Posts com a Tag ‘minha’

Bela, bela

Escrito por Brasília Poética em . Postado em Converse com os Poetas 1 Comentário

Bela, bela
Minha cidade
Tem palácios tem favelas
sobra comida nos banquetes
E aos famintos sempre é dado
o vazio das panelas.
Bela, fria, bela, fria
pelas ruas, plenas tardes
nas varandas, nas butiques
tem madames, tem vadias
nas cirandas dos meninos
tiroteios, gritaria.
Bela, bela neobabel
Capital da esperança
Tem malucos, tem mendigos
Matadores de crianças
(manhãs, noites e pontes)
quem espera nunca alcança
o ritual da bonança.
Triste, bela, fria, triste
Ilha de serpentes e sequelas
De norte a sul do avião
Feira de falcatruas
Festival de dedo em riste
Maltratada, maltrapilha
Brasília observa e resiste
A tela do sol na cara dela
A cara dela na tela do sol

Ivan Monteiro, poeta brasiliense
Poema transcrito da coluna “Tantas Palavras”, Correio Braziliense de 11/07/2012

MINHA BRASíLIA

Escrito por Brasília Poética em . Postado em Poemas para Brasília Sem Comentários

MINHA BRASíLIA

Saberemos, Brasília,
sobre o futuro por ti declarado?
Feitiços jogados por uma prisão
de entretenimento duvidoso.
No anonimato, as estrelas ainda podem ser vistas;
Mesmo com tão pouco tempo para darem pistas.
Nas veredas impostas por vultos,
deixando a cada dia todos mudos.
Deixe sorrir aquilo que ainda
confina com segredos.
Permita-se viver com a mudança.
E assim saberá mudar!
Vamos então, Brasília,
desça do pedestal que todos dizem que estás!
Onde vamos com seus atos inconsequentes,
e as mentes doentes?
Vamos, então, deitar o olhar;
Que por incrível que pareça,
ainda há estrelas a brilhar!

Post Maria Clara Rezende Avelino, poetisa brasiliense, 15 anos de idade.

 

Continue lendo

BRASÍLIA

Escrito por Brasília Poética em . Postado em Poemas para Brasília Sem Comentários

BRASÍLIA
Brasília é minha filha,
Minha menina sem juízo.
Sonhou tão alto
Que criou asas
Pra me ensinar a voar,
Sair dos eixos,
Imaginar esquinas, sobrevoar monumentos,
Com liberdade de meninos,
Colorir o firmamento.
Na Catedral tocar os sinos
Na hora da Ave Maria
E depois sair correndo
Para assistir o fim do dia
Pousar nos meus olhos
E derramar toda a poesia
No Lago Paranoá.
 
Dina Brandão, poeta brasiliense.
Poema transcrito do livro “Do amor e seus descabelos”

 

Continue lendo

Rap do Mikiba

Escrito por Brasília Poética em . Postado em Converse com os Poetas Sem Comentários

Rap do Mikiba

 

eu sou sujeito/já cherei cola e tinner
sangue no peito/não subestime
 
sou sangue bom/já fui ladrão, homicida
hoje eu não faço nada/porque isso não me instiga
 
eu não me conheço/eu falo com todos
eu sou o desgosto/sou pobre, sou louco
a minha vida desse jeito/foi o maio sufoco
 
vivendo na porta da rodoviária/fazendo tudo porque ninguém paga nada
o governo não presta/desta periferia
 
sou preto indigente, novo e novato/na correria da rua
mando o assalto/não ando de pé/ando na lua
 
estar na minha goma neguinho quis/me matar posso mandar catatau
já paguei e hoje me paga o pau/a rodoviária do plano piloto é pra TV
eu sou do mal, hã?, não sou do bem/ eu sou o preto do oco
eu vivo todo dia dentro de Brasília/eu vivo todo dia na periferia
 
eu canto a luz do sol/já fui bandido, já fui esqueleto
eu sou daqui eu sou dali/o coração é pó
eu canto a luz do sol/subo para subir
desço para baixar/corri no farol
vivo no asfalto gelado/deito aqui
minha casa é o chão gelado da calçada/que você cospe quando passa
 
 
Transcrito do livro “Abstrata Brasília Concreta”, de W. Hermuch

Continue lendo

– Brasília Cinqüentona.

