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Brasília

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Brasília
Cidade bela,
tão ampla em teus horizontes…
A tantos sonhos
erguestes pontes…
A tanta vida
foste alvorada…
Cidade alada,
braços alados, sempre tão abertos,
teus verdes espaços.
Tal liberdade dás aos que os seus sonhos
embalam em teus braços,
pois que tu mesma de um sonho nascestes.
Cidade celeste…(…)

Lúcia Helena Galvão, poeta brasiliense
Poema transcrito da coluna “Tantas Palavras”, Correio Braziliense 21/08/2012

sonhos e sonhos

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de vez em quando me reconheço em jovens
barbudos, cabelos ao vento e roupa despojada
que caminham plantando sonhos
às margens das calçadas nas quadras de Brasília
e
às vezes me vejo refletido em anciões taciturnos
que caminham chutando pedaços de sonhos
no meio dos caminhos
e…
não pergunto nada
nem a mim
nem a Drummond

José Luiz do Nascimento Sóter, poeta brasiliense
Poema transcrito da coluna “Tantas Palavras”, Correio Braziliense 16/08/2012

Brasília: epopeia, épicos e ícones

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Por Claúdio José Pinheiro Villar de Queiroz

JK e Andre Mahaux
Foto: Arquivo Público do DF

O Marquês de Pombal, em 1751, escreveu à Corte de Portugal defendendo a interiorização da capital da Colônia. No mesmo ano, o cartógrafo italiano Colombina elaborou o mapa de Goiás, revelando o valor estratégico do Planalto Central.
Brasília começou a ser construída em 1957, foi realizada em três anos e inaugurada em 1960. A nova capital brasileira, em 1987, foi inscrita na Lista do Patrimônio Mundial por resolução da UNESCO. A primeira cidade moderna tombada como patrimônio cultural da humanidade, completou meio século em 21 de abril de 2010.
No texto “Do plano piloto ao Plano Piloto” (1985), da arquiteta Maria Elisa Costa, sob a coordenação de Lucio Costa, o urbanista se referiu ao período de realização da nova capital com o seguinte aforismo: “Brasília surgiu num momento em que a utopia era mais verdadeira que a realidade”.

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A passagem de Tom Jobim e Vinícius de Moraes pelo Catetinho

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Tom Jobim e Vinicius de Moraes no Catetinho, em Brasília

O texto de Antônio Carlos Jobim

Setembro, sertão no estio. Frio seco. Altitude aproximada: 1.200 metros. Ar transparente, céu azul profundo, primavera e pássaros se namorando. Campos gerais, chapadões dos gerais. Cerrado e estirões de mata à beira dos rios. Horizonte: 360 graus. No fundo do “Catetinho” há um capão de árvores altas por onde passa um córrego de água boa e fria. Seguindo-se a água sai-se num campo onde fui muitas vezes escutar o pio das perdizes. Sillêncio nos campos claros, batidos de sol. De repente, de perto, como um grito, veio o piado do macho chamando a fêmea. Silêncio. E de longe chega a resposta. É uma conversa que parece vir do fundo dos tempos. Aqueles dois pontos de som escondidos no capim se procuram, aproximam-se, encontram-se e cantam juntos. Uma nuvem passa e sua sombra corre pelos campos. O vento faz ondas nos penachos do capim: dourado, verde, dourado…

Neste ambiente foi composto “O Planalto Deserto”. A música começa com duas

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Brasília

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Brasília

Beleza que contorna a norma brusca, e renasce
Se torna inumerável de vida
Faz do céu uma plataforma azul
Onde mora o mistério do simples e infinito.

Em anos, dias mais belos e puros
Dançarei nos seus frágeis outonos
Cúmplices de seus seios brancos
Sem medo ou fúria de falsos donos

Mas nessa primavera de tristezas,
Acalento todas nossas saudades desatinadas
ao som de todo nosso silêncio amargo
Brincando fazer tuas esfinges de sol coroadas.
Amo mesmo tudo que não posso tocar, mas que me toca sem sentir.

Post poetisa Thais Lima Rocha
Poema transcrito da coletânea “Concurso Nacional de Poesias”

 

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SOL DE BRASILIA

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SOL DE BRASILIA

O nascer do sol de Brasília
É a coisa mais linda que se pode ver
Curtir o céu de Brasília
Têm uma magia no entardecer.

Pela janela do quarto
Entre as cortinas eu posso notar
O raio de sol que me aquece
E mesmo acordado ele me faz sonhar.

