereira Passos, também no futuro se dirá, já então com referência à vida econômica do Brasil, esta frase que honrará o atual Presidente da República: antes e depois de Brasília”.

Festa da cumeeira


Foto: Arquivo Público do DF

O Presidente Juscelino Kubitschek presidiu às comemorações do lançamento da cumeeira do primeiro edifício residencial do Instituto dos Bancários, em Brasília, das quais participaram o sr. Israel Pinheiro, o ministro Parsifal Barroso e o prefeito do Rio de Janeiro, Negrão de Lima.

Após a quebra solene de uma garrafa de champanha, o Presidente da República pronunciou palavras de entusiasmo, com relação às realizações do I.A.P.B., na futura Capital, salientando o fato de ter sido aquele edifício o primeiro, em Brasília, a alcançar o primeiro estágio de cumeeira.


Foto: Arquivo Público do DF

O Presidente ressaltou que o recorde atingido pelo IAPB deve servir de exemplo às demais autarquias, uma vez que ele representa uma contribuição inestimável para o plano de construção de Brasília.

Reiterou, a seguir, a afirmativa de que a transferência da nova capital se efetuará em 21 de abril de 1960.

O sr. Enos Sadok de Sá Mota, presidente da autarquia, declarou, na ocasião, que tem dado todo o empenho possível à execução das obras do Instituto dos Bancários, em Brasília, em cumprimento às instruções do Presidente da República.

O edifício do IAPB, de linhas modernas e construído sobre pilotis, está com toda a sua parte de estrutura concluída e já em fase de acabamento. Deverá ser inaugurado a 12 de setembro do corrente ano, data de fundação do Instituto dos Bancários. É o primeiro conjunto de 11 edifícios, com seis andares cada um, totalizando 456 apartamentos de dois ou três quartos, sala e demais dependências. Disporá o conjunto de um gerador e poço artesiano para abastecimento d’água.

Pretende o sr. Enos Sadok de Sá Mota, que de 60 em 60 dias, um desses prédios atinja a etapa das fundações e outro a etapa de laje. O projeto arquitetônico é de autoria do arquiteto Oscar Niemeyer, que previu a construção de parques ajardinados, numa área de 50 mil metros quadrados.

Justifica-se plenamente a existência do mencionado número de apartamentos para os bancários, pois Brasília contará com 32 bancos, de acordo com os cálculos da Novacap.

As inversões do IAPB, naquela cidade em nada sacrificam o ritmo de construções do Instituto no resto do país, visto que tais inversões ocorrem por conta da dívida da União para com essa autarquia.

Além do conjunto residencial, exclusivamente para os bancários e suas famílias, o IAPB construirá o edifício-sede, apartamentos para a administração e uma escola destinada aos filhos dos associados.

Tiveram início as solenidades de sábado com uma missa, celebrada no próprio local das obras, pelo padre Primo, vigário da Paróquia de Nossa Senhora da Aparecida (Brasília). Seguiu-se o hasteamento da Bandeira pelo Presidente da República, a visita às instalações provisórias da administração e dos serviços, e a subida ao topo da construção, onde o sr. Juscelino Kubitschek deu como lançada a cumeeira. Acompanharam-no todo o tempo, os srs. Israel Pinheiro, presidente da Novacap; Parsifal Barroso, ministro do Trabalho; Negrão de Lima, prefeito do Distrito Federal; outras autoridades, jornalistas e numeroso público composto de convidados especiais, engenheiros e operários.

Visita de Rosemary Poter

Vinda de Londres, visitou Brasília Rosemary Poter. Essa visita teve um significado todo especial para a Novacap e para o Brasil, porquanto Miss Poter é bisneta do jornalista brasileiro Hipólito José da Costa que manteve, em Londres, na primeira metade do século XIX, o jornal “Correio Braziliense”, em cujas colunas se bateu pela mudança da Capital brasileira para o Planalto Central.

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Festa (Cumeeiras)

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Festa (Cumeeiras)

Desde a mais remota tradição, a cumeeira representou a fase principal da construção da casa. Escolhido o local, preparado o terreno, começavam os trabalhos de feitura das paredes, com a necessária armação. A casa ia subindo, graças ao trabalho e ao amor com que era cercada pelo futuro morador. E para dizer a todo mundo de sua alegria, pelo fato de estar às vésperas de abrigar-se sob o teto próprio, o homem convocava os amigos para a festa da cumeeira. Todos vinham, formavam-se um grande grupo, as panelas fumegavam no terreno, as mulheres preparavam os quitutes. E a colocação da cumeeira, geralmente feita de madeira de lei, se revestia de um cerimonial quase religioso. Ramos verdes de árvores, flores e panos coloridos eram içados como bandeiras. Foguetes subiam para o ar. A casa estava quase pronta. Aliás, ficava pronta nesse dia, pois todos os que comparecessem ajudariam na colocação do telhado ou do sapé. E ali, no terreno antes vazio, estava a semente do novo lar, o ponto de partida para o amor e para o trabalho.

