Linha do Tempo

Sábado, 16 de abril de 1960

Loba romana – Em carta dirigida ao Embaixador Aluizio Napoleão de Freitas Rêgo, Chefe do Cerimonial da Presidência da República, o Senhor Carlo Enrico Giglioni, Encarregado de Negócios da Itália, informa que o Governador de Roma entregará ao Embaixador do Brasil na Itália, destinada a Brasília, uma loba romana de bronze.

Supremo Tribunal Federal – Iniciando os preparativos para a instalação solene do Supremo Tribunal Federal em Brasília, às 9h30m de 21 de abril, seguirá para a Nova Capital na próxima quarta-feira, dia 20, o Presidente, Ministro Barros Barreto, que viajará em companhia do seu oficial do Gabinete, Sr. Ruy Machado de Brito. Amanhã, domingo, seguirá para Brasília, o Secretário Geral da Presidência da República, Sr. Ismael Cavalcanti.

Após a sessão solene de instalação em Brasília, o Supremo Tribunal Federal permanecerá em recesso, até que se iniciem seus trabalhos de julgamentos.

Tribunal Federal de Recursos – A Presidência do Tribunal informa à imprensa que, em sessão realizada na última quarta-feira, dia 13, ficou deliberado o seguinte: a) ter sido realizada, naquele dia, aúltima sessão do Tribunal no Rio de Janeiro; b) o Tribunal está em recesso, não correndo prazos de qualquer natureza, nem havendo tramitação alguma, até a transferência integral e reinício dos trabalhos em Brasília; c) os funcionários continuarão com o regime normal, tratando e auxiliando a movimentação para a mudança, com as atribuições determinadas pelo Presidente, Ministro Afrânio Antônio da Costa.

A sessão solene de instalação do Tribunal Federal de Recursos, em Brasília, será realizada às 10h30m, do próximo dia 22.

 

Estamos a apenas 5 dias da inauguração de Brasília. O Congresso Nacional e os ministérios, assim como palácios e tribunais, encontram-se prontos para receber os funcionários transferidos da capital carioca. Na imagem, a vista do Congresso por entre os pilares do Palácio do Planalto, já no dia 21 de abril de 1960. (Foto: Arquivo Público do DF)

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Sexta-feira, 15 de abril de 1960

