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VOCÊ SABE O QUE É SER CANDANGO????

Escrito por Brasília Poética em . Postado em Converse com os Poetas Sem Comentários

VOCÊ SABE O QUE É
SER CANDANGO????

. É ter acompanhado o nascimento,
a infância, a adolescência e a adultez
de uma cidade chamada BRASÍLIA!
. É morar em uma cidade projetada,
construída e fundada por Niemeyer,
Lúcio Costa, Juscelino Kubitschek
e Israel Pinheiro.
. É morar nas asas de um Avião.
. É adotar Brasília como moradia.
. É nascer no Planalto Central.
. É ter um lindo amanhecer…
. É ver o mais bonito por-do-sol…
. É conviver com a pluralidade cultural.
. É poder desfrutar dos mais
variados cardápios regionais.


UM BOM CANDANGO…

. Tem fé em DEUS!
É sobretudo hospitaleiro,
alegre, inteligente, criativo, romântico,
saudosista, amigo e solidário, tem
espírito jovem, pratica esportes,
entre outros, joga voleibol, pilota kart,
é poeta e amante das letras.

O BOM CANDANGO SABE DIZER…

"Uai", "ô xente",
"mãinha", "Bah", "tchê","ora, ora",
"au revoir", "pois, pois", "good by", "oi",
"solong", "arriverdetti", "E ié?",
"adios", "adeus", "sayonara’,
"inté", "bonjour", "lorel", "vexado",
"trem bão"… e muito mais!

SER CANDANGO É…

. Não esquecer sua terra natal!
Conviver com vários sotaques.
. Aprender com culturas variadas.
. Gostar de dançar.
. Aguentar o clima seco do Planalto.
. Apreciar as flores secas do Cerrado.
. Apreciar os pardais em revoada.
. Ouvir apaixonada (o) o canto das cigarras.
. Passear de barco e surfar em Lago artificial.
. Ter um mar também artificial
com ondas movimentadas.
. Ter um luar privilegiado.
. Ter um rico artesanato.
. Ter um Cinturão Verde inigualável.
. Dirigir em trânsito organizado.
. Passear no Eixão entre Flamboyants,
Quaresmeiras, Buritis e Ipês floridos.
. Ser… além de tudo, um ser humano maravilhoso!
. E… como eu, ter vindo da minha
querida Parnaíba/PI, com marido e filhos e ter adotado
esta cidade maravilhosa como morada!


(Em tempo: CANDANGO: Aquele que veio de várias regiões do Brasil
(o nordestino, o mineiro, o goiano, etc.) e trabalhou na construção da
Capital do Brasil: BRASÍLIA.)


Post Yara Nazaré, poetisa natural de Paranaíba, Piauí

 

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Mufunfa de Candango

Escrito por Brasília Poética em . Postado em Poemas para Brasília, Posts Sem Comentários

Mufunfa de Candango
Por Conceição Freitas

Quando a Caixa abriu sua primeira agência em Brasília, em setembro de 1957, teve um problemão pra resolver. A maioria dos clientes era analfabeta e a lei exigia que o correntista soubesse, pelo menos, assinar o nome. Como fazer? Decidiu-se permitir que os iletrados assinassem a caderneta com a impressão digital. Era preciso alguém para conferir a autenticidade das linhas do dedo polegar embebido em tinta de carimbo. A agência então passou a recorrer aos serviços de peritos em datiloscopia para assessorar o atendimento bancário.
Houve mais um problema: o peão de obra não tinha tempo de deixar a obra para ir à agência bancária. A Caixa criou então uma agência volante, um cofre forte num caminhão. No dia do pagamento, os candangos interrompiam o sobe e desce da girica para receber a mufunfa, em envelope de papel, e depositar uma parte no banco. O caminhão aproveitava a hora do almoço para atrair o operário com a promessa de que seu tesouro estaria muito bem guardado.
O candango não entendia muito bem a razão de entregar seu dinheiro a um cofre forte em troca de um pedaço de cartolina onde estavam anotados seu nome, a construtora onde trabalhava e a quantia depositada. E num cantinho do papel, em tinta azul, a impressão das nervuras da ponta do polegar. O peão de chapéu, botina e coragem desconfiava da boa vontade banqueira. Até hoje há deles que acreditam ter pago ao banco para que seu dinheiro fosse guardado. Mas, se a Caixa fazia a gentileza de ir buscar o dinheiro no bolso do candango, quando quisesse sua fortuna de volta o operário teria de ir à agência.
O candango não tinha muita saída: ou levava sua fortuna para o alojamento, imensos quartos coletivos, no qual ele só tinha direito a uma cama; ou guardava no banco. Mas aí ele trocava o medo de ser roubado por um constrangimento: não poucos tinham vergonha de tirar o seu dinheiro do banco. Quando precisava sacar alguma quantia, chegava ao gerente, meio sem jeito, e dizia: “Seu doutor, vou precisar de uns trocados, mas o senhor não fica chateado não, é porque estou precisando mesmo”.
Quem não entregava seu dindim pro caminhão corria mais um sério risco: o de ver seus caraminguás serem engolidos pelo fogo nos corriqueiros incêndios nas casas de madeira da Cidade Livre. A Caixa gostava de contar a história de um candango, de nome João Gonçalves de Brito, que guardava sua poupança numa lata de açúcar, na cozinha. Quando o barraco pegou fogo, João conseguiu recuperar a lata carbonizada e dentro dela cédulas fumegantes. Salvou pedaços de cédulas e, desconsolado, procurou a Caixa para ver se ela trocava os restos de papel queimado pela quantia correspondente. O caso foi levado para o Conselho Administrativo do banco, que decidiu fazer a troca para o candango. Em contrapartida, os pedaços de cédula se transformaram em material publicitário para convencer os peões a depositar seu rico dinheirinho na caderneta da Caixa.
No mês em que Brasília foi inaugurada, a Caixa contava com 17 mil cadernetas de operários que construíram a cidade.

