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– Brasília Cinqüentona.

Escrito por Brasília Poética em . Postado em Poemas para Brasília Sem Comentários

–  Brasília Cinqüentona.

      Completa cinqüenta anos
      A capital do Brasil,
      Dedico minha homenagem
      A um povo varonil,
      Que aqui chegou primeiro,
      Para esse pioneiro
      Minha nota é nota mil.

      Aqui o bravo candango
      Enfrentou lama e poeira,
      Operou máquinas pesadas
      Britador e betoneira,
      Derramou suor no solo,
      Embalou Brasília ao colo
      Como filha verdadeira.

      Mostrado em sonho a dom Bosco
  A terra de leite e mel,
      Corajoso Juscelino
      Tira a obra do papel,
      Lúcio Costa usa o compasso
      Parece até que Picasso
      Também usou seu pincel.

      A grandeza desse povo
      Para mim não tem resposta,
      A coragem do candango
      E o feito de Lúcio Costa,
      Homem de tento afinado
      Por Juscelino inspirado
      Cumpriu a sua proposta.

      No Catetinho Juscelino
      Reunia o conselho,
      Nas obras os operários
      Rasgando o barro vermelho,
      Ou no pântano alagado
      Os candangos atolados
      Na lama até o Joelho.
 

      Da Vale do Rio doce
      Carretas de ferro-gusa,
      O ferro de qualidade
      Para não haver recusa,
      Niemeyer tomando a frente
      Pois o homem inteligente
      Do saber usa e abusa.

      Contemplando sua obra
      O presidente Juscelino,
      Lá  do seu memorial
      Ao ouvir a voz do sino,
      Lança um olhar à Catedral
      De forma natural
      No seu jeito genuíno.

      No coração do país
      Foi erguida uma bandeira,
      Surgiu nossa Brasília
      A capital brasileira,
      De Brasil nome oriundo
      Reconhecida no mundo
      Brasília não tem fronteira.

      Brasília é um patrimônio
      Que deve ser preservado,
      Espero que ela cresça
      Sem destruir o cerrado,
      Só  assim a natureza
      Completa essa beleza
      De um povo civilizado.

      A Catedral de Brasília
      De moderna arquitetura,
      Como símbolo de beleza
      Mostrado na armadura,
      De ferro e concreto à vista
      Para encantar o turista
      Mostra em bronze as esculturas.

      Lá  da torre de tv
      A vista é impressionante,
      Se quiser ver a cidade
      É só subir ao mirante,
      Ou olhar o poente e ver
      O sol ao se esconder
      Dourando o horizonte. 

      Brasília tem beleza
      Capaz de nos encantar,
      O nosso cartão postal
      É a ponte Jk,
      De onde ver-se uma lancha
      Pequena como uma mancha
      No lago Paranoá.

      Dentre todas as belezas
      Nenhuma é equiparada,
      À residência oficial
      Palácio da Alvorada,
      Que fica às margens do lago
      Onde o vento em afago
      Vai soprando uma jangada.

      As águas daquele lago
      Tem a cor de esmeralda,
      Pra completar a beleza
      Bem perto do Alvorada,
      Tem o esqui de prancha
      E de propósito uma lancha
      Que continua ancorada. 

      Nas proximidades do lago
      Tem o setor hoteleiro,
      Para o lazer dos hóspedes
      O passeio de veleiro,
      No meio da natureza
      Mostrando assim a beleza
      Do planalto Brasileiro.

      Como voa uma gaivota
      No horizonte suave,
      Nós que somos tripulantes
      Voamos na nossa nave,
      Num vôo constante e raso
      Sei que não foi por acaso
      Que Lúcio Costa te deu este formato de ave.

      O Zoológico de Brasília
      Que muita gente conhece,
      Foi palco de uma tragédia
      Que quem viu jamais esquece,
      Um sargento na esperança
      De salvar uma criança
      Até  a morte padece.

      Quando a criança caiu
      Na fossa das ariranhas,
      Um destemido sargento
      De uma coragem tamanha,
      Mesmo antes de ser morto
      Ainda salvou o garoto
      Foi sua ultima façanha.
        

