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Mesma mineira em Brasília

Escrito por Brasília Poética em . Postado em Converse com os Poetas Sem Comentários

Mesma mineira em Brasília
 
No cimento duro, de aço e de cimento,
Brasília, enxertou-se, e guarda vivo,
esse poroso quase carnal da alvenaria
da casa de fazenda do Brasil antigo.
Com os palácios daqui (casas-grandes)
por isso a presença dela assim combina:
dela, que guarda no corpo o receptivo
e o absorvimento de alpendre de Minas.
 
                                 *
 
Aqui, as horizontais descampinadas
farão o que os alpendres remansos,
alargando espaçoso o tempo do homem
de tempo atravancado e sem quandos.
Mas ela já veio com a calma que virá
ao homem daqui, hoje ainda apurado:
em seu tempo amplo de tempo, de Minas,
onde os alpendres espaçosos, de largo.
 
João Cabral de Melo Neto, poeta pernambucano, natural de Recife.
Poema transcrito da antologia “Poemas para Brasília”, de Joanyr de Oliveira

 

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Cimento & devaneio

Escrito por Brasília Poética em . Postado em Poemas para Brasília Sem Comentários

Cimento & devaneio
 
Todos cantam sua terra
também vou cantar Brasília:
cimento que devaneia
em domingos de lascívia.
 
Os anjos da catedral,
madre erguida em praça pública.
Os vitrais incendiados
pelas centelhas da súplica.
 
Canto as asas desse pássaro,
plumagem de relva e brisa.
Seus mamilos lapidados
em domingos de lascívia.
 
O lago como um rebanho
de ovelhas pacificadas.
Pupila de um deus insone
que incendeia as madrugadas.
 
Lucio Costa, Niemeyer,
a Ermida de Dom Bosco.
Seios brotando da relva
nas tardes de vidro fosco.
 
Canto a cidade sonhada
pelo argonauta de Minas.
– Urbe que o mito preserva
dentro de nossas retinas.
 
Os candangos e a magia
das mãos que semeiam gestos,
modelam vigas que brotam
dos sonhos dos arquitetos.
O cerrado e seus crepúsculos,
os momentos de vigília.
O amor que devora os corpos
em domingos de lascívia.
 
Canto o Palácio dos Arcos,
o Parque Zoobotânico.
Os espaços que me ofuscam
com seu fausto arquitetônico.
 
Em domingos de lascívia,
de azul mais rijo e mais puro,
canto a cidade e seus olhos
voltados para o futuro.
 
Trevos que emergem das trevas,
volúpias que se bifurcam.
Alamedas de aloendros,
retas que esbarram nas curvas.
 
Bustos despontam do verde
com o despudor de uma orquídea.
Nuvens são formas de incesto
em domingos de lascívia.
 
Presságios deitam raízes
no coração da metrópole.
Outrora, ali, só se ouvia
rumor de perfuratrizes.
 
Jardim de astúcia e algarismos.
– Urbe de rubros ovários
em cujo dorso galopam
descendentes de centauros.
 
Cidade em corpo de pássaro,
longas asas de albatroz.
Em teu ser de liberdade
um pouco de todos nós.
 
Francisco Carvalho, poeta cearense, natural de São Bernardo das Éguas Russas.
Poema transcrito da antologia “Poemas para Brasília”, de Joanyr de Oliveira.

 

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Cimento & devaneio

Escrito por Brasília Poética em . Postado em Poemas para Brasília Sem Comentários

Cimento & devaneio

(final)
 
 
Canto o Palácio dos Arcos,
o Parque Zoobotânico.
Os espaços que me ofuscam
com seu fausto arquitetônico.
 
Em domingos de lascívia,
de azul mais rijo e mais puro,
canto a cidade e seus olhos
voltados para o futuro.
 
Trevos que emergem das trevas,
volúpias que se bifurcam.
Alamedas de aloendros,
retas que esbarram nas curvas.
 
Bustos despontam do verde
com o despudor de uma orquídea.
Nuvens são formas de incesto
em domingos de lascívia.
 
Presságios deitam raízes
no coração da metrópole.
Outrora, ali, só se ouvia
rumor de perfuratrizes.
 
Jardim de astúcia e algarismos.
– Urbe de rubros ovários
em cujo dorso galopam
descendentes de centauros.
 
Cidade em corpo de pássaro,
Longas asas de albatroz.
Em teu ser de liberdade
um pouco de todos nós.


Francisco Carvalho, poeta cearense, nasceu em São Bernardo das Éguas Russas.
"Poemas para Brasília", antologia de Joanyr de Oliveira.

 

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Cimento & devaneio

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Cimento & devaneio

Todos cantam sua terra
também vou cantar Brasília:
cimento que devaneia
em domingos de lascívia.
 
Os anjos da catedral,
madre erguida em praça pública.
Os vitrais incendiados
pelas centelhas da súplica.
 
Canto as asas desse pássaro,
plumagem de relva e brisa.
Seus mamilos lapidados
em domingos de lascívia.
 
O lago como um rebanho
de ovelhas pacificadas.
Pupila de um deus insone
que incendeia as madrugadas.
 
Lúcio Costa, Niemeyer,
a Ermida Dom Bosco.
Seios brotando da relva
nas tardes de vidro fosco.
 
Canto a cidade sonhada
pelo argonauta de Minas.
– Urbe que o mito preserva
dentro de nossas retinas.
 