Transcrito da “Crônica da Cidade”, Correio Braziliense, 7/72010.

 

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“Ta’ wa’ tiga”

Escrito por Brasília Poética em . Postado em Poemas para Brasília Sem Comentários

“Ta’ wa’ tiga”

No começo era assim: todo mundo candango…
Candango e mais candango, aos caminhões, chegando,
Quanto candango houvesse, havia de barraco,
Mais barraco brotava e mais candango havia.
Barraco e mais barraco e mais barraco e rua…
E rua atrás de rua e surge Taguatinga.
E sorriu ao nascer e cresceu e cresceu,
E tanto mais crescia, ainda mais queria
Crescer como um gigante e se ver, num segundo,
Cidade-solução que mais cresceu no mundo!
A esperança feliz de todos os candangos!
A mistura maior das raças brasileiras!
 
Não te vi nascer e também não me viste:
Vi-te, pois, depois de teres sido “baby”,
Mas te vi pequena, tão pequena e triste
Que o primeiro impacto, que a mim causaste,
Foi de que serias um fatal desastre.
Nos dois mil e um do Planalto Central…
Porquanto tu estavas plantada e nascida
Nas grimpas suspensas, longínquas, desertas
Do imenso planalto cercado e ilhado
Por fora e por dentro, por cima e por baixo,
Por todos os lados: de sol e cerrado!
 
Felizmente por um minuto apenas
Assim pensei de ti e ainda hoje
Guardo remorsos de assim ter pensado,
Porque muito antes de querer julgar-te,
Eu deveria mesmo é ter lembrado
De que nasceste prematuramente,
Quando obrigada, em um aborto às pressas,
Tu te tornaste humildemente filha
Da mãe que não havia nem nascido!
Da mãe da qual devias ser a mãe!
 
Então eu pude logo entender-te…
Ver teu progresso de sul a norte…
Unir-me aos outros a construir-te
E construindo passei a amar-te
E, sendo amante, quis elevar-te…
Com toda a força, pra evoluir-te
Com a vontade de quem é forte,
De tua bandeira, pra defender-te,
Fiz-me um candango porta-estandarte!
 
Sol, chuva, trovão e goteira…
Barraco, buraco, poeira,
Moleque brincando no barro,
Seu pai trabalhando na obra,
Quer ser motorista de táxi
Pulando a roleta do ônibus,
Insiste jogando na cobra,
Persiste sonhando com o carro!
 
Hoje, Praça do Relógio,
Ontem, Praça do Balão,
Depois de ser Bar Estrela,
De ter sido embrião…
Como está moderna e bela
A praça, onde há poucos dias,
Era o terreno do circo!
 
Caixa-d’água é cultura:
É lembrança ao provir.
Caixa-d’água assistiu
Taguatinga surgir…
Caixa-d’água é do povo
E não pode cair!
 
Ceilândia chegando,
Cidade crescendo,
Cidade se unindo,
Cidade compondo
Um mesmo conjunto!
 
De leste a oeste,
De norte a sul,
Do barro branco
Ao céu azul!
 
Paira, altiva,
A Ave Branca
Do Planalto!
No moinho
Da paz!
Salve!
 
Antonio Garcia Muralha, poeta mineiro, natural de Monte Carmelo.
Reproduzido do livro “Taguatinga: História e Cultura”, de Ronaldo Alves Mousinho.
Homenagem aos 51 anos de Taguatinga.

 

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Hino de Taguatinga

Escrito por Brasília Poética em . Postado em Converse com os Poetas 1 Comentário

Hino de Taguatinga
 
Os gigantes brotaram na terra
Quando a Pátria em chamado de guerra
Concitou-os à glória
E as cidades e selvas se uniram
E o mar e o sertão se encontraram
Para a grande vitória
Bis
 
Eis, assim, a nascer no Planalto,
Transformando a mensagem audaz,
Este nome de amor “Ave Branca”,
Belo hino constante de paz.
 
Candango, ó Candango!
Expressão varonil de uma raça,
Tu és bem, ó Candango,
A grandeza da pátria sem jaça.
Bis
 
Com a alma dos teus criadores,
A esperança de um mundo de sóis,
Tu serás, Taguatinga, o cadinho
Forjador de uma raça de heróis.
 
Candango, ó Candango,
Expressão varonil de uma raça,
Tu és bem, ó Candango,
A grandeza da pátria sem jaça.
Bis
 
Francisco Bento (autor da letra)
Maria Rosalina C. Xavier (autora da música)

 

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Monumento ao candango

Escrito por Brasília Poética em . Postado em Converse com os Poetas Sem Comentários

Monumento ao candango
 
Praça dos Três Poderes, muita gente,
o povo faz barulho
no meio um monumento impertinente
aquece e abrasa o orgulho.
 
São duas figuras grandes e lindeiras,
as pernas em compassos,
imagens emergentes, companheiras,
unidas pelos braços.
 
Dispostas, contrapostas ao relento
as mãos garreiam lanças,
como o candango em busca do sustento,
ao encontro da esperança.
 
O monumento em ferro consistente
escuro e azinhavrado,
oculta na ferrugem do presente
as marcas do passado,
 
o egresso do sertão, o nordestino,
o obreiro inovador,
o brasileiro povo…Juscelino…
tino e desbravador.
 
Antonio Temóteo dos Anjos Sobrinho, poeta baiano, nasceu em Piatã.
"Poemas para Brasília", antologia de Joanyr de Oliveira.

 

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