Escrito por Brasília Poética em . Postado em Poemas para Brasília Sem Comentários

–  Brasília Cinqüentona.

      Completa cinqüenta anos
      A capital do Brasil,
      Dedico minha homenagem
      A um povo varonil,
      Que aqui chegou primeiro,
      Para esse pioneiro
      Minha nota é nota mil.

      Aqui o bravo candango
      Enfrentou lama e poeira,
      Operou máquinas pesadas
      Britador e betoneira,
      Derramou suor no solo,
      Embalou Brasília ao colo
      Como filha verdadeira.

      Mostrado em sonho a dom Bosco
  A terra de leite e mel,
      Corajoso Juscelino
      Tira a obra do papel,
      Lúcio Costa usa o compasso
      Parece até que Picasso
      Também usou seu pincel.

      A grandeza desse povo
      Para mim não tem resposta,
      A coragem do candango
      E o feito de Lúcio Costa,
      Homem de tento afinado
      Por Juscelino inspirado
      Cumpriu a sua proposta.

      No Catetinho Juscelino
      Reunia o conselho,
      Nas obras os operários
      Rasgando o barro vermelho,
      Ou no pântano alagado
      Os candangos atolados
      Na lama até o Joelho.
 

      Da Vale do Rio doce
      Carretas de ferro-gusa,
      O ferro de qualidade
      Para não haver recusa,
      Niemeyer tomando a frente
      Pois o homem inteligente
      Do saber usa e abusa.

      Contemplando sua obra
      O presidente Juscelino,
      Lá  do seu memorial
      Ao ouvir a voz do sino,
      Lança um olhar à Catedral
      De forma natural
      No seu jeito genuíno.

      No coração do país
      Foi erguida uma bandeira,
      Surgiu nossa Brasília
      A capital brasileira,
      De Brasil nome oriundo
      Reconhecida no mundo
      Brasília não tem fronteira.

      Brasília é um patrimônio
      Que deve ser preservado,
      Espero que ela cresça
      Sem destruir o cerrado,
      Só  assim a natureza
      Completa essa beleza
      De um povo civilizado.

      A Catedral de Brasília
      De moderna arquitetura,
      Como símbolo de beleza
      Mostrado na armadura,
      De ferro e concreto à vista
      Para encantar o turista
      Mostra em bronze as esculturas.

      Lá  da torre de tv
      A vista é impressionante,
      Se quiser ver a cidade
      É só subir ao mirante,
      Ou olhar o poente e ver
      O sol ao se esconder
      Dourando o horizonte. 

      Brasília tem beleza
      Capaz de nos encantar,
      O nosso cartão postal
      É a ponte Jk,
      De onde ver-se uma lancha
      Pequena como uma mancha
      No lago Paranoá.

      Dentre todas as belezas
      Nenhuma é equiparada,
      À residência oficial
      Palácio da Alvorada,
      Que fica às margens do lago
      Onde o vento em afago
      Vai soprando uma jangada.

      As águas daquele lago
      Tem a cor de esmeralda,
      Pra completar a beleza
      Bem perto do Alvorada,
      Tem o esqui de prancha
      E de propósito uma lancha
      Que continua ancorada. 

      Nas proximidades do lago
      Tem o setor hoteleiro,
      Para o lazer dos hóspedes
      O passeio de veleiro,
      No meio da natureza
      Mostrando assim a beleza
      Do planalto Brasileiro.

      Como voa uma gaivota
      No horizonte suave,
      Nós que somos tripulantes
      Voamos na nossa nave,
      Num vôo constante e raso
      Sei que não foi por acaso
      Que Lúcio Costa te deu este formato de ave.

      O Zoológico de Brasília
      Que muita gente conhece,
      Foi palco de uma tragédia
      Que quem viu jamais esquece,
      Um sargento na esperança
      De salvar uma criança
      Até  a morte padece.

      Quando a criança caiu
      Na fossa das ariranhas,
      Um destemido sargento
      De uma coragem tamanha,
      Mesmo antes de ser morto
      Ainda salvou o garoto
      Foi sua ultima façanha.
        