      Mas, uma mancha na história
      Denegriu o nosso hino,
      Apesar dessa barbárie
    Brasília segue o destino,
      Sem esquecer Ana Lídia
      Que continua na mídia
      E o nosso índio Galdino.

      O líder pataxó
      Trazia a agenda cheia,
      Representando os índios
      Que ficaram na aldeia,
      Aqui o queimaram vivo
      E acharam não ser motivo
      Pra responder na cadeia.

      E o caso Ana Lídia
      Nunca foi esclarecido
      Os filhos dos poderosos
      Não chegaram a ser punidos,
      Abriram um precedente
      Formando uma corrente
      Em favor dos envolvidos.
 

      Mas, nossa gente é autêntica,
      E Brasília vai avante,
      Confiamos na justiça
      E numa imprensa atuante,
      É constante este luta
      Ao desvio de conduta
      O povo está vigilante.
 
 

      Para a glória de seu povo
      Brasília triunfará,
      E o sonho de dom Bosco
      Ajuda o povo à sonhar,
      A esperança não se encerra
      Por amor a esta terra
      E homenagem a Jk.

      Já  pensando nos cem anos
      Da Capital da Esperança,
      Faremos hoje um pacto
      O velho o jovem e a criança,
      Para que seu centenário
      Dê  ao rico e ao operário
      Orgulho desta aliança.

      Se aqui os pioneiros
      Plantaram a semente,
      Cabe ao brasiliense
      Ser mais eficiente,
      Numa constante vigília
     Não se esquecer que Brasília
     É patrimônio da gente.
             

      Esta cidade moderna
      É orgulho da nação,
      Brasília é mais Brasileira
      Pela miscigenação,
      Aqui a gente se abraça
      Essa mistura de raça
      Aproxima o cidadão.

      Brasília foi projetada
      Para não ter esquina,
      E esta arquitetura
      Que hoje aqui predomina,
      É moderna e sinuosa
      Tornando-a graciosa
      E ainda mais feminina.

      Se Jk decidisse
      Fazer uma correção,
      Chegasse com Lúcio Costa
      E o Bernardo Sayão,
      Eu não sei como seria
      Mas, eu acho que daria
      Uma grande confusão.

      E se chegasse dom Bosco
      Para a Inauguração,
      E visse os que erraram
      Aqui pedindo perdão,
      Talvez fossem perdoados
      Depois de ter apanhado
      Uma surra de bordão.
 
 

      Homens que formam o cérebro
  Deste crânio de concreto,
      E tem nas mãos o poder
      Seja por lei ou decreto,
      Quando faz algo errado
      Espera do eleitor enganado
      Só  um protesto discreto.

      Nas ruas e avenidas
      O corre-corre é um fato,
      Somente o transito não anda
      É de Brasília o retrato,
      Que estressa o motorista
      E ali perto o congressista
      Tenta salvar seu mandato.

      A nossa rodoviária,
      Já  foi cartão de visita,
      Hoje está mal cuidada
      E já não é tão bonita,
      Tem criança abandonada
      Que vem sendo aliciada
      Não sei se alguém acredita.

      É preciso agir rápido
      O alarme já soou,
     Este não foi o sonho
     Que dom Bosco um dia sonhou,
     Não estão cumprindo o papel
     Ou será que o leite e o mel
     Só  para o pobre faltou.

     O coração de Brasília
     É a Praça dos Três Poderes,
     Que ostenta a bandeira do Brasil
     Com os dizeres,
     Ordem e Progresso
     E as leis vem do congresso
     Com direitos e deveres.
   
      Nessa imensa esplanada
      Onde se reúne a massa,
      Em busca de um ideal
      Se o movimento fracassa,
      O evento perde o sentido
      Pois fica no prometido
      E de promessa não passa.

      Esse espaço é para o povo
      Lançar o seu manifesto,
      Mas aquele ato cívico
      Sempre acaba em protesto,
      Pois quem está no poder
      Diz que não pode atender
      Justificando seu gesto.

      Mas a gente não desiste
      Somos todos caminhantes,
      Vamos juntos nesta luta
      Mesmo que ainda distante,
      Caminhando sem parar
      É preciso acreditar
      Nossa luta vai avante.

