Linha do Tempo

Segunda-feira, 18 de Abril de 1960

Organização Judiciária – O Diário Oficial publica a Lei no. 3.754, de 14 de abril de 1960, que dispõe sobre a Organização Judiciária do Distrito Federal de Brasília e dá outras providências.

O Diário Oficial publica ainda as razões pelas quais o Presidente Juscelino Kubitschek vetou alguns dos dispositivos do texto aprovado pelo Congresso Nacional.

 

Comemorações em Ouro Preto – Em Ouro Preto, o Presidente Juscelino Kubitschek participa das festividades comemorativas de mais um aniversário do suplicio de Tiradentes, desta feita antecipadas pelo fato de estar marcada para 21 do corrente a mudança da Capital para Brasília. Na Praça Tiradentes, de um palanque, o Presidente Juscelino Kubitschek profere discurso em que se refere ao exemplo histórico dos Inconfidentes e à construção de Brasília como ponto de partida para uma nova era histórica no país.

 

NOVACAP – O Presidente Juscelino Kubitschek nomeia o Senhor Guilherme Machado para o cargo de Diretor da Novacap, na vaga do Senhor Íris Meinberg.

 

Prefeito de Brasília – O Presidente Juscelino Kubitschek nomeia o Senhor Israel Pinheiro da Silva para o cargo de Prefeito do Distrito Federal de Brasília.

 

Exposição de Nova York – A imprensa assinala que o stand do Brasil na XV Feira Mundial de Nova York, a inaugurar-se no próximo dia 4 de maio, terá como tema central Brasília. O projeto, extremamente harmonioso, procurou captar o sentido arquitetônico da nova Capital, em suas linhas de singeleza e simplicidade. O pavilhão reproduz, externamente, o Palácio da Alvorada. Atrás das colunas, internamente – de maneira a não serem vistas do lado de fora – ficarão situadas as vitrinas, em que serão expostos, em pequena quantidade, de forma quase que simbólica, os principais e mais expressivos produtos brasileiros, significando o progresso do Brasil atual. Máquinas colocadas ao fundo do pavilhão, responderão, automaticamente, às mais variadas perguntas sobre nosso país. Nas paredes, serão colocados mapas luminosos do Brasil e de Brasília. A organização do pavilhão brasileiro está a cargo do Senhor Francisco Medaglia, Direto do Escritório Comercial do Brasil em Nova York.

 

Ordem dos Advogados – O Conselho da Ordem dos Advogados do Brasil designa uma comissão, sob a presidência do Professor Nehemias Gueiros, para providenciar a instalação da Seção da Ordem no novo Distrito Federal de Brasília.

 

Ministério da Saúde – Ao embarcar para Brasília, o Professor Mário Pinotti, Ministro da Saúde, dirige a seguinte mensagem ao povo do Rio de Janeiro:

“Ao deixar o Rio de Janeiro com destino a Brasília, nova Capital da República, é com a mais grata satisfação que me dirijo aos cariocas para externar-lhes a minha acendrada esperança no futuro do Estado da Guanabara, que será o marco decidido da expansão e do progresso do seu povo.

Se Brasília, obra memorável e ciclópica do presidente Juscelino Kubitschek, representará para a pátria brasileira a bendita e promissora evolução do seu desenvolvimento econômico, também o Estado da Guanabara irá representar um dos seus maiores pontos de apoio, quer no aspecto político cultural, quer no econômico, conjunto de fatores que assegura ao Rio, de muito tempo, um lugar de alto destaque no cenário do Brasil. A frente do Ministério da Saúde, aqui no Rio, não desfitei um só momento o panorama imenso do Brasil, empenhando-me pela melhoria crescente do estado sanitário do seu ‘hinterland’, propiciando melhores condições de saúde às suas gentes. Todavia, nem por isso mesmo, o Ministério da Saúde descurou-se do seu dever para com as grandes metrópoles que concentram, em seus limites, milhões de patrícios e semelhantes necessitados de assistência médico-social.
Agora, que Brasília será o elo visível da integração e da unidade nacional, continuarei no recesso do planalto central, no mesmo posto, olhando o Brasil caminhar para as suas novas dimensões, impulsionando, com o entusiasmo que sempre foi o meu apanágio, a máquina do Ministério da Saúde, no sentido de tornar o Brasil um país livre das grandes endemias que ainda flagelam suas populações.
A esta Cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro o Ministério da Saúde não faltará com a sua colaboração marcadamente interessada no seu bem-estar, principalmente por dever de gratidão para quem carinhosamente hospedou o Governo da Nação por quase dois séculos sem desvincular-se da nobre e brava independência cívica de seus filhos de tão fecundas realizações para a Pátria comum.
Em Brasília, serei um carioca a serviço do Brasil.”