      Mas, uma mancha na história
      Denegriu o nosso hino,
      Apesar dessa barbárie
    Brasília segue o destino,
      Sem esquecer Ana Lídia
      Que continua na mídia
      E o nosso índio Galdino.

      O líder pataxó
      Trazia a agenda cheia,
      Representando os índios
      Que ficaram na aldeia,
      Aqui o queimaram vivo
      E acharam não ser motivo
      Pra responder na cadeia.

      E o caso Ana Lídia
      Nunca foi esclarecido
      Os filhos dos poderosos
      Não chegaram a ser punidos,
      Abriram um precedente
      Formando uma corrente
      Em favor dos envolvidos.
 

      Mas, nossa gente é autêntica,
      E Brasília vai avante,
      Confiamos na justiça
      E numa imprensa atuante,
      É constante este luta
      Ao desvio de conduta
      O povo está vigilante.
 
 

      Para a glória de seu povo
      Brasília triunfará,
      E o sonho de dom Bosco
      Ajuda o povo à sonhar,
      A esperança não se encerra
      Por amor a esta terra
      E homenagem a Jk.

      Já  pensando nos cem anos
      Da Capital da Esperança,
      Faremos hoje um pacto
      O velho o jovem e a criança,
      Para que seu centenário
      Dê  ao rico e ao operário
      Orgulho desta aliança.

      Se aqui os pioneiros
      Plantaram a semente,
      Cabe ao brasiliense
      Ser mais eficiente,
      Numa constante vigília
     Não se esquecer que Brasília
     É patrimônio da gente.
             

      Esta cidade moderna
      É orgulho da nação,
      Brasília é mais Brasileira
      Pela miscigenação,
      Aqui a gente se abraça
      Essa mistura de raça
      Aproxima o cidadão.

      Brasília foi projetada
      Para não ter esquina,
      E esta arquitetura
      Que hoje aqui predomina,
      É moderna e sinuosa
      Tornando-a graciosa
      E ainda mais feminina.

      Se Jk decidisse
      Fazer uma correção,
      Chegasse com Lúcio Costa
      E o Bernardo Sayão,
      Eu não sei como seria
      Mas, eu acho que daria
      Uma grande confusão.

      E se chegasse dom Bosco
      Para a Inauguração,
      E visse os que erraram
      Aqui pedindo perdão,
      Talvez fossem perdoados
      Depois de ter apanhado
      Uma surra de bordão.
 
 

      Homens que formam o cérebro
  Deste crânio de concreto,
      E tem nas mãos o poder
      Seja por lei ou decreto,
      Quando faz algo errado
      Espera do eleitor enganado
      Só  um protesto discreto.

      Nas ruas e avenidas
      O corre-corre é um fato,
      Somente o transito não anda
      É de Brasília o retrato,
      Que estressa o motorista
      E ali perto o congressista
      Tenta salvar seu mandato.

      A nossa rodoviária,
      Já  foi cartão de visita,
      Hoje está mal cuidada
      E já não é tão bonita,
      Tem criança abandonada
      Que vem sendo aliciada
      Não sei se alguém acredita.

      É preciso agir rápido
      O alarme já soou,
     Este não foi o sonho
     Que dom Bosco um dia sonhou,
     Não estão cumprindo o papel
     Ou será que o leite e o mel
     Só  para o pobre faltou.

     O coração de Brasília
     É a Praça dos Três Poderes,
     Que ostenta a bandeira do Brasil
     Com os dizeres,
     Ordem e Progresso
     E as leis vem do congresso
     Com direitos e deveres.
   
      Nessa imensa esplanada
      Onde se reúne a massa,
      Em busca de um ideal
      Se o movimento fracassa,
      O evento perde o sentido
      Pois fica no prometido
      E de promessa não passa.

      Esse espaço é para o povo
      Lançar o seu manifesto,
      Mas aquele ato cívico
      Sempre acaba em protesto,
      Pois quem está no poder
      Diz que não pode atender
      Justificando seu gesto.

      Mas a gente não desiste
      Somos todos caminhantes,
      Vamos juntos nesta luta
      Mesmo que ainda distante,
      Caminhando sem parar
      É preciso acreditar
      Nossa luta vai avante.

      Quando vier à Brasília
      Não deixe de visitar,
      O Palácio do Catetinho
      E o Memorial Jk,
      Do homem que com carinho
      Abriu um novo caminho
      Para o Brasil caminhar.