      Quando vier à Brasília
      Não deixe de visitar,
      O Palácio do Catetinho
      E o Memorial Jk,
      Do homem que com carinho
      Abriu um novo caminho
      Para o Brasil caminhar.

      Foi nestes lugares sagrados
      Que se escreveu a história,
      No Catetinho Jk.
      Fez morada provisória,
      E no seu Memorial
      Os restos deste imortal
      Que ficará na memória.

      Ao ver o Memorial Jk.
      Me aperta o coração,
      Perece que estou ouvindo
      Aquela linda canção,
     A música é peixe vivo
     E nela encontro motivo
     Pra esta minha emoção.

     Nunca vou
     Esquecer esta alvorada,
     Onde o sol desponta no oriente,
     Refletindo a brancura do mármore na fachada
     Sob o céu azul da esplanada
     Vou amar Brasília eternamente.

       Edisio Araújo, poeta paraibano.
       Post Ilva Araújo

 

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A Marcha para o Oeste e Outras Marchas

Escrito por Brasília Poética em . Postado em Poemas para Brasília, Posts Sem Comentários

A Marcha para o Oeste e Outras Marchas
Por Cassiano Nunes

 
Ainda há pouco tempo, em discurso memorável no Senado, Darcy Ribeiro, com a autoridade que ninguém lhe nega, se perguntava por que o Brasil, possuindo reais privilégios, terra e povo admiráveis, foi um país que não deu certo. Há razões, no meu entender, para isto, e especialmente uma razão fundamental: no Brasil, o Governo nunca foi do povo nem para o povo. Aqui, o povo foi sempre cuspido, vomitado, expulso da terra. Dominado pelos donos da terra. Mas há uma outra razão que se relaciona com a que foi exposta: o povo brasileiro nunca chegou a tomar posse integral de seu vasto território. No segundo século da nossa História, já Frei Vicente do Salvador denunciava os portugueses por só quererem permanecer nas costas do País “como caranguejos…”

A História do Brasil é uma história no litoral. Toda ela realizada à beira d’água, transatlântica, com muitos estudantes…em Coimbra, com muitas farras em Paris. Na Belle Época, as famílias brasileiras importantes mantinham vivendas na Suíça, em Portugal, na França. D.Olívia Guedes Penteado, uma das patrocinadoras do modernismo, quando começava a gostar do que via nas vitrinas da Mappin Stores ou da Casa Alemã, em São Paulo, refletia preocupada: “Estou precisando ir logo para Paris”. Qual o grupo de intelectuais brasileiros mais influentes, mais espirituosos? É o que chamo “o grupo de Ipanema…” Perguntei a um de seus componentes o que achava de uma “marcha para o Oeste”. Perturbado, respondeu-me com uma piada… A audiência riu e eu ainda passei por bobo. Na Segunda Grande Guerra, Carlos Drummond, num poema famoso, já denunciava a alienação dos “inocentes do Leblon”.
Mesmo em Brasília, a juventude é conformista e cosmopolita, ou ianquizada da pior maneira.

Há anos, numa revista de jovens da Capital Federal, “Há vagas”, defendi a idéia de uma “entrada” moderna nas nossas terras virgens… os jovens não conseguiram me entender, porque o seu espírito está longe…
Brasília possui 400 grupos de rock enquanto o japonês é o herói verdadeiro que faz florescer o cerrado… Os bandeirantes pararam no fim do Século XVIII. Forças republicanas trucidaram os jagunços de Canudos porque defendiam um Brasil autêntico do interior, do sertão. A FEB foi defender a democracia… na Itália. Monteiro Lobato defendeu um capitalismo brasileiro e acabou indo parar na cadeia. Em vez de nossas populações irem para o interior plantar milho e feijão, dá-se o inverso neste País que parece teatro do absurdo: são os camponeses que deixam suas terras e vão para as desmesuradas metrópoles, construir favelas, participar dos bandos de malfeitores e procurar o apoio dos bicheiros e traficantes de drogas.
A fundação de Brasília foi um marco importante na penetração do Brasil, mas foi feito à moda da casa: de modo majestoso, com a ostentação de pobres tolos que somos. Resultado: o Brasil verdadeiro se vingou. Desde a frontaria da Rodoviária, monumental e degradada, até a Torre, se estende uma legítima feira de Caruaru. A branca e aerodinâmica Brasília é invadida por gente encardida e raquítica, marcada dolorosamente pela doença da indigência, que veio de Jequié, de Cabrobó, de Canhotinho… Será preciso ainda defender a inversão do processo vigente? Mas, de qualquer maneira, o dinamismo histórico, a dialética, tem muita força. E, por esta razão, o interior do Brasil tem progredido apesar de tudo. Quer dizer, apesar do nosso bovarismo, da nossa inautenticidade, do nosso horror à verdade e à justiça social. A luta dos sem-terra comprova essa mutação histórica. E há mais: a construção de rodovias, o planejamento de ferrovias, a criação de comunidades, de cooperativas, de empresas, de instituições, de escolas. Apesar da crise terrível que nos afeta, sabemos que o interior do Brasil fervilha. Nem tudo é positivo, naturalmente.

