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BRASÍLIA

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BRASÍLIA

Onde um dia dormira
um vasto planalto,
hoje acorda Brasília,
nos braços do mundo.
Acorda tão viva,
formosa e bela,
abraça as estrelas
e os ipês floridos,
os sonhos sonhados
e o azul do céu.

Esta é Brasília
de asas douradas
a pairar soberana,
quase ave, aeronave,
sob a abóbada
celeste e os
raios do sol.

A solidão do lago
em nostálgica canção
de girassóis meninos,
traz no vento a saudade
dos candangos de outrora.

Não te desejo Brasília,
a conquista do mundo,
conquiste dias felizes,
assim conquistarás
o pólen do mundo.

Lurdiana Araújo, poetisa tocantinense.
Poema transcrito do livro “Cerrado Poético e outras poéticas”
Verbis Editora

 

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Buraco do Tatu

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Buraco do Tatu

Mergulhou sob a Rodoviária e o dia ficou mais escuro
do que nunca, mas quando emergiu do outro lado e
começou a subir a pista a claridade era tanta que ele foi
subindo subindo subindo, até que não parou de subir, e
o céu fazia um azul de tão-agosto que nem havia nuvens
entre as esquinas inexistentes, só a solidão e os pássaros
pousados nos vidros do carro.
 
José Rezende Jr, poeta mineiro, natural de Aimorés.
Texto transcrito do livro “50 anos em seis – Brasília, prosa e poesia”
Teixeira Gráfica e Editora

 

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Palavras vadias

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Palavras vadias

Caminho em Brasília
                     noite e dia
sem sair
de uma imensa ilha
de papel impresso
– assim, caminham comigo
noite e dia
as palavras vadias
 
Ézio Pires, poeta brasiliense
Poema transcrito da Seção “Tantas Palavras”,
Correio Braziliense

 

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Brasília 5.0

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Brasília 5.0
 
A Capital da Esperança:
Tornou-se realidade…
De um sonho de Dom Bosco:
À grandiosa cidade…
Por JK construída:
Dia a dia nos invade…
Brasília surgiu a esmo?!:
Seu nome foi registrado…
Ano 1822:
Em artigo publicado…
Na Tipografia Rolandiana:
Por oculto deputado…
Brasília era nome corrente:
Bonifácio persistiu…
Propôs a nova capital:
Preconizou: Anteviu…
O lindo nome de Brasília:
Ele também sugeriu…
2 de outubro de 56:
JK aqui desceu…
Com Lott, Lúcio e Israel:
O Cerrado percorreu…
+ Ernesto, Nélson, Balbino:
O fato assim aconteceu…
JK com entusiasmo:
Veio ao Planalto Central…
Trouxe Régis e Oscar:
Adentrou-se ao matagal…
Onde é o Catetinho:
Raiz da nossa Capital…
Na primeira comitiva:
Veio Bernardo Sayão…
Governador Ludovico:
Deu apoio à construção…
E Altamiro Pacheco:
Teve participação…
Esteve lá no Cruzeiro:
Perto do Memorial…
Deixou a marca da luz:
No centro da Capital…
Café na Fazenda Gama:
À vontade no quintal…
Lucio Costa rabiscou:
Ave-cidade-avião…
Passarinho-borboletra:
Libélula em evolução…
Um vôo extraordinário:
No Planalto da Nação…
A cidade foi sonhada:
Profetas a visionaram…
Poetas a anteviram:
Muitos a preconizaram…
Juscelino a construiu:
‘Anjos’ a eternizaram…
Era um vale vastíssimo:
Torto, Gama, Bananal…
Vicente Pires: Riacho Fundo:
Bela Água Mineral…
Era o Sítio Castanho:
Hoje é nossa Capital…
Havia fazendas de gado:
No meio do Planalto Central…
Um descampado sem-fim:
Cerrado monumental…
Agora é uma Alvorada:
Nave do transcendental…
Nascente de três bacias:
No Altiplano da Nação…
Águas Emendadas:
São veias do coração…
As artérias de Brasília:
Devem ter preservação…
 
Gustavo Dourado

 

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Brasília – Novembro de 1958

Escrito por Brasília Poética em . Postado em O dia-a-dia da Construção Sem Comentários

 

BRASÍLIA – NOVEMBRO DE 1958

 

 

 

 

07
Cadetes do Ar – Neste dia, esteve em visita a Brasília, uma caravana de professores e oficiais da Escola Preparatória de Cadetes do Ar, de Barbacena, chefiada pelo Major Aviador Otávio Augusto Pereira de Souza.
Percorreram todas as obras em andamento e regressaram no dia seguinte, àquela cidade.

