SEGUNDO FRANCISCO MANOEL BRANDÃO

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SEGUNDO FRANCISCO
MANOEL BRANDÃO

"Despediu-se dizendo:
- Em breve irei enfrentar as
florestas da sua terra.
E o advertimos, também
gracejando-o:
- Cuidado com o Curupira!…"

                          Francisco Manoel Brandão

Certa vez nós dois estávamos
                   recolhendo no Planalto
o flagrante fotográfico
                  daquela árvore imensa:
galhos secos levantados
                  pro céu como quem morreu
implorando por socorro,
                  ali perdida no fogo
devastador das queimadas.
 
Sayão chegou-se e me disse:
                   – Pensar que eu a conheci
há três anos, dando sombra
                   ao gado, com flores roxas
enfeitando esta paisagem.
                   Entre nós dois – ninguém ouça –
nas vezes que sou forçado
                   a pôr árvores abaixo
para abertura de estradas
                   o "trem" que vai aqui dentro
bem que desanda e então reajo.
 
                                   (Falava do coração.)
 
Este poema é versificação de um trecho em prosa de Francisco Manoel Brandão
(In Meu Pai, Bernardo Sayão, de Léa de Araújo Pina)
Extraído do livro "Saga do Planalto"

 


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