É no Parque da cidade
Que meus devaneios tendem aflorar
Vejo pessoas bonitas
Que não se limitam em se preservar.

O cerrado é uma característica
Que se faz natural no planalto central
As cidades são corpos celestes
Chamadas satélites da Capital.

Os dias são sempre agitados
Se torna noticia qualquer decisão
Nos palácios ou no parlamento
Bate sempre mais forte cada coração.

Brasília não tem montanha
E os brasilienses vivem sem mar
Quando chove na quadra impar
O sol ardente se vê na quadra par.

Os carros param nas faixas
Os barcos velejam no Paranoá
Os surfistas até pegam ondas
As mulheres mais lindas estão neste lugar.

Post Rubens Lima, poeta natural de Queimados, RJ.
www.rubenspoeta.com

 

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Brasília e a Bienal

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Brasília e a Bienal

Brasília, a capital,
é outra, após a Bienal.
De certo e com razão,
depois de tanta emoção,
não seria normal
que ficasse tudo igual.
 É que muitos poetas
te olharam e pensaram
e, em teu céu, projetaram
amor, sonho e paixão.
Em teu aniversário,
dois anos do cinquentário,
ressurge, no imaginário,
viva, nova e transfigurada.
Sim, tu foste abraçada,
beijada e amada,
e em trova entoada.
Sim, estás transformada.
Pois, senão em nossa cabeça,
onde mais existirá?
Oh, Brasília, não se esqueça:
seu povo sempre te amará!

Post Jorge de Campos Carneiro Hage.

 

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Majestosamente Simples

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Leveza, grandiosidade, lirismo e imponência
Majestosamente Simples

Por Severino Francisco

 

Mesma mineira em Brasília
No cimento duro, de aço e de cimento,
Brasília, enxertou-se, e guarda vivo,
esse poroso quase carnal da alvenaria
da casa de fazenda do Brasil antigo.
Com os palácios daqui (casas-grandes)
por isso a presença dela assim combina:
dela, que guarda no corpo o receptivo
e o absorvimento de alpendre de Minas.

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Domesticidade Moderna: A feição das moradias de Brasília

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Domesticidade Moderna: A feição das moradias de Brasília
Por Carlos Henrique de Lima

 


Foto: Arquivo Público do DF

 


Até onde se vê, até onde a vista alcança, tudo é encontro: entre a força da terra vermelha e o azulado celeste, da campina circunvizinha tomando aos poucos as massas edificadas, da linha tênue do horizonte que lhe desenha a feição.

Em Brasília, essa simbiose se dá em diversas escalas que possibilitam leitura rica e plural, e que nunca terminam o que tem a nos dizer, É desse encontro de oposições que podemos enxergar seus espaços urbanos a partir de uma perspectiva sensorial muito particular. Ao circular pela cidade, especialmente ao fazê-lo com certa vagueza, redescobrimos os nossos sentidos e o expediente de nossas percepções se dilui em uma disposição contemplativa com aquilo que Lucio Costa imaginou de maneira precisa e afetuosa.

E muitas são as maneiras de nos reencontramos com essa cidade: no caminho das crianças para a escola, que nos oferecem sonho e nostalgia, imaginamos que elas passarão por uma manhã de descobertas; nos carros que correm como uma manada metálica enfurecida em direção ao centro; no café da manhã servido nas saídas das passarelas subterrâneas de pedestres, apreciados por aqueles que vêm, tanto de longe como de perto, para exercerem a dura rotina de seus trabalhos. Essa tangência ininterrupta promovida pela atividade urbana, e que tanto modela nossa experiência de mundo, tem em Brasília um sentido a mais, uma vez que estabelece outras afinidades entre tempo e materialidade, resultado da filiação às ideias de Le Corbusier sobre a relação entre construção e natureza.

O poeta Durs Grünbein, em um ensaio de impressionante concisão, fala de uma passagem na Odisséia na qual o herói, aprisionado por uma ninfa, chora solitári0 à beira do mar. Esse momento é descrito pelo escritor alemão como uma parábola da vida, por nos dizer que somos, afinal, feitos da mesma matéria que compõe o mundo. Assim sendo, estamos sujeitos à inclemência dos ciclos da vida e a todas as tribulações que eles nos causam. “A umidade menor, o véu de lágrimas, é cercada, reabsorvida sumariamente – para não dizer sorvida – pela umidade maior, o mar salgado”.