Inspetoria Florestal – O Presidente Juscelino Kubitschek cria, em decreto, a Inspetoria Florestal do Distrito Federal de Brasília.

Fuzileiros Navais – Chegam a Brasília os fuzileiros navais e marinheiros integrantes da Operação Alvorada, e que realizaram o percurso Rio de Janeiro-Brasília à pé.

Supermercado – Inaugura-se em Brasília o moderno supermercado para abastecimento inicial dos moradores do Plano Piloto, com 60 funcionários especializados.

 

Brasília vai de vento em popa. A cidade recebe diversos visitantes que vêm conferir a promessa de JK tornando-se realidade. O presidente, por sua vez, nomeia Israel Pinheiro ao cargo de primeiro prefeito do Distrito Federal. No Plano Piloto, é inaugurado um moderno supermercado para abastecimento inicial dos moradores, com 60 funcionários especializados. Mas não é só no Brasil que a cidade planejada dá o que falar, a imprensa internacional assinala que o stand do Brasil na XV Feira Mundial de Nova York, em maio, terá como tema central Brasília.  Salve 21 de abril! (Foto: Arquivo Público do DF)

Trackback do seu site.

Deixe um comentário

Domingo, 17 de abril de 1960

Rodovia Belo Horizonte-Brasília – A rodovia Belo Horizonte-Brasília (BR-7), com extensão de 747 quilômetros, todos pavimentados, é hoje oficialmente inaugurada, embora tenha sido entregue ao tráfego público desde 31 de janeiro último, quando foi percorrida pela Coluna da Caravana de Integração Nacional que partiu do Rio de Janeiro. Nas suas obras foram aplicados 4 bilhões e 700 milhões de cruzeiros pelo Departamento Nacional de Estradas de Rodagem, responsável por 556 km da rodovia. A construção da BR-7 decorreu da Lei número 3.273, de 1º de outubro de 1957, que fixou para 21 de abril de 1960 a transferência da Capital da República para Brasília e incluiu a ligação rodoviária entre a antiga e a nova Capital, através de Belo Horizonte, no plano federal de rodoviação. O traçado espontâneo para essa via terrestre impôs o aproveitamento do trecho Rio de Janeiro-Belo Horizonte, que constitui uma estrada federal, a BR-3, já inteiramente concluída e pavimentada. A BR-7 compreende, do ponto de vista de sua execução, três trechos distintos: 1) do km zero ao km 134, entre Belo Horizonte e a localidade de Lajes do Jacaré, forma a Rodovia Estadual MG-1, construída e pavimentada pelo Departamento de Estradas de Rodagem do Estado de Minas Gerais;   2) da Lagoa do Jacaré (km 134) à divisa do novo Município Federal (km 700) – trecho de 566 km – foi construída e pavimentada pelo D.N.E.R;   3) do km 700 ao km 747, trecho inteiramente situado no polígno do novo Município e que atinge o centro de Brasília, foi executado pela Companhia Urbanizadora da Nova Capital (NOVACAP).   Diante do exíguo prazo de que se dispunha para concluir a BR-7 antes de 21 de abril, foi natural que se aproveitasse o trecho de 134 km da Rodovia MG-1, construído pelo Governo de Minas em direção ao norte do Estado. Desta forma, transferiu-se o ponto de partida da BR-7 para Lagoa do Jacaré, uma vez que isto implicava, de outra parte, em incorporar à nova rodovia uma das zonas mais prósperas de Minas Gerais, altamente industrializada, e onde se encontram Pedro Leopoldo, Matozinhos, Sete Lagoas e Paraopeba. Esse aproveitamento é justificado, ainda, pelo fato de ser mínimo o alongamento do traçado entre Belo Horizonte, Lagoa do Jacaré e Três Marias em relação à diretriz ideal que une os pontos extremos desse subtrecho, notando-se que a passagem da estrada a jusante da Barragem de Três Marias é condição obrigada do traçado. De Lagoa do Jacaré em direção a Brasília, a diretriz da BR-7 foi fixada com passagens em Felixlândia, Três Marias, Canoeiros, João Pinheiro e Paracatu, em Minas Gerais, fazendo-se a transposição do rio São Francisco a três quilômetros a jusante da barragem em construção pela CEMIG. Em seguida, a estrada transpõe o rio São Marcos e entra no Estado de Goiás, passando em Cristalina e nas vizinhanças de Luziânia, para atingir finalmente o novo Distrito Federal. O trecho de 566 quilômetros construído pelo Departamento Nacional de Estradas de Rodagem atravessa em oitenta por cento, aproximadamente, do seu traçado, região levemente ondulada ou mesmo plana, que constitui os chamados cerrados do Oeste mineiro. Ainda assim, 21 milhões de metros cúbicos de terra foram escavados, a fim de implantar o leito da estrada sobre o terreno. Além disso, mais quatro milhões de solos selecionados foram escavados e transportados para constituírem, depois