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Como nascem os palácios

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Por Conceição Freitas

Quando Lucio Costa escreveu que o projeto do Plano Piloto surgiu praticamente pronto, deu a entender que o santo baixou e ele, num lampejo, criou a capital. Do mesmo modo, há a sensação de que Oscar Niemeyer, incorporado por uma entidade arquitetônica, projetou os palácios de Brasília num átimo de tempo criativo. Muito longe disso. Tanto o arquiteto quanto o urbanista gastaram muita ponta de lápis para transformar o vazio do papel em genial invenção. O próprio Niemeyer, ao descrever o processo de criação das obras da nova capital, não revela o quanto ele ralou, foi e voltou, voltou e foi, para criar alguns dos mais belos palácios da história da arquitetura moderna.

Para descobrir, afinal, quanta pestana o arquiteto queimou até chegar aos projetos finais dos quatro primeiros palácios de Brasília – o do Alvorada, o do Planalto, o do Supremo Tribunal Federal e o do Congresso Nacional – o também arquiteto Elcio Gomes da Silva produziu e defendeu, em abril passado, na Universidade de Brasília (UnB), uma tese de doutorado de 1.200 páginas. “Os palácios originais de Brasília” percorre as pegadas de Niemeyer, do engenheiro Joaquim Cardozo, das construtoras, dos fornecedores de material de construção, dos mestres de obra dos quatro palácios para reconstituir o ato mesmo da criação. Investiga também as mudanças ocorridas nas edificações desde então.

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Brasília

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Brasília
Cidade bela,
tão ampla em teus horizontes…
A tantos sonhos
erguestes pontes…
A tanta vida
foste alvorada…
Cidade alada,
braços alados, sempre tão abertos,
teus verdes espaços.
Tal liberdade dás aos que os seus sonhos
embalam em teus braços,
pois que tu mesma de um sonho nascestes.
Cidade celeste…(…)

Lúcia Helena Galvão, poeta brasiliense
Poema transcrito da coluna “Tantas Palavras”, Correio Braziliense 21/08/2012

Sinfonia da alvorada

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Sinfonia da alvorada
Por Ana Miranda

 
Brasília fica no lugar mais antigo da terra, gostava de dizer Tom Jobim. Talvez por isso as alvoradas em Brasília sejam tão ricas de cores que foram se multiplicando e recriando ao longo dos bilhões de anos. Riam de mim os cientistas, não me importo, falo de anos poéticos e de alvoradas sonoras.

Brasília sempre foi sinônimo de alvorada, que me perdoem os gramáticos, e me perdoem os historiadores, mas tenho certeza de que JK fundou a filosofia de Brasília na ideia de alvorada. A prova é a “Sinfonia da alvorada”, que me perdoem os lógicos e os juízes. Uns dizem que em 1958 o pianista Bené Nunes levou a Tom Jobim um convite de JK para ele compor uma sinfonia celebrando Brasília. Vinicius faria o recitativo.

Vinicius contou a história diferente, disse que em fevereiro de 1958 estava num hospital em Petrópolis, depois de um acidente, e recebeu a visita de Tom, quando conversaram pela primeira vez sobre escreverem uma sinfonia celebrando Brasília, e nesse mesmo ano Tom compôs alguns dos temas musicais constantes da futura Brasília, Sinfonia da alvorada. Quando Vinicius voltou de seu posto em Montevidéu, em junho de 1960, e Brasília já tinha sido inaugurada dois meses antes, ele recebeu uma telefonada de Brasília. Era Oscar, introduzindo Juscelino. O presidente convidou Vinicius para criar um espetáculo son et lumière para ser apresentado na Praça dos Três Poderes, como se fazia nos castelos franceses, na acrópole, nas pirâmides e em tantos monumentos.

Tom e Vinicius esboçaram o plano da obra, partiram para Brasília e foram se hospedar no Catetinho. Queriam ter contato humano com a cidade. Vinicius contou que trabalhavam na mesa onde JK tinha assinado seus primeiros atos na capital. Chegou um piano de Goiânia, e os músicos, ajudados pelo caseiro Luciano e três “capangas” o subiram no braço, mortos de medo que as escadas cedessem ao peso. Ali os músicos ficaram uns dez dias, se inspirando e compondo. Contemplavam a “silhueta quase sobrenatural da cidade na linha extrema do horizonte, recortada contra auroras e poentes de indizível beleza”, disse o poeta. De madrugada ouviam o piar das perdizes e dos jaós, entre rajadas de vento do altiplano. Caminhavam pelos capões de mato, e Vinicius ia só até o olho d’água, voltava e ficava pensando nas palavras da sinfonia. No principio era o ermo, agreste, verde triste…antigas solidões…a penúria dos caminhos…a dolência dos desertos…olhava um mapa do Brasil escolhendo nomes. Tamboril, Passo Fundo, Amargosa, Taperoá!