Estas recordações me vieram à mente certa manhã, quando vi, numa nova estrutura concluída, os ramos verdes das árvores pequenas do cerrado, apontando os céus, com seus galhos retorcidos. Em Brasília, também, a cumeeira é respeitada como fase principal da obra. Os trabalhadores que trazem a tradição no sangue, tradição cercada de um pouco de superstição, não consideram pronta a estrutura, sem que os ramos verdes anunciem aos quatro ventos o seu feito. É verdade que a velha e poética cumeeira de madeira de lei, trabalhada por mãos hábeis e amorosas, cedeu lugar às grandes lajes de cimento.

Mas nem por isso desapareceu o seu simbolismo.

Aqui, onde se ergue a cidade nova, onde se lançam as sementes de uma nova etapa de nossa civilização, as cumeeiras são festejadas todos os dias, porque todos os dias novas estruturas ficam prontas.

A festa é mais do coração do que do estômago, é mais dos olhos do que do corpo.

Mas, de qualquer maneira, na humildade de sua condição, na alegria que brota de sua permanente tristeza, o candango vai ao cerrado, colhe os ramos verdes e os coloca na última laje, como se estivesse enfeitando a cumeeira de sua própria casa.

Transcrito do livro “Invenção da cidade”, de Clemente Luz
“Cumeeiras. 1) Festa”, pg. 58 e 59

 

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Brasília – Fevereiro de 1958

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BRASÍLIA 1958
Fevereiro

 

A mais brasileira
No discurso do Segundo Aniversário de seu Governo, o presidente da República, assim se referiu a Brasília:
“Quando assumi o Governo, a criação de uma nova capital no centro do País pervagava no domínio dos mitos. Durante décadas, a única solução dada ao problema fora meramente cartográfica: nos mapas do País desenhava-se um retângulo de cor assinalando a localização do futuro Distrito Federal.
Prometi ao povo brasileiro que, encerrada a minha gestão, haveria de dar ao País, através de um novo centro administrativo, um novo sendo de sua unidade e, por conseguinte, de sua existência orgânica. Creio que são poucos os que, hoje, duvidam da seriedade da minha promessa, da determinação de meu intento. Brasília, sem ser ainda a Capital, já é o orgulho e a esperança de todos os brasileiros – um motivo de admiração para o mundo. Antes mesmo de instalar-se, estará ligada aos nossos centros urbanos mais adiantados, unificando o que ainda constitui, mais do que a Nação, o arquipélago brasileiro. Brasília é uma realidade. Não preciso insistir em que a transplantação da Capital para seu sítio próprio é o marco de uma nova era, de uma concepção mais realista e mais correta de todos os problemas da nacionalidade. Agradeço a Deus o privilégio que me concedeu, de ter contribuído para a realização de um empreendimento dessa magnitude”.

Visita honrosa
Visitou Brasília o Presidente do Museu de Arte Moderna de Nova Iorque, William Burden, que ficou maravilhado com a construção da futura capital brasileira. “Simplesmente maravilhoso”, disse.

Palmeiras para Brasília
Cinco mudas da palmeira que Dom João VI plantou em 1809, no Jardim Botânico, em Petrópolis, foram oferecidas por Tibyriçá Reys à direção da Novacap, por ocasião da visita que um grupo de funcionários do Banco do Brasil fez a Brasília.

Pan American
Diretores da Pan American e outras personalidades norte-americanas, que ora realizam uma viagem pela América do Sul, estiveram em visita a Brasília, juntamente com diretores da Panair do Brasil e jornalistas.

Pioneiras em Brasília

Esteve em Brasília, em companhia de suas filhas, a Sra. Sarah Kubitschek que foi à futura Capital inspecionar as campanhas que as Pioneiras Sociais realizam ali sob a orientação da Sra. Israel Pinheiro. Com poucos meses de existência, as Pioneiras de Brasília já contam uma enorme folha de serviços prestados. Assim é que um Hospital Volante percorre os diversos acampamentos de operários prestando graciosamente, assistência médico-social. O setor de Corte e Costura confecciona roupa para os escolares.