de cuidadosa compactação executada sob rigoroso controle técnico, a base estabilizada que suporta o pavimento asfáltico, cuja área reveste nada menos de quatro milhões de metros quadrados. O pavimento executado pelo D.N.E.R, na Belo Horizonte-Brasília, constitui-se de um tratamento superficial betuminoso duplo, sobre base granular mecanicamente estabilizada que foi dimensionada pelo método do índice Suporte Califórnia para uma carga de 5.500 kg em cada roda. De um modo geral, empregou-se uma base de 20 cm de espessura constante, precedida de sub-base e reforço do sub-leito variáveis com as condições locais. Para a pavimentação asfáltica tão somente foram extraídas e britadas 125 mil toneladas de pedra, enquanto 23 mil toneladas de ligantes asfálticos foram transportadas da Refinaria Artur Bernardes, em Cubatão (São Paulo). Trinta e quatro rios exigiram outras tantas pontes de concreto armado para a sua transposição. Incluída uma passagem superior sobre a Rodovia MG-1, no trevo inicial em Lagoa do Jacaré, os cumprimentos dessas obras totalizam 3.177 metros. Isto só por si constitui obra de arrojo, porque significa que 5 metros de ponte tiveram de ser concretados durante dois anos, em cada dia de trabalho, contados domingos e feriados. Entre as pontes da BR-7, destacam-se a do rio São Francisco, a mais longa, com 360 metros de comprimento; a do rio São Marcos, com 270 metros, na divisa Minas Gerais-Goiás; a do rio da Prata, com 190 metros; a do rio São Bartolomeu, com 192 metros; e a do rio do Sono, com 170 metros. As primeiras máquinas chegaram aos canteiros de serviço em abril de 1958, pelo que o prazo efetivo de construção da estrada foi precisamente em dois anos.deduzidos, porém, os domingos, os feriados e os dias santificados, o prazo útil de execução (incluídos os dias de chuva em que não se pode trabalhar) foi de 556 a 570 dias. A média da produção efetiva na BR-7 corresponde, portanto, aum quilômetro de estrada por dia, desde o desmatamento, a construção dos bueiros e dos drenos, as cercas marginais, a implantação propriamente dita do leito estradal até a construção das pontes e da pavimentação betuminosa. O projeto da BR-7, no trecho executado pelo D.N.E.R., obedece às exigências da estrada da classe Especial das “Normas para o Projeto de Estradas de Rodagens” aprovadas pela Portaria no. 19, de 10 de janeiro de 1949, do Ministério da Viação e Obras Públicas. Suas características gerais são as seguintes: Extensão: 566 km; raio mínimo: 214,18 metros, havendo grande predominância de curvas com raio superior a 600 metros; rampa máxima: 6%; pontes e viadutos: 35, com total de 3.177 metros; pavimentação: tratamento superficial duplo com emprego exclusivo de ligantes de produção nacional; investimento realizado pelo DNER: 4,7 bilhões de cruzeiros.   Serviço telefônico – O Presidente Juscelino Kubitschek inaugura, no Palácio das Laranjeiras, no Rio de Janeiro, pedindo uma ligação para Brasília, com o Presidente da NOVACAP, o serviço telefônico entre o Rio e a nova Capital. Ao ser completada a ligação, depois de dizer ao Senhor Israel Pinheiro quem falava, o Presidente Juscelino Kubitschek declara: - Quero congratular-me com você pela inauguração das comunicações telefônicas com Brasília, melhoramento que vem colocar a nova Capital em contato com outras grandes cidades brasileiras e com o mundo inteiro. Estabelece-se um diálogo, no decorrer do qual o Presidente da República comunica que se encontrava presente, no momento da inauguração oficial, o Sr. Wally Watts, vice-presidente da RCA Victor International, a quem iria condecorar, logo em seguida, com a Ordem do Cruzeiro do Sul. Estavam, igualmente, a seu lado, técnicos que haviam previsto que a obra realizada exigiria três anos. Entretanto, a mesma fora completada em cinco meses, tempo recorde. Nesse período foram construídas 26 estações, numa extensão de 1.400 quilômetros, 52 prédios, 190 quilômetros de estradas e erguidas torres num total de 896 metros. A ligação entre Brasília e o Rio, pelo sistema de microndas, dispõe inicialmente de 60 canais, número que será imediatamente elevado para 132.   Cruz de Cabral – Por via aérea, chega ao Rio de Janeiro, o Cônego Luciano Afonso dos Santos, do Cabido da cidade portuguesa de Braga, trazendo a cruz com que foi celebrada por Frei Henrique de Coimbra, em 1500, a Primeira Missa no Brasil. A cruz será levada para Brasília, onde permanecerá durante as solenidades de inauguração da nova Capital brasileira.  