A imagem que Homero nos oferece encontra em Brasília eco semelhante. Tanto as amplas panorâmicas em que se descortinam os fundos infinitos como as sucessivas vistas fragmentadas que se abrem ao percorrermos os espaços mais contidos da capital nos fazem recobrar nosso contato com a natureza e com a maneira como lidamos com suas transformações. Afinal, a essência das coisas também nos forma e, aqui, nosso contato com o céu, a água e o chão nunca ocorre a distância. A severidade dos ciclos da natureza dá a devida escala da nossa presença nessa cidade, inventada com sensibilidade e erguida com firmeza por levas de trabalhadores.

Lucio Costa previa um alto grau de interação entre a cidade e seus habitantes. Para ele, a estrutura urbana poderia condicionar essa relação e, consequentemente, definiria também o modo de ocupação dos espaços públicos. Na leitura precisa de Guilherme Wisnik, essa lógica deve ser compreendida a partir de um contexto histórico, dentro do que se pode chamar de uma construção social da paisagem. Para o autor, a arquitetura robusta e introspectiva que caracteriza a época colonial é um reflexo do processo de interiorização do país, baseado nas ideias de proteção e refúgio, no medo do selvagem e do desconhecido. Por outro lado, o urbanismo moderno aplicado em Brasília, apesar se apropriar de certos elementos da arquitetura colonial, propõe uma nova configuração espacial, baseada em um desenho urbano livre, disperso e conciso, capaz de promover uma sociabilidade ativa. Esse é o pano de fundo sobre o qual se delineiam as esferas da vida pública e privada nessa cidade.

Sobre as sucessivas distâncias

Brasília é uma plataforma privilegiada de observação que a todo tempo nos confronta com a memória que temos de outras cidades, com a experiência que guardamos delas, seja de suas ruas, cheiros, sons, cores ou pessoas. Esse constante movimento de aproximação e afastamento, e essa estranheza sentida com a lógica de articulação dos espaços que compõem a capital demandam uma modificação interna em nossos parâmetros de sociabilidade.

A partir da experiência de seus moradores e do contexto sócio-político dos anos 1960 em diante, o cotidiano de Brasília foi tomando uma feição própria que, pouco a pouco, traduziu-se em um distanciamento em relação aos preceitos que guiaram a sua fundação. Essa assimetria acontece em duas vias: por um lado, os espaços das superquadras se tornaram os mais propícios para que a vida privada das classes média e alta pudesse se desenvolver. Por outro lado, essas mesmas áreas assistiram a um esvaziamento da vida pública que havia sido projetada para elas.

Apesar da generosidade dos gramados que conformam as tramas de caminhos dos pedestres, são raros os momentos em que percebemos sua ocupação mais deliberada e menos cerimoniosa. Nas entrequadras, “peladas” acontecem espontaneamente; moradores levam seus cachorros para passeios e corridas; crianças podem se espalhar com entusiasmo. Mas não se vêem pessoas fazendo piqueniques e churrascos, ou dispostas a tomar sol em roupas de banho, o que certamente daria outro tom ao lugar. Para isso, dependemos da capacidade de desprendimento em nossa relação com o outro, ainda marcada por um evidente baixo grau de interação.

O conforto e a comodidade que deveriam ser propiciados pela cidade acabaram se convertendo em exceção. Os próprios pilotis, concebidos como elementos de interação urbana, por liberar a passagem no nível do chão, em muitos casos acabaram sucumbindo à lógica não superada da delimitação entre o público e o privado. Cercas, pisos e calçadas adjacentes servem para lembrar que o espaço térreo dos edifícios residenciais não são lugares de passagem, como se a circulação pelas quadras fosse uma concessão a ser controlada por poucos. Assim, os pedestres ficam impedidos de exercer trajetos livres, abertos à especulação e ao devaneio, tal como definiu seu autor.

Ainda que possamos perceber alguma pluralidade de proposições entre os blocos das superquadras construídas nas primeiras décadas de Brasília, as adaptações seguintes – com amaneiramentos por parte de síndicos e condôminos -, foram sucedendo-se em diferentes graus de circunspecção. É possível até mesmo perceber tendências e padrões nas reformas efetuadas, ao analisarmos um conjunto de duas ou mais quadras iguais, como é o caso das SQN 403 a 406, que possuem, duas a duas, um único tipo de bloco e a mesma disposição entre eles. Uma variedade de materiais de revestimento e de detalhes de acabamento transforma os pilotis em verdadeiros mostruários públicos, vitrines que procuram criar uma diferenciação em meio à unidade.