Aeronáutica
Por determinação do Ministro da Aeronáutica, estão sendo realizadas em Brasília as primeiras obras destinadas aos serviços da Força Aérea Brasileira. Assim é que, no dia 21 do corrente, foi iniciada a construção do alojamento-piloto para militares da FAB, destacados na nova capital.
Os trabalhos deverão estar concluídos dentro de quarenta dias, o que proporcionará ao pessoal da FAB para ali designado, acomodações condignas e melhores condições de trabalho. Atualmente, a Força Aérea Brasileira está representada, em Brasília, por um destacamento comandado pelo major-aviador Francisco de Assis Lopes.

Nação nova surgirá
“Creio firmemente na nova Capital. Aliás, sempre fui apologista de se melhorar o interior do país. Há necessidade de se aproveitar o território nacional. Precisamos nos expandir. E o país, tão desconhecido em seu interior, conhecerá novos rumos quando ali estiver funcionando a sede do Governo”. A declaração é do Dr. Thales de Melo, inspetor da Alfândega de Santos, após visita a Brasília.

Ensino em Brasília
O Dr. Célio Fonseca, inspetor do IBGE, em Goiás, deu-nos a presente e valiosa colaboração sobre o ensino em Brasília:
“Acham-se funcionando na futura Capital dois cursos ginasiais e sete de ensino fundamental, sendo:
Dois ginásios (o Colégio Brasília, situado no Núcleo Bandeirante e o Colégio Dom Bosco; o primeiro de iniciativa particular, e o segundo, construído pela Novacap e entregue à direção das Irmãs Salesianas.
As atividades tiveram inicio em 15/3/58, tendo uma matrícula total de 153 alunos no curso ginasial.
Os dois ginásios mantém cursos primários. Existem ainda os seguintes estabelecimentos de ensino fundamental, situados no Núcleo Bandeirante: Escola Paroquial Nossa Senhora de Fátima, Instituto Educacional Brasília, Escola Primária Presbiteriana, Escola da Igreja Metodista, bem como o Grupo Escolar da Novacap (GE-11), no acampamento central.
O numero de alunos matriculados em todos os estabelecimentos ascende a 993 alunos, sendo 429 do sexo masculino e 504 do sexo feminino.

A Novacap prossegue vertiginosamente os trabalhos da construção de Brasília e fevereiro de 1959 apresentava a seguinte posição:

O edifício do Congresso Nacional toma forma e vulto, já com a cúpula do Senado Federal pronta, armando-se a da Câmara dos Deputados.

Os Ministérios públicos em estrutura metálica, já com quatro estruturas completamente armadas, entregues a firmas especializadas para o revestimento.
O edifício anexo do Congresso Nacional encontra-se no 6º. Pavimento.

O Palácio do Planalto e do Supremo Tribunal Federal caminham para a primeira laje, delineando-se em toda a sua pujança e majestade.
No que concerne a barragem do rio Paranoá, o canal para o desvio, a escavação do vertedouro e a segunda fase da impermeabilização, estão concluídos. Também concluídos os trabalhos do reservatório d’água e anexos. Em construção, a usina para o tratamento d’água.

Os Institutos ultimam vários blocos de apartamentos. A Fundação da Casa Popular, que inaugurou, em 1958, 500 casas populares, está construindo mais três mil pequenos apartamentos.
As construções da iniciativa particular também avultam. A firma Ecel terminou a construção de 37 casas duplex. Vários bancos iniciaram a construção de suas sedes.

A Caixa Econômica Federal construiu 74 casas duplex e 40 lojas.
Fonte: revista “Brasília”, edição de fevereiro de 1958.

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05 de dezembro de 1958

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Real-Aerovias – Às 17,30 horas desce no aeroporto comercial de Brasília, em pouso de emergência, um avião Super-Convair da Real-Aerovias, linha Miami-Rio.
Os passageiros, na sua maioria americanos e argentinos, jantam no restaurante do aeroporto, tendo batido inúmeras fotografias e rodado filmes. O avião, uma hora depois, alça vôo para o ponto de destino.
Foi esse o primeiro pouso de avião de linha internacional em Brasília.
(Diário de Brasília)

Discurso presidencial – Paranifando, em Belo Horizonte, a turma de Arquitetos da Faculdade de Arquitetura da Universidade de Minas Gerais, o Presidente Juscelino Kubitschek assim se refere a Brasília em seu discurso:

