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Brasília

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Brasília
Cidade bela,
tão ampla em teus horizontes…
A tantos sonhos
erguestes pontes…
A tanta vida
foste alvorada…
Cidade alada,
braços alados, sempre tão abertos,
teus verdes espaços.
Tal liberdade dás aos que os seus sonhos
embalam em teus braços,
pois que tu mesma de um sonho nascestes.
Cidade celeste…(…)

Lúcia Helena Galvão, poeta brasiliense
Poema transcrito da coluna “Tantas Palavras”, Correio Braziliense 21/08/2012

Mesma mineira em Brasília

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Mesma mineira em Brasília
 
No cimento duro, de aço e de cimento,
Brasília, enxertou-se, e guarda vivo,
esse poroso quase carnal da alvenaria
da casa de fazenda do Brasil antigo.
Com os palácios daqui (casas-grandes)
por isso a presença dela assim combina:
dela, que guarda no corpo o receptivo
e o absorvimento de alpendre de Minas.
 
                                 *
 
Aqui, as horizontais descampinadas
farão o que os alpendres remansos,
alargando espaçoso o tempo do homem
de tempo atravancado e sem quandos.
Mas ela já veio com a calma que virá
ao homem daqui, hoje ainda apurado:
em seu tempo amplo de tempo, de Minas,
onde os alpendres espaçosos, de largo.
 
João Cabral de Melo Neto, poeta pernambucano, natural de Recife.
Poema transcrito da antologia “Poemas para Brasília”, de Joanyr de Oliveira

 

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Praça Cósmica

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Praça Cósmica
 
Quero casa bonita naquela praça
onde Deus mora talvez ninguém
avistarei rotas de outros mundos
ouvirei os pássaros das estrelas
seus inconfidentes piscados
 
nenhuma dor ressoar neste chão sem túmulo
ânsias humanas todas sepultadas
ambições morrer sem reclamar
como cordeiros sacrificados
 
naquela praça
portas não precisar chaves
não haver súditos nem rei
todos pertencer mesma classe
mesma cor
obedecer à mesma lei
 
paz única lei deverá cumprir-se
morte ninguém pedir silencio
todos eternizados no amor
enamorados da vida
 
quero casa bonita naquela praça
onde ninguém mora talvez Deus
avistarei rotas de outros mundos
ouvirei os pássaros das estrelas.
 
Ângelo D’Ávila, poeta mineiro, natural de Araxá.
Poema transcrito da antologia “Geografia Poética do Distrito Federal”, de Ronaldo Alves Mousinho.

 

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Visita Inesperada

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Visita Inesperada
Por Clemente Luz

Não vi a porta abrir-se, mas, de repente, senti que alguém estava a meu lado, ouvidos atentos ao que saía do rádio. Olhei. Dois olhos azuis, em rosto sorridente marcado pelo tempo, fixaram-se nos meus e interrogavam, como há dois anos. Aumentei o volume do receptor, para que o som se repartisse e penetrasse eqüitativamente os dois pares de ouvidos.

– Como vão as coisas? – perguntou-me.

Desta vez, porém, não queria saber sobre o mundo, sobre as ameaças de guerra ou sobre a luta fria de potências, pelo domínio da energia nuclear. Queria notícias de Brasília, a cidade que, juntos, vimos nascer e ensaiar os primeiros passos. Desliguei o rádio, voltei-me inteiramente para o visitante, sem surpresa. A batina surrada trazia a mesma poeira e denotava a mesma pobreza de dois anos atrás.

Fez um gesto largo de desculpas, com as mãos enormes:

– Como vê, andamos na mesma. E esta manhã, como sei que você não é de fazer visitas, deixei minha morada e subi a Avenida W-4, que, no meu tempo, ainda não existia, para saber as novas da “cidade do leite e do mel…”

– Do leite e do mel é coisa de profecia… Na verdade, hoje é a cidade da chuva e do barro.

Riu sem convicção, ajeitou-se na cadeira e esperou.

Ofereci-lhe café.

– Obrigado. Estou livre desse problema, embora sinta saudade de seu cafezinho.