      Foi nestes lugares sagrados
      Que se escreveu a história,
      No Catetinho Jk.
      Fez morada provisória,
      E no seu Memorial
      Os restos deste imortal
      Que ficará na memória.

      Ao ver o Memorial Jk.
      Me aperta o coração,
      Perece que estou ouvindo
      Aquela linda canção,
     A música é peixe vivo
     E nela encontro motivo
     Pra esta minha emoção.

     Nunca vou
     Esquecer esta alvorada,
     Onde o sol desponta no oriente,
     Refletindo a brancura do mármore na fachada
     Sob o céu azul da esplanada
     Vou amar Brasília eternamente.

       Edisio Araújo, poeta paraibano.
       Post Ilva Araújo

 

Continue lendo

LOUCA ESPERA

Escrito por Brasília Poética em . Postado em Converse com os Poetas Sem Comentários

LOUCA ESPERA
 
Se tivesses vindo hoje para ver-me
Na hora dos incômodos cansaços
Mansamente poderias, Amor, ter-me
A perder-me, feliz, entre teus braços…
 
E fico a imaginar, Ternura minha,
a tua boca… O teu riso… o teu abraço…
O toque de tuas mãos no corpo lasso
Desta que, de anseios, cheia vinha
 
Aguardar-te, estranhamente, terna e louca,
Escondendo, até de ti, grande desejo
De ter-te inteiro, só num beijo, em minha boca.
 
Nada mais queria tanto, isso bastava…
Era um beijo, tão somente, um longo beijo
Que ali, ansiosamente, eu esperava…
 
Carmen Sales
Reproduzido do livro “Chuva de Poesias, Cores e Notas no Brasil Central
Sônia Ferreira.

 

Continue lendo

azulei X

Escrito por Brasília Poética em . Postado em Converse com os Poetas Sem Comentários

azulei X
 
posto que não há janelas
os umbrais do teu olhar
minha amada
comportam minha solidão
 
Chico Pôrto (e Arymororó, pseudônimos de Francisco Antonio de Sousa Pôrto)
Poeta cearense, nasceu em Fortaleza.
Reproduzido do livro "Deste Planalto Central: Poetas de Brasília", antologia de Salomão Sousa.

 

Continue lendo

ABSURDO TEMPO ARTEIRO

Escrito por Brasília Poética em . Postado em Converse com os Poetas Sem Comentários

ABSURDO TEMPO ARTEIRO
 
                            Tradução: Anderson Braga Horta
 
 
Absurdo perfil que contorna
tua sombra, meu pai,
cansada de tua morte
exijo teu retorno,
regressa ao menino eterno
guardado em segredo trêmulo
incolor razão
que abriga minha inocência.
 
Tempo ímpio
transgressor de minha impotência
te afastou das bordas
de minha essência
sem me permitir aprofundar
o gesto em tua presença.
 
Arteiro eco
empenhado em transcrever
os sons do olvido
em tua partida tão latente
desfazendo-se em reflexos
de vingança,
a ausência
de teu espectro contundente.
 
Sofia Vivo, poetisa uruguaia, nasceu em Montevidéu.
"Poemário"
I Bienal Internacional de Poesia de Brasília

 

Continue lendo

CONTEÚDO

Escrito por Brasília Poética em . Postado em Converse com os Poetas Sem Comentários

CONTEÚDO
 
Minha poesia não contém corantes,
acidulantes, conservantes,
vitaminas, sais minerais,
proteínas ou qualquer outro produto químico ou natural.
 
Minha poesia não tem dobras,
curvas enigmáticas,
compostura, não anda atrás de ninguém.
É só. Só se mantém e o tempo faz vento
sobre as folhas de papel.
 
Minha poesia é meu choro longo,
largo, solto, amplo,
Vive a vida das coisas obscuras.
 
Ésio Macedo Ribeiro, poeta mineiro, natural de Frutal.
"Poetas Mineiros em Brasília", de Ronaldo Cagiano.