“Uma nova cidade está sendo plantada no coração mesmo da pátria. Esta nova cidade, em breve metrópole deste país de dimensões continentais, irá suscitar muitas outras cidades, irá encorajar empreendimentos consideráveis, nos vastos espaços interiores do Brasil. Que mais sedutoras perspectivas se poderiam oferecer a moços que saem de uma escola de arquitetura, à cata de oportunidades para exercer a sua arte? Com o seu plano simples, lógico, preciso; com a sua perfeita adaptação ao meio físico; o seu zoneamento, que é um modelo de previsão, de lucidez e de eficácia; o seu admirável traçado e o portentoso conjunto dos seus edifícios, em que o funcional e o social se conjugam harmoniosamente com o plástico, Brasília oferece à jovem arquitetura brasileira um notável campo de estudos e de experiências, bem como um mercado de trabalho quase sem limites. E não só pela escala em que se desenvolve o seu plano arquitetural, como pela concentração, no tempo, dos esforços para realizá-lo, a nova metrópole possibilitará a definitiva integração da arquitetura moderna brasileira na técnica e nos meios de produção contemporâneos.”

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A mudança da capital

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A mudança da capital para o planalto mexe com a História. Põe o Brasil em novas bases. Encerra o ciclo político do litoral com o seu passivo de imprevidência e vícios de administração.

No ambiente da cidade-samba muitos valores morais se destemperam. O Governo se consome em acomodar as relações adversas, resistindo a impactos. Alguns setores de oposição obstinada preocupam-se apenas com as ressonâncias da galeria. O Brasil gasta-se em palavras.

Lá em cima, no ventre geográfico do País, há a vantagem dos ares novos, com um clima de sanatório (climatologia política).

Abrem-se cenários grandiosos do chapadão.

Há ambiente para se modelar um Brasil de contornos fortes, em dimensões nacionais. Com esse empreendimento corajoso, pode-se esperar uma profunda transformação na fisionomia rural. Importante é tomar desde logo posição para um plano de ação direta, com a demarcação dos problemas mais urgentes. Fazer, por exemplo, em a nova capital, o encontro das grandes estradas, um centro de articulação das linhas interiores do país; amansar as torrentes fluviais com barragens; arrancar o hinterland do estágio semi-colonial, com a instalação de usinas e núcleos industriais; marcar a fronteira econômica com uma linha de chaminés. Dessa forma, se poderá certamente corrigir um pouco a crise da desagregação rural, detendo a população movediça que desemboca nas cidades.

Regiões de economia fraca não podem sustentar programas de recuperação de solos, depauperados com as queimadas, a erosão e as secas. O interior luta contra as comunicações absoletas. Desanimam as lavouras cansadas com a falta de irrigação e adubos. Triunfa a saúva, o caruncho, o coruquerê. Tomara que os nomes, invocados nos tempos heróicos para decisões em momentos propícios, guardem os destinos da nova capital, onde o Governo terá muito que trabalhar para endireitar o Brasil! Não há tempo a perder. Os problemas se emendam uns aos outros, em escala ascendente. Crescem os encargos do Estado.

Com a capital no meio do Brasil (centro de gravidade do país) estarão mais em contato com a realidade, longe do mexidinho litorâneo e das atmosferas do bacharelismo.

Poderíamos, com o desenvolvimento do centro administrativo do país para o interior, alcançar soluções estupendas: fazer a metrópole da vida mais barata do mundo.

Raul Bopp
Reproduzido da revista "Brasília", da Novacap, novembro de 1957, número 11.

 

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18 de novembro de 1957

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Entrevista presidencial – Em sua entrevista semanal, indagado sobre os reflexos econômicos da construção de Brasília no Planalto Central, declara o Presidente Juscelino Kubitschek que a nova Capital já está constituindo estímulo para a economia da região. Os investimentos particulares em Brasília já são superiores aos da Companhia Urbanizadora da Nova Capital, enquanto a região do Planalto se prepara para dinamizar os seu potencial econômico com o advento da nova Capital do país.
(Diário de Brasília)

 

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CANTICO

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CANTICO

Brasília-auriverde
buscando o futuro!

Os homens-gigantes,
heróicos pisando,
em marcha febril,
o solo bendito
da nova cidade.

As novas "bandeiras"
rumando à cidade.
automóveis, tratores,
operários suando
na paz trabalhando.

Meninos nascendo,
os malhos vibrando,
aviões revoando,
sirenes no ar
mensagens levando
o povo cantando
Brasília, Brasília!

Poeta Freire Ribeiro.

 

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SONETO POSITIVO No. 1

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SONETO POSITIVO No. 1
 
Eu te direi de amor em frase nova:
Verbo que em si conduz as singulares
Emanações fatais da escura prova
Que é força de ambições crepusculares.
 
Eu te direi da flor que se renova
Em frondes de segredos seculares,
Surgindo da clausura de uma cova
Em mutações tranqüilas e lunares.
 