Daí a exata medida em que podemos estender, em duas frentes, essa leitura para os interiores dos apartamentos. Primeiro, porque o desenho de cada planta deriva de um contexto de época que envolve um programa de necessidades arquitetônicas, técnica construtiva, legislação específica e, principalmente, determinada filiação de linguagem por parte de cada arquiteto. Segundo, porque cada residência é território livre, sujeito a um infinito número de reformas e adaptações, em muitos casos opostas à depuração de elementos e austeridade geométrica que caracteriza esses edifícios modernos. Todo o expediente da técnica urbanística do século XX, convivendo sem constrangimento com a personificação livre que cada habitante confere à sua moradia.

Há ainda outra questão que permeia a difícil superação das condições atávicas de nossas interações sociais. Na mesma medida em que ocorre uma gradativa separação entre o planejamento espacial do Plano Piloto e a vagueza na administração das cidades satélites, as próprias plantas das moradias refletem significativamente essa oposição. Não são raros os apartamentos que possuem dois quartos e dependência de empregados, ou ainda, num extremo, plantas de apenas um dormitório e com um sanitário de serviço, reflexo da coexistência de uma certa mentalidade retrógrada com as concepções progressistas que deram origem à capital.

Inventário aberto

Em 1967, Joaquim Pedro de Andrade realizou um filme institucional a pedido da Olivetti que acabou ficando por muitos anos sem exibição e sendo armazenado de maneira precária. “Brasília: contradições de uma cidade nova” é um relato de impasses diversos, das relações sociais conflituosas que presidiram tanto o período de construção quanto as épocas posteriores à sua inauguração. Cabe aqui ressaltar um mérito do documentário, que é abordar, por meio de longos planos de filmagens, a cidade ao rés-do-chão. Em muitos casos, as sequencias se iniciam nos interiores de apartamentos e lojas de comércio local, e seguem em direção ao chão gramado ou às vias de veículos.

As filmagens das escalas do Plano Piloto são acompanhadas pela “Gymnopédie”, do compositor Éric Satie, enquanto o registro da rodoviária e das satélites é intercalado pela canção “Viramundo”, de Gilberto Gil e Capinam, interpretada por Maria Bethânia. Tal escolha dá bem o tom de separação que o cineasta procurou estabelecer entre a depuração formal e estabilidade na concepção de Brasília, e a vida dura dos retirantes que ali não encontraram lugar. Em outro momento, vê-se o desacordo entre as propostas dos arquitetos e o gosto dos moradores. A ambição ou expectativa dos habitantes em manifestar sua individualidade não encontram limites no âmbito privado dos apartamentos, mas se multiplicam em modos de comportamento e de intervenção nos outros espaços.

Outro trabalho chave sobre a cidade é o livro “Arquivo Brasília”, coordenado por Lina Kim e Michael Wesely. Trata-se de uma compilação feita a partir do acervo fotográfico do Arquivo Público do Distrito Federal e de outras fontes, e que traz à luz as vidas cheias de expectativas dos pioneiros que aqui vieram construir suas histórias. A possível equivalência entre a intimidade dos interiores e as grandes perspectivas sobre as áreas públicas que esse trabalho deixa entrever nos permite pensar a arquitetura dentro de uma perspectiva mais ampla, com a reflexão sobre o espaço no centro dos debates.

Esse conjunto de narrativas e conteúdos sedimentados em torno de Brasília nos ajuda a compreender melhor como as qualidades morfológicas de cada trecho urbano, ou melhor, de cada uma das escalas do Plano Piloto, tecem entre si um jogo de equilíbrio tênue e um diálogo constante com o sentido da formação espacial brasileira. Sendo assim, esse registro é um inventário contemporâneo de um determinado modo de vida e das memórias que se acumulam no lastro da cultura arquitetônica do século XX.

De posse de roteiro impreciso, mas revelador, Leonardo Wen contribui para a antologia de discursos sobre Brasília com uma narrativa que nos permite explorar as questões colocadas ante a perspectiva moderna sobre os espaços residenciais. As imagens aqui apresentadas propõem uma visão que ultrapassa a presumível subjetividade desse encontro e vai mais além: as fotografias se mostram como peças autônomas àqueles vestígios encontrados em porta-retratos, texturas de paredes e recortes e janelas, para também constituir a fina matéria dessa história particular.

