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Homero Homem

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Homero Homem compôs um dos mais antigos poemas de exaltação à nova Capital (em 1956), quando ainda anunciada nas pranchetas. Depõe em carta que nos remeteu: “Brasília, DF (…) foi escrita como um anúncio, uma antevisão…Vários amigos meus, aqui no Rio, trabalhavam no escritório de Oscar Niemeyer; entre eles Flávio de Aquino  (a quem o poema é dedicado) e o pintor Raymundo Nogueira…Eu freqüentava o escritório deles na sobreloja do edifício do MEC e via Brasília sob a forma de desenho…” Tratava-se da cidade sonhada pelos construtores, ideal sob todos os aspectos, ante-sala do paraíso…Do que o projeto prometia preservaram-se algumas características: “aérea”, “clara”, de “pilotis”, “róseo de cimento”, a crescer “a superfície”, “vidro plano…”.

Texto transcrito de “Esses poetas, esses poemas”, da antologia “Poemas para Brasília”, de Joanyr de Oliveira

 

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Anderson Braga Horta

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Anderson Braga Horta, que à nova Capital veio ter em 1960, com algumas láureas obtidas em importantes concursos e outros tantos originais de livros na gaveta, escreveu a grande epopéia em que os heróis são os anônimos e sofridos candangos. Sua permanente preocupação de sentido humanista – presente em obras que levou ao prelo, e isto só veio a ocorrer a partir de 1971! – fez com que desviasse o olhar da lua, dos espaços envolventes, do céu amplo e puro, elementos tentadores como tema e sobre os quais se debruçaram, em sua maioria, os “brasilienses”.

Ele registrou a pugna dramática entre os braços adventícios e a rudeza brutal do cerrado. Como em imenso tabuleiro de xadrez, as peças se antepõem, avançam ou retrocedem, triunfam ou capitulam. Enquanto um dos poetas anteriormente aqui apresentados vê o ontem remoto, das priscas eras, com olhar de místico ou filósofo, Anderson Braga Horta diz, seca e frontalmente: “Antes do começo,/era o sertão, só e ríspido”. E, em vez de ir às fontes de lirismo e encantamento, decide, em tom quase de anátema, estigmatizar os autores do frio atropelamento dos peões, da morte das legiões dos sem-nome, porque apenas alguns se enraizaram e permaneceram (ilesos, intangíveis, tranqüilos): os reis, os bispos, as torres da retaguarda sem vicissitudes e sem riscos. (Mas, enfim, suspira o poeta: “É a lei/do xadrez”.) Conclui, porém, com declarado e peremptório otimismo quanto ao amanhã: “De tuas impurezas,/de tuas asperezas,/rosa queremos-te exata./No altiplano de nossas esperanças,/rosa-dos-homens/construímos-te futura”. “Altiplano” obteve, em 1964, o Prêmio Nacional de Poesia instituído pela Universidade de Cultura Popular, de Gilson Amado, e, com aquele e outros poemas, no mesmo ano, recebeu o “Prêmio Olavo Bilac”, da Secretaria da Educação da Guanabara. ABH, “…depois de considerável vivência e, dada esta circunstância”, ofereceu-nos o maior poema de exaltação à cidade nova. É que pôde integrar-se em seu espírito, beber poeticamente não apenas o áspero encanto planaltino, mas todos os seus contrastes e estonteantes singularidades. Deixou-se embeber pela sua magia…”, o que por nós foi observado e consta do ensaio “Altiplano, epopéia brasiliense”, publicado no Correio Braziliense de 20.3.65, e, com breves alterações, rebatizado de “Epopéia no altiplano”, em “O Popular” (21.5.72), de Goiânia. O segundo poema de ABH, “Planalto”, recorda o palco onde algas, de outras eras geológicas, coabitam com pássaros de hoje, sob a navegação do Homem. Em “Passarim”, o poeta revela a emoção que lhe traz um passarinho na cidade nova, fazendo-o emergir da condição de “refratário ao pranto”, da suposta secura de sentimentos. A ave comove-o: “me trazes a carícia”. Em seu mais recente poema brasiliense (o título traz a idade da capital, no ano em que mais uma vez a exalta), inspira-se em trabalhos de vários autores, cujos nomes menciona, como também rememora personalidades intimamente ligadas à história de Brasília, como Juscelino Kubitschek de Oliveira, Bernardo Sayão, Lúcio Costa, Oscar Niemeyer e Israel Pinheiro.   

Transcrito do capítulo “Esses poetas, esses poemas”, da Antologia “Poemas para Brasília”, de Joanyr de Oliveira.

 

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22 de outubro de 1957

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"Na inauguração de Brasília irei de automóvel. Até lá, a ligação rodoviária da Nova Capital com o Rio de Janeiro e São Paulo estará concluída e todo o trecho pavimentado", diz o Presidente da República em entrevista aos jornalistas no Palácio do Catete.
"Com relação a Brasília", acrescenta ainda o Presidente, "os estudos procedidos pelo DASP concluíram pela necessidade de apenas trinta e cinco mil funcionários civis e militares na futura Capital, isto é, apenas 10 por cento dos funcionários do Rio de Janeiro".
Isenção – O Presidente Juscelino Kubitschek, por decreto, torna extensiva à Novacap a isenção de impostos federais de que goza a Petrobrás.
 