Enquanto isso, Tom Jobim se aprofundava na mata munido de uma espingarda para caçar passarinhos, mas Vinicius se aprazia em dizer que jamais ouviu um tiro, Tom não tinha “coragem para chumbar seus coleguinhas alados”. E quando o músico voltava da caça, sem nenhum passarinho, almoçavam mesmo o feijão com arroz da “patroa” de Luciano, o funcionário número um de Brasília. De vez em quando iam visitar amigos, bravos pioneiros, ou recebiam visitas, como as do herói da FAB, João Milton Prates, que lhes levava “licores e vitualhas”.

A sinfonia ficou pronta, e arrancou lagrimas dos olhos desses pioneiros, quando a ouviram pela primeira vez, Tom Jobim tocando e Vinicius recitando, ali mesmo no Catetinho, num piano goiano, numa noite estrelada. Ah…Ah…Ah…Diem! Ô…ô…ô…ô. O concerto de som e luz na Praça dos Três Poderes não aconteceu, por falta de verba. A peça só foi levada à Praça dos Três Poderes em 1986, regida pelo maestro Alceu Bocchino, com Radamés Gnatalli ao piano e Tom e Suzana, filha de Vinicius, que me perdoem os materialistas, acompanhava do céu, batucando numa caixinha de fósforos.

Texto transcrito do Correio Braziliense, 25/03/2012.

 

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Canção dos pioneiros

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(Eu vi o candango triste
cantando sobre o planalto
a canção dos pioneiros
a canção cantava assim:)
O Palácio da Alvorada
não é castelo de mouro
nem coisa do arco-da-velha
nem morada de fidalgo
rei de Espanha ou qualquer outro:
é um palácio de cristal
leve armadura de ventos
em doces linhas montado
ritmo de pauta emendado
ou vôo curvo de pássaros
voando entrelaçados
por entre os vãos do palácio
 
Bandeira dos pioneiros
presa a uma haste de prata
bandeira deste país
erguida sobre o planalto
(que a brisa beija e balança)
no gênio de Castro Alves
e mais heróis legendários
 
Mais brasileira essa terra
com esta bandeira-perfil
de Brasília construída
com cruz plantada no chão
linguagem e poema pátrio
(flor do Lácio inculta e bela)
no poema de Bilac

No sonho dos bandeirantes
mártires e heróis brasileiros
tamoios/confederados
(de Fernão Dias Paes Leme
 
Mororó e tantos outros
Frei Caneca e Tiradentes
que a liberdade é uma só
praeiros & inconfidentes)
 
O Palácio da Alvorada
– cisne nadando em espuma –
moça-virgem de grinalda
donzela de seio-pluma.
 
Poema “Canção dos pioneiros”
José Alcides Pinto, poeta cearense,nascido em São Franciso do Estreito, distrito de Santana do Acaraú.
Reproduzido da antologia “Poemas para Brasília”, de Joanyr de Oliveira.

 

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Alvorada de Espelhos

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Alvorada de Espelhos
Por Clemente Luz

Palácio da Alvorada - Por  Ichiro Guerra/PR.

O imenso louva-a-deus traçado no papel, antes promessa da presença da cidade, já tem forma e base sólida no chão do planalto. No local mesmo onde a visão do profeta viu “que se formava um lago”, a cidade foi inventada, porque não havia tempo para ser elaborada e edificada.

Do alto, em avião que sobrevoa, ou quando a gente caminha por certas áreas desabitadas e longínquas, a cidade se entrega à visão, na sua plenitude urbanística e arquitetônica. E a visão é magnífica, é grandiosa e toca o coração dos que estão chegando. Provoca lágrimas nos que aqui chegaram nos primeiros tempos e assistiram à invenção da Cidade, no milagre da criação das formas de cimento e aço.