Nossas populações indígenas, por exemplo, estão sendo dizimadas pela cupidez de patrícios desalmados.

Defendo um documentário cinematográfico honesto, verdadeiro, que reproduza a amarga esperança do povo brasileiro. Devemos registrar este momento culminante de nossa História. A nós, que durante décadas, louvamos o americano, compete agora o dever patriótico de conservar, para a História, o capítulo emocionante do presente: a epopéia do faroeste brasileiro que agora se desenrola.

Dois filmes brasileiros importantes já tocaram no assunto com sucesso: BYE, BYE BRASIL, de Carlos Diegues, e IRACEMA, de Jorge Bodanski. Os dois filmes de Vladimir Carvalho sobre Brasília, CONTERRANEOS VELHOS DE GUERRA e PAISAGEM NATURAL, são inegavelmente duas obras primas. Mas o registro de nossa marcha para o Oeste e outras marchas não estão sendo feitos. Vamos ver sempre o País ignaro, imprevidente, desmemorizado, perdulário? Hoje em dia, Rondônia, Roraima e Amapá deixaram de ser meros nomes geográficos. Palpitam, tem vida.

Glauber, o inesquecível vidente, previu certo: o sertão vai virar mar.

(…)

Brasília, projetada desde os primórdios da Pátria pelos melhores filhos dela – os de espírito mais penetrante e que, por conseguinte, pareciam videntes e profetas – surgiu justamente para dar consistência a um país geograficamente frouxo, descosturado, incompleto, fragmentado e também para vencer a alienação e a dinamização do interior. Brasília teve, por missão, dar, ao Brasil, o seu remate, as suas feições definitivas, em suma, o seu acabamento. Ainda hoje o Brasil é uma nação inacabada como a célebre sinfonia de Schubert. Deixamos de fazer o que os americanos fizeram com pleno sucesso: assumir a posse total do seu território. E mais que isto: ir do leste ao oeste – atingir o Pacífico. Ao contrário, o Brasil, passada a febre do bandeirismo, acocorou-se junto das costas, esperando as notícias influenciadoras que vinham da Europa, hoje substituída pelos Estados Unidos. A Marcha para o Oeste, realização criteriosa de Getúlio e João Alberto, foi logo dissolvida. O Projeto Rondon – cancelado. Nos Estados Unidos, foi importante o “American Dream”, o “Sonho Americano”. No Brasil, nunca houve o Sonho Brasileiro, uma ânsia de trabalho construtor, uma aspiração ampla, nacional. Limitamo-nos a sonhos individuais, medíocres, mesquinhos, alimentados pelo jogo do bicho e pelas raspadinhas… Nossas migrações marcham na direção contrária do progresso. Em vez do nosso caboclo se arraigar na sua terra, ou… terras novas, vem para as metrópoles mendigar ou, o que é pior, engrossar as hostes do banditismo.

Muito poeta, no sentido nobre etimológico da palavra (o que cria, o que faz) Kubitschek, a quem atribuem sangue cigano, deu o sinal da caminhada certa, racional, lógica. Contra a maledicência dos épicos do imobilismo, dos defensores da estagnação, o sonhador de Diamantina determinou a impetuosa arrancada e deixou evidente que as utopias deixam de ser utopias quando o homem decide criar, construir, dinamizar.

