SONETO

Escrito por Brasília Poética em . Postado em Poemas para Brasília Sem Comentários

SONETO

(Ante o túmulo de Bernardo Sayão)

 
Cismo e sonho, absorto, ante a lápide singela…
E o teu nome repito… Aos poucos, lento, brando,
ante a imaginação, se vai delineando
o teu perfil de bravo; e a tua vida bela,
 
entre rasgos de audácia, heróica, se revela…
Na hora imprecisa e vaga em que o sol se põe, quando
assim teu nome invoco, eis que, no azul brilhando
– num símbolo por certo, – aparece uma estrela.
 
Descansa na Cidade entressonhada um dia.
Repousa, Bandeirante, que teu rincão amado,
(sob o vasto céu, entre árvores de Cerrado).
 
que eu, ao ler o teu nome em a lápide fria,
a glória te adivinho ao calor da emoção:
– Ó Sertanista audaz, ó Bernardo Sayão!


Geraldo Costa Alves, poeta natural de Alegre, Espírito Santo.
Transcrito da antologia "Poetas de Brasília", de Joanyr de Oliveira (1962)


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