Tocado por um vago sentimento de saudade e de tristeza, comecei a falar:

– Pois é. A cidade está pronta. Bela na sua concepção urbanística e arquitetônica, aí está, plantada no chão e no tempo, para a eternidade. Mas não é mais nossa. Nem é muito humana, embora os ares se encham dos cheiros e das fumaças dos fogões domésticos, do choro das crianças, do lamento dos corações solitários, da gargalhada histérica dos novos-ricos e dos boêmios inveterados, do ruído rangente dos freios de veículos, que mãos alucinadas dirigem. As salas vazias dos palácios e blocos ministeriais se povoam lentamente de estranhos, aos olhos longínquos e tristes dos candangos, que vão tendo a entrada barrada nas portarias…

Ele suspirou fundo e deixou escapar a exclamação saudosa:

– Naquele tempo…

Sim, naquele tempo…Sayão cavalgava tratores e aviões, vencia o planalto, dominava a floresta. Mas Sayão pagou o tributo dos bravos e inaugurou o cemitério…

Ele voltou a suspirar:

– O cemitério…Lá é tão frio, tão triste, tão distante dos corações! As gentes que ali chegam não levam carinho. Levam tristes corpos vencidos pela cidade!…

Retomei a palavra:

– Imagine, amigo, como estamos ficando sozinhos, embora cercados por multidões cada vez maiores. Os de ontem, que caminharam no barro e na poeira do nosso lado, deixam a cidade, praticamente expulsos pela engrenagem voraz da realidade, que é fria e impessoal. Retornam à terra de origem ou procuram outras frentes de trabalho, onde não lhes faltam comida e teto.

Embora com aparente alegria pela partida, não conseguem esconder, nos gestos e na voz, a tristeza amarga dos expulsos…

Fiz uma pausa, para concluir:

– Muita coisa mudou aqui no Planalto. Até as ruas, como viu na subida pela Av. W-4. Os edifícios, que vimos nas estruturas, estão sendo habitados. A cidade que era traço no papel e imagem na visão do arquiteto e do urbanista aí está, quase plena. Muitos tomam o lugar de muitos, nos escritórios e nas casas, como tomariam o seu lugar, na casinha da Quadra 31. Não tomaram, entretanto, o seu lugar no coração dos amigos…

Levantou-se de mansinho, atravessou a porta sem abri-la, acenou adeus com a mão direita e desceu os três degraus da escada. Olhou longamente para o lado de sua casa a poucos metros de distância, como a dar-lhe um último adeus.

Sayão, vestido de candango, com a permanente bota, cortada à altura do calo, tomou-lhe carinhosamente o braço dizendo:

– Vamos, Padre Primo! Hoje devemos ter visitas…se é que ainda se lembram de nós.

Os dois vultos se distanciaram, perdendo-se na névoa, que a chuvinha matinal fazia dançar no espaço, na triste manhã de finados…

Transcrito do livro “Invenção da cidade”, de Clemente Luz.

 

 

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Brasília

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Brasília
 
Eu vi o sol de Brasília
à hora do nascer do sol:
bloco de topázio em prismas
alçado pelo anzol do céu
ali na faixa do horizonte
à altura de minhas mãos.
O sol que sempre vai nascer
às mesmas horas da alvorada
com a mesma ardência o mesmo adejo
a mesma graça de alvorada
quando meus olhos forem cegos.
 
Eu vi a lua de Brasília
flutuando no aquário escuro.
Nenhuma lua vi maior
nem mais límpida em longitude
nem mais redonda em corola.
Era um jorrar de lua a flux
em água vidros azulejos
mármores espaços à frente
relvas gramíneas buritis.
Uma lua vinda de outrora
que se perdera e se encontra
em novo giro agora fixo
para os amores que despontam.
 
Vi a galáxia de Brasília
pairando sobre a flor de pedra
da catedral em ofertório.
Foi numa noite de mistério.
Os astros formavam códigos
senhas algarismos e siglas,
projetavam perfis
de Profeta Patriarca
Inventor Arquiteto
Construtor Operário Artista.
 
