Sob o signo da poesia

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Sob o signo da poesia
Por Joanyr de Oliveira

Entre as primeiras frases que me vêm – ao iniciar este registro em atendimento a honroso convite do prof. Ronaldo Mousinho -, destaco esta, cunhada por Anderson Braga Horta, crítico literário e poeta pioneiro da Capital da República: “Brasília nasceu sob o signo da poesia.”

Em mais de uma ocasião, tenho enfatizado que desde os tempos da chamada Inconfidência Mineira, estava na alma de alguns poetas o impulso em direção ao coração geográfico do Brasil. Tomás Antonio Gonzaga, Cláudio Manoel da Costa, Alvarenga Peixoto associavam independência política, soberania, com a região que temos o privilégio de habitar, como partícipes da “Marcha para o Oeste”.

Antes que se definisse a área em que os “insanos” de Juscelino viriam a concretizar uma das mais arrojadas obras de todos os tempos, os vates – reitero – já se voltavam para cá. (Lembremo-nos de que vate, além de quem verseja, é, também, quem vaticina, profetiza, advinha…) Suas almas e mentes anelavam por Brasília – “avant la lettre”, é bom ressalvar, para que nesta assertiva não se veja absurdo, clamoroso anacronismo. Anelavam pela Brasília cuja idealização em documento oficial; quando José Bonifácio, Hipólito José da Costa, Varnhagen e outros de igual quilate erguiam a voz em favor da transferência da capital litorânea para o interior rejeitado e esquecido.

Em 1923, ao que consta, Brasília finalmente se torna tema poético. É a pena de Osvaldo Orico que tem o privilégio de cantá-la pela primeira vez, o que dele fez o vanguardeiro do grande número de poetas que escrevem sobre Brasília. (E, de muitos, se tornam legião se considerarmos, antes, a condição de radicados na nova Capital). Porventura surpreendido com a palavra “legião”, não suponha o leitor tratar-se de força de expressão, de exagero: em pesquisa realizada durante mais de um ano para os livros “Poesia de Brasília e Literatura de Brasília”, a sair, pinçaram-se cerca de 1.000 (sim, mil) nomes de brasilienses que já escreveram e publicaram pelo menos um poema em livro, suplemento cultural, jornal ou revista…

Entre os poetas da cidade por Malraux cognominada “Capital do Século”, temos vários do mais alto conceito, consagrados pela crítica, como o já referido Anderson Braga Horta, José Santiago Naud, Fernando Mendes Vianna, José Godoy Garcia, Lina del Peloso, Oswaldino Marques, Hugo Mund Jr., Cassiano Nunes, Jesus Barros Boquadi, José Helder de Souza, para – sem desmerecer os novos e os outros – ficar apenas em alguns dos veteranos. Enfatiza-se que, de poetas nivelados aos melhores do Brasil, temos aqui mais de uma dezena, o que é deveras impressionante, sobretudo se levarmos em conta a idade desta ainda jovem Capital. Isto posto, não nos deveria surpreender o fato de ser quase incontável o número de brasilienses, (poetas e prosadores) laureados em importantes concursos nacionais e até internacionais.

As antologias editadas em Brasília, algumas delas colocadas entre as de mais alto nível no País, constituem mais uma eloqüente demonstração da importância da cidade que elegemos como nossa.

Com estas palavras, escritas às vésperas do encaminhamento ao prelo dos originais de “Brasília: Vida em Poesia”, associo-me ao querido idealista Ronaldo Mousinho, aos poetas – já bem conhecidos – Ézio Pires, Esmerino Magalhães Jr, Ronaldo Cagiano, Berecil Garay, Amargedon e Danilo Gomes (este também aplaudido cronista), e aos demais autores que nestas páginas se congregam para homenagear a “Capital da Esperança”, no transcurso de seu trigésimo sexto aniversário de fundação.

Transcrito do livro “Brasília: Vida em Poesia”, organizado por Ronaldo Alves Mousinho.

 


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