(Diário de Brasília)

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O sítio de Vargas

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O sítio de Vargas
 
Trabalho concluído, muita esperança dos mudancistas e nada mais. Depois do relatório da Comissão Poli Coelho, o assunto ainda se arrasta no Congresso por mais de cinco anos. Volta então ao começo: determinação de novo estudo da localização, mas agora fixado prazo máximo de sessenta dias para seu início e de três anos para a conclusão. É a Lei número 1.803, de 5 de janeiro de 1953. No artigo primeiro, ela autoriza estudos definitivos na região do Planalto Central compreendida entre os paralelos sul 15º30′ e 17º e os meridianos W.Gr.46º30′ e 49º30′ – o chamado Retângulo do Congresso -, visando á escolha do sítio da nova capital federal. No artigo segundo, define:
 
"Em torno deste sítio, será demarcada, adotados os limites naturais ou não, uma área aproximada de 5.000 quilômetros quadrados, que deverá conter, da melhor forma, os requisitos necessários à constituição do Distrito Federal e que será incorporada ao Patrimônio da União."
 
Em 8 de junho de 1953, o presidente Vargas assina o Decreto número 32.976, que cria a Comissão de Localização da Nova Capital Federal, presidida pelo general Aguinaldo Caiado de Castro, na época chefe da Casa Militar da Presidência da República. Este rapidamente contrata levantamento aerofotogramétrico completo dos 52 mil quilômetros quadrados do Retângulo do Congresso. Área tão extensa que incluía Anápolis e Goiânia, em Goiás, e parte de Unaí, em Minas. A aerofotogrametria é entregue em janeiro de 1954. A Comissão da Nova Capital então viabiliza assinatura de contrato entre a Comissão do Vale do São Francisco e a firma norte-americana Donald J. Belcher and Associates Incorporated, de Ithaca, Nova York, especializada em estudos e pesquisas baseados em interpretação aerofotogramétrica. Produtos: mapas básicos da região; relatórios gerais sobre cada área selecionada; relatório geral com os dados básicos dos vários sítios e acompanhado de modelos em relevo e fotos oblíquas, de modo a permitir a comparação dos respectivos atributos e a escolha do local mais adequado à implantação da nova cidade.
 
Ponto mais alto
 
Antes da conclusão dos trabalhos da Donald J. Belcher – duram de abril de 1954 a fevereiro de 1955 -, ocorre o suicídio do presidente Getúlio Vargas, em 24 de agosto de 1954. O mapa político do país muda radicalmente. Assume o vice-presidente oposicionista João de Campos Café Filho, potiguar de Natal, que substitui o general Caiado de Castro pelo marechal José Pessoa Cavalcanti de Albuquerque – paraibano de Cajazeiras, combatente na Primeira Guerra Mundial, idealizador da construção da Academia Militar das Agulhas Negras – na presidência da Comissão de Localização. Homem determinado, reto e decidido, Pessoa abraça o projeto como desafio pessoal. Entra nele de corpo e alma, quase obsessivamente. Antes de tudo, mergulha fundo nos estudos preliminares da Belcher. Eles apontavam cinco sítios, cada qual com mil quilômetros quadrados e pintado em cor diferente dentro do chamado Retângulo do Congresso. Verde, Vermelho, Azul, Amarelo e Castanho.
O marechal Pessoa decide conhecer pessoalmente a área. Apesar de idoso, não se poupa. Faz viagem extenuante. Toma avião no Rio de Janeiro, pousa em Pirapora, em Minas, e continua até Formosa, Goiás, onde passa a noite. No dia seguinte, voa para Planaltina, Goiás. Daí, de jipe, realiza várias incursões cerrado adentro na área estudada. No final, manda tocar para o ponto mais elevado, localizado no Sítio Castanho do mapa da Belcher, com até 1.172 metros de altitude. Mas não apresenta suas conclusões naquele momento. Prefere aguardar o término dos trabalhos contratados, que recebe menos de um mês depois, no final de fevereiro de 1955. É o Relatório Belcher sobre a Nova Capital da República, conhecido como Relatório Belcher. Finalmente, reunida em 15 de abril de 1955, a Comissão de Localização da Nova Capital compara vantagens e desvantagens das cinco áreas prioritárias para a construção da cidade. Opta pelo Sítio Castanho, 25 quilômetros a sudoeste de Planaltina. Define também o perímetro do futuro Distrito Federal. Área: cerca de 5.850 quilômetros quadrados. Em maio de 1955, o marechal José Pessoa manda fincar cruz de madeira no ponto mais alto, considerada marco fundamental da cidade. É na atual Praça do Cruzeiro, onde há uma réplica. A cruz original foi levada para a Catedral Metropolitana. Profundamente católico, o perseverante Pessoa sugeriu dar à nova capital o nome de Vera Cruz. É lá no Cruzeiro, dois anos depois, maio de 1957, a cidade fervilhando de obras, que Dom Carlos Carmelo, arcebispo de São Paulo, rezará a primeira missa.
 
Extraído do livro "Brasília Kubitschek de Oliveira", de Ronaldo Costa Couto.

 

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Domingo, 17 de abril de 1960

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Rodovia Belo Horizonte-Brasília – A rodovia Belo Horizonte-Brasília (BR-7), com extensão de 747 quilômetros, todos pavimentados, é hoje oficialmente inaugurada, embora tenha sido entregue ao tráfego público desde 31 de janeiro último, quando foi percorrida pela Coluna da Caravana de Integração Nacional que partiu do Rio de Janeiro.

Nas suas obras foram aplicados 4 bilhões e 700 milhões de cruzeiros pelo Departamento Nacional de Estradas de Rodagem, responsável por 556 km da rodovia.