É um domingo agitado na quase oficialmente capital do Brasil. A cidade recebe inúmeros visitantes, os moradores recém chegados vão se acomodando ao ambiente e o presidente Juscelino inaugura, lá do Rio de Janeiro, o serviço telefônico entre a antiga e a nova capital, em um diálogo com o presidente da Novacap, Israel Pinheiro. A fotografia, reproduzida a época pela revista Manchete, retrata intenso movimento no Eixo Rodoviário Sul no dia da inauguração. (Foto: Arquivo Público do DF)

   

Terça-feira, 19 de abril de 1960

Cardeal Cerejeira – Chega ao Rio de Janeiro Dom Manuel Gonçalves Cerejeira, Cardeal-Patriarca de Lisboa e Legado Pontifício para a inauguração de Brasília. Do "Vera Cruz", em que viaja, Sua Eminência passa para a lancha "Garça", do Ministério da Marinha. No Ministério, a "Garça" atraca junto ao mastro da Bandeira, desembarcando, em primeiro lugar o Cardeal Dom Manuel Gonçalves Cerejeira e o Sub-chefe do Cerimonial do Itamarati. Ao atingir o topo da escada, o Legado Pontifício, após ser saudado pelo comandante do 1º Distrito Naval, dirige-se, acompanhado do Sub-chefe do Cerimonial, para a esquerda do mastro da Bandeira. Os demais membros da comitiva colocam-se em linha, à esquerda e junto à escada em que desembarcaram, com a frente voltada para o edifício do Ministério. Em seguida, são executados os Hinos Pontifício e Nacional, ouvindo-se, simultaneamente, as salvas de estilo. Terminado o Hino Nacional, o Cardeal Cerejeira e o Presidente Juscelino Kubitschek trocam demorado aperto de mão. Findos os cumprimentos, o comandante da Guarda de Honra apresenta-se ao Legado Pontifício e convida-o a passar em revista a tropa. Ao deslocar-se o Legado Pontifício para a testa da Guarda de Honra, o Presidente Juscelino Kubitschek dirige-se para o local onde se encontram as altas autoridades civis, militares e eclesiásticas. Terminadas as apresentações, inicia-se o cortejo e, no momento em que o Cardeal Cerejeira e o Presidente Juscelino Kubitschek se dirigem para o carro presidencial, a Guarda de Honra apresenta continência e a Banda do Corpo de Fuzileiros Navais executa o "Cisne Branco". Tendo à frente o carro presidencial, o cortejo desloca-se em direção à Praça Barão de Ladário. Ao longo da Avenida Rio Branco e demais artérias do itinerário, estavam formados contingentes do Exército, Marinha e Aeronáutica, constituindo o Destacamento Misto, sob o comando de um Oficial-General do 1º. Exército. Na confluência da rua Visconde de Inhaúma com a Avenida Rio Branco, os Dragões da Independência passam a escoltar o cortejo presidencial, ao mesmo tempo em que uma chuva de flores e papéis picados desce do alto dos edifícios da Avenida Rio Branco. Durante todo o trajeto pela principal artéria da cidade enorme multidão aplaude o Cardeal Cerejeira, dando vivas a Portugal e Brasil.   Palácio Itamarati – O Presidente Juscelino Kubitschek preside, no Palácio Itamarati, a reunião da Comissão Brasileira da Operação Pan-Americana, despedindo-se, ao mesmo tempo, do funcionalismo do Ministério das Relações Exteriores. Após a reunião, o Presidente da República dirige-se ao salão em que se realiza o ato inaugural da Exposição de Antecedentes Históricos de Brasília, organizada em estreita colaboração entre o Serviço de Documentação da Presidência da República e a Divisão Cultural do Ministério das Relações Exteriores. Da referida mostra constam vários quadros e painéis, todos documentando a idéia da construção da Capital do Brasil no interior, desde o tempo em que Tomé de Sousa se instalou na Bahia como Primeiro Governador Geral do Brasil. Um dos ângulos mais interessantes da Exposição se situa na documentação referente aos Autos de Devassa da Inconfidência