Posts com a Tag ‘Meu’

NoturNeon

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NoturNeon

Noturno pela cidade
Meu coração fotografa
O Banco Central em chamas
Noturno pela cidade
Na certeza de quem ama
Meu coração fotografa
O Banco Central em chamas

Menezes y Morais, poeta brasiliense.
Poema transcrito da seção “Tantas Palavras”
Correio Braziliense, 20/06/2012

 

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Três Poderes

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Três Poderes

Não havia lua cheia,
Nem a chuva leve caía sobre nós,
Mas o néctar que da lua pingava
Molhava nossas almas
Com uma luz mais que brilhante,
E fazia nascer em meu coração
Um sentimento desconcertante,
Uma paixão inimaginável,
Uma loucura fascinante.

Cercados por Três Poderes,
Uma praça, em um espaço aberto,
Coberto pelas estrelas e luzes da noite
A Terra, dava a nós o leito…
O chão onde pisávamos
E nos encontrávamos
Para sermos o que quiséramos,
O que sonhávamos.

O ar enchia nossos pulmões,
Corações, veias, mentes, almas
De um frescor alucinante
Que nos arrepiava o corpo,
Que nos embaraçava os cabelos,
Que nos jogava um contra o outro
Como um abraço louco
E animal.

O Fogo queimava nossa pele
E um desejo à flor da pele
Nos dominava e nos aproximava
Para que, em beijos apaixonantes,
Nossas bocas se tocassem
E se completassem
Como a lua completa o céu
E o céu completa a vida.
Nada nos dividia.
Tudo nos unia.

Quero dar-te a alegria
Que jamais em tua vida surgiu e
Jamais teu olho negro viu.
Quero completar-te e servir-te
E, como numa orgia de sentimentos fantásticos,
Perder-me em desatino,
Esquecer-me do meu destino
E entregar-me ao teu prazer.

Post do poeta Alessandro Eloy Braga.
Poema transcrito do livro “Madrigais cantantes”

 

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Meu Cerrado

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Meu Cerrado

Encho os olhos
de paisagens
do cerrado

Um espírito rendado
emana da floresta
de ikebanas goianas

Claridade rasgada
o plano exato
geografia instantânea

Angélica Torres Lima, poetisa goiana, natural de Ipameri.
Poema transcrito do livro “O Poema quer ser útil”, L.G.E Editora


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Espera

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Espera
 
O amor que eu tinha
era feito de néon calidoscópio
e me fazia feliz
como o painel de anúncios
do Conjunto Nacional.
 
Respirava a cidade
molhada de chuva.
Meu amor
estava refletido
em semáforos e asfaltos.
 
Um dia gravou um videoclipe
onde o seu perfil azul
virava águia,
voava do penhasco.
(Meu amor televisivo).
A tarde era o ângelus,
eu presa na moldura da sala
ele viajando no metrô
que ainda não fora construído.
 
Eu toda fé e solidão.
Não passou pela rua da minha janela.
Se extinguiu, se exauriu.
Amanhã nasce de novo.
 
Maria da Glória Lima Barbosa, poetisa baiana, natural de Camaçari.
Poema transcrito da antologia “Poemas para Brasília”, de Joanyr de Oliveira.

 

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Engarrafada aos 50

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Engarrafada aos 50
 
Andando e cantando
Eu vou avistando
Os carros parando
Meu pé vai freando
 
Andando e parando
O tempo passando
O carro esquentando
Parei de cantar
 
Andando e parando
O tempo passando
O sol escaldando
Eu vou cozinhar
 
Andando e parando
O tempo passando
Motor barulhando
Só falta quebrar
 
Andando e parando
O tempo passando
O som estourando
No carro de lá
 
Andando e parando
O tempo passando
O chefe esperando
Eu ir trabalhar
 
Andando e parando
O tempo passando
As motos passando
Eu quero passar
 
Andando e parando
O tempo passando
A fila aumentando
Só falta andar
 
Andando e parando
O tempo passando
Polícia multando
Em todo lugar
 
Andando e parando
O tempo passando
Criança chorando
Também vou chorar
 
Andando e parando
O tempo passando
O mundo girando
Só eu que não ando.
 
