SAVANA APAIXONADA

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SAVANA APAIXONADA

Longe do céu,
sem meus galhos retorcidos
de savana apaixonada,
sou uma árvore desolada.
Deste solo que alimenta
perdi minha morada.
Dos meus galhos retorcidos
de savana apaixonada,
onde o sabiá fazia morada
não restou nada.
Quando a chuva aqui cessou,
uma sede sem piedade
varreu minha morada.
Não canta mais aqui
nem um pobre bem-te-vi.
Hoje cedo, bem cedinho,
deixou a vida um passarinho.
João-de-Barro consternado
bateu asas sem destino,
pois seu filho pequenino
um infante, João menino,
hoje cedo, bem cedinho,
de fome, morreu no ninho.
E eu, triste, abandonado,
sou um cerrado desolado,
não vejo mais um ramo novo,
não vejo flores, não vejo nada.
Longe do céu, sem meus galhos
retorcidos de savana apaixonada,
sou uma árvore desolada.

Lurdiana Araújo, poetisa tocantinense, nasceu em Filadélfia.

 


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