Sopro vital

Escrito por Brasília Poética em . Postado em Poemas para Brasília Sem Comentários

Sopro vital
 
Estranhamente sorrio hoje fácil,
pareço feliz na manhã fria do mês de julho
em Brasília. Estamos no inverno
e as coisas não andam bem.
 
O amor rarefeito não contenta o coração,
meus sentimentos anseiam fortes âncoras,
um tédio profissional, um tédio de tudo,
o mundo vive um período recessivo
e estou entranhado nele à minha maneira.
 
As coisas realmente não estão bem,
mas me sinto agora absurdamente feliz,
em aleatório rasgo de felicidade,
remando contra a maré da tribo,
contra a maré das minhas águas de sempre.
 
É que a vida acendeu em mim hoje
o seu misterioso sopro vital,
que gera fatos, faz os dias, move as pessoas
no início das manhãs, resistentes,
e me incendiou fachos de esperanças.
 
Valdir de Aquino Ximenes, poeta cearense, natural de Fortaleza.
"Poemas para Brasília", de Joanyr de Oliveira.

 


Trackback do seu site.

Deixe um comentário


Leia também:

A passagem de Tom Jobim e Vinícius de Moraes pelo Catetinho

O texto de Antônio Carlos Jobim Setembro, sertão no estio. Frio seco. Altitude aproximada: 1.200 metros. Ar transparente, céu azul profundo, primavera e pássaros se namorando. Campos gerais, chapadões dos gerais. Cerrado e estirões de mata à beira dos rios.…

Alvorada de Espelhos

Alvorada de Espelhos Por Clemente Luz O imenso louva-a-deus traçado no papel, antes promessa da presença da cidade, já tem forma e base sólida no chão do planalto. No local mesmo onde a visão do profeta viu “que se formava…

Bernardo Sayão

Da morte emerges, Bernardo Sayão, e com que pureza! Assim te revemos, os que nunca te vimos, e não há em nós nenhuma surpresa. Assim te revemos, sertanejo tranqüilo, no retrato que te faz surgir num descampado, o olhar firme, …