O imenso louva-a-deus abre as asas de luz branca, norte-sul, ligadas ao corpo de luz branco-vermelho do Eixo Monumental. O que era traço no papel foi plantado na terra. E o que é plantado na terra tem os ciclos naturais de germinação, de crescimento…

A cidade está crescendo, talvez num ritmo muito além das previsões. Nasceu como semente lançada em boa terra, cresce como arbusto e toma corpo de árvore definitivamente enraizada no solo.

O amanhecer traz, cada dia, novas certezas e novos espantos para a menina-moça, que se  surpreende mais moça do que menina, ante a alvorada dos espelhos… No chão vermelho, as edificações crescem como macega que, depois de queimada, cobre de verde o chão de cascalho do Planalto, antes mesmo das primeiras chuvas.

A Asa Sul é um belo conjunto arquitetônico, quase concluído. Falta-lhe alguma coisa, na parte técnica e muita coisa, no lado humano. Mas os fogões domésticos marcam, com o cheiro dos temperos nas panelas, a presença do corpo e o coração dentro dos lares.

1959… A Cidade é inventada e se inventa, a cada instante, ante os olhos atônitos de homens e crianças. É a jovem futura cidade que, como uma jovem futura mulher, está desabrochando para a vida.

A gente não percebe direito o corpo da mulher sob as vestes simples de menina-moça. Ela própria, como que envergonhada, procura esconder, sob vestidos mal lançados sobre o corpo, as formas preciosas e precisas, os contornos quase perfeitos que se formam, a olhos vistos!

Já vistes uma menina-moça, metade flor, metade botão, procurando, em meio à luz do dia e ante olhos curiosos, esconder o afogueado da face, a semi-ostensiva exuberância dos seios, a forma roliça de todo o corpo? Já vistes o temor no andar de quem não é mais criança, mas que ainda não é bem moça?

Para quem sabe ou consegue captar esse mágico instante da existência, a sensação é a de que está vendo o mundo nascer, formar-se e precipitar-se na vida.

Nós, de Brasília, estamos assistindo a esse milagre, não num corpo de menina, mas no disforme corpo de uma cidade que nasce. Ela está deixando as vestes de menina, os folguedos de criança, para se transformar em cidade madura e exuberante, com contornos definidos, com edifícios sólidos, plantados sobre bases indestrutíveis.

Já não ficaremos mais extasiados com o amanhecer no Planalto, com o pôr-do-sol tranqüilo e magnífico ou com as paisagens poéticas, que nos fazem parar no meio de uma estrada, para gritar sem cerimônias:

- Que beleza!

Assim como a menina-moça, o que era promessa de forma e de contornos passou a ter contorno e forma definidos, deixando os traços subjetivos do desenho e dos planos, pela realidade do concreto e do vidro. Os horizontes não são mais os mesmos nem  o pôr-do-sol tem aquele mesmo encanto selvagem. A paisagem vai-se humanizando… Onde havia apenas o galho retorcido da árvore do cerrado, projetado contra o fim da tarde, surgiu a forma arquitetônica, de rara beleza, de grandeza humana e dimensão monumental.

A mão do homem, com sua força, sua técnica e sua habilidade, modificou a paisagem, deu-lhe vida nova, deu-lhe calor humano.

E hoje, embora possa parecer ridículo, eu vos digo: no coração do Planalto, neste vasto coração do Brasil, uma cidade germina. Uma cidade germina e cresce, com o vigor das plantas novas e dos seres novos. Uma cidade humana, perfeita, germina e cresce para a sua primeira floração, para o amanhã feminino da transformação orgânica, quando o corpo, antes livre e franzino, toma forma definidas e exuberantes. E na alma, que amanhece para a vida, nasce a alegria nova da realidade da promessa, misturada com o amargo do mistério e da incerteza…

Como um corpo de menina-moça, que se descobre cada manhã frente aos espelhos, a cidade que se forma, que se inventa a cada instante, com a grandeza de seu traçado, com o mistério de suas linhas arquitetônicas, se estenderá, ao sol, para a festa de sua beleza!