Dia 08
Governador de Goiás – Em visita a Brasília, nesta data, esteve o Dr. José Ludovico de Almeida, governador de Goiás, que se hospedou no Brasília Palace Hotel.
Depois de uma visita rápida às obras, regressou no dia seguinte.

Dia 09
Presidente da República – Neste dia, para uma das suas habituais visitas de inspeção a Brasília, chegou às 13 horas, o Presidente Juscelino Kubitschek, a bordo de um dos “Viscount” da Presidência, sendo recebido no aeroporto pelo Dr. Israel Pinheiro e diretores da Novacap.

Acompanhavam-no, entre outras pessoas, os senhores Orlando Leite Ribeiro, embaixador do Peru, Cid Sampaio, governador eleito de Pernambuco, Júlio Soares, senador, Dix-Huit e Lullius Vereist, diretor presidente da Cia. Siderúrgica Belgo Mineira.

Prosseguindo no programa, inaugurou sucessivamente: 1 estrutura em alvenaria, no IAPI; 1 estrutura de obras de alvenaria e acabamento no IAPC; primeiro poço semi-artesiano de Brasília e 3 estruturas, obras de alvenaria e acabamento, no IAPB.

Saudando o Presidente da República respondeu em belo discurso em que mais uma vez historiou a gestação da idéia de Brasília e o desenvolvimento posterior da fase de execução, reafirmando que nenhuma força seria capaz de impedir a transferência do Governo na data marcada pelo Congresso, embora a resistência impatriótica de alguns brasileiros de visão unilateral.

Às 19 horas, em Palácio, com o salão da Biblioteca completamente repleto, o Presidente Israel Pinheiro proferiu uma palestra sobre Brasília, ilustrada com projeção de “slides” e explicações de Oscar Niemeyer.


Foto: Arquivo Público do DF

 

Dia 12
Pernambuco / Ceará – No dia 12 de novembro de 1958, quarta-feira, partiu de Brasília o primeiro ônibus para transporte de passageiros, com destino a Pernambuco.

O itinerário inicial se fará por Patos de Minas, Pirapora, Montes Claros, Conquista, Jequié, etc, até o ponto de destino: Caruaru.

No dia 20 de novembro de 1958, partiu o primeiro ônibus de passageiros com destino a Teresina, capital do Piauí.

Nesse mesmo dia, também seguiu o primeiro caminhão levando passageiros para Fortaleza, capital do Ceará.

Os veículos pertencem à empresa Auto-Viação Princesa do Nordeste. Embora ainda não se trate de linhas regulares, com viagens em dias e horários pré-estabelecidos, o acontecimento é de grande significação, pois vem demonstrar, com um ano e meio de precedência sobre a transferência do Governo Federal para o Planalto Central, que Brasília já se pode considerar como efetivamente ligada, através de rodovias transitáveis, com todo o nordeste do país.

Dia 13
Prefeito de Baton Rouge – No dia 13, para uma visita a Brasília, chegaram o senhor John Christian, prefeito de Baton Rouge (Lousiana – EUA) e a senhora Richard W. Freeman, de Montine.

Em companhia do arquiteto Oscar Niemeyer e do Dr. Carlos Alberto Quadros, visitaram as obras em andamento e regressaram no mesmo dia.

Dia 15
Prefeitos e Vereadores – No dia 15, em avião especial, vinda de Bauru (SP), chegou para uma visita a Brasília, uma caravana de 27 pessoas, entre prefeitos e vereadores da zona noroeste de São Paulo, chefiada pelo senhor Antonio Bartoni. Hospedaram-se no Brasília Palace Hotel, visitaram as obras e regressaram no dia 16.

Dias 18 e 19
Congresso Inter-Americano – Nos dias 18 e 19, 105 membros do Congresso Municipalista Inter-Americano que acabava de se reunir no Rio de Janeiro, a convite do Presidente da República, visitaram Brasília, sendo recebidos no aeroporto pelo Diretor Íris Meinberg e vários funcionários da Novacap.