A construção da BR-7 decorreu da Lei número 3.273, de 1º de outubro de 1957, que fixou para 21 de abril de 1960 a transferência da Capital da República para Brasília e incluiu a ligação rodoviária entre a antiga e a nova Capital, através de Belo Horizonte, no plano federal de rodoviação.

O traçado espontâneo para essa via terrestre impôs o aproveitamento do trecho Rio de Janeiro-Belo Horizonte, que constitui uma estrada federal, a BR-3, já inteiramente concluída e pavimentada.

A BR-7 compreende, do ponto de vista de sua execução, três trechos distintos:

1) do km zero ao km 134, entre Belo Horizonte e a localidade de Lajes do Jacaré, forma a Rodovia Estadual MG-1, construída e pavimentada pelo Departamento de Estradas de Rodagem do Estado de Minas Gerais;

 

2) da Lagoa do Jacaré (km 134) à divisa do novo Município Federal (km 700) – trecho de 566 km – foi construída e pavimentada pelo D.N.E.R;

 

3) do km 700 ao km 747, trecho inteiramente situado no polígno do novo Município e que atinge o centro de Brasília, foi executado pela Companhia Urbanizadora da Nova Capital (NOVACAP).

 

Diante do exíguo prazo de que se dispunha para concluir a BR-7 antes de 21 de abril, foi natural que se aproveitasse o trecho de 134 km da Rodovia MG-1, construído pelo Governo de Minas em direção ao norte do Estado.

Desta forma, transferiu-se o ponto de partida da BR-7 para Lagoa do Jacaré, uma vez que isto implicava, de outra parte, em incorporar à nova rodovia uma das zonas mais prósperas de Minas Gerais, altamente industrializada, e onde se encontram Pedro Leopoldo, Matozinhos, Sete Lagoas e Paraopeba.

Esse aproveitamento é justificado, ainda, pelo fato de ser mínimo o alongamento do traçado entre Belo Horizonte, Lagoa do Jacaré e Três Marias em relação à diretriz ideal que une os pontos extremos desse subtrecho, notando-se que a passagem da estrada a jusante da Barragem de Três Marias é condição obrigada do traçado.

De Lagoa do Jacaré em direção a Brasília, a diretriz da BR-7 foi fixada com passagens em Felixlândia, Três Marias, Canoeiros, João Pinheiro e Paracatu, em Minas Gerais, fazendo-se a transposição do rio São Francisco a três quilômetros a jusante da barragem em construção pela CEMIG. Em seguida, a estrada transpõe o rio São Marcos e entra no Estado de Goiás, passando em Cristalina e nas vizinhanças de Luziânia, para atingir finalmente o novo Distrito Federal.

O trecho de 566 quilômetros construído pelo Departamento Nacional de Estradas de Rodagem atravessa em oitenta por cento, aproximadamente, do seu traçado, região levemente ondulada ou mesmo plana, que constitui os chamados cerrados do Oeste mineiro.

Ainda assim, 21 milhões de metros cúbicos de terra foram escavados, a fim de implantar o leito da estrada sobre o terreno. Além disso, mais quatro milhões de solos selecionados foram escavados e transportados para constituírem, depois de cuidadosa compactação executada sob rigoroso controle técnico, a base estabilizada que suporta o pavimento asfáltico, cuja área reveste nada menos de quatro milhões de metros quadrados.

O pavimento executado pelo D.N.E.R, na Belo Horizonte-Brasília, constitui-se de um tratamento superficial betuminoso duplo, sobre base granular mecanicamente estabilizada que foi dimensionada pelo método do índice Suporte Califórnia para uma carga de 5.500 kg em cada roda. De um modo geral, empregou-se uma base de 20 cm de espessura constante, precedida de sub-base e reforço do sub-leito variáveis com as condições locais.

Para a pavimentação asfáltica tão somente foram extraídas e britadas 125 mil toneladas de pedra, enquanto 23 mil toneladas de ligantes asfálticos foram transportadas da Refinaria Artur Bernardes, em Cubatão (São Paulo).

Trinta e quatro rios exigiram outras tantas pontes de concreto armado para a sua transposição. Incluída uma passagem superior sobre a Rodovia MG-1, no trevo inicial em Lagoa do Jacaré, os cumprimentos dessas obras totalizam 3.177 metros. Isto só por si constitui obra de arrojo, porque significa que 5 metros de ponte tiveram de ser concretados durante dois anos, em cada dia de trabalho, contados domingos e feriados.

Entre as pontes da BR-7, destacam-se a do rio São Francisco, a mais longa, com 360 metros de comprimento; a do rio São Marcos, com 270 metros, na divisa Minas Gerais-Goiás; a do rio da Prata, com 190 metros; a do rio São Bartolomeu, com 192 metros; e a do rio do Sono, com 170 metros.

As primeiras máquinas chegaram aos canteiros de serviço em abril de 1958, pelo que o prazo efetivo de construção da estrada foi precisamente em dois anos.deduzidos, porém, os domingos, os feriados e os dias santificados, o prazo útil de execução (incluídos os dias de chuva em que não se pode trabalhar) foi de 556 a 570 dias. A média da produção efetiva na BR-7 corresponde, portanto, aum quilômetro de estrada por dia, desde o desmatamento, a construção dos bueiros e dos drenos, as cercas marginais, a implantação propriamente dita do leito estradal até a construção das pontes e da pavimentação betuminosa.