Reproduzido do livro “Invenção da Cidade”, de Clemente Luz

 

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Brasília – Abril de 1958

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Brasília 1958
Abril

 

Brasão de Brasília
“Brasília terá o seu brasão”, informou o presidente Juscelino Kubitschek aos jornalistas, acrescentando que o historiador Gustavo Barroso fora o encarregado de elaborar o brasão das armas da futura capital brasileira.
O campo é uma alvorada, simbolizando o despertar de uma nova era para o país. Haverá uma inscrição, cuja legenda ainda não foi aprovada. Foram sugeridas duas legendas: uma “Brasília, alvorada de um novo Brasil” e outra, em latim, “Brasília cor Brasilae”. O presidente Juscelino Kubitschek acha a primeira muito longa e tem óbvias preferências pela segunda. Contudo, ainda não decidiu sobre o assunto e não o fará sem conversar, antes, com o sr. Israel Pinheiro. Ainda a propósito da futura capital, revelou que o voluntariado aberto para o funcionamento não se restringe ao Rio de Janeiro. Todos os funcionários federais que quiserem, poderão se candidatar ao trabalho em Brasília. Ninguém irá forçado para lá.

Sol, figura obrigatória
O historiador Gustavo Barroso, diretor do Museu Histórico, incumbido pelo presidente da República de projetar o brasão de Brasília, declarou que submeteu 5 projetos ao sr. Juscelino Kubitschek e que já pediu nova audiência para apresentar mais dois desenhos. “Estes dois últimos projetos são, a meu ver, mais interessantes que os anteriores. É meu propósito nada sugerir ao presidente da República, para que assim possa ele escolher o brasão a seu gosto, mas creio que esses últimos são melhores”
O historiador patrício declarou que me todos os projetos, sem exceção, o sol, como símbolo da alvorada, do porvir, do futuro do país, é figura obrigatória.
“O presidente da República denominou o palácio do governo em construção de Palácio da Alvorada e através disso, cheguei à compreensão de que o brasão de Brasília deve ter como idéia central, o sol nascente, que significa alvorada”.
Como o brasão da Nova Capital não deve somente simbolizar o presente e o futuro, pois a própria decisão que levou a sua construção no “hinterland” brasileiro tem ligação com o nosso passado, haverá nas armas de Brasília, alguma coisa do nosso passado, de nossa história.
“Como ideais constantes, isto é, ideais que figuram em todos os projetos que apresentei ao presidente da República, ressaltam, além do sol (alvorada), a cruz de Cristo, que lembra a colonização; a coroa imperial, que evoca o Brasil Imperial, e o barrete da República, que simboliza o nosso período republicano”.
Além desses elementos que se traduzem em traços e cores, o brasão de Brasília incluirá também uma legenda, que ainda não foi definitivamente escolhida.
A inscrição poderá ser em português, e nesse caso seria “Brasília, alvorada de um novo Brasil”, que em latim, como na boa técnica heráldica, e nessa hipótese, seria – “Brasília Brasilae Cor”. O historiador Gustavo Barroso revelou, por fim, que prefere a inscrição latina, por ter, entre outras, a vantagem de ser mais curta.

Primeiro Contingente da FAB
Em avião comandado pelo major aviador Francisco de Assis Oliveira Lopes seguiu o primeiro contingente de cabos e soldados da Força Aérea Brasileira, designada para servir na futura capital da República.

Presidente da Caixa Econômica
Em avião especial, tendo descido no aeroporto do Gama, chegou o almirante Augusto do Amaral Peixoto, presidente da Caixa Econômica Federal, que estava acompanhado dos Srs. José Coelho Branco, Silvio Moreira, Alberto Cabalero, Oscar Gomes Miranda e Ernani Aguiar.
Ficaram hospedados no Palácio do Gama, tendo percorrido nos pontos principais da Nova Capital, em companhia do presidente da Novacap, Israel Pinheiro.
O presidente da Caixa Econômica fez também demorada visita à Agencia local do seu instituto de economia popular, mostrando-se bem impressionado com o surpreendente desenvolvimento dessa agência.

Fonte: revista “Brasília”, da Novacap, edição de abril de 1958, número 16.

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Brasília – Março de 1959

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BRASÍLIA 1959
Março

 

 

Ministro Norueguês

“Só o espírito jovem das Américas poderia construir obra pioneira tão grandiosa como Brasília. O europeu, com séculos de tradição, jamais poderia ter iniciativa tão arrojada”.

A declaração é do sr. Arne Skang, ministro norueguês, durante visita este mês à Brasília.

Congresso de Prefeitos

“Se for preciso, pegaremos em armas contra aqueles que pretenderem impedir essa grande obra”. Frase do representante de Montes Claros, durante Congresso de Prefeitos Mineiros e Goianos, realizado na cidade de Unaí (MG).