Rodovia Uberlândia-Uberaba-Brasília – O Presidente Juscelino Kubistchek determina ao Diretor Geral do Departamento Nacional de Estradas de Rodagem que inicie imediatamente as obras de construção da nova rodovia Uberlândia-Brasília através do traçado já aprovado. O trecho integra parte da BR-106 que liga São Paulo a Brasília e a determinação do Presidente da República é feita em atendimento a um memorial das classes produtoras do Triângulo Mineiro entregue ao Chefe do Governo.   Serviços de utilidade pública – o Engenheiro Moacyr Gomes de Souza, Diretor-Executivo da NOVACAP, sob cuja responsabilidade funcionam os Serviços de Força e Luz, Água e Esgotos, Telefones Urbanos e Interurbanos e Viação e Obras Públicas, concede à Agência Nacional entrevista sobre os serviços de utilidade pública em Brasília. A propósito dos trabalhos realizados pelo Serviço de Força e Luz, revela que foram executadas redes aéreas no total de 83 mil metros; redes de condutos subterrâneos e dutos, no total de 370 mil metros; foram instalados transformadores em número de 96, usando 37 mil KWA. Há duas usinas elétricas em funcionamento: a de Caralas, com 500 HP, e a de Cachoeira Dourada, fornecendo 18.500 HP. Ha uma usina elétrica em construção, que é a do Paranoá, em 27.000 HP, a qual deverá ficar pronta no fim deste ano ou em janeiro próximo. Independente dessas usinas elétricas, a NOVACAP adquiriu duas turbinas a gás, com um total de 15 mil HP, e mais uma unidade composta de três grupos, num total de 3.700 HP. Essas duas usinas a gás e a unidade termelétrica funcionarão em Brasília em casos de emergência. Com isso, a cidade estará perfeitamente abastecida, até a conclusão da segunda etapa da Cachoeira Dourada, que fornecerá o total de 120 mil HP. Quanto ao problema de água e esgotos, Brasília disporá de um os mais modernos sistemas de tratamento e distribuição de água. A captação será feita através de cinco mananciais, de modo a permitir o abastecimento normal a todos os pontos. O Córrego do Torto oferece vazão de 1.400 litros por segundo, ou sejam, 1 milhão e 200 mil metros cúbicos em 24 horas, para o que estão sendo instalados 2 condutos elétricos, de 2 mil cavalos-vapor para cada um e com capacidade para 700 litros de vazão por segundo para abastecimento dos setores norte e sul do Plano Piloto. Essa captação é feita em uma barragem de 252 metros de comprimento e 8 de altura, por meio de bombas, através de uma adutora de 1 metro de diâmetro e 9 quilômetros de extensão. A água captada é mandada para o reservatório já concluído, com capacidade para 60 milhões de litros. O abastecimento da cidade foi estudado na base de 400 litros por segundo, o que é mais do que suficiente, dado que no Rio de Janeiro o abastecimento é da ordem de 180 litros por segundo. A água será tratada por moderna aparelhagem importada da França. Até agora já foram construídos 178.674 metros de rede de esgotos e 23.873 metros de rede de águas pluviais. Quanto aos telefones urbanos e interurbanos, a NOVACAP já construiu em Brasília uma rede subterrânea definitiva de 224 mil metros de dutos singelos e uma rede aérea já em funcionamento de 120 mil metros. A rede telefônica sul, em sua primeira etapa, contará com 5 mil linhas e 12 mil telefones, cuja inauguração será amanhã. O serviço interurbano, em ondas curtas, com dois canais, já foi inaugurado e está em funcionamento. O serviço interurbano de micro-ondas será também inaugurado amanhã, com 34 canais, e ligará Brasília com Uberlândia, Araguari, Uberaba, Araxá, Belo Horizonte, Juiz de Fora e Rio de Janeiro. O equipamento de ondas curtas estabelece circuito direto com Recife, Salvador e Porto Alegre. Quanto às obras do Departamento de Viação e Obras Públicas, divulgam-se os seguintes detalhes: foram construídos 108 pontes, viadutos e passagens subterrâneas, com o comprimento total de 3.760 metros, numa área de 46.710 metros quadrados. Na implantação do Plano Piloto e nas estradas já pavimentadas, foram escavados, até hoje, 31.222.900 metros cúbicos de materiais. Brasília – diz o Engenheiro Moacyr Gomes de Souza – tem realmente uma área pavimentada muito grande, com avenidas extraordinariamente grandes. A área pavimentada é bem superior à de Belo Horizonte, uma vez e meia mais do que a Capital de Minas. Durante toda a execução do serviço, foi necessária a construção de 217 quilômetros de estrada de ferro e 367 quilômetros de estradas provisórias para garantir o abastecimento de início. Na construção da cidade foram batidos vários recordes, inclusive em matéria de pavimentação. O serviço de instalação de micro-ondas, realizado em 4 meses, constituiu um dos recordes. Também houve recordes na construção de pontes: há várias pontes aqui, de concreto, de 35 a 40 metros, construídas em vinte e poucos dias. O Engenheiro Gomes de Souza diz ainda que ali existe realmente o espírito de Brasília, que é o entusiasmo de todos que estão trabalhando nas obras, responsável por esses recordes nacionais e talvez internacionais.  

