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Brasília, 15 de fevereiro de 1960

Escrito por mariana em . Postado em Linha do Tempo Sem Comentários

Caravana de Integração Nacional – Partindo de Vacaria, a Coluna Norte da Caravana alcança o ponto final de sua jornada, Porto Alegre, completando, assim, a ligação terrestre entre a capital gaúcha e Belém do Pará, via Brasília, num percurso total de mais de cinco mil quilômetros, assim divididos: de Belém a Brasília, pela rodovia Bernardo Sayão, 2.250 quilômetros; de Brasília ao Rio de Janeiro, 1.200 quilômetros; do Rio de Janeiro a São Paulo, Curitiba e Porto Alegre, mais de 1.600 quilômetros. Os veículos brasileiros utilizados pela Coluna Norte, e que chegam a Porto Alegre às 17h e 30m, são em número de sessenta.

Hospital Distrital – Os jornais anunciam que, em 21 de abril de 1960, Brasília poderá contar com todos os serviços em pleno funcionamento, do seu Hospital Distrital, que se ergue entre a Praça dos Três Poderes e a Asa Norte, na zona hospitalar do Plano-Piloto. Formado por cinco blocos, o Hospital Distrital será dotado de todos os mais modernos requisitos para o perfeito cumprimento de sua finalidade.
Seus cinco blocos ocuparão uma área de 32 mil metros quadrados. O bloco A terá 12 pavimentos, com 80 metros de frente por 16 de largura; o bloco B compreenderá: enfermaria, isolamento, administração, pronto-socorro, centro cirúrgico e ambulatório; o bloco C será o dos consultórios médicos; o D se destinará aos serviços mecânicos (tratamento d’água, caldeira, instalações de vapor, estação de força de emergência): finalmente, no bloco E se localizará a rotunda, ou seja uma estação de tratamento de gases. À exceção do primeiro, todos os blocos terão apenas um pavimento.
As dependências do ambulatório, do pronto-socorro e do centro cirúrgico serão dotadas de ar refrigerado. Entre outros modernos equipamentos, o Hospital Distrital de Brasília terá: central de oxigênio, com tomadas em todas as enfermarias; controle de pressão automático, comutado com a central telefônica urbana; correio pneumático; central de filtragem de água e central de fornecimento de vapor, para esterilização de instrumentos.

Congresso Nacional – No plano de construção dos edifícios do Congresso Nacional em Brasília, imprime-se ritmo mais acelerado às unidades para o Senado e a Câmara. Dentro em poucos dias poderá iniciar-se o ajardinamento do local.

Lago de Brasília – Em Brasília, desperta grande interesse a chegada de cinco lanchas, que serão postas à venda por uma firma estabelecida no Núcleo Bandeirante. Com essas lanchas, que vieram por via aérea e que, certamente, em pouco, estarão sendo utilizadas no Lago Artificial, chegaram vários tipos de materiais náuticos, como esquis, salva-vidas, âncoras, bóias e motores especiais para a tração de esquis. A propósito, mencione-se que se encontra em organização o Iate Clube de Brasília.

Parque Desportivo – Iniciam-se as obras de construção e preparo de um parque desportivo para os habitantes da Asa Sul do Plano Piloto, no Eixo Rodoviário, parque completo, com piscina para crianças e play-ground.

Governador do Amazonas – O Presidente Juscelino Kubitschek recebe do Senhor Gilberto Mestrinho, Governador do Estado do Amazonas, o seguinte telegrama:
“Ainda sob a impressão maravilhosa que me deixou esse monumento arquitetônico gigantesco que é Brasília, fruto do governo ciclópico e grandemente patriótico de Vossa Excelência, quero expressar-lhe o meu profundo agradecimento, não só pelo magnífico tratamento que houve por bem dispensar-me e aos demais membros da minha comitiva, como também pelo carinho com que foram solucionados vários problemas de vulto desta unidade federativa, permitindo desse modo que o Amazonas possa ressurgir do ocaso em que durante muito tempo esteve mergulhado, para resplandecer em progresso entre os mais futurosos pedaços da grande Nação brasileira.
Transmitindo a Vossa Excelência, como amazonense e como dirigente deste Estado, a imensa gratidão do povo de minha terra, sinto-me honrado em mais uma vez assegurar-lhe a minha admiração, meu respeito e mui elevada consideração.”

Rodovia Belo Horizonte-Brasília – A imprensa divulga que já se encontram concluídas e em condições de utilização todas as obras de arte da rodovia Belo Horizonte-Brasília.
O serviço foi dado como terminado com a conclusão dos serviços de construção da ponte sobre o rio São Francisco, com 360 metros de comprimento, no valor total de
Cr$ 80.377.591,40. A sua entrega ao tráfego poderá ser feita a partir do próximo dia 20.

 

A nova capital trouxe, conforme prometido pelo presidente JK, progresso e desenvolvimento ao país, em especial à região central, anteriormente esquecida. Estradas de ligação entre importantes cidades e locais remotos passaram a cruzar o Brasil de ponta a ponta. Dentre as construções da época, pode-se citar a rodovia Belém-Brasília, cujo processo de concepção gerou intensa mobilização populacional, como mostra a imagem (Foto: Arquivo Público do DF)

Brasília, 24 de janeiro de 1960

Escrito por mariana em . Postado em Linha do Tempo Sem Comentários

Caravana de Integração Nacional – A Coluna Norte, procedente de Belém, com 50 carros, chega a Açailândia, onde, precisamente há um ano, o Presidente Juscelino Kubitschek assistira à solenidade do encontro dos tratores das patrulhas de desmatamento. Açailândia, que há um ano e meio ainda era floresta virgem, hoje constitui centro em que já se aglomera uma população pioneira na tarefa de implantar a civilização numa região antes completamente desabitada e desconhecida.

Este povoado, servido por excelente campo de aviação, dista 72 quilômetros de Imperatriz, cidade centenária, à margem direita do rio Tocantins, marcando o limite meridional da Hiléia Amazônica e o inicio do chapadão goiano.

Antes de deixar o campo 163, a Caravana assiste Missa campal, celebrada pelo Padre Vitaliane Vare, secretário do Bispo de Guamá, Dom Eliseu. O próprio Bispo serve como acólito da cerimônia, à qual compareceram todos os membros da Caravana, no total de 240 pessoas. É a Missa rezada justamente no local onde o Engenheiro Bernardo Sayão pereceu, atingido por gigantesca árvore. Uma grande cruz de madeira assinala o ponto em que se deu o infausto acontecimento.

A Caravana já se encontra em pleno território maranhense. Os motoristas das viaturas consideram satisfatórias as condições da estrada, levando em conta a época de chuva e o fato de ainda se acharem em fase final de construção vários trechos da rodovia. Todos os integrantes da Caravana estão satisfeitos por haverem cumprido a primeira etapa da jornada sem o menor acidente.

A Coluna Sul percorre o trecho entre Rio Negro, no Paraná, na fronteira de Santa Catarina, e Curitiba, onde chega às 12 horas.


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