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A cidade do Planalto

Escrito por Brasília Poética em . Postado em Poemas para Brasília Sem Comentários

A cidade do Planalto
 
Oh! a Cidade que irá surgir
bela, sobre o planalto, além dos horizontes.
A que não foi preciso descobrir,
a que o olhar divisou pela encosta dos montes.
Cidade do porvir,
longe do mar, Cidade perto das estrelas…
 
Tu não terás o afago de ondas, a carícia
voluptuosa da espuma contra o cais;
nem um colar chorando luzes sobre as águas
numa circunferência, e ainda mais… ainda mais
a praia, a areia de ouro, a banhista, a delícia
da alameda que fica junto ao cais.
Mas eu te amo assim mesmo, em teu futuro,
amo o trabalho humano que há de levantar
sobre os teus montes, edifícios de ouro
e a igreja branca onde talvez eu vá rezar.
 
Amo a glória do teu futuro!
 
Mas quero muito mais a saudade que fica
desse arraial onde hoje dormem caravanas
de montanhas e de pobres cabanas
e tendas humildes e pequeninas.
 
Ficas longe do mar, mas ficas perto
do céu, de um claro céu que há de estar sempre aberto
às nossas mágoas e aos nossos cantos, ao vento.
 
Que o homem futuro possa ter um sentimento,
adorar as tuas paisagens belas,
e possa, pela coragem, merecê-las.
 
Cidade fugiu das ondas e das praias
para ficar vizinha das estrelas…
 
Osvaldo Orico, poeta paraense, nasceu em Belém.
"Poemas para Brasília", de Joanyr de Oliveira.

 

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Cidade non plus ultra

Escrito por Brasília Poética em . Postado em Poemas para Brasília Sem Comentários

Cidade non plus ultra*
 
Brasília, cidade-monumento, erguida sobre o chapadão do Planalto Central, cidade-Patrimônio Cultural da Humanidade, cidade clássica, aparentada, no pensamento idealizador, com a Cidade Ideal de Platão, com a Cidade de Deus, de Santo Agostinho, com a Cidade do Sol de Campanella, com a Utopia, de Thomas Morus, com a Cidade Contemporânea para Três Milhões de Habitantes e com a Cidade Radiosa, ambas de Le Corbusier e definidoras da Carta de Atenas, cidade-continuação e cidade-desejo dos Inconfidentes e mais tarde, de Hypólito José da Costa (daquele outro Correio Braziliense), de José Bonifácio de Andrada ("…um nova capital, no interior do Brasil, em uma das vertentes do rio São Francisco, que poderá chamar-se Petrópole ou Brasília…"), do historiador Varnhagen ("para a futura capital da União Brasílica o triângulo formado pelas lagoas Feia, Formosa e Mestre D’Armas, das quais manam águas para o Amazonas, para o São Francisco e para o Prata!" – depois definida pelo polígono Cruls), cidade-sonho da "grande civilização que surgirá entre os paralelos 15′ e 20’", na visão de Dom Bosco, cidade mística, ligada ao Egito antigo, cidade-irmã de Roma (ambas natas a 21 de abril) e da democracia da cidade grega, em luz suplantando a Cidade-Luz, cidade planejada, modernista, idealizada sob os três vértices de Lucio Costa, de Niemeyer, de JK, cidade cosmopolita, cidade universal, sob suas quatro escalas – monumental, bucólica, gregária e residencial -, mas também cidade-estado, totalitária e absolutista como Washington, cidade-berço da ditadura militar, força de atração humana e de segregação social, cidade sobreposta à cidade colonial, à casa-grande e às fazendas de gado, cidade infensa ao homem do Brasil interior, ao Goiás, ao cerrado e aos caminhos coloniais, cidade-espelho dos antagonismos mais fundos, dela emanando jardins de plantas, vias expressas, prédios-monumentos ordenados pelo homem, para um incerto novo espírito que irradiará novas memórias e ficções para o orbe, cidade-incógnita do terceiro milênio.
 
*não mais além, o mais alto ponto, apogeu.
 
Alex Cojorian
Texto em colaboração com Ataíde Mattos – Círculo de Estudos Clássicos de Brasília.
"Abstrata Brasília Concreta", de W. Hermuche.

 

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A cidade do Planalto

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A cidade do Planalto
 
Oh! a Cidade que irá surgir
bela, sobre o planalto, além dos horizontes.
A que não foi preciso descobrir,
a que o olhar divisou pela encosta dos montes.
Cidade sem o lenço azul das caravelas,
Cidade do porvir,
longe do mar, Cidade perto das estrelas…
 
Tu não terás o afago de ondas, a carícia
voluptuosa da espuma contra o cais;
nem o colar chorando luzes sobre as águas
numa circunferência, e ainda mais… ainda mais
a praia, a areia de ouro, a banhista, a delícia
da alameda que fica junto ao cais.
Mas eu te amo assim mesmo, em teu futuro,
amo o trabalho humano que há de levantar
sobre os teus montes, edifícios de ouro
e a igreja branca onde talvez eu vá rezar.
 
Amo a glória do teu futuro!
 
Mas quero muito mais a saudade que fica
desse arraial onde hoje dormem caravanas
de montanhas e de pobres cabanas
e tendas humildes e pequeninas.
 
Ficas longe do mar, mas ficas perto
do céu, de um claro céu que há de estar sempre aberto
às nossas mágoas e aos nossos cantos, ao vento.
 
Que o homem futuro possa ter um sentimento,
adorar as tuas paisagens belas,
e possa, pela coragem, merecê-las.
 
Cidade que fugiu das ondas e das praias
para ficar vizinha das estrelas…
 
Osvaldo Orico, poeta paraense, nasceu em Belém.
"Poemas para Brasília", de Joanyr de Oliveira.

 

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A cidade do Planalto

Escrito por Brasília Poética em . Postado em Poemas para Brasília Sem Comentários

“(…) Poucas cidades do mundo tiveram o privilégio de ser cantadas por tantos e tão importantes poetas.”
Comentário de Moacir C. Lopes sobre a antologia “Brasília na poesia brasileira” (1982), de Joanyr de Oliveira.

 “A cidade do Planalto
 
Oh! a Cidade que irá surgir
bela, sobre o planalto, além dos horizontes.
A que não foi preciso descobrir,
a que o olhar divisou pela encosta dos montes.
Cidade sem o lenço azul das caravelas,
Cidade do porvir,
longe do mar, Cidade perto das estrelas…

Tu não terás o afago de ondas, a carícia
voluptuosa da espuma contra o cais;
nem um colar chorando luzes sobre as águas
numa circunferência, e ainda mais… ainda mais
a praia, a areia de ouro, a banhista, a delícia
da alameda que fica junto ao cais.
Mas eu te amo assim mesmo, em teu futuro,
amo o trabalho humano que há de levantar
sobre os teus montes, edifícios de ouro
e a igreja branca onde talvez eu vá rezar.

Amo a glória do teu futuro!

Mas quero muito mais a saudade que fica
desse arraial onde hoje dormem caravanas
de montanhas e de pobres cabanas
e tendas humildes e pequeninas.

Ficas longe do mar, mas ficas perto
do céu, de um claro céu que há de estar sempre aberto
às nossas mágoas e aos nossos cantos, ao vento.

Que o homem futuro possa ter um sentimento,
adorar as tuas paisagens belas,
e possa, pela coragem, merecê-las.

Cidade que fugiu das ondas e das praias
para ficar vizinha das estrelas…”

Osvaldo Orico, poeta nascido em Belém, Pará. Poemas para Brasília, Antologia de Joanyr de Oliveira.

 

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