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Goiás

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Goiás

Goiás é terra de rios de águas verdes
E de mulheres vestidas de amarelo e de homens
Que riem mais alto que as mais altas montanhas. (…)
Goiás é de um homem seco
E de um menino molhado de morte
E de uma estrada de caminho de cruz antiga,
Uma doida fome que é como uma arara (que é como manada de bicho, que é como uma ventania, uma boiada)
Que põe   de bocas sem dente , séculos
De pedra na face macerada, séculos
De riso aberto.
Goiás é um rio calçado de botina vermelha,
É uma roupa verde na sujeira de terra do homem.”

Poema de José Godoy Garcia, poeta goiano, natural de Jataí

Post Paulo Timm,  transcrito da Coluna do Timm (26/11/2010)

 

 

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DF

Escrito por Brasília Poética em . Postado em Poemas para Brasília Sem Comentários

Eu de Brasília guardo este lote
de lembranças e alguns vôos cegos:
uma curva especial da asa norte
e, da asa sul, os mil e um projetos
 
arquivados. Mas guardo o silêncio
dessas campinas e dos gerais.
Toda a espessura do céu imenso,
não de Brasília, do meu Goiás.
 
Guardo o sigilo dos sonhos grandes
desses cerrados, desses paus-terras.
Guardo a forma de tudo bem antes
de haver mistérios nos ministérios.
 
Eu sei a cor da terra e dos rios,
e dos caminhos sei os sinais.
Sei dos problemas – de pobres, ricos,
dos de Brasília, dos de Goiás.
 
Sei do divórcio e da solidão,
da falta de cantos e de esquinas.
E sei dos vazios e dos órgãos
de fogos-fátuos, disso que ainda
 
brilha nos ermos, enchendo espaços
como alguns ventos sem editais
que vão pelas vãos e em curto prazo
fazer viração no meu Goiás.
 
Eu sei dos prêmios, dos mexericos,
das conferências e muriçocas.
Mas sou mesmo um buriti perdido,
saudoso do canto da codorna.
 
Em vão me encontro nas superquadras,
em vão procuro – não há quintais!
Foi-se o meu lote, não ficou nada,
só restam nuvens do meu Goiás.
 
Voando baixo pela cidade,
vou-me  enterrando de asas abertas:
canelas-de-ema por toda parte,
um riacho fundo, um torto, pedras,
 
eis o distrito: simples quadrado,
sigla e veredas, buritizais.
– Um mapa cheio de carrapatos,
coceira viva no meu Goiás.
 
Gilberto Mendonça Teles, poeta goiano, natural de Bela Vista de Goiás.
Poema transcrito da antologia “Poemas para Brasília”, de Joanyr de Oliveira.

 

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Lua de Brasília

Escrito por Brasília Poética em . Postado em Poemas para Brasília Sem Comentários

Lua de Brasília
 
Lua de Brasília,
lua de Goiás,
lua plena, filha
da noite que em mim faz;
lua que deslizas
pelo céu e em mim,
levada nas brisas
como vão assim
a nossa esperança,
nosso devaneio,
lua em que descansa
toda a dor que veio
da vida e ficou
nessa luz boiando,
na diafaneidade
desse de cristal
chafariz de bruma
que já nem sei quando
sobre o meu silêncio
senti latejando;
lua de Brasília
a que preso estou,
lua de Goiás
que me inculca paz,
lua derramada
sobre escadarias,
lua deslembrada
de remotos dias,
lua de Brasília,
lua de Goiás,
– qual frustado, insano
cosmonauta, vou
no teu rumo, além
da rua onde estou,
muito além de mim,
muito além da rua,
aonde mais ninguém
terá ido, lua,
seguindo teus passos
nos telhados úmidos,
beijando-te, a espaços,
nos teus seios túmidos,
muito além de mim,
muito além da rua,
como vai assim
tudo quanto esplende,
em vão reverbera
nessa paz que rende,
nessa primavera
que doce halo faz,
que tão casta brilha,
lua minha? Lua
visionária, estranha,
que não és senão
a que me acompanha
sempre em solidão,
que não mais serás
que remota ilha
perdida no peito
deste caminhante,
deste caminhante
que te sabe filha
da ilusão do amante,
ah remota ilha
que és e serás,
mais que lua, a doce
lua de Brasília,
lua de Goiás…
 
Alphonsus de Guimaraens Filho, poeta mineiro, nasceu em Mariana.
"Poemas para Brasília", antologia de Joanyr de Oliveira.

 

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Palipalanto

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Palipalanto

Palipalanto
é uma planta,
uma planta cheia de flores,
parecida uma estrela,
aliás é uma planta que há
mais parecida com uma estrela,
é uma planta cheia de raios, luzindo,
como uma estrela, uma estrela branca.
 
Palipalanto
é uma planta, uma planta
a crescer, como uma estrela,
nas lonjuras planas de Goiás
 
Palipalanto
é uma planta que não se planta,
nasce, cresce como estrelas,
nas planuras de Goiás,
luzindo nos cerrados e carrascais,
lonjuras goianas onde brotou Brasília.
 
Palipalanto
é flor que não cheira,
mas brilha, reluz nos longes de Goiás,
no meio dos campos, estrelas brancas
entre os verdes, os verdes campos de Goiás,
simples, como simples são
as coisas naturais.
 
Palipalanto
flor singela, não brilha mais
nos verdes campos, nas lonjuras de Goiás,
está sumindo, cortada, pisada pelos bois,
o boi-latifúndio, boi do frigorífico,
triste boi industrial.
 
Palipalanto
não brilha mais
nas lonjuras verdes de Goiás,
braquiária, capim cultivado, cobriu
os campos e cerrados
e a bela flor dos palipalantos.
 
No pasto do boi industrial
não há estrelas, as brancas estrelas
naturais de singeleza floral.
 
Palipalanto
nos seus tempos, os tempos naturais,
crescia junto aos bois
e seus currais, nas farturas de Goiás.
 
Palipalanto,
palipalanto não há mais,
não há mais estrelas
nos campos de Goiás
(…)
 
José Hélder de Souza, poeta cearense, nasceu em Massapé.
"Poemas para Brasília", antologia de Joanyr de Oliveira.

 

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18 de junho de 1957

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A Estrada de Ferro de Goiás iniciará em breve um programa de emergência em que aplicará Cr$ 11 milhões no aparelhamento de depósitos, na reparação de 10 locomotivas, no reforço de pessoal e em ferramentas e materiais. O programa deriva do exame recentemente feito em Brasília, sob a direção do Presidente Juscelino Kubitschek, no sentido de se resolverem os problemas de transportes para Brasília, de maneira a que a ferrovia possa atender, com prioridade, à solicitação cada vez maior de transporte de materiais para a construção da futura capital. (Diário de Brasília)

 

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