Posts com a Tag ‘floresta’

ESTRADA

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ESTRADA
 
Eram Profundas e assustadoras
Divinas e malditas
Elas …
As perguntas…
Que me levaram a estrada
 
Escorreguei por enorme brecha
Para dentro do silencio ancestral
Da floresta
Toda a verdade
Pareceu-me selvagem
 
Eram profundos e assustadores
Gritantes e inaudíveis
Os valores
Que o sacerdote me ensinava
 
Conversei com a lua nas festas
Escutei a canção da floresta
Toda a cidade
Pareceu-me selvagem
 
Era mutilante e acolhedora
Gritante e inaudível
A voz estrondeante do silencio
Que arrebatou – me na estrada
 
E toda a paisagem…
…Era vacuidade…
 
Post Ângelo Macarius, poeta brasiliense.

 

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Meu Cerrado

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Meu Cerrado

Encho os olhos
de paisagens
do cerrado

Um espírito rendado
emana da floresta
de ikebanas goianas

Claridade rasgada
o plano exato
geografia instantânea

Angélica Torres Lima, poetisa goiana, natural de Ipameri.
Poema transcrito do livro “O Poema quer ser útil”, L.G.E Editora


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Bernardo Sayão

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Bernardo Sayão

Da morte emerges, Bernardo Sayão, e com que pureza!
Assim te revemos, os que nunca te vimos, e não há em nós
nenhuma surpresa.
Assim te revemos, sertanejo tranqüilo, no retrato
que te faz surgir num descampado, o olhar firme,  o sorriso exato,
e verte-te aí é rever-te nos caminhos que só para teus pés é que
a vida abria
e nos quais eras todo certeza, a alumbrada certeza dos que só
vêem o dia.
Da morte emerges, e de súbito estremecemos a um insólito ruído.
Seria acaso grito de fera, ou mesmo de homem na floresta perdido?
Não, não é uma simples árvore que desaba na floresta,
não é apenas um galho que cai – é algo mais. É a noite talvez,
e que noite esta!
Dizei-me por acaso se esse ruído que não finda
é algo que cessa com o estertor do que parece vibrar ainda.
Dizei-me se é uma vida, uma tocha talvez, quem sabe se uma
fogueira,
esse ruído que punge, dizei-me se essa árvore caída na clareira
não é a escuridão que nos cerca, que vai aos poucos nos sufocando,
não é a noite que nas águas e nas raízes fica chorando.
És tu que cais? És tu, Sayão, que cais? De repente, a terrível
certeza:
para sempre o silêncio se fez, nunca mais estarás à mesa,
nunca mais estarás à mesa – o convívio ficou de súbito
interrompido,
só resta – ontem, hoje, amanhã – o duro e insólito ruído.

Alphonsus de Guimaraens Filho, poeta mineiro, nasceu em Mariana.
“Poemas para Brasília”, antologia de Joanyr de Oliveira.

Meu cerrado

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Meu cerrado
 
Encho os olhos
de paisagens
do cerrado
 
Um espírito rendado
emana da floresta
de ikebanas goianas
 
A claridade rasgada
o plano exato:
geografia instantânea
 
Angélica Torres Lima, poetisa goiana, natural de Ipameri.
"O Poema Quer Ser Útil"
LGE/FAC, 2006


 

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Bernardo Sayão

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