Cholly Hnicherbocher

“Brasília é um estupendo milagre. Uma cidade fabulosa, ultra-moderna, erguida em plena selva pela energia, coragem e o gênio do homem. Em cada esquina, um edifício estoura do solo e se ergue em direção ao céu. Estradas rasgam-se em todas as direções. A construção do edifício do futuro Congresso está muito adiantada: como será, no entanto, depois de pronto, só o senhor Niemeyer pode nos dizer. Em Brasília, tudo é assim”.

O comentário é do Governador de Nova Jersey e Sra Robert Meyner que acompanharam visita do jornalista Cholly Hnickerbocker à Brasília a convite do presidente Juscelino Kubitschek.

Grupos Geradores

A firma Burmeiter & Wain, da Dinamarca, por intermédio da Cia. T. Janér, forneceu para o palácio presidencial em Brasília, dois grupos geradores Diesel-Elétricos inteiramente automáticos numa capacidade total de 850 kw. Assim, está assegurado o fornecimento ininterrupto de energia elétrica ao Palácio da Alvorada, sendo esta a primeira usina Diesel-Elétrica inteiramente automática existente no Brasil.

Livros sagrados

O sr. Chamum Chalita, na qualidade de delegado da Liga dos Estados Árabes, entregou no escritório da Novacap, ao Dr. Ernesto Silva, para fazer parte da Biblioteca Nacional de Brasília, três preciosos livros, sendo um exemplar de “Al Coran”, um da “Bíblia Sagrada” e a obra “O Profeta”, escrita por Gibran, considerado o mais famoso filósofo moderno dos povos árabes.

Rodovia Belo Horizonte-Brasília

O Ministério da Viação e Obras Públicas comunica que estão prontos mais 370 quilometros de terraplenagem e, praticamente, as 16 obras num total de 948 metros, da Rodovia Belo Horizonte –Brasília.

Visita honrosa


Foto: Arquivo Público do DF

A Duquesa e a Princesa Kent estiveram em Brasília, tendo sido recebidas no aeroporto pelo dr. Israel Pinheiro, presidente da Novacap, que as conduziu ao Palácio da Alvorada, onde as esperavam o Presidente Juscelino e Sra. Sarah Kubitschek.

Ao chegar ao Palácio da Alvorada, a Duquesa de Kent passou em revista às tropas da 6ª. Companhia de Guardas, aquartelada em Brasília, que prestou, na ocasião, as honras de estilo. Em seguida, percorreu o edifício do palácio em companhia do presidente Juscelino Kubitschekm e de sua esposa.

A Duquesa examinou detidamente todas as dependências do Palácio da Alvorada e fez questão de conhecer o sr. Oscar Niemeyer, a quem foi apresentada, fazendo-lhe muitas perguntas sobre o que qualificou de “uma das obras máximas da moderna arquitetura mundial”.

Também os quadros, tapeçarias e outra decorações da residência oficial mereceram exclamações de franca admiração de Sua Alteza.

Pouco depois, acompanhada do presidente Juscelino Kubitschek, a duquesa de Kent visitou as principais obras da nova capital, demorando, na Praça dos Três Poderes, onde verificou a marcha dos trabalhos de construção dos edifícios do Congresso com 16 dos 28 andares de estrutura de ferro já levantados e com a cúpula do Senado já concluída e em fase de conclusão a concha da Câmara dos Deputados.

John dos Passos

John dos Passos, famoso escritor norte-americano, autor do “Paralelo 42”, esteve visitando o Brasil e acabou, como todo visitante ilustre, indo até Brasília.

O Palácio da Alvorada, os projetos de Lucio Costa e Oscar Niemeyer, a beleza e o clima da região encantaram-no. Com a sensibilidade própria de um romancista, John dos Passos, visualizou, naquele movimento febril de máquinas e de homens, que constroem Brasília, a cidade ultra-moderna, que, em futuro próximo, surgirá ali.

Impressionado com a fabulosa realidade nascente de Brasília, John dos Passos registrou suas impressões em um artigo que será publicado em todas as edições do Reader’s Digest – Seleções.

Tia Margarida vai a Brasília

Encontra-se em circulação, o primeiro livro para crianças, do prof. Jayme Martins, sobre a

nova Capital. Trata-se de um livro de ficção “Tia Margarida vai a Brasília”, que o autor, com seu estilo incomum, escreveu, contando toda a história da mudança da Capital desde os primeiros pronunciamentos, até o presente, quando Brasília, já se torna uma realidade, pela tenacidade e denodo do presidente Juscelino Kubitschek.

