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Cortina

Escrito por Brasília Poética em . Postado em Poemas para Brasília Sem Comentários

Cortina

Uma cortina de cânhamo:
entre o poente da planície e o funcionário.
No fim do expediente o escriturário
descobre o que foram as ss/tardes:
             o pó da cortina de cânhamo,
             a poeira dos processos,
             a secura da cidade.
No fim do dia o homem não programado
descobre os seus sensores remotos.
Lhe dizem: seu tempo foi inútil.
Foi um tempo inteiriço
como a cantiga do grilo,
um tempo
não dividido em estações,
mais vivido em papel do que na rua.
Tudo agora é mais simples:
o homem
o escriturário
descobre a igualdade dos meses.
 
H. Dobal, poeta piauiense, natural de Teresina.
Poema transcrito da antologia “Deste Planalto Central: Poetas de Brasília”
Organização Salomão Sousa, Thesaurus Editora

 

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Cortina

Escrito por Brasília Poética em . Postado em Poemas para Brasília Sem Comentários

Cortina

Uma cortina de cânhamo:
entre o poente da planície e o funcionário.
No fim do expediente o escriturário
descobre o que foram as ss/tardes:
             o pó da cortina de cânhamo,
             a poeira dos processos,
             a secura da cidade.
No fim do dia o homem não programado
descobre os seus sensores remotos.
Lhe dizem: seu tempo foi inútil.
Foi um tempo inteiriço
como a cantiga do grilo,
um tempo
não dividido em estações,
mais vivido em papel do que na rua.
Tudo agora é mais simples:
o homem
o escriturário
descobre a igualdade dos meses.
 
H. Dobal, poeta piauiense, natural de Teresina.
Poema transcrito da antologia “Deste Planalto Central: Poetas de Brasília”, organizada por Salomão Sousa. 


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durante as escavações também

Escrito por Brasília Poética em . Postado em Poemas para Brasília Sem Comentários

durante as escavações também
foram encontrados clips pré-
históricos, grampeadores de pedra
lascada, crachás em plaquinhas de
ouro, carimbos petrificados,
ministros embalsamados
e ofícios em escrita
ainda não decifrada

Nicolas Behr, poeta mato-grossense, natural de Cuiabá
Poema transcrito do livro "O Bagaço da Laranja", Coleção Oi Poema, 2010

 

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Estações

Escrito por Brasília Poética em . Postado em Poemas para Brasília Sem Comentários

Estações
 
Em setembro me vieram
dois amores, e se foram,
levados na primavera.
 
Agora, em pleno outono,
tu me chegas, me acendes,
com calores de verão.
 
Tenho medo desta chuva,
destas águas, fim de março,
ocultando-me o real.
 
E eu tremo, e eu choro,
sabendo a frutas, a solo,
temendo a fome e a sede,
 
pois o inverno já assusta
com suas garras de frio,
destroçando-me a seara.
 
Agosto, gostei jamais.
Fim de inverno, só lá fora;
cá dentro, neva e venta.
 
Aglaia Souza, poetisa carioca, nasceu no Rio de Janeiro.
"Poemas para Brasília", antologia de Joanyr de Oliveira.

 

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07 de agosto de 1957

Escrito por Brasília Poética em . Postado em O dia-a-dia da Construção Sem Comentários

No Clube de Engenharia do Rio de Janeiro, o Presidente da Novacap realiza uma conferência sobre a construção de Brasília, em que informa que os lotes residenciais em Brasília terão área de 800 a 1.500 metros quadrados e que seu pagamento será facilitado em quatro anos, com um preço básico de Cr$ 200 mil. Focaliza também a decisão do emprego de estruturas metálicas nos edifícios ministeriais e o financiamento das obras, além de outros pontos técnicos.

(Diário de Brasília)

 
Colonos japoneses – O primeiro grupo de famílias japonesas destinadas à área do cinturão-verde da futura Capital do país já se encontra instalado. Essas famílias foram localizadas pelo Instituto Nacional de Imigração e Colonização (INIC) e já iniciaram o preparo da terra, bem como das sementeiras, em seus lotes.

Os colonos chegados a Brasília foram rigorosamente selecionados e são elementos que se especializaram em horticultura e no preparo de pomares, todos eles com longa experiência no país de origem.

(Diário de Brasília)

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