Dia 24
Ministro do Canadá – Neste dia, convidado pelo Presidente da República, chegou às 10 horas, pelo “Viscount” presidencial, para uma visita a Brasília, o Sr. Smith, ministro do Exterior do Canadá, que foi recebido pelo presidente da Novacap, Israel Pinheiro, e percorreu as obras em andamento.

Dias 26 e 27
Dirigentes Sindicais – Nos dias 26 e 27, Brasília recebeu a visita de dirigentes sindicais, convidados pelo Presidente da República.

Acompanhados pelo Dr. Carlos Alberto Quadros, visitaram as obras em andamento, almoçaram no Brasília Palace Hotel e regressaram no mesmo dia.

Fonte: Revista “Brasilia”, da Novacap, novembro de 1958, número 23.

 

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Marítimo

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Marítimo
 
Um ruflar de asas anuncia a aurora.
As luzes aos poucos se apagam
na casa quase enterrada na areia.
Na estreita trilha para o cais
conchas e algas e cascas
garras de crustáceos
duas garrafas vazias
um frasco de perfume.
Um cavalo-marinho
espectro e emblema de si mesmo.
O mistério do novo dia começa ali
em algum lugar entre o rochedo e o mar.
A brisa e seu hálito de maresia.
Uma ilha ao longe
         uma nuvem negra
                   um albatroz.
O sabor salgado de um novo dia.
Quem sabe uma vida mais amena ou mais veloz.
O coração é uma câmara de ecos
e os tambores da manhã já estão rufando.
 
Eudoro Augusto, poeta português, nasceu em Lisboa.
Poema reproduzido da antologia
“Deste Planalto Central: Poetas de Brasília”, de Salomão Sousa.

 

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Ninguém anda com Deus mais do que eu ando…

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Ninguém anda com Deus mais do que eu ando…

Ninguém anda com Deus mais do que eu ando,
Ninguém segue os seus passos como sigo.
Não bendigo a ninguém, e nem maldigo:
Tudo é morto num peito miserando.
 
Vejo o sol, vejo a lua e todo o bando
Das estrelas no olímpico jazigo.
A misteriosa mão de Deus o trigo
Que ela plantou aos poucos vai ceifando
 
E vão-se as horas em completa calma.
Um dia (já vem longe ou já vem perto?)
Tudo que sofro e que sofri se acalma.
 
Ah se chegasse em breve o dia incerto!
Far-se-á luz dentro de mim, pois a minh’alma
Será trigo de Deus no céu aberto…


Alphonsus de Guimaraens
Reproduzido da Seleção "Alphonsus de Guimaraens: Melhores Poemas", de Alphonsus de Guimaraens Filho. Editora Global.

 

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É QUANDO SE DÁ A TRAGÉDIA

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É quando se dá a tragédia,
                   Bernardo, meu Bandeirante.
 
É quando se dá a tragédia.
                   Lá do alto de uma das árvores,
daquelas, ai! gigantescas,
                   o galho de impacto imenso,
 
o galho mortal. Despenca,
                   te atinge a cabeça e as pernas.
 
É quando o maldito instante.
 
Por que? Por que – grito à vida –
                   a sorte má, desferida
nesse golpe revoltante?
 
Stella Leonardos, poetisa natural do Rio de Janeiro.
Reproduzido do livro "Saga do Planalto"

 

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É QUANDO SE DÁ A TRAGÉDIA

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É quando se dá a tragédia,
                   Bernardo, meu Bandeirante.
 
É quando se dá a tragédia.
                   Lá do alto de uma das árvores,
daquelas, ai! gigantescas,
                   o galho de impacto imenso,
 
o galho mortal. Despenca,
                   te atinge a cabeça e as pernas.
 
É quando o maldito instante.
 
Por que? Por que – grito à vida –
                   a sorte má, desferida
nesse golpe revoltante?
 