O projeto da BR-7, no trecho executado pelo D.N.E.R., obedece às exigências da estrada da classe Especial das “Normas para o Projeto de Estradas de Rodagens” aprovadas pela Portaria no. 19, de 10 de janeiro de 1949, do Ministério da Viação e Obras Públicas. Suas características gerais são as seguintes: Extensão: 566 km; raio mínimo: 214,18 metros, havendo grande predominância de curvas com raio superior a 600 metros; rampa máxima: 6%; pontes e viadutos: 35, com total de 3.177 metros; pavimentação: tratamento superficial duplo com emprego exclusivo de ligantes de produção nacional; investimento realizado pelo DNER: 4,7 bilhões de cruzeiros.

 

Serviço telefônico – O Presidente Juscelino Kubitschek inaugura, no Palácio das Laranjeiras, no Rio de Janeiro, pedindo uma ligação para Brasília, com o Presidente da NOVACAP, o serviço telefônico entre o Rio e a nova Capital. Ao ser completada a ligação, depois de dizer ao Senhor Israel Pinheiro quem falava, o Presidente Juscelino Kubitschek declara:

– Quero congratular-me com você pela inauguração das comunicações telefônicas com Brasília, melhoramento que vem colocar a nova Capital em contato com outras grandes cidades brasileiras e com o mundo inteiro.

Estabelece-se um diálogo, no decorrer do qual o Presidente da República comunica que se encontrava presente, no momento da inauguração oficial, o Sr. Wally Watts, vice-presidente da RCA Victor International, a quem iria condecorar, logo em seguida, com a Ordem do Cruzeiro do Sul. Estavam, igualmente, a seu lado, técnicos que haviam previsto que a obra realizada exigiria três anos. Entretanto, a mesma fora completada em cinco meses, tempo recorde.

Nesse período foram construídas 26 estações, numa extensão de 1.400 quilômetros, 52 prédios, 190 quilômetros de estradas e erguidas torres num total de 896 metros.

A ligação entre Brasília e o Rio, pelo sistema de microndas, dispõe inicialmente de 60 canais, número que será imediatamente elevado para 132.

 

Cruz de Cabral – Por via aérea, chega ao Rio de Janeiro, o Cônego Luciano Afonso dos Santos, do Cabido da cidade portuguesa de Braga, trazendo a cruz com que foi celebrada por Frei Henrique de Coimbra, em 1500, a Primeira Missa no Brasil. A cruz será levada para Brasília, onde permanecerá durante as solenidades de inauguração da nova Capital brasileira.

 

É um domingo agitado na quase oficialmente capital do Brasil. A cidade recebe inúmeros visitantes, os moradores recém chegados vão se acomodando ao ambiente e o presidente Juscelino inaugura, lá do Rio de Janeiro, o serviço telefônico entre a antiga e a nova capital, em um diálogo com o presidente da Novacap, Israel Pinheiro. A fotografia, reproduzida a época pela revista Manchete, retrata intenso movimento no Eixo Rodoviário Sul no dia da inauguração. (Foto: Arquivo Público do DF)

 

 

Terça-feira, 12 de abril de 1960

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Funcionalismo - É cada vez mais intenso o fluxo de servidores públicos transferidos para Brasília. Até este momento, 260 funcionários do Poder Executivo, com seus dependentes, totalizando 680 pessoas, já se encontram instalados na nova Capital da República. Também ali se encontram 46 funcionários da Câmara dos Deputados, com suas famílias. Vários Deputados já vieram a Brasília e receberam as chaves dos seus apartamentos. O Grupo de Trabalho incumbido da mudança da Capital Federal tem dado a mais completa assistência a todos os servidores que chegam a Brasília, recepcionando-os e encaminhando-os às residências previamente designadas. Durante os dias necessários à adaptação dos funcionários e suas famílias, o referido Grupo de Trabalho coordena as atividades dos funcionários recém-chegados, indicando-lhes preços de mercadorias, armazéns onde devem adquirir e outras utilidades e ainda fornecendo a todos transporte em ônibus, sobretudo aos que desejam utilizar-se dos restaurantes dos Institutos de Previdência Social.

Setor sanitário – No dia 21 do corrente, Brasília terá todos os serviços públicos em pleno funcionamento, inclusive no setor da saúde. O Hospital Distrital, cujas obras se encontram adiantadíssimas, será parcialmente inaugurado com 90 leitos, apresentando todos os serviços clínicos, cirúrgicos e de urgência inteiramente aparelhados. Para atender aos milhares de visitantes esperados nos próximos dias, toda a rede médico-hospitalar já existente funcionará em perfeito entrosamento com o Hospital Distrital, sob a orientação do Conselho Médico de Brasília. Numerosos postos de emergência serão instalados em diferentes pontos da cidade, inclusive nas rodovias de acesso à Nova Capital. Os socorros de urgência serão assegurados por 12 ambulâncias das mais modernas.

 

Lotes rurais – Divulga a NOVACAP que os futuros ocupantes dos lotes rurais receberão assistência de unidades sócio-econômicas, integradas por escolas, postos médicos, serviços de revenda de materiais agrícolas e de informações técnicas, além de outros. Prevê-se que cerca de 800 granjas, localizadas no cinturão verde de Brasília, serão distribuídas antes do dia 21 deste mês.

 

Conselho Nacional de Economia – O Senhor Edgard Teixeira Leite, presidente do Conselho Nacional de Economia, designa os Conselheiros Humberto Bastos e Pereira Diniz para estudarem todas as providências de ordem financeira e administrativa relativas à transferência desse órgão constitucional para Brasília.

