Subversiva

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Subversiva
 
A poesia
quando chega
                     não respeita nada.
Nem pai nem mãe.
                             Quando ela chega
de qualquer de seus abismos
desconhece o Estado e a Sociedade Civil
infringe o Código de Águas
                                      relincha
como puta
nova
em frente ao Palácio da Alvorada
 
E só depois
reconsidera: beija
                     nos olhos os que ganham mal
                     embala no colo
                     os que têm sede de felicidade
                     e de justiça
 
E promete incendiar o país
 
Ferreira Gullar, poeta maranhense.
Poema transcrito da seção “Tantas Palavras”, Correio Braziliense, 8/6/2010.

 


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