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Ninguém

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Ninguém
                  
para Donaldo Mello
 
Não há princípio nem fim
na eterna diáspora
dos astros
tresloucados
deslocando-se
aos confins
do universo
em expansão.
 
O tempo não existe
para as estrelas
mas elas fenecem
e, de vê-las, fico triste.
 
Sem sombra e destino, também vagarei.
 
Hei de seguir o mesmo curso de ninguém.
 
Antonio Miranda, poeta maranhense, criado no Rio de Janeiro.
Transcrito da antologia “Deste Planalto Central: Poetas de Brasília”, de Salomão Sousa.

 

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Gênesis

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Gênesis
 
Cai a tarde
Sombras devolutas borbulham astros e
pirilampos
A razão aquiesce ao langor de sinos
Longe o cão distraído lambe o próprio dorso
O dia cumpriu-se;
cumpra-se a noite
De sortilégios e amoreios, entre arvoredos e eclipes
o corpo vencido de fadiga; a alma em vazante
a noite vem aos poucos, grávida de auroras
Enquanto isso o ente se fecunda no fogo da paixão, beira rio,
moita-a-dentro
É a sina, o cosmo se refaz em coisa e gente
– motim eterno de sedes e clarões na vulva ribeirinha da manhã
Logo nasce o dia, faz-se em luz a treva espessa
Emerge o ente das entranhas da carne, agora em flor e criatura.
 
Julio Cezar Meirelles, poeta natural do Rio de Janeiro.
Reproduzido da Antologia "Deste Planalto Central: Poetas de Brasília", de Salomão Sousa.

 

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