 

Supremo Tribunal Federal – Reunido em sessão extraordinária de tribunal pleno, o Supremo Tribunal Federal, sob a presidência do Ministro Barros Barreto, presentes os Ministros Luiz Gallotti, Ary Franco, Ribeiro da Costa, Nelson Hungria, Lafayette de Andrada, Villas Boas, Rocha Lagoa, Cândido Motta Filho, Hahnemann Guimarães e Gonçalves de Oliveira, estando presente o Procurador-Geral da República, Se. Carlos Medeiros Silva, decide favoravelmente em torno da mudança da alta corte para Brasília, na data fixada, 21 do corrente.

Votam o Presidente Barros Barreto, e os Ministros Luiz Gallotti, Ribeiro da Costa e Ary Franco. Fica deliberado que haverá mais uma sessão plena extraordinária, já convocada anteriormente, voltando o Tribunal a reunir-se em sessão solene para a inauguração, em Brasília, entrando após em recesso, até que possa funcionar normalmente.

 

Ministério da Agricultura – Ao noticiar a próxima partida para Brasília dos elementos do Gabinete do Ministro da Agricultura, a imprensa assinala que o Ministério, há mais de dois anos, possui serviços em Brasília, realizando importantes atividades nos setores de fomento da produção animal e vegetal e, ainda, no setor florestal, tendo aplicado mais de cem milhões. Estão plantados mais de 600 hectares nas duas fazendas do Ministério e, na terceira, 600 mil mudas florestais. Uma enorme gleba, de 11.500 hectares, foi recentemente entregue ao Ministério da Agricultura, que ali instalará vários outros serviços, tendo sido aprovado o plano de aplicação de 126 milhões de cruzeiros.

 

Ministério da Viação e Obras Públicas – O Ministro da Viação designa os funcionários de seu Gabinete que deverão partir em breves dias para Brasília. O Ministro Ernani do Amaral Peixoto, acompanhado de sua família, viajará no próximo dia 16, de avião.

 

Ministério da Saúde – Parte para Brasília, em ônibus, o primeiro grupo de funcionários do Ministério da Saúde, contingente de cúpula.

De acordo com o plano traçado, até o dia 17, trinta funcionários do Ministério da Saúde estarão em Brasília, contando-se com parte do pessoal do Gabinete, do Departamento da Administração, do Departamento Nacional de Endemias Rurais e de Serviço Nacional de Tuberculose. De acordo com o esquema de trabalho traçado pelo DASP, o Ministério da Saúde será o primeiro a ser instalado na nova Capital.

 

Cassiano Ricardo – O poeta e escritor Cassiano Ricardo, membro da Academia Brasileira de Letras, em companhia do editor Diaules Riedel, no Palácio das Laranjeiras, em visita ao Presidente Juscelino Kubitschek, entrega ao Chefe do Governo brasileiro um exemplar especial do poema de sua autoria “Toada pra se ir a Brasília”. Trata-se de uma edição artística. e o poema será publicado no primeiro número do jornal Correio Brasiliense, que iniciará sua circulação no dia 21 de abril, na futura Capital do País.

 

Na imagem, candangos constroem superquadra que abrigará os funcionários públicos transferidos para a nova capital. O fluxo de gente chegando é cada vez mais intenso, até o momento, 680 pessoas já ocupam as asas de Lucio Costa. Afora o Plano Piloto, satélites giram em torno da terra prometida. Milhares de brasileiros acreditam que no cerrado encontrarão prosperidade. Como disse o poeta e escritor Cassiano Ricardo, no poema Toada pra se ir a Brasília, “Vou-me embora para Brasília, que já nos meus olhos brilha, porque é a única cidade onde não haverá saudade” (Foto: Arquivo Público do DF)

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Brasília, 9 de março de 1960

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Preparativos para a inauguração – De Brasília, a Agência Nacional recebe o seguinte comunicado, que distribui à imprensa:

“Os canteiros estão sendo cobertos de plantas e flores e o trabalho de asfaltamento de grandes áreas nesta cidade prossegue em ritmo acelerado, visando dar aos brasileiros e estrangeiros que aqui vierem a vinte e um de abril uma visão panorâmica da ‘cidade do século’. Já estão limpas todas as áreas que circundam as super-quadras dos edifícios de apartamentos do Eixo Rodoviário no Plano Piloto. O plantio de grama já ganha novo ímpeto, o mesmo acontecendo com a parte de iluminação pública que deverá estar funcionando em todo o plano até o fim do mês um curso. As ruas estão com seu aspecto de vias de acesso de uma cidade que já vive muito. Os observadores acreditam que a cidade se constituirá na maior surpresa mesmo para os mais céticos e pessimistas na data de sua inauguração, comprovando a capacidade realizadora do povo brasileiro.”

Palácio do Planalto – A imprensa divulga que os visitantes de Brasília já podem ler, em uma das paredes do Palácio do Planalto, situado na Praça dos Três Poderes, a seguinte inscrição histórica:

1789 – Os Inconfidentes mineiros incluem em suas reivindicações a idéia de interiorização da capital do país, reivindicação igualmente expressa nas Constituições de 1822, 1891, 1934 e 1946. Em 1955, Juscelino Kubitschek de Oliveira é eleito, a 3 de outubro, Presidente da República dos Estados Unidos do Brasil. Em 1956, o Presidente Juscelino Kubitschek, em abril, remete ao Congresso Nacional mensagem em que solicita a criação da Companhia Urbanizadora da Nova Capital, Novacap. A 19 de setembro sanciona a lei aprovada pelo Poder Legislativo e nomeia seu presidente Israel Pinheiro da Silva. Em 1960, convicto da grandeza do empreendimento e lutando decididamente contra todas as dificuldades, o Presidente Juscelino Kubitschek concretiza sua promessa de candidato, entregando ao povo brasileiro a nova capital – Brasília”.