Stella Leonardos, poetisa natural do Rio de Janeiro.
Reproduzido do livro "Saga do Planalto"

 

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Desconhecido

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Desconhecido

Tudo o que está preso há de um dia se livrar.
O poema é sempre mais livre que o próprio ar.
Vejam as vozes de madeira encarceradas
em manequins sombrios nos fundos de um depósito
ou mesmo nas feéricas vitrinas onde a treva manietada
cospe iodo.
Vejam como essas vozes de madeira se esforçam
para se safar
para caminhar nos passos de qualquer passante
que lá se vai adiante sem nada
nada notar.
Vejam a enfermeira arrancando da cama lençóis de lodo
depois que levaram o corpo para o último banho
e o quarto se trancou em escamas obsessivas.
Vejam o esforço da aurora para romper esses muros mofados
os olhos trancafiados na sombra até o fim dos abismos.
Vejam que a própria manhã e seus inflamados
leopardos
arrasta uma corrente de repetida exaustão
por essas chamas e esses ruídos de língua nova ou de latim
de asfixiada saudade
fúria de ouro a sangrar sem idade.
Tudo o que está preso há de um dia se livrar.
O poema é sonho mais livre que o próprio sonhar.


Afonso Henriques Neto.
Reproduzido da Antologia "Deste Planalto Central: Poetas de Brasília", de Salomão Sousa.

 

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Gênesis

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Gênesis
 
Cai a tarde
Sombras devolutas borbulham astros e
pirilampos
A razão aquiesce ao langor de sinos
Longe o cão distraído lambe o próprio dorso
O dia cumpriu-se;
cumpra-se a noite
De sortilégios e amoreios, entre arvoredos e eclipes
o corpo vencido de fadiga; a alma em vazante
a noite vem aos poucos, grávida de auroras
Enquanto isso o ente se fecunda no fogo da paixão, beira rio,
moita-a-dentro
É a sina, o cosmo se refaz em coisa e gente
– motim eterno de sedes e clarões na vulva ribeirinha da manhã
Logo nasce o dia, faz-se em luz a treva espessa
Emerge o ente das entranhas da carne, agora em flor e criatura.
 
Julio Cezar Meirelles, poeta natural do Rio de Janeiro.
Reproduzido da Antologia "Deste Planalto Central: Poetas de Brasília", de Salomão Sousa.

 

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Ainda que não fossem

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Ainda que não fossem
as cicatrizes nas mãos
os diluídos ossos
levantados dos fósseis
ainda seria o coldre
a montanha escorregadia
um pouco a cada dia
as pedras sobre o coração
Ainda existiria o instante
tangível da memória
o gume germinador
de estrelas e de espigas
 
Salomão Sousa, poeta goiano, nasceu em Silvânia.
Reproduzido do livro "Safra quebrada"

 

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Pequena oferenda matinal

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Pequena oferenda matinal
 
Brasília esplende de luz, na manhã.
Abre tua janela para o novo dia.
Saúda o Irmão Dia.
Saúda os Irmãos Pássaros na sua doce algazarra
pelas árvores e beirais.
Brasília, céu de clara porcelana azul.
 
Cada dia é um prêmio e um mistério.
Cada dia é uma luz nas tuas retinas.
Agradece ao Senhor essa luz de Brasília.
 
E afugenta de ti
o halo da Sombria.
Celebra a vida
na claridade da manhã de porcelana azul.
Cada manhã é sem volta.
Cada segundo é sem volta.
Louvado seja o Senhor!
 
Danilo Gomes, poeta mineiro, nasceu em Mariana.
"Poemas para Brasília", de Joanyr de Oliveira.

 

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Brasília para os íntimos

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Brasília para os íntimos

no princípio, era o pó, no meio, era o pó
no fim do dia, era o pó, vermelho e fino
próprio a ingressar nos poros só a ver
se assim engrossava o
sangue de João Pedro Manoel
Tenório, Chico Chica Sebastião Sebastiana
Joana Maria Pedro João
que são partículas pouco mais
que pó a se moverem em
meio ao cerrado
no princípio era o pó
no meio é o pó, no fim é o pó,
vermelho a dar coragem junto com
o feijão jabá farinha pirão
no almoço é o pó na janta é o pó na cama é o pó
na cidade livre é o pó, na vila planalto é o pó
no canteiro de obras do palácio é o pó
vermelho a tingir o suor do
meio dia a cobrir o frio da
madrugada a penetrar sorrateiro
pelas frestas do barracão
não estranha, pois, que se
precise dissolver tanto pó
na mais líquida cachaça
nos bares que vão brotando
entre o pó e o pó
no fim o pó, no meio o pó, no princípio o pó
vermelho

João Bosco Bezerra Bonfim, poeta cearense, nasceu em Novo Oriente.
"Poemas para Brasília", antologia de Joanyr de Oliveira.