Abordagem que traz algo de nostalgia, seja de caráter intimista ou coletivo, e de contrariedade ante a noção que se tem dessas barras de apartamentos enquanto entidades anônimas, como se ali estivéssemos todos divididos, cientes e acostumados à nossa própria solidão. Nessa trilha, somos levados por visões de espaços que se constituem como um dispositivo de bricolagem e sobreposição, não alinhados aos preceitos de depuração da arquitetura moderna, dando novo folego e intensidade à leitura que se possa fazer dos limites residenciais.

As fotografias mostram os apartamentos menos reformados da superquadra 108 Sul, a primeira a ser inaugurada e formam um epilogo às imagens em preto-e-branco do inicio do livro. É a partir daí que se pode compreender os blocos e apartamentos em um contexto histórico específico, enquanto elementos vivos e em transformação. Os planos de laje e fiadas de tijolos erguidas com destreza pelos operários acabaram se transformando em favor de outras necessidades, adaptações inerentes às imprecisões do tempo, dessas que nos movem adiante e nos projetam além.

Se por um lado lamentamos a frustrada gradação social que poderia ser estabelecida entre os padrões de edifícios, por outro celebramos o fato de esses blocos não terem começo nem fim, de estarem em movimento constante. A cada página encontramos novas surpresas: os revestimentos que se sobrepõem sem regras precisas; os ângulos cinzentos que se descortinam das salas, tomadas por uma luz lenta e gradual. Tudo parece convergir em uma aparência poética e reveladora. O olho mágico traz uma analogia precisa com esse jogo entre o público e desconhecido que as fotos querem nos trazer.

Os espaços dispostos por Lucio Costa parecem ter agregado uma grande dose de afetividade, tão logo foram traçados os dois eixos que conformam o sinal da cruz, fazendo nascer aqui, como ele bem definiu, uma paisagem que a própria cidade criou. Esse acontecimento constitui um fato notável para a cultura nacional. Percorrer os labirintos dessa empreitada, ou descobrir aos poucos seu estado presente, é uma aventura à qual nos lançamos com grande entusiasmo, por sermos feitos dessa mesma matéria que constituirá, aqui e além, o conjunto de tantas memórias.

Texto transcrito do livro “APTO”, de Leonardo Wen

 

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Esquina do Mundo

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Esquina do Mundo
 
Brasília não tem esquina
E por isso se destina
A prosseguir…não parar.
Para alcançar o futuro,
Na travessia do escuro,
É preciso navegar.
 
A esquina ficou pequena,
Na trajetória serena
Da capital para o milênio.
Parece que é sua sina,
Ser, talvez, a grande esquina,
Ser ribalta, ser proscênio
Do futuro que chegou.
A nave aqui se ancorou…
Dela desceu a esperança.
Desceu trazendo o porvir
Que, altaneiro, há de luzir
Despojado da lembrança

Continuação:
Das coisas velhas, perdidas,
Lá no passado, esquecidas,
Nas esquinas da saudade.
Aqui, tudo é diferente…
O caminhar para frente
Tem sabor de eternidade.
 
O céu imenso…o horizonte,
Da inovação sendo a fonte
Para o poder de criar…
Sol que a todos ilumina,
Brasília vai ser a esquina,
Para o mundo se encontrar.
 
Newton Rossi, poeta mineiro.
Poema transcrito do livro “Brasília Secreta”, de Iara Kern e Ernani Pimentel

 

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Brasília 100 anos (Número 2)

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Brasília 100 anos  (Número 2)
 
Meu avô me falava das flores do cerrado. Mas aí acabaram
com o cerrado, porque já não havia lugar pra tanto
automóvel.  Meu pai me falava do céu azul sem nuvens.
Mas aí acabaram com o céu, porque já não havia lugar
pra tanta espaçonave.  E eu, vou falar o que pro meu
filho?
 
José Rezende Jr, poeta mineiro, natural de Aimorés.
Texto transcrito do livro “50 anos em seis: Brasília, prosa e poesia”
Teixeira Gráfica e Editora

 

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Brasília

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Brasília
Do mar
sobrou o ar.
 
De vez em quando
notícias de amigo
ou cheiro verde
de colheita.
 
Mas não fica
cheiro nas paredes
ou no alguidar.
A residência
não quer dono,
é de quem entrar
 
Sem esquina
para demora.
Eterno regresso
para onde mora.
Não tem por onde
o desespero olhar.
 