Os candangos e a magia
das mãos que semeiam gestos,
modelam vigas que brotam
dos sonhos dos arquitetos.
O cerrado e seus crepúsculos,
nos momentos de vigília.
O amor que devora os corpos
em domingos de lascívia.
 
(continua amanhã)


Francisco Carvalho, poeta cearense, nasceu em São Bernardo das Éguas Russas.
"Poemas para Brasília", antologia de Joanyr de Oliveira.

 

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Mesma mineira em Brasília

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Mesma mineira em Brasília
 
No cimento duro, de aço e de cimento,
Brasília, enxertou-se, e guarda vivo,
esse poroso quase carnal da alvenaria
da casa de fazenda do Brasil antigo.
Com os palácios daqui (casas-grandes)
por isso a presença dela assim combina:
dela, que guarda no corpo o receptivo
e o absorvimento de alpendre de Minas.
 
                          *
 
Aqui, as horizontais descampinadas
farão o que os alpendres remansos,
alargando espaçoso o tempo do homem
de tempo atravancado e sem quandos.
Mas ela já veio com a calma que virá
ao homem daqui, hoje ainda apurado:
em seu tempo amplo de tempo, de Minas,
onde os alpendres espaçosos, de largo.
 
João Cabral de Melo Neto, poeta pernambucano, nasceu em Recife.
"Poemas para Brasília", antologia de Joanyr de Oliveira.

 

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Cimento & devaneio

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Cimento & devaneio

Todos cantam sua terra
também vou cantar Brasília
cimento que devaneia
em domingos de lascívia.

Os anjos da catedral,
madre erguida em praça pública.
Os vitrais incendiados
pelas centelhas de súplica.

Canto as asas desse pássaro,
plumagem de relva e brisa.
Seus mamilos lapidados
em domingos de lascívia.

O lago como um rebanho
de ovelhas pacificadas.
Pupila de um deus insone
que incendeia as madrugadas.

Lúcio Costa, Niemeyer,
a Ermida de Dom Bosco.
Seios brotando da relva
nas tardes de vidro fosco.

Canto a cidade sonhada
pelo argonauta de Minas.
– Urbe que o mito preserva
dentro de nossas retinas.

Os candangos e a magia
das mãos que semeiam gestos,
modelam vigas que brotam
dos sonhos dos arquitetos.
O cerrado e seus crepúsculos,
os momentos de vigília.
O amor que devora os corpos
em domingos de lascívia.

Canto o Palácio dos Arcos,
o Parque Zoobotânico.
Os espaços que me ofuscam
com seu fausto arquitetônico.

Em domingos de lascívia,
de azul mais rijo e mais puro,
canto a cidade e seus olhos
voltados para o futuro.

Trevos que emergem das trevas,
volúpias que se bifurcam.
Alamedas de aloendros,
retas que esbarram nas curvas.

Bustos despontam do verde
como o despudor de uma orquídea.
Nuvens são formas de incesto
em domingos de lascívia.

Presságios deitam raízes
no coração da metrópole.
Outrora, ali, só se ouvia
rumor de perfuratrizes.

Jardim de astúcia e algarismos,
– Urbe de rubros ovários
em cujo dorso galopam
descendentes de centauros.

Cidade em corpo de pássaro,
longas asas de albatroz.
Em teu ser de liberdade
um pouco de todos nós.

Francisco Carvalho, poeta cearense, nasceu em São Bernardo das Éguas Russas.
"Poemas para Brasília", antologia de Joanyr de Oliveira.

 

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Cimento & devaneio
 
Todos cantam sua terra
também vou cantar Brasília:
cimento que devaneia
em domingos de lascívia.
 
Os anjos da catedral,
madre erguida em praça pública.
Os vitrais incendiados
pelas centelhas da súplica.
 
Canto as asas desse pássaro,
plumagem de relva e brisa.
Seus mamilos lapidados
em domingos de lascívia.
 
O lago como um rebanho
de ovelhas pacificadas.
Pupila de um deus insone
que incendeia as madrugadas.
 
Lúcio Costa, Niemeyer,
a Ermida de Dom Bosco.
Seios brotando da relva
nas tardes de vidro fosco.
 
Canto a cidade sonhada
pelo argonauta de Minas.
– Urbe que o mito preserva
Dentro de nossas retinas.
 
Os candangos e a magia
das mãos que semeiam gestos,
modelam vigas que brotam
dos sonhos dos arquitetos.
O cerrado e seus crepúsculos,
os monumentos de vigília.
O amor que devora os corpos
em domingos de lascívia.
 
Canto o Palácio dos Arcos,
o Parque Zoobotânico.
Os espaços que me ofuscam
com seu fausto arquitetônico.
 
Em domingos de lascívia,
de azul mais rijo e mais puro,
canto a cidade e seus olhos
voltados para o futuro.
 
Trevos que emergem das trevas,
Volúpias que se bifurcam.
Alamedas de aloendros,
retas que esbarram nas curvas.
 
Bustos despontam do verde
com o despudor de uma orquídea.
Nuvens são formas de incesto
em domingos de lascívia.
 
Presságios deitam raízes
no coração da metrópole.
Outrora, ali, só se ouvia
rumor de perfuratrizes.
 
Jardim de astúcia e algarismos.
– Urbe de rubros ovários
em cujo dorso galopam
descendentes de centauros.
 
Cidade em corpo de pássaro,
longas asas de albatroz.
Em teu ser de liberdade
um pouco de todos nós.
 
Francisco Carvalho, poeta cearense, natural de São Bernardo das Éguas Russas.
"Poemas para Brasília", de Joanyr de Oliveira

 

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