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UM XAVECO EM BRASÍLIA

Escrito por Brasília Poética em . Postado em Poemas para Brasília Sem Comentários

UM XAVECO EM BRASÍLIA
 
Eu já entrei no seu plano, Brasília.
Já estou nos seus eixos.
Já sei suas coordenadas.
 
Seu par ou ímpar…
Seu edifício é bloco.
Seu bloco é prumada.
 
Seu ponto de ônibus é parada.
E sua parada é movimento.
Ou é agito é tanto faz.
 
Pirulito,
olha só que esquisito,
é poste de colar cartaz.
 
E ainda tem o periquito,
que é maritaca.
 
O micro-ônibus é zebrinha
e seu ônibus é baú.
 
Já sei seu QI, sua QL.
Conheci sua PN.
SQN é a sua Asa Norte.
SQS é Asa Sul.
 
Eu me amarro nessas asas, sabia?
 
Eu vejo seu Lago, Brasília.
Sei do Venâncio e do Varjão.
Você tem um Riacho,
um Recanto, um Sobradinho.
Tem o santo São Sebastião.
 
Você tem L2 e W3.
Já ando na sua zebrinha.
Já montei no seu camelo,
já entrei no seu baú.
 
Conheço bem seus números, Brasília.
Suas letras, suas músicas.
Sua santíssima trindade:
plebe-legião-capital.
 
Dê sinal de vida, Brasília,
que eu já estou parado
para você, por você.
 
Todo dia eu abraço seus balões.
Faço tesourinha em você.
 
Você tem um pardal preso no poste.
Ele não tem pena.
Ele multa.
 
Você tem outro,
outro pardal na janela.
Ele salta solto.
Mas esse não multa.
Tem pena.
 
Seu Lucio disse
que você  é uma borboleta.
 
Mas você é uma obra de arte, Brasília.
 
Com um nome feminino.
E esse corpo de avião.
Por que você não me dá mole, Brasília?

Marcelo Torres
Poema transcrito www.aliastpadua.com.br
Post  Joilson Portocalvo

 

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Lucio Costa

Escrito por Brasília Poética em . Postado em Poemas para Brasília Sem Comentários

Lucio Costa
 
São de rodas teus sonhos?
Há eixos e tesouras na utopia?
De que material é feito o desejo?
Existe forma no escape, na fuga,
na evasão das avenidas?
Os aviões com sua turbo-hélice
obsedante.
A cidade redonda sem círculo que a
encerre.
 
Tuas ruas futuras foram construídas com
a argamassa
mais líquida: o humor do homem.
Teus desenhos pressupõem o homem
ideal
que traço algum, humano ou divino,
ousou riscar no papel ou na vida.
Terias primeiro, velho Deus do desenho
de refazer o barro e, em vez do sopro,
dar-lhes traços que o façam
menos silhueta.
 
A cidade tem a volúpia do centro,
o redemoinho de cimento,
o desejo calcado de engolir-se
em sua rota traçada para fugir de si
cada vez que mais se encolhe.
A cidade é enorme roda-gigante,
feita na barroca voluta de eixos desfeitos
e tesouras e asas e quadras
que se enroscam no gabarito
do homem estonteado e central.
 
Esta cidade é cêntrica,
e suas bordas repetem o centro,
como uma pedra lançada n’água,
e, embora tudo me tonteie
e engula em sua voracidade de vórtice,
sinto-me sempre prestes
à periferia dos nervos,
à margem da vida,
à borda urbana.
 
No papel, as cidades
são plausíveis como uma maçã.
Aqui há maresias e marés
na memória escafandrista da secura
de agosto.
 
Ronaldo Costa Fernandes, poeta maranhense.
Poema transcrito da seção “Tantas Palavras”, Correio Braziliense – 22/04/2010.

 

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bem, o sr.

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bem, o sr.
já nos mostrou
os blocos, as quadras,
os palácios, os eixos,
os monumentos…
 
será que dava pro sr.
nos mostrar a cidade
propriamente dita?
 
Nicolas Behr, poeta mato-grossense, nasceu em Cuiabá.
Poema transcrito do livro “Poesília, poesia pau-brasília”

 

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Brasília

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Brasília

passo eixos
cruzo esplanadas
sou planalto
e sempre reto
desfaço
 
passo eixos
cruzo esplanadas
sou asfalto
e sempre cego
amasso
 
passo eixos
cruzo esplanadas
sou elipse
e sempre seta
esfumaço
 
passo eixos
e sempre
cruzo esplanadas
 
Post Gustavo Footloose, poeta brasiliense.

 

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