Veio para ficar rico
e a riqueza
não se identifica.
 
Salomão Sousa, poeta goiano, natural de Silvânia.
Poema transcrito do livro “Fincapé”, Coletivo de Poetas, Thesaurus Editora.

 

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Cidade Brasília

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Cidade Brasília
A cidade corre
louca emotiva
nas asas do avião
 
As pessoas andam
desatentas
aos prédios da solidão
 
Os edifícios néons
neoletreiros
das imagens de televisão
 
A cidade futurista
fruto guerreiro
aos dramas da União
 
Os pássaros
deltas estrelas
no céu anil
 
A cidade cinza
transmuta
na verde cidade
 
A cidade
Brasília
 
Jorge Amâncio , poeta e escritor
Poema transcrito do livro “Fincapé”, Coletivo de Poetas – Thesaurus Editora

 

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Brasília, Minha Casa

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Brasília, Minha Casa
 
Uma homenagem pelos 50 anos da Capital
 
Foi difícil amar Brasília, confesso.
Seu jeito de princesa pós-moderna,
tão longe da minha pequena cidade!
Suas retas sisudas,
embebidas em cimento queimado,
como se quisessem petrificar o horizonte.
Algumas curvas…Sim,
mas de aparência tão gélida,
que eu conseguia sentir seu frio na retina.
Mas pouco a pouco
suas facetas foram se mostrando
e eu fui me encaixando na textura do cerrado
e sendo tomada por um céu tão azul
que custava caber na palavra.
E os ipês então?
De fazer inveja aos girassóis.
Foi aí que me rendi
e hoje Brasília é a minha casa!
 
Basilina Pereira, poetisa mineira, natural de Ituiutaba.
Poema transcrito do livro "Fincapé", Coletivo de Poetas – Thesaurus Editora.

 

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Brasília em Três Quadras e um Dístico

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Brasília em Três Quadras e um Dístico

Nas tuas asas alço vôo
saio do eixo e me afasto
deste coração abstrato
e sonho no teu concreto
 
No teu côncavo e convexo
o Brasil se despedaça
e o povo perde o nexo
mas nunca perdes tua graça!
 
Em Brasília onze horas
não estou nem aqui
uma parte de mim chora
a outra reside e sorri
 
Dá-me tuas asas
se me cortam diariamente as minhas…

Anabe Lopes, poetisa que escreve poemas por “prazer e necessidade”
Poema transcrito do livro “Fincapé”, Coletivo de Poetas – Thesaurus Editora

 

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Brasília, 51 anos

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Brasília, 51 anos

O CONCRETO JÁ RACHOU
Por Dino Black

Minha consciência mira os passos do tempo
A canção ao fundo traz de volta bons momentos
Álbum de fotografia lembranças antigas
Na arquitetura das ruas apertadas de Brasília

Gente espremida em bares e lanchonetes
Carros estacionados estrugindo a urbanidade do rap
Lojas de conveniência, postos de gasolina, trabalhadores no comércio
Pedintes nos sinais, nas esquinas escravas do sexo

Tipinhos tatuados de camisetas e bonés virados
Um pé atrás do outro pra cima e pra baixo
Contando suas moedas num balé cotidiano
Gritos na multidão letreiros objetos estranhos

Será o tombo
do tombo?

Por Alfredo Gastal

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Brasília!

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Brasília tem
Uma esquina
Em cada poeta
E um poema
A cada esquina.

Brasília!

Tira teus óculos escuros
Para enxergares
A claridade
O azul desse céu

Para olhares minuciosamente
Para cada ser humano
Ires fundo na sua alma
No seu sofrimento

E sobretudo
Para transformares
O purgatório de muitos
Num céu que hoje apenas
É de poucos.

Jô Pessoa, poetisa pernambucana natural de Garanhuns
Poemas transcritos do livro “A Noiva da Esplanada”

 

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Alvorada de Espelhos

Alvorada de Espelhos Por Clemente Luz O imenso louva-a-deus traçado no papel, antes promessa da presença da cidade, já tem forma e base sólida no chão do planalto. No local mesmo onde a visão do profeta viu “que se formava…

Bernardo Sayão

Da morte emerges, Bernardo Sayão, e com que pureza! Assim te revemos, os que nunca te vimos, e não há em nós nenhuma surpresa. Assim te revemos, sertanejo tranqüilo, no retrato que te faz surgir num descampado, o olhar firme, …