A galáxia refluía à fonte:
são os astros de humana estirpe
entressonhados  noite a noite
que coroam Brasília.
 
Henriqueta Lisboa, poetisa mineira, nasceu em Lambari.
Reproduzido da antologia “Poemas para Brasília”, de Joanyr de Oliveira.

 

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Mesma mineira em Brasília

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Mesma mineira em Brasília
 
No cimento duro, de aço e de cimento,
Brasília, enxertou-se, e guarda vivo,
esse poroso quase carnal da alvenaria
da casa de fazenda do Brasil antigo.
Com os palácios daqui (casas-grandes)
por isso a presença dela assim combina:
dela, que guarda no corpo o receptivo
e o absorvimento de alpendre de Minas.
 
                          *
 
Aqui, as horizontais descampinadas
farão o que os alpendres remansos,
alargando espaçoso o tempo do homem
de tempo atravancado e sem quandos.
Mas ela já veio com a calma que virá
ao homem daqui, hoje ainda apurado:
em seu tempo amplo de tempo, de Minas,
onde os alpendres espaçosos, de largo.
 
João Cabral de Melo Neto, poeta pernambucano, nasceu em Recife.
"Poemas para Brasília", antologia de Joanyr de Oliveira.

 

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Brasília

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Brasília
 
Eu vi o sol de Brasília
à hora do nascer do sol:
bloco de topázio em prismas
alçado pelo anzol do céu
ali na faixa do horizonte
à altura de minhas mãos.
O sol que sempre vai nascer
às mesmas horas da alvorada
com a mesma ardência o mesmo adejo
a mesma graça de alvorada
quando meus olhos forem cegos.
 
Eu vi a lua de Brasília
flutuando no aquário escuro.
Nenhuma lua vi maior
nem mais límpida em longitude
nem mais redonda em corola.
Era um jorrar de lua a flux
em água vidros azulejos
mármores espaços à frente
relvas gramíneas buritis.
Uma lua vinda de outrora
em novo giro agora fixo
para os amores que despontam.
 
Vi a galáxia de Brasília
pairando sobre a flor de pedra
da catedral em ofertório.
Foi numa noite de mistério.
Os astros formavam códigos
senhas algarismos e siglas,
projetavam perfis
de Profeta Patriarca
Inventor Arquiteto
Construtor Operário Artista.
 
A galáxia refluía à fonte:
são os astros de humana estirpe
entressonhados noite a noite
que coroam Brasília.
 
Henriqueta Lisboa, poetisa mineira, nasceu em Lambari.
"Poemas para Brasília", antologia de Joanyr de Oliveira

 

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Brasília

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Brasília
 
Eu vi o sol de Brasília
à hora do nascer do sol:
bloco de topázio em prismas
alçado pelo anzol do céu
ali na faixa do horizonte
à altura de minhas mãos.
O sol que sempre vai nascer
às mesmas horas da alvorada
com a mesma ardência o mesmo adejo
a mesma graça de alvorada
quando meus olhos forem cegos.
 
 
Eu vi a lua de Brasília
Flutuando no aquário escuro.
Nenhuma lua vi maior
nem mais límpida em longitude
nem mais redonda em corola.
Era um jorrar de lua a flux
em água vidros azulejos
mármores espaços à frente
relvas gramíneas buritis.
Uma lua vinda de outrora
que se perdera e se encontra
em novo giro agora fixo
para os amores que despontam.
 
Vi a galáxia de Brasília
pairando  sobre a flor de pedra
da catedral em ofertório.
Foi numa noite de mistério.
Os astros formavam códigos
senhas algarismos e siglas,
projetavam perfis
de Profeta Patriarca
Inventou Arquiteto
Construtor Operário Artista.
 
A galáxia refluía à fonte:
são os astros de humana estirpe
entressonhados noite a noite
que coroam Brasília.
 
Henriqueta Lisboa, poetisa mineira, natural de Lambari.
"Poemas para Brasília", de Joanyr de Oliveira

 

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