 

Continue lendo

Entre a lua e Brasília

Escrito por Brasília Poética em . Postado em Poemas para Brasília, Posts Sem Comentários

"Antes de vir para Brasília, sofri uma grande perda que me deixou de tal modo desalentada que eu estava certa de que parte ou toda a minha vida havia se perdido. Nada mais tinha sentido. Era como se estivesse mutilada e nada conseguia estancar a dor generalizada, a sensação de desamparo. O chão me parecia escapar. Pensei muitas vezes em fazer as malas e sair mundo afora. Mas se eu fizesse isso iria reviver tudo o que estava me ferindo de morte. As cidades e os países que gostaria de visitar eram os mesmos da época mais feliz da minha vida, da plenitude perdida.
Um sopro me dizia que eu deveria começar de novo, do zero, em outro lugar, bem diferente de tudo o que havia vivido até então. Teria de mudar então para um lugar desconhecido. Pensei na Lua, quem sabe um lugar tão longe me afastaria da dor que partia  meu peito ao meio? Foi aí que li a notícia de que Juscelino estava mesmo construindo Brasília. Por que não? Minha família reagiu em bloco: não, não e não. Um lugar sem recursos, cheio de operários e quase sem mulheres, era muita loucura. Melhor a Lua então.

Enfrentei o batalhão familiar e vim sem medo. Era como se eu já tivesse certeza de que estava mesmo começando uma nova vida. Quando cheguei aqui, eram enormes as dificuldades, mas eu as enfrentava com o avesso da minha dor. Não eram mais dificuldades, eram o apagar da dor, o meu renascer depois de tão terrível perda.

Depois de mais de 20 anos em Brasília, dizia para mim mesma que vir pra cá foi a grande decisão da minha vida.

Eu me refiz junto com o nascimento de uma cidade. Nunca pensei que viraria colunista social, nem em sonho total. Sempre gostei de ler, biografia especialmente. Sou filha de classe média alta, nasci na Tijuca. Estudei nos melhores colégios do Rio de Janeiro.

Sempre me interessei pelo colunismo social. Acompanhei a carreira de grandes colunistas brasileiros. O Jacinto de Thormes, o colunista de O Cruzeiro, catou seu pseudônimo em Os Maias, do Eça. E eu, pedi o meu ao Tolstoi.

Fui tesoureira do Iapi, o Instituto de Previdência dos Industriários, responsável pela construção de muitas Superquadras. Mas Brasília não admitia o serviço meramente burocrático. Eu largava o escritório e ia para os canteiros de obra – fui enfermeira, assistente social, conselheira e até escritora de carta para os operários. Nunca, em nenhum momento, ouvi gracejos ou insinuações maliciosas.
Como colunista social, registrei a inauguração da cidade neste Correio. Peço licença aos leitores para citar alguns trechos do que escrevi naquele dia histórico: "Bela e emocionante foi a missa celebrada com a presença do senhor e senhora Juscelino Kubitschek e suas encantadoras filhas Márcia e Maristela. Dona Sarah, muito elegante num vestido estampado. Márcia, de claro, e Maristela, de saia e blusa. Uma saia muito bonita, aliás".

Meu nome é Katucha. Morri em 1983. A dor da grande perda passou, mas o amor não. Por isso, eu terminava minha coluna, todos os dias, escrevendo assim: "Eu quero a rosa mais linda que houver para enfeitar a noite do meu bem".
 
Conceição Freitas
Reproduzido do Correio Braziliense, de 24/04/2008

 

Continue lendo


Leia também:

A passagem de Tom Jobim e Vinícius de Moraes pelo Catetinho

O texto de Antônio Carlos Jobim Setembro, sertão no estio. Frio seco. Altitude aproximada: 1.200 metros. Ar transparente, céu azul profundo, primavera e pássaros se namorando. Campos gerais, chapadões dos gerais. Cerrado e estirões de mata à beira dos rios.…

Alvorada de Espelhos

Alvorada de Espelhos Por Clemente Luz O imenso louva-a-deus traçado no papel, antes promessa da presença da cidade, já tem forma e base sólida no chão do planalto. No local mesmo onde a visão do profeta viu “que se formava…

Bernardo Sayão

Da morte emerges, Bernardo Sayão, e com que pureza! Assim te revemos, os que nunca te vimos, e não há em nós nenhuma surpresa. Assim te revemos, sertanejo tranqüilo, no retrato que te faz surgir num descampado, o olhar firme, …