Direi também de folhas, de aventuras
Levadas velozmente nas alturas
Dos ventos e das asas vencedoras;
 
Mas de tanto dizer que fique o silêncio
Que é cinza de palavras e que vence
O surto de inverdades tentadoras.
 
Joaquim Cardozo, poeta pernambucano, nasceu no Recife
Antologia dos Poetas Brasileiros, de Manuel Bandeira

 

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12 de julho de 1957

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O jornalista Conrad Wrosz declara que organizará a edição de 1958 da publicação "Brazilian Information Handbook" com um capítulo sobre Brasília, afirmando:

"A construção de Brasília desperta profundo interesse no povo americano, que está curioso por saber como o Governo brasileiro resolverá o problema da nova Capital".

A revista norte-americana "Business Week" , de ampla circulação, especialmente no mundo dos negócios, publica uma reportagem sobre Brasília. A reportagem, de inicio, salienta:

"Graças as constantes viagens do Presidente Kubitschek pelo interior do Brasil e a recente inauguração do local onde se erguerá a nova Capital, o projeto conseguiu atrair a simpatia e a confiança do povo."

A Novacap é assim apreciada:

"A fundação dessa Companhia representou um passo significativo ao movimento em torno da transferência da Capital brasileira para o Planalto Central. Ainda há pouco, o Banco de Exportação e Importação, depois de um estudo minucioso do projeto, anunciou um empréstimo de 10 milhões de dólares à Novacap."

(Diário de Brasília)

 

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26 de junho de 1957

Escrito por Brasília Poética em . Postado em O dia-a-dia da Construção Sem Comentários

O Senhor Íris Meinberg, Diretor Financeiro da Novacap, informa à imprensa que estão tendo franca e surpreendente ceitação as Obrigações Brasília, correspondentes ao lançamento de um empréstimo com garantia do Governo Federal para antecipação da receita para a construção da nova Capital. É grande o movimento de colocação dos títulos em todo o país. Além disso, organizações que virão estabelecer-se em Brasília, tais como Institutos, estabelecimentos bancários e outros, são subscritores compulsórios desses títulos. Somente a parte dos Institutos representa mais de Cr$ 300.000.000,00;

Entrevista do arquiteto Oscar Niemeyer a propósito da encomenda de estruturas metálicas a firmas estrangeiras:
"A encomenda de estruturas metálicas no estrangeiro, pela Companhia Urbanizadora da Nova Capital do Brasil, visa a dois objetivos principais: economia e tempo. Pelo contrato efetuado, as estruturas serão entregues em tempo recorde, e seu custo será muito inferior ao do mercado corrente. Por outro lado, Volta Redonda, que está executando uma encomenda também de estruturas para Brasília, não poderia desincumbir-se de mais este pedido, sem prejuízo para o seu programa de produção."

(Diário de Brasília)

 

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ERNESTO ROQUE: TE LEMBRAS?

Escrito por Brasília Poética em . Postado em Poemas para Brasília Sem Comentários

ERNESTO ROQUE: TE LEMBRAS?
 
Nas noites de Diamantina
                             entre serestas sonhantes
passa o jovem Juscelino.
 
Lento passo, devaneando.
 
         (Morena da luta nova!
 
         "Quem ama para dar provas
         Deve três cousas cumprir:
         Tocar violão, fazer trovas,
         Havendo luar não dormir".
 
         Morena da lua nova!
 
         Não me põe assim à prova,
         não despreza meu sentir.
         Deste amor não te dou prova?
         Três coisas não sei cumprir?
         Ao violão não faço trova/
         Se faz lua: vou dormir?)
 
Nas noites de Diamantina
                           passa o jovem Juscelino
na passada largoandante,
                           o coração seresteando.
 
No céu: lágrimas? diamantes?
 
Stella Leonardos, poetisa natural do Rio de Janeiro.
"Saga do Planalto"

 

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01 de junho de 1957

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No Rio de Janeiro, o Padre Renato Gighiotti, Superior-Geral Salesiano, desembarcando no Galeão, afirma à imprensa que, em sonho, Dom Bosco previu a localização da nova Capital do Brasil no Planalto Central:
"Dom Bosco sonhou com o aparecimento de uma nova terra da promissão, situada entre os paralelos 15 e 20, no Brasil – diz o Padre Gighiotti. Esta posição nos paralelos equivale a dizer que Brasília é já terra abençoada e que os planos dos engenheiros dirigidos pelo ex-deputado Israel Pinheiro tem real inspiração divina.
O Padre Renato Gighiotti frisa, aos jornalistas, que Dom Bosco tinha especial predileção por tudo quanto se referisse ao Brasil. (Diário de Brasília)

 

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