Marcelo Corado, poeta brasiliense.

 

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Poemas de Toque

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Poemas de Toque
 
II
 
scls
duzentos e tal
         : o sol
                  pendurado num varal
amanhece
 
III
 
imensa solidão
    : o lago paranoou-se
                  em meu coração
 
IV
 
dourada a luz
                  verão das seis
: calda esparramada
                             pela W-3
 
V
 
agosto ensandece
: vago pela sqs
                     ensoldecido
 
VI
 
cento e seis sul
      às seis
: à beira do eixo
 meu coração
                    talvez
 
Nelson de Carvalho, poeta natural de Piquete, São Paulo.
Poema transcrito “Deste Planalto Central – Poetas de Brasília”, de Salomão Sousa.

 

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ENCONTRO MARGINAL

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ENCONTRO MARGINAL

vou marcar encontro
com inimigos do regime
vou pedir seus nomes
para meu livro de poemas
 
vou perguntar-lhes
porque as palavras
estão velhas dentro dos homens
e porque o bom caminho
é o mais largo em cada passo
se o que conduz à vida
fica mais estreito?
 
depois vou lançar manifestos às chuvas
em defesa do meu crime
vou chamá-los de irmãos da lua
e semeadores do impossível.


Ézio Pires, poeta fluminense, nasceu em Cantagalo (Macuco).
Transcrito da antologia "Poetas de Brasília", de Joanyr de Oliveira  (1962)

 

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Espera

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Espera
 
O amor que eu tinha
era feito de néon calidoscópio
e me fazia feliz
como o painel de anúncios
do Conjunto Nacional.
 
Respirava a cidade
molhada de chuva.
Meu amor
estava refletido
em semáforos e asfaltos.
Um dia gravou um videoclipe
onde o seu perfil azul
virava águia,
voava do penhasco.
(Meu amor televisivo).
A tarde era o ângelus,
eu presa na moldura da sala
ele viajando no metrô
que ainda não fora construído.
 
Eu toda fé e solidão.
Não passou pela rua da minha janela.
Se extinguiu, se exauriu.
Amanhã nasce de novo.
 
Maria da Glória Lima Barbosa, poetisa baiana, nasceu em Camaçari.
"Poemas para Brasília", de Joanyr de Oliveira.

 

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ITACURUSSÁ

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ITACURUSSÁ
 
Itacurussá, meu querido berço
Vives num passado distante
Ninfa que ocupa meus sonhos
Longe da minha alma errante,
 
Troquei-te por outros campos
Por terras bem diferentes
Que ocupam o mesmo Brasil
Brasil de almas tão quentes.
 
Todos conhecem teus mares
Teu povo e a tua beleza
Só eu, tua filha emigrante,
Me larguei na correnteza.
 
Stella Alexandra Rodopoulos, poetisa fluminense, de origem grega.
Reproduzido do livro "15 anos de Poesia – prova e verso", antologia da Casa do Poeta Brasileiro.

 

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Viola Candanga

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Viola Candanga
 
Do meu andaime empoeirado,
                          eu tocador de palminha,
de cururu, de catira,
                          cateretê, recortado,
na minha viola candanga
                          vou cantando, meus compadres.
 
Se é que Brasil vem de brasa
                         e Brasília de Brasil
por que é que nossa Brasília
                         em vez de ser mais de brasa
é mais de pó, pó demais?
 
Vão-se embora, redemoinhos!
                          Pó vermelho: quero paz!
Ou vocês me desafiam?
                          eu sou bom no desafio:
vamos ver quem pode mais!
 
Stella Leonardos, poetisa natural do Rio de Janeiro.
"Poemas para Brasília", de Joanyr de Oliveira.

 

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