Saudade de Brasília

Escrito por Brasília Poética em . Postado em Converse com os Poetas Sem Comentários

Sou a carioca mais brasiliense do planeta. O Rio de Janeiro está no meu coração mas Brasília é dona da minha alma. Aqui cresci, estudei, plantei árvores, criei filhos e cultivei as minhas conversas com o verso. Poesia para mim é um jogo. Palavras, rimas, ritmos, ginga. Poemas são jogos malabares que exerço cotidianamente. Como fazer a cama e tomar café. Poesia também é clarão, jorro, saída, explosão de luz. A luz no fim do túnel.

 

SAUDADE DE BRASÍLIA

Foi neste vasto verde
quase quadriculado
que me dei a mim
a sua saudade.
Morros ondulantes
cercam minha alma
e o silêncio do pasto
fiz por merecer.
Curvas serenas, montanhas
e a nostalgia que atravessa
os dias que alcançam a calma
que me faz estremecer.
Cavalos, curral, lenha,
mel, bolo, sol,
ordenha, leite, vasilhas
e a paz que tenho com você.

Mas no peito se agita
uma égua desvairada
que prefere a seca e o cerrado
a W3, a L2 e a Esplanada.
Brasília, quem diria,
agora me causa banzo
de um imenso quase beijo
de um dilacerado desejo
de um coração espantado.
Com suas ruas, suas retas,
seus ipês, seus flamboyants,
seu trânsito, seu lado fatal
e com as pontas da catedral
que apontam pra suas manhãs.
 

Ana Maria Lopes, poetisa natural do Rio de Janeiro.
Transcrito do site “Poesia no fim do túnel”
http://blog.clickgratis.com.br/anamarialopes



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