Realizada Brasília, de maneira majestosa e vitoriosa, desde os seus primórdios foi fácil notar que teve que enfrentar a frieza dos impotentes e a inveja dos paralíticos. A impressionante capital ainda não conquistou o assentimento da mentalidade costeira, transoceânica, alienada, que predomina no Brasil. Esses adversários do progresso não querem perceber que o Brasil é um país de costas voltadas para o seu interior. Aceitam – e defendem o subdesenvolvimento, ou antes o antidesenvolvimento.

Contudo, a Canaã bíblica, a “terra de leite e mel”, existe, e espera pacientemente que os brasileiros, entusiastas do “rock”, da Disneylândia e de tudo o que as multinacionais nos impigem, se apercebam dela. Ainda, há poucos dias, presenciei, maravilhado, o progresso, a riqueza, o desenvolvimento cultural, numa região do Brasil, que tem muito a nos oferecer!

Refiro-me a Mato Grosso do Sul, e, de maneira mais geral, ao Centro-Oeste. Com estes olhos que a terra há de comer, vi Dourados, cidade vital, bela, limpa, farta! Senti que esse triunfo do Centro-Oeste – ainda muito no seu começo, pois suas possibilidades, sua potencialidade, são enormes – tem muito a ver com a construção de Brasília.

O sentido de Brasília, que é o pioneirismo e o da afirmação da identidade do Brasil, precisa de ter uma divulgação no país inteiro, para o próprio bem do nosso povo. A salvação do Brasil está na colonização, na abertura de novas regiões para a produção, no aumento das lavouras e da criação das riquezas, e não nas lutas e cambalachos políticos, que não geram coisa nenhuma. A mesma esterilidade encontramos nos planos dos economistas, que terminam todos em fracasso, pois não resultam no aumento de bens para o povo. Que esperar de uma grande nação como a nossa que importa até arroz e o feijão? Dourados ri-se desses políticos e economistas e nos oferece fartamente gado, arroz, milho e soja. Lá fica a famosa fazenda Itamarati, a maior plantação de soja do mundo!

A epopéia de Brasília não feita das armas, foi criação dos candangos nordestinos ou mineiros que Vladimir Carvalho evocou nos filmes fabulosos “Brasília – a última utopia” e “Conterrâneos Velhos de Guerra”.

(…)

Transcrito de “Vinte Vezes Cassiano”
Thesaurus Editora/Livraria Presença. Brasília.1993

 

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O ditame

Escrito por Brasília Poética em . Postado em Poemas para Brasília Sem Comentários

O ditame

Mineiro
de mares escondidos
montanhosos
Juscelino
menino
de vilarejos coloniais
pensava o Brasil
integral,
porque plural.

Almou o compromisso
nacional.

Jurou
cumprir a Constituição
em tempos discricionários
em cenários de sedição:
interesses provincianos
coronelismos
privilégios, oligarquias
regionais:
capitanias hereditárias
atrasos ancestrais.

Liberdade, democracia, tolerância!

Romper estruturas
fossilizadas
conchavos palacianos
demolir hegemonias
políticas.

Juscelino onipresente,
perseverante.

Desenvolvimentista.
Queria um centro gravitacional
uma força irradiadora
um cérebro autônomo, central.
Queria um símbolo,
havia-o no ideário dos
Inconfidentes,
nos sonhos dos independentistas,

dos Andradas, dos jesuítas,
dos nativistas exaltados.

Crença arrebatadora,
cristalizadora:
não por ideologia
(que o não alinhava).

Cumpriu contra o Destino
o seu dever:
"Inutilmente?
Não, porque cumpriu",
disse-lhe Fernando Pessoa,
de Dom Duarte, Rei de Portugal.
Todos os caminhos levavam ao mar.

JK queria-os
na direção do Brasil mesmo:
dos sertões,
das vastidões ignoradas.

JK, descobridor do Brasil.

