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Escrito por Brasília Poética em . Postado em Poemas para Brasília, Posts Sem Comentários

Ocorreu, nesse período, que a publicação do Edital do Concurso do Plano-Piloto provocou enorme interesse entre os arquitetos, engenheiros e urbanistas brasileiros e estes começaram a levantar diversas dúvidas quanto ao sentido exato de alguns itens do Edital. Julgou Israel Pinheiro necessário esclarecer logo os pontos controversos e convocou os interessados a um debate, que foi muito proveitoso, conforme se relata no Capítulo que fala sobre o Concurso.
A melhoria das estradas para Anápolis e Goiânia; a abertura de vias de comunicação entre os futuros canteiros de obras; a instalação de olarias e serrarias para as necessidades iniciais, também foram objeto de decisão naquele final de outubro.
No último dia do mês voltou Israel ao sítio da nova Capital, acompanhado de engenheiros e técnicos da Novacap e diretores de algumas das principais firmas construtoras que iriam participar do empreendimento. Pousaram no campo menor, ao lado da Fazenda do Gama. À margem desse campo a Panair instalara, numa barraca de lona, um serviço de radiotelegrafia, radiofonia e radiofarol, que não só atendia à segurança de vôo, mas às comunicações da Novacap com o Rio, o que fez durante meses, até que fosse criado o serviço próprio da Empresa em 22 de janeiro de 1957.
Essa estação da Panair chegara a Brasília (28-10-56) a bordo de um DC-3 daquela empresa (prefixo PP-PCL) comandado por Paulo Novais de Souza Gomes, que trazia também os técnicos incumbidos de instalar o equipamento. Trabalharam, ativamente, durante os dias 29 e 30 e finalmente no dia 31 a estação transmitiu sua primeira mensagem, exatamente para solicitar à receptora da Panair no Rio que entrasse em contato telefônico com o Palácio do Catete afim de se estabelecer um enlace permanente com Brasília, nos horários que marcassem, informando, para escolha do Catete, as freqüências de que dispunha a nova estação. Nesse mesmo dia, 31 de outubro, visitou Israel Pinheiro a equipe da Panair para estimular aqueles pioneiros. Visitou também quatro acampamentos de barracas de lonas, cedidas pelo Exército, onde se abrigavam já 232 operários.
No dia seguinte, 1º. de novembro, Israel, Niemeyer e o Engenheiro Marco Paulo Rabelo, escolheram os locais exatos para edificar o Palácio Residencial (mais tarde chamado de Alvorada), o Hotel de Turismo (que viria a receber o nome de Brasília Pálace Hotel) e aproveitaram para confirmar a localização do futuro aeroporto, definido anteriormente pelo Ministério da Aeronáutica.
Ocorreu nesse 1º. de novembro um fato que merece registro: mais de 300 pessoas, vindas de Minas, Goiás e Bahia, visitaram a área da futura Capital, algumas buscando emprego, a maioria por curiosidade.
Nos dias 2 e 3 outras providências foram tomadas: a escolha do local em que se ergueriam o edifício provisório da Administração
da Companhia e o acampamento da Novacap; a limpeza das áreas das primeiras construções; a abertura de estradas de serviço.
Em Luziânia já funcionava pequeno escritório da Novacap. Israel obtiver, também, a cessão de locais, em Anápolis, para armazenamento dos materiais que começariam a chegar pela Estrada de Ferro de Goiás.
 
L.Fernando Tamanini
Reproduzido de "Brasília: Memória da Construção"

 


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