 

A rotina do planalto central gira em torno de preparativos para a inauguração da nova capital: os prédios político-administrativos recebem retoques finais, a iluminação pública deverá estar funcionando até o fim do mês e o asfaltamento de vias públicas ocorre em ritmo acelerado. Na imagem, profissionais  de imprensa realizam a cobertura da construção do Congresso Nacional entre 1959 e 1960 (Foto: Arquivo Público do DF)

Brasília, 27 de fevereiro de 1960

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Tráfego aéreo – Em 1959, o tráfego aéreo comercial em Brasília mostrou-se superior, em número de pousos e decolagens, ao do aeroporto internacional do Galeão, na atual Capital da República. Os dados estatísticos fornecidos pela Diretoria de Aeronáutica Civil e divulgados pelo IBGE acusam, em 1959, um total de 6.741 pousos e 6.738 decolagens em Brasília, enquanto que os números apurados para o Galeão registram, respectivamente, 5.882 e 5.889.
O movimento de aeronaves comercias na Novacap apresenta, portanto, uma vantagem da ordem de 15%.
Transportaram-se para Brasília, por via aérea, no correr daquele ano, 88.194 passageiros e  lá embarcaram 84.052 passageiros. Embora esse movimento tenha sido ligeiramente menor do que o do aeroporto do Galeão (95.935 passageiros desembarcados e 97.743 embarcados) não está longe de alcançá-lo. Vale notar que o total de passageiros chegados de avião a Brasília – o que dá a medida de seu interesse turístico – supera em mais de vinte milhares a população ali residente (64.314 habitantes, segundo o último Censo).
Relativamente ao transporte de volumes, o aeroporto da Nova Capital já mostra resultados apreciáveis. No ano passado foram desembaraçadas 1.645 toneladas e embarcadas 774 toneladas de mercadorias. São no entanto ainda modestas as quantidades de correspondência e encomendas postais transportadas por via aérea: 2.333 quilos enviados e 3.140 quilos recebidos.
Fonte: Coleção Brasília VII – Diário de Brasília – 1960. Presidência da República.

 

Antes mesmo da inauguração, a cidade em forma de avião já recebia mais aeronaves que a antiga capital da república. Os visitantes que chegavam voando à nova capital eram recebidos de asas abertas (Foto: Arquivo Público do DF)

Brasília, 20 de fevereiro de 1960

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Comunicações – Pela Voz do Brasil, o Almirante Ernani do Amaral Peixoto, Ministro da Viação e Obras Públicas, assim expõe a questão de comunicações em Brasília:
“Nos últimos dias, tem aparecido nos jornais notícias desencontradas a respeito da mudança da capital para Brasília. há como que uma intenção bem definida de criar embaraços a essa mudança, criando situação de desconfiança, entre as pessoas que lá vão residir, sobre as condições que a Nova Capital oferece.
Um dos pontos mais visados tem sido o das comunicações. Diz-se que Brasília ficará isolada do resto do Brasil.
Nós acabamos de ver, através das Caravanas de Integração Nacional, que as estradas, convergindo sobre Brasília, estão dando acesso fácil à Nova Capital. Os caminhões e jipes, saindo do Norte, do Oeste, do Leste e do Sul encontraram-se, na data marcada, em Brasília, em meio às maiores alegrias de todos que lá se achavam e que compreendiam o grande alcance daquele encontro.
Um ponto também muito visado é o sistema de comunicações telefônicas e radio-telegráficas. Diz-se que não há possibilidades de Brasília se comunicar com qualquer parte do território nacional, mesmo com as cidades do Rio de Janeiro e de São Paulo, com a facilidade exigida pela importância que vai ter aquela cidade. Desejo passar em revista o que existe atualmente a respeito e o que está sendo feito, para mostrar que podemos efetuar a mudança tranqüilamente para Brasília, porque o sistema de comunicações o permitirá. Atualmente, as tele-comunicações são efetuadas através de dois transmissores: um de dois canais e um outro de reserva. Esse transmissor maior, de 2,5 quilowatts usa um canal em fonia e outro em telegrafia, via teletipo.
O canal de reserva funciona com 500 watts e trafega em Morse. Esse sistema, naturalmente, construído para o período atual de instalação da Nova Capital, atende às necessidades atuais, mas seria muito precário para a ocasião da instalação do Governo em Brasília. Dentro de poucos dias, porém, teremos mais três transmissores e três receptores em ondas curtas, cada um deles com 4 canais telefônicos, num total de 12 de canais, portanto, usando terminais telefônicos Ericson. Ressalte-se que cada um desses canais poderá ser desdobrado em 12 canais para telegrafia. Desses transmissores,2 já estarão em funcionamento quando recebermos, na próxima semana, a visita do Presidente dos Estados Unidos, e o terceiro entrará em funcionamento antes de 21 de abril, data da inauguração de Brasília. Tais conjuntos já estão sendo usados experimentalmente. Além disso,  Brasília está ligada radiotelegraficamente e por linha telegráfica, com Goiânia e, portanto, com o resto do país.
O grande sistema de comunicações, entretanto, ainda não será esse. Será o de micro-ondas, em ligação direta com o Rio de Janeiro, com um “link” de 120 canais telefônicos, através de Juiz de Fora, Belo Horizonte, Uberaba, Uberlândia  e Brasília. Esperamos que esse sistema esteja em funcionamento no mês de abril; um outro circuito já está sendo estudado para ligar diretamente Brasília a São Paulo, tendo-se em vista, naturalmente, o aumento de serviço, que será extraordinário com a mudança da Capital.
Estamos, assim, perfeitamente tranqüilos quanto às comunicações entre Brasília e o resto do país. Aliás, a próxima visita do Presidente Eisenhower será uma experiência interessante, pois os jornalistas que o acompanham e os jornalistas brasileiros, que lá estarão para registro desse grande acontecimento, pretendem transmitir de Brasília 100 mil palavras por dia, e nós acreditamos que será possível alcançar esse número.
As ligações ferroviárias seguem o programa traçado e acredito que, até o fim deste ano, Brasília estará ligada a Anápolis. Os trabalhos, que já não estão mais na fase de estudos, e sim na de plena execução, seguem o seu ritmo normal.
Portanto, como os brasileiros acabaram de constatar, este alarma, esta grande celeuma que se faz em torno da impossibilidade da mudança, sob o aspecto das comunicações, não tem o menor fundamento. Vamos aguardar o dia 21 de abril, quando o Governo, instalado em Brasília, iniciará uma nova era de progresso para o nosso país.
Vamos registrar mais um fato: a ligação de Brasília com o Território do Acre. Isto, alguns anos atrás, poderia parecer um sonho, um sonho inteiramente irrealizável. Não fora a construção de Brasília, possibilitando estradas que convergem para essa cidade, nós não poderíamos nem sequer pensar em entrosar o Acre com o sistema rodoviário brasileiro. Temos esperanças de que, antes do fim do atual Governo, já essa ligação estará terminada.
Vamos mudar a Capital para Brasília, e isto representará, certamente, uma nova fase para o Brasil. Fase de progresso, que vai estimular a confiança dos brasileiros neste grande país.”