Destina-se este livro de história às crianças do Brasil, mostrando-lhes como os homens de fibra lutam e vencem. O professor Jayme Martins escrevendo esta obra, a primeira no gênero, sobre a mudança da Capital, prestou um grande serviço, não só à Pátria, mas a toda juventude brasileira e se incorporou aos escritores patrícios como Monteiro Lobato, Humberto de Campos, Viriato Corrêa, Josué Montello, Franklin de Salles, Clemente Luz e muitos outros, que dedicaram parte de suas vidas, de seus afetos, contando histórias das belezas e grandezas de nossa terra, enaltecendo-a, e exaltando os feitos heróicos daqueles que derramaram o seu sangue e o seu suor para que ela sempre sobrevivesse firme, bela e altaneira no coração de seus filhos.

É assim o livro do escritor em apreço, pleno de poesia, repleto de glória, com emoções em cada instante e ensinamentos sobre a Nova Capital que surge em pleno sertão brasileiro, como raio de sol entre as moitas floridas, convidando o povo para a festa do progresso do Brasil gigante.

 

Fonte: registros transcritos da revista “Brasília”, da Novacap, edições de março de 1958 e 1959 (números 15 e 27, respectivamente)

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O Pássaro de Asas Brancas

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Quando tudo estiver terminado e não restar de nós, bípedes falantes, nada além de pegadas arqueológicas, um pássaro de vidro, mármore e concreto permanecerá pousado numa península à beira de um lago, como testemunho de que uma civilização ali existiu, num lugar onde não jorrou leite e mel, como fora previsto. Jorrou poesia em concreto armado e vontade de mudar, pra melhor, o jeito de viver coletivamente.

Juscelino não gostou do primeiro esboço que Oscar Niemeyer lhe apresentou. “Examinei-o com a maior atenção e conclui que, apesar do seu esforço, ele não havia emprestado à obra a monumentalidade que se impunha à residência do chefe de governo”. O primeiro projeto do Palácio da Alvorada era uma obra-prima, mas não refletia o que o presidente desejava. “O que eu quero, Niemeyer, é um palácio que, daqui a cem anos, seja admirado”.

O arquiteto sorriu, pegou o projeto inicial e voltou para a prancheta. Passou a noite nela, segundo JK, em “Por que construí Brasília”. No dia seguinte, Niemeyer ainda pegou Juscelino tomando café no Catetinho. Estendeu um rolo de papel sobre a mesa e o que estava desenhado incandesceu os olhos do presidente. “Ali estava um edifício que era uma revelação. Leveza, grandiosidade, lirismo e imponência – as qualidades mais antagônicas se mesclavam, interpenetravam-se, para realizar o milagre da harmonia do conjunto”.

Dizem os críticos que o Palácio da Alvorada é uma escultura e por isso desconfortável para moradia. O Alvorada não é casa para-sempre de quem quer que seja. É a casa-hospedaria do presidente da República. E ele está ali para compor a solenidade que um palácio exige. É o palácio de um país que quis mostrar ao mundo sua própria capacidade de invenção. Todo revestido de vidro, abre-se para um extenso gramado à frente, e para uma piscina monumental e um lindo jardim que se desdobra até o Lago Paranoá, ao fundo. De noite, o Plano Piloto aparece salpicado de estrelas, cada vez mais salpicado de estrelas. E de dia, tremendo na miragem que a excessiva claridade produz.

Perguntaram a Juscelino por que aquele nome, Palácio da Alvorada, e ele respondeu: “O que é Brasília senão a alvorada de um novo dia para o Brasil?”

Se não é, foi porque não tivemos competência para tanto.

Quando tudo estiver terminado, o pássaro translúcido continuará de asas abertas para seu contínuo vôo rasante sobre uma península que se derrama num grande lago. Pássaro de asas desenhadas por um instante genial de criação, asas sinuosas, em forma de leque invertido e pontiagudo, que unidas umas as outras juntam dois Brasis – o moderno, que estava se inventando como nação,  e o colonial, de onde ele veio, com suas casas de varandas e redes dependuradas. Os dois Brasis num Alvorada que, 50 anos depois, é, das obras de Niemeyer, a mais flutuante – e olha que o cara sabe fazer o concreto voar.