Mineira, em que a sentença de condenação dos acusados faz referencias ao fato de que os inconfidentes também estavam imbuídos da idéia de mudar a capital da Capitania de Minas Gerais, de Vila Rica para São João Del Rei. Enriquece ainda a Exposição uma coleção de mapas antigos, pertencentes à Mapoteca do Itamarati, onde se inclui o Planisfério de Jerônimo Marini, datado de 1518, original adquirido pelo Barão do Rio Branco. Também faz parte da mostra o famoso mapa de Tozzi Colombina, com que esse geógrafo instruiu, em 1750, o seu pedido de concessão para instalar uma linha de diligencias partindo do Rio de Janeiro para atingir os confins do Oeste. Vários objetos históricos que pertenceram a Tiradentes e José Bonifácio também constam da exposição, onde se vê o autografo da Constituição de 1891, em que pela primeira vez figura o dispositivo mudancista. Vê-se ainda na Exposição o original da emenda de Rui Barbosa à redação do mesmo dispositivo, além do farto material fotográfico relacionado com homens e fatos ligados à evolução da idéia da interiorização, desde o Marechal Floriano Peixoto até o Presidente Juscelino Kubitschek, focalizando também a criação da Novacap e a escolha do Plano Piloto de Lucio Costa.   Presidente Gronchi – A propósito da inauguração de Brasília, o Presidente da República Italiana dirige o seguinte telegrama ao Presidente Juscelino Kubitschek: "Ao ensejo da inauguração da nova Capital – Brasília – em dia fausto para a latinidade, quero fazer chegar ao povo brasileiro a saudação e os votos de felicidade do povo italiano e meus pessoais, votos por um futuro de prosperidade sempre crescente, através da constante consolidação das instituições democráticas e do progresso da vida econômica e social. O povo italiano não se sente alheio à intrépida valorização dos recursos inexauríveis da terra brasileira, à qual, sob a orientação válida e genial de Vossa Excelência, se dedica o povo brasileiro com o espírito de iniciativa e a capacidade de trabalho que lhe são peculiares, o que tive ensejo de admirar de perto. Como no passado, o povo italiano deseja contribuir com o trabalho e o pensamento – numa união de propósitos e de obras – não somente no interesse comum dos nossos dois países, como também no tocante a uma convivência mais segura e feliz de todos os povos num clima de liberdade, justiça e paz."   Rodovia Fortaleza-Brasília – Uma caravana de onze veículos, todos de fabricação nacional, parte de Barreiras, Bahia, rumo a Brasília, numa demonstração do adiantamento das obras da rodovia Fortaleza-Brasília. No primeiro dia, a caravana vai pernoitar em Goiás, na cidade de Posse, após percorrer uma grande reta de 215 km no vale que divide as águas do São Francisco das do Tocantins. A caravana dos operários construtores da grande artéria que está unindo o Nordeste à Capital do planalto tem por objetivo, além de dar por aberto ao tráfego o trecho que vai do interior do Estado da Bahia à nova Capital, levar uma mensagem cordial ao grande número de conterrâneos seus que ali trabalham nos serviços de construção civil ou nas vias de penetração que para lá se dirigem, como a Belém-Brasília, conforme se lê numa faixa colocada sobre o primeiro veiculo, saudando "os candangos que, com o espírito de Brasília, construíram a nova Capital". Sobre a rodovia, o Diretor Geral do DNOCS diz à imprensa: "Consideramos aberto ao tráfego o trecho da Nordeste-Brasília que vai de Barreiras à nova Capital com a cobertura do percurso pelos veículos do Departamento em tempo considerado normal para estradas não pavimentadas. A rodovia, naturalmente, carece de obras complementares até o seu asfaltamento, serviços que serão continuados sem interrompimentos. O trecho Fortaleza-Barreiras, cujo prazo de conclusão foi fixado pelo Presidente Juscelino Kubitschek, será entregue ao transito em setembro próximo pelo Chefe de Governo."   