Antonio Miranda
"Canto Brasília"

 

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Domingo, 10 de abril de 1960

Escrito por mariana em . Postado em Linha do Tempo Sem Comentários

Obras dos Institutos – Aceleram-se os trabalhos de construção dos grupos de edifícios dos Institutos da Previdência Social, ainda não inaugurados. Pelo andamento das obras, tudo faz prever que serão todos inaugurados próximos, completando-se desse modo a primeira fase do plano de construções estabelecido pelos órgãos constituintes da Previdência Social para Brasília.

IAPB - Estão praticamente concluídas as 76 unidades residenciais que o Instituto dos Bancários está construindo para seus associados em Brasília. A inscrição de interessados na locação já foi encerrada.

Fundação da Casa Popular – Pioneira em Brasília na construção de residências, a Fundação da Casa Popular inaugurou na nova Capital seus conjuntos há dois anos, estando todos ocupados. Agora, com a aproximação da inauguração na nova Capital, a F.C.P. decidiu realizar pintura nova em todas as casas de seus conjuntos.

Ao mesmo tempo, a F.C.P. está ajardinando todas as áreas devolutas de seus conjuntos.

Banco do Brasil – Na próxima semana estará concluída a colocação de vigésima quarta laje do Edifício do Banco do Brasil, que, uma vez terminado, será um dos mais importantes da nova Capital. Trabalhar-se ativamente na construção da futura sede de nosso principal estabelecimento de crédito, tendo-se batido um verdadeiro recorde de tempo, pois as obras foram iniciadas há apenas 90 dias. No dia 21 entrarão em funcionamento todo o subsolo e dois pavimentos do edifício, destinados, na primeira fase de transferência, às atividades da administração do Banco. Além de seu edifício-sede, o Banco do Brasil já adquiriu duas lojas do grupo da Caixa Econômica, a fim de instalar sua primeira agência no perímetro urbano de Brasília. A inauguração da agência está incluída no programa de festividades do dia 21.

Cardeal Cerejeira – Em Lisboa, embarca no Vera Cruz para o Rio de Janeiro, o Cardeal Cerejeira, Legado Pontifício à inauguração de Brasília, que presta as seguintes declarações à imprensa:

“Ao partir como Legado de sua Santidade para a inauguração de Brasília, quero dirigir ao Brasil as minha saudações mais fervorosas.

Nasceu o Brasil pela mão de Portugal. Para contarem a própria história, Portugal e Brasil terão de repetir muitas páginas comuns que Camões não conheceu. Se as soubera, já foi dito que elas fariam o cântico undécimo do Lusíadas.

Não há coração de português que não tenha dentro de si sempre viva a imagem do Brasil. É certo que o Brasil começou há muito a descrever por si próprio a grandiosa história do seu destino e aimagem maior do Brasil, que é já tão grande – é a imagem do Brasil do futuro.

A inauguração de Brasília é como que a aurora deste Brasil. Para bem apreciar, é preciso considerá-la com olhos proféticos como os do ilustre Presidente da Nação Brasileira.

Sua Santidade o Papa João XXIII escolheu o Cardeal Patriarca de Lisboa para representar a Sua Augusta pessoa nesta solene inauguração, um ato de arrojada esperança para o Brasil e para o Mundo. Esta escolha quer-me parecer que traduz uma intenção: com o Legado vai ao Brasil Portugal.

O Santo Padre, quando fala, diz só palavras de verdade, de esperança e de amor. Nesta embaixada de benção ao Brasil novo quer pronunciá-las em português. Esta é a língua em que Portugal e Brasil se entendem. E a um senhor Cardeal brasileiro, irmão pela púrpura, pelo caráter episcopal e pelo fraternal afeto, ouvi lembrar que foi a língua que Nossa Senhora falou em Fátima falando para o mundo. Por isso eu fui escolhido. E nenhuma missão me podia ser mais grata. Deus guarde o Brasil”.

 

A cidade prepara-se para receber moradores. Unidades residenciais construídas para associados ao Instituto dos Bancários estão praticamente concluídas. O edifício do Banco do Brasil, iniciado há noventa dias, é erguido em tempo recorde. Até a inauguração, terá todo o subsolo e dois pavimentos funcionando (Foto: Arquivo Público do DF)


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Alvorada de Espelhos

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Bernardo Sayão

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