 

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Meninos, eu vi

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Meninos, eu vi
 
Vi Brasília antes de sua inauguração.
Vi alvoradas belíssimas,
                         Com cores dignas do melhor pintor.
Vi poeira, vi trocas constantes de caminhos,
Vi desfiles de trabalhadores,
     – não de soldados –
em direção do que seria o Congresso.
Ouvi o barulho da soldagem de sua estrutura,
Vi o ir e vir dos homens que nela trabalhavam,
              pela manhã,
          na hora das refeições
                      e
          do merecido descanso.
Moça da cidade, espantava-me com o que via,
          diariamente:
         parada de civis,
         de trabalhadores.
Participar da construção de uma cidade,
         coisa inédita,
para quem já encontraram a sua pronta.
         E nada parava,
num ritmo constante, acelerado.
        Durante o dia, muito calor,
           à noite, frio assustador.
           Muita solidão eu vivi.
Meu marido trabalhando no edifício
        do Congresso,
Dia e noite, noite e dia,
       Exaustivamente.
Só lamento não ter visto a inauguração.
Vi, apenas, os fogos no céu, de longe.
Tudo ficou gravado na minha retina,
          Indelevelmente,
porque fui testemunha da força do ser humano,
            de sua determinação.
 
Branca Bakaj, poetisa natural do  Rio de Janeiro
"Poemas para Brasília", antologia de Joanyr de Oliveira

 

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Brasília para os íntimos

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Brasília para os íntimos
 
no princípio, era o pó, no meio, era o pó
no fim do dia, era o pó, vermelho e fino
próprio a ingressar nos poros só a ver
se assim engrossava o
sangue de João Pedro Manoel
Tenório Chico Chica Sebastião Sebastiana
Joana Maria Pedro João
que são partículas pouco mais
que pó a se moverem em
meio ao cerrado
no princípio é o pó
no meio é o pó, no fim é o pó,
vermelho a dar coragem junto com
o feijão jabá farinha pirão
no almoço é o pó na janta é o pó na cama é o pó
na cidade livre é o pó, na vila planalto é o pó
no canteiro de obras do palácio é o pó
vermelho a tingir o suor do
meio dia a cobrir o frio da
madrugada a penetrar sorrateiro
pelas frestas do barracão
não estranha, pois, que se
precise dissolver tanto pó
na mais líquida cachaça
nos bares que vão brotando
entre o pó e o pó
no fim o pó, no meio o pó, no princípio o pó
vermelho
 
João Bosco Bezerra Bonfim, poeta cearense, natural de Novo Oriente.
"Poemas para Brasília", de Joanyr de Oliveira

 

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Meninos, eu vi

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Meninos, eu vi
 
Vi Brasília antes de sua inauguração.
Vi alvoradas belíssimas,
                         Com cores dignas do melhor pintor.
Vi poeira, vi trocas constantes de caminhos,
Vi desfiles de trabalhadores,
      – não de soldados –
em direção do que seria o Congresso.
Ouvi o barulho da soldagem de sua estrutura,
Vi o ir e vir dos homens que nela trabalhavam,
              pela manhã,
        na hora das refeições
                   e
        do merecido descanso.
Moça da cidade, espantava-me com o que via,
          diariamente:
         parada de civis,
         de trabalhadores.
Participar da construção de uma cidade,
         coisa inédita,
para quem já encontrara a sua pronta.
         E nada parava,
num ritmo constante, acelerado.
        Durante o dia, muito calor,
           à noite, frio assustador.
           Muita solidão eu vivi.
Meu marido trabalhando no edifício
          do Congresso,
Dia e noite, noite e dia,
        Exaustivamente.
Só lamento não ter visto a inauguração.
Vi, apenas, os fogos no céu, de longe.
Tudo ficou gravado na minha retina,
          indelevelmente,
porque fui testemunha da força do ser humano,
          de sua determinação.
 
Branca Bakaj, poetisa natural do Rio de Janeiro.
"Poemas para Brasília", de Joanyr de Oliveira

 

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