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Observador lunático

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Observador lunático
 
a lua faz seu show feminino
strep-tease na boca da luz
de frente
de costas
de ladinho
faz da nuvem toda oca
seu leito nupcial
 
a sombra engole a lua
 
                            luaquase
                            quasenua
 
renasce a lua
um pouco cinza
das próprias sombras
das tintas guimbas
 
não adianta se esconder
lua não tem pr’onde correr
 
lua vermelha
sonha vergonhas
 
no céu uma grande cratera
com cara de lua amarela
 
Luis Turiba, poeta natural de Recife.
Poema transcrito do livro “68”
Coleção Oi Poema

 

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CELACANTO

Escrito por Brasília Poética em . Postado em Converse com os Poetas Sem Comentários

CELACANTO
 
Nadando em costas d’África
Fruía o celacanto
Emissário do outrora
O seu quinhão de pranto
No sal que imita a lágrima
Das águas no acalanto
 
Talvez último príncipe
De extinta dinastia
Em seus rudes sentidos
A solidão doía
Gritava o alto silêncio
Da profundeza fria
 
Da espécie separado
Por muitos milhões de anos
Só – atual e pré-histórico –
Assombrando os oceanos
Que mistérios guardava
Nos seus pobres arcanos?
 
Na viuvez atônita
Tu celacanto corres
De ti e contra ti
Que de lembrar te morres
E que em tua orfandade
De ninguém te socorres
 
Tosco irmão celacanto
Em solitário nado
Brasão de sonho em fuga
Em campo blau plantado
É verde o teu enigma!
E eu te decifro e calo.
 
Anderson Braga Horta, poeta mineiro, nasceu em Carangola.
Reproduzido da antologia “Poetas de Brasília”, de Joanyr de Oliveira.

 

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