Conceição Freitas
Reproduzido do Correio Braziliense, “Crônica da Cidade” (29.06.2008)

 

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Canção dos pioneiros

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Canção dos pioneiros
 
(Eu vi o candango triste
cantando sobre o planalto
a canção dos pioneiros
a canção cantava assim:)
O Palácio da Alvorada
não é castelo de mouro
nem coisa do arco-da-velha
nem morada de fidalgo
rei de Espanha ou qualquer outro:
é um palácio de cristal
leve armadura de ventos
em doces linhas montado
ritmo de pausa emendado
ou vôo curvo de pássaros
voando entrelaçados
por entre os vãos do palácio
 
Bandeira dos pioneiros
presa a uma haste de prata
bandeira deste país
erguida sobre o planalto
(que a brisa beija e balança)
no gênio de Castro Alves
e mais heróis legendários
 
Mais brasileira essa terra
com esta bandeira-perfil
de Brasília contruída
com cruz plantada no chão
linguagem e poema pátrio
(flor do Lácio inculta e bela)
no poema de Bilac
 
No sonho dos bandeirantes
mártires e heróis brasileiros
tamoios/confederados
(de Fernão Dias Paes Leme
Mororó e tantos outros
Frei Caneca e Tiradentes
que a liberdade é uma só
praieiros & inconfidentes)
 
O Palácio da Alvorada
– cisne nadando em espumas –
moça-virgem de grinalda
donzela de seio-pluma.
 
José Alcides Pinto, poeta cearense, nasceu em São Francisco do Estreito, distrito de Santana do Acaraú.
"Poemas para Brasília", antologia de Joanyr de Oliveira

 

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Toada pra se ir a Brasília

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Toada pra se ir a Brasília
 
(continuação)
 
Tenho a chave do futuro;
não quero outra maravilha,
Que os outros viajem pra lua,
eu não sei; irei pra Brasília.
 
Brasília de asas abertas
pra me contar, em segredo,
o dom de acordar mais cedo
do que os pássaros no arvoredo.
 
Brasília onde se diz que houve
uma lagoa dourada.
Brasília, onde Oscar Niemeyer
arquitetou – rosa em arco –
 
o Palácio Alvorada.
E nesta noite em que vivo
Eu preciso é de alvorada.
Não preciso de mais nada.
 
Vou-me embora, vou sem mágoa.
O coração do Brasil
deve estar mas em seu peito,
não aqui, à beira d’água.
 
Vou-me embora, satisfeito.
Não sou nenhum girassol
mas padeço de um mal bíblico
que é correr atrás do sol.
 
Solução a quem espera
por um mundo menos vão.
É fugir para o sertão
e esconder-se atrás da esfera.
 
Chegarei de madrugada,
quando cantar a seriema.
Brasil, capital – Brasília.
Onde mais bonito poema?
 
Vou-me embora pra Brasília,
que já nos meus olhos brilha.
Porque é a única cidade
onde nunca haverá saudade.
 
Cassiano Ricardo, poeta natural de São José dos Campos.
"Poemas para Brasília", antologia de Joanyr de Oliveira.

 

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Canção dos pioneiros

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Canção dos pioneiros
 
(Eu vi o candango triste
cantando sobre o planalto
a canção dos pioneiros
a canção cantava assim:)
O Palácio da Alvorada
não é castelo de mouro
nem coisa do arco-da-velha
nem morada de fidalgo
rei de Espanha ou qualquer outro:
é um palácio de cristal
leve armadura de ventos
em doces linhas montado
ritmo de pauta emendado
ou vôo curvo de pássaros
voando entrelaçados
por entre os vãos do palácio
 
Bandeira dos pioneiros
presa a uma haste de prata
bandeira deste país
erguida sobre o planalto
(que brisa beija e balança)
no gênio de Castro Alves
e mais heróis legendários
 
Mas brasileira essa terra
com esta bandeira-perfil
de Brasília construída
com cruz plantada no chão
linguagem e poema pátrio
(flor do Lácio inculta e bela)
no poema de Bilac
 
No sonho dos bandeirantes
Mártires e heróis brasileiros
tamoios/confederados
(de Fernão Dias Paes Leme
Mororó e tantos outros
Frei Caneca e Tiradentes
que a liberdade é uma só
praieiros & inconfidentes)
 
O Palácio da Alvorada
– cisne nadando em espuma –
moça-virgem de grinalda
donzela de seio-pluma.
 