Energia elétrica – A rede de energia elétrica de Brasília, que é subterrânea e oferece a característica de permitir a realização de consertos sem necessidade de perfuração do asfalto, terá, em sua primeira fase, a extensão de 400 quilômetros. Desse total, já estão concluídos 290 quilômetros, sendo que até o dia 10 de março o abastecimento de energia deverá estar estendido até as superquadras. A energia procede da subestação da CELG, através de fios aéreos, os quais, à distância de 1 quilômetro do Plano Piloto, passam para a rede subterrânea.

 

Caminhando no sentido oposto de críticas e especulações, o sistema de comunicação da nova capital, às vésperas da inauguração, desenvolvia-se positiva e aceleradamente. Quem viesse a desembarcar em Brasília poderia, sem grandes dificuldades, comunicar-se com o restante do país via telefone, ônibus ou trem (Foto: Arquivo Público do DF)

Brasília, 17 de fevereiro de 1960

Escrito por mariana em . Postado em Linha do Tempo Sem Comentários

Caravana de Integração Nacional – O Coronel-Aviador Lino Romualdo Teixeira, sub-chefe do Gabinete Militar da Presidência da República e o Senhor Waldir Bouhid, Superintendente do Plano de Valorização Econômica da Amazônia, que chefiaram a Coluna Norte, da Caravana de Integração Nacional, enviam ao Presidente Juscelino Kubitschek de Porto Alegre, o seguinte telegrama:
“Comunicamos ao eminente Presidente que a Coluna Norte da Caravana de Integração Nacional acaba de completar a última etapa de sua vitoriosa caminhada. Partindo de Belém e tendo como objetivo inicial atingir Brasília, a Coluna, após memorável encontro com V. Excia, na nova Capital, prosseguiu viagem até o Rio de Janeiro, estendendo-a ao Rio Grande do Sul, a cuja capital chegou às 18 horas de ontem, depois de cruzar os Estados de São Paulo, Paraná e Santa Catarina. A Coluna Norte, com esta travessia histórica, realizou uma viagem de verdadeira integração nacional, percorrendo todo o Brasil, de Norte a Sul, em rodovias construídas por engenheiros e trabalhadores brasileiros, numa extensão de mais de cinco mil quilômetros, em veículos de fabricação nacional, concretizando duas metas importantes do seu dinâmico e patriótico Governo – a rodoviária e a automobilística. A Coluna Norte da Caravana foi recebida em Porto Alegre pelo governador Leonel Brizola e pelo prefeito Loureiro da Silva, nos palácios do Governo e da Prefeitura, sendo saudada por ambos, que ressaltaram a obra governamental de Vossa Excelência e a sua grande repercussão econômica e social, em todo o país. O povo gaúcho encheu as ruas e avenidas que constavam do trajeto da caravana em Porto Alegre e aclamou, com vibração e entusiasmo, o nome do Presidente que promoveu a unificação física do Brasil, através do seu programa de governo.”