Mensagem presidencial – O Presidente Juscelino Kubitschek dirige ao povo carioca, através da Voz do Brasil, a seguinte mensagem de despedida: "A tranqüilidade de consciência pelo dever cumprido se reúne a tristeza do adeus a esta encantadora cidade do Rio de Janeiro que, com inexcedível generosidade, hospedou o governo durante quase dois séculos. A transferência não se faz sem o efeitos de natureza emocional. Confesso que me acho possuído, ao transmitir-vos esta mensagem de afeto e reconhecimento, pela sensação de estar perdendo alguma coisa – o privilegio de viver convosco, altivo, nobre e culto povo que, com o correr do tempo, vim a conhecer melhor e cada vez mais amar. Estou certo de que, embora de longe, o magnetismo da vossa cidade continuará a imprimir caráter particular a decisões fundamentais para os rumos do Brasil e que os vossos centros de cultura prosseguirão jorrando a luz que dirige a marcha do Brasil para o seu grande destino. Bem sabeis que, ao cumprir o preceito da Constituição que determina a mudança da Capital do país para o planalto central, atendemos a um imperativo de nossa formação republicana federativa. Com esse passo, remontamos às nossas raízes históricas e rendemos, aos varões ilustres que se constituíram patriarcas da Nação brasileira, homenagem das mais grandiosas de quantas lhes foram prestadas. Deixo a responsabilidade da administração do Estado da Guanabara a um dos meus mais dedicados auxiliares, Embaixador José Sette Câmara Filho, que demonstrou, em todos os momentos, firmeza de caráter, inteligência arguta e excepcional exação no cumprimento dos deveres. Será ele um digno sucessor dos eminentes prefeitos, Drs. Sá Lessa, Negrão de Lima e Sá Freire Alvim, que o precederam, aos quais, de público, manifesto o meu mais sincero e efusivo reconhecimento pelos inestimáveis serviços prestados à cidade do Rio de Janeiro, durante o meu Governo. Quero render, aqui, homenagem ao vosso último prefeito, Dr. Sá Freire Alvim, honrado homem público, administrador dos mais eficientes, realizador de inúmeras obras que em definitivo há de marcar a sua gestão à frente do executivo municipal. Ao despedir-me, asseguro que, enquanto eu for Presidente da República, há de dar-vos o Governo Federal inteira colaboração, a fim de que o Rio de Janeiro mantenha o titulo com que o mundo todo o consagra – Cidade Maravilhosa."   Indulto – Logo após a leitura de sua mensagem ao povo carioca, o Presidente Juscelino Kubitschek assina o decreto que indulta todos os sentenciados primários, condenados a penas que não ultrapassem três anos de prisão e que tenham cumprido, com boa conduta, um terço das mesmas. O decreto apresenta inicialmente os seguintes considerandos: "…considerando que a transferência da Capital da República para Brasília constitui acontecimento de singular relevância para a Nação brasileira; considerando que todos os brasileiros devem participar desse acontecimento, inclusive os que estão em cumprimento de penas…"  

O presidente Juscelino Kubitschek despede-se do Rio de Janeiro e o mundo inteiro tira os olhos da cidade maravilhosa para conhecer as modernas retas e tesourinhas esboçadas entre curvas árvores do cerrado. Faltam apenas dois dias para 21 de abril.  Uma caravana de onze veículos, todos de fabricação nacional, parte de Barreiras, Bahia, rumo à capital, numa demonstração do adiantamento das obras da rodovia Fortaleza-Brasília. A profecia que virou concreto agora aguarda para transforma-se em vida com a chegada de novos moradores (Foto: Arquivo Público do DF)