José Alcides Pinto, poeta cearense, natural de São Francisco do Estreito.
"Poemas para Brasília", de Joanyr de Oliveira 

 

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Fantasmas no Alvorada

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Fantasmas no Alvorada

Sou mais do que um enamorado de Brasília. E muito mais do que isso, eu sou do Palácio da Alvorada, que visito, com prazer, quantas vezes posso. E cada vez que penetro aquela imensa e majestosa cortina de vidro, que nos separa de um mundo estranho e perfeito de formas e de cores, eu faço novas descobertas, como o menino que penetra o bosque, que ele julga encantado e que, de repente, descobre que é encantado mesmo.

A alegria das descobertas novas leva-me a exclamações de puro prazer. É um quadro famoso, que ainda não havia visto e que domina uma saleta; é um móvel antigo, contrastando com linhas moderníssimas do conjunto da sala; é uma estrada subterrânea, com claros escuros; é, enfim, tudo isso, o que me traz preso ao Palácio do Juscelino.
Eu disse Palácio do Juscelino porque é isso mesmo. É dele, de dona Sarah, de Márcia e de Maristela. Não vai nisso nenhum desejo de agradar o Presidente. Aliás, talvez ele nunca chegue a saber da existência destas palavras. Mas, a verdade é que o Palácio é dele. Tem qualquer coisa de pessoal, como a escova de dentes, como o cheiro do corpo que fica na camisa, como o gesto franco e a palavra fácil. Tive essa impressão, e depois cheguei a essa conclusão, quando da última visita. Foi a primeira que fiz, com um grupo de amigos, orientado por cicerone. O rapaz não tinha muita paciência para se deter em explicações, mas ia dizendo:
– Aqui é a sala de estar do Presidente; ali, a sala de banquetes, no outro ângulo, a sala de despachos, o Gabinete Civil, o Gabinete Militar…
Tudo certo, não há dúvida. Mas seco e formal.
Quando chegamos, porém, à parte íntima, destinada à família presidencial, o cicerone transformou-se. Já não falava mais com a mesma formalidade sobre um presidente que hoje é Juscelino e que amanhã será forçosamente outro cidadão brasileiro. O quarto de dormir era de dona Sarah. Mas adiante, o cicerone assume ares de dignidade de mordomo medieval e mostra um amplo quarto, a sala íntima e o quarto de vestir e diz:
– Este é o gabinete íntimo do doutor Juscelino!
E foi assim que descobri que, mesmo deixando a presidência, o Dr. Juscelino e sua família serão os donos do Palácio… ou, pelo menos, serão fantasmas amigos, que assustarão o futuro presidente e sua família. Eles sentirão, nas mínimas coisas, a presença dos primeiros moradores do Palácio, que só não é de sonho, porque a gente o vê plantado, sólido, à margem do lago, embora pareça navio prestes a levantar âncoras ou pássaro tentando alçar vôo.

Reproduzido do livro "Invenção da cidade", de Clemente Luz

 

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Alvorada

Escrito por Brasília Poética em . Postado em Poemas para Brasília Sem Comentários

"As colunas do Alvorada são o elemento arquitetônico mais importante
desde as colunas gregas"
André Malreaux

Fantasmas no Alvorada
Por Clemente Luz

Sou mais do que um enamorado de Brasília. E muito mais do que isso, eu sou do Palácio da Alvorada, que visito, com prazer, quantas vezes posso. E cada vez que penetro aquela imensa e majestosa cortina de vidro, que nos separa de um mundo estranho e perfeito de formas e de cores, eu faço novas descobertas, como o menino que penetra o bosque, que ele julga encantado e que, de repente, descobre que é encantado mesmo.

 

Brasília
Por Gilberto Freyre

"…ninguém sabe mais separar, nem dentro nem fora do país, a figura ainda jovem e, por causa de Brasília, já histórica, do Presidente da República que deu início a tal arrojo. Estivesse fracassando em tudo o mais que tem procurado realizar o Presidente Juscelino Kubitschek, e Brasília, sozinha, lhe garantiria uma projeção sobre o futuro brasileiro, capaz de lhe resgatar o nome dos erros, mesmo grandes, de administrador e de o purificar de pecados, mesmo capitais, de político.

 

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