Reunião ministerial – A fim de tratar da mudança do Governo para Brasília realiza-se, pela manhã, no Palácio do Catete, uma reunião entre os Ministros de Estado, os chefes dos Gabinetes Militar e Civil da Presidência da República, o Presidente do Banco do Brasil, o Diretor Geral do DASP e o secretário do Grupo de Trabalho para a mudança da Capital para Brasília.
No decorrer da reunião, as autoridades demonstram perfeita coesão e identidade de pontos de vista no que diz respeito à mudança da Capital para Brasília na data legalmente fixada, estando todos os Ministérios em condições de se instalarem na nova Capital, no próximo dia 21 de abril, sem qualquer modificação do programa estabelecido. Externam os Ministros de Estado disposição de enfrentar qualquer resistência à mudança, não considerando, de forma alguma, qualquer cogitação de adiamento.
O chefe do Gabinete Civil transmite, na ocasião, a recomendação do Presidente da República ao Ministro da Fazenda no sentido de que colocasse à disposição do Grupo de Trabalho todos os recursos necessários à mudança dos Ministérios. Fica esclarecido que todos os Ministérios já aprontaram a relação dos funcionários que seguirão inicialmente para Brasília. Semanalmente haverá uma reunião ministerial com o objetivo de continuar o planejamento e a execução da mudança do pessoal remanescente. O contato entre o Governo instalado em Brasília e as repartições que permanecerem no Rio até a completa mudança ficará a cargo do Ministério da Aeronáutica, que organizará um serviço para o transporte, diariamente, de dois funcionários de cada Ministério, até um total de quarenta pessoas, que servirão de elementos de ligação.
O Presidente do Banco do Brasil reafirma que, no dia 21 de abril, aquele estabelecimento estará instalado em Brasília, com os respectivos diretores e uma equipe de funcionários, em pleno trabalho.
O titular da Agricultura adianta que, no dia 20 de março próximo, o Ministério estará instalado em Brasília. Todas as providências para o abastecimento já foram tomadas para que o mesmo se apresente em condições normais no dia 21 de abril.
O Ministro da Educação faz um relato sobre os trabalhos realizados a fim de que, ao se efetuar a mudança do Governo, sejam asseguradas as matrículas que se fizerem necessárias ao ensino primário e secundário, em Brasília. Os professores para o ensino primário e secundário estão sendo devidamente selecionados. Com esse objetivo foi aberta uma inscrição para o aproveitamento de cem professores, que servirão na Nova Capital, tendo se apresentado um total de mil e quinhentos candidatos.
Fica assentado que, diariamente, cada Ministério divulgará, através da Agência Nacional, o andamento dos trabalhos relativos à mudança de seu pessoal e de seus serviços.
Adianta o Ministro da Viação que, no dia 20 de abril, estarão em funcionamento 120 canais de micro-ondas, solucionando o problema das comunicações entre Brasília e o Rio.
No dia 25 de março, conforme resolvido, seguirá para Brasília a primeira turma de funcionários da Presidência da República que servirão na Nova Capital. No dia 22 de abril, o Palácio do Catete estará fechado.
O Ministério das Relações Exteriores, que requer condições especiais para seu funcionamento, será instalado, provisoriamente, no edifício do Ministério da Saúde, ocupando quatro pavimentos do mesmo.
O General Nelson de Melo informa que o Marechal Odílio Denys não pudera comparecer, mas que o incumbira de adiantar aos presentes que o Ministério da Guerra está em condições para se transferir para Brasília no dia 21 de abril.

Serviço telefônico – O Departamento de Telefones Urbanos e Interurbanos acaba de instalar, em caráter experimental, doze canais telefônicos de ondas curtas. O sistema utilizado, posto em funcionamento em tempo recorde, facultará a Brasília comunicar-se como todo o país através de telefonemas por onda curta. No momento, a cidade dispõe de 225 aparelhos telefônicos automáticos, com rede aérea provisória, mas está programada para breve a instalação de 5 mil linhas com capacidade para 6.500 telefones, sendo de se ressaltar que nesse trabalho será empregado o equipamento mais moderno do mundo, tipo “cross-bar” E, para futuro próximo, está programada a instalação, no Plano Piloto, de 200 mil aparelhos. Para comunicações com o Rio, São Paulo e Belo Horizonte, será usado o processo de micro-ondas, que difere daquele agora instalado.

 

A caranava de integração nacional atravessou o país de norte à sul, desde Belém, passando por Brasília e Rio de Janeiro, até o Rio Grande do Sul, para celebrar a unificação física do território nacional. Mas a concepção da cidade, embora rápida, exigiu o empenho e trabalho árduo de muita gente, desde eminentes políticos aos mais humildes trabalhadores. Na imagem, Oscar Niemeyer e Lucio Costa discutem o planejamento arquitetônico da nova capital (Foto: Arquivo Público do DF)

Brasília, 18 de janeiro de 1960

Escrito por mariana em . Postado em Linha do Tempo Sem Comentários

Solenidades de instalação – O presidente Juscelino Kubitschek assina decreto, designando componentes da Comissão de Planejamento e Execução das Solenidades da Instalação do Governo na Nova Capital da República – representante do Senado Federal, Evandro Mendes Viana; representante da Câmara dos Deputados, Luiz Guimarães; representante do Ministério da Viação, Ministro Henrique Rodrigues Vale; representante do Ministério da Guerra, Coronel Carlos Luiz Guedes; e, representante do Ministério da Marinha, Capitão de Fragata Alfredo Álvaro Canongia Barbosa. A coordenação geral dos trabalhos caberá ao Senhor Oswaldo Penido, Sub-chefe da Casa Civil da Presidência da República.

Rodovia Belo Horizonte-Brasília – O Ministério da Viação divulga que já estão concluídos 99,3% dos serviços de terraplenagem da rodovia Belo Horizonte-Brasília, da extensão total de 568 km. Outros dados sobre serviços concluídos: 92% da sub-base, 80,1% da base, 67,4% da pavimentação, 35 obras de arte (100%). As obras de arte da Belo Horizonte-Brasília, em números de 35, medem um comprimento total de 3.177 m. De terraplenagem há, concluídos, 564,3 km, 522,7 de sub-base, 445 km de base e 383,1 km de pavimentação.


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