A população faz contagem regressiva. Em menos de semana, Brasília será inaugurada já com água encanada, sistema de tratamento de esgoto e telefones urbanos e interurbanos. Diversos recordes foram batidos ao longo da construção, monstrando o entusiasmo e a garra daqueles que vieram erguer a terra que há de verter leite e mel, conforme a profecia de Dom Bosco (Foto: Arquivo Público do DF)

Domingo, 17 de abril de 1960

Rodovia Belo Horizonte-Brasília – A rodovia Belo Horizonte-Brasília (BR-7), com extensão de 747 quilômetros, todos pavimentados, é hoje oficialmente inaugurada, embora tenha sido entregue ao tráfego público desde 31 de janeiro último, quando foi percorrida pela Coluna da Caravana de Integração Nacional que partiu do Rio de Janeiro. Nas suas obras foram aplicados 4 bilhões e 700 milhões de cruzeiros pelo Departamento Nacional de Estradas de Rodagem, responsável por 556 km da rodovia. A construção da BR-7 decorreu da Lei número 3.273, de 1º de outubro de 1957, que fixou para 21 de abril de 1960 a transferência da Capital da República para Brasília e incluiu a ligação rodoviária entre a antiga e a nova Capital, através de Belo Horizonte, no plano federal de rodoviação. O traçado espontâneo para essa via terrestre impôs o aproveitamento do trecho Rio de Janeiro-Belo Horizonte, que constitui uma estrada federal, a BR-3, já inteiramente concluída e pavimentada. A BR-7 compreende, do ponto de vista de sua execução, três trechos distintos: 1) do km zero ao km 134, entre Belo Horizonte e a localidade de Lajes do Jacaré, forma a Rodovia Estadual MG-1, construída e pavimentada pelo Departamento de Estradas de Rodagem do Estado de Minas Gerais;   2) da Lagoa do Jacaré (km 134) à divisa do novo Município Federal (km 700) – trecho de 566 km – foi construída e pavimentada pelo D.N.E.R;   3) do km 700 ao km 747, trecho inteiramente situado no polígno do novo Município e que atinge o centro de Brasília, foi executado pela Companhia Urbanizadora da Nova Capital (NOVACAP).   Diante do exíguo prazo de que se dispunha para concluir a BR-7 antes de 21 de abril, foi natural que se aproveitasse o trecho de 134 km da Rodovia MG-1, construído pelo Governo de Minas em direção ao norte do Estado. Desta forma, transferiu-se o ponto de partida da BR-7 para Lagoa do Jacaré, uma vez que isto implicava, de outra parte, em incorporar à nova rodovia uma das zonas mais prósperas de Minas Gerais, altamente industrializada, e onde se encontram Pedro Leopoldo, Matozinhos, Sete Lagoas e Paraopeba. Esse aproveitamento é justificado, ainda, pelo fato de ser mínimo o alongamento do traçado entre Belo Horizonte, Lagoa do Jacaré e Três Marias em relação à diretriz ideal que une os pontos extremos desse subtrecho, notando-se que a passagem da estrada a jusante da Barragem de Três Marias é condição obrigada do traçado. De Lagoa do Jacaré em direção a Brasília, a diretriz da BR-7 foi fixada com passagens em Felixlândia, Três Marias, Canoeiros, João Pinheiro e Paracatu, em Minas Gerais, fazendo-se a transposição do rio São Francisco a três quilômetros a jusante da barragem em construção pela CEMIG. Em seguida, a estrada transpõe o rio São Marcos e entra no Estado de Goiás, passando em Cristalina e nas vizinhanças de Luziânia, para atingir finalmente o novo Distrito Federal. O trecho de 566 quilômetros construído pelo Departamento Nacional de Estradas de Rodagem atravessa em oitenta por cento, aproximadamente, do seu traçado, região levemente ondulada ou mesmo plana, que constitui os chamados cerrados do Oeste mineiro. Ainda assim, 21 milhões de metros cúbicos de terra foram escavados, a fim de implantar o leito da estrada sobre o terreno. Além disso, mais quatro milhões de solos selecionados foram escavados e transportados para constituírem, depois de cuidadosa compactação executada sob rigoroso controle técnico, a base estabilizada que suporta o pavimento asfáltico, cuja área reveste nada menos de quatro milhões de metros quadrados. O pavimento executado pelo D.N.E.R, na Belo Horizonte-Brasília, constitui-se de um tratamento superficial betuminoso duplo, sobre base granular mecanicamente estabilizada que foi dimensionada pelo método do índice Suporte Califórnia para uma carga de 5.500 kg em cada roda. De um modo geral, empregou-se uma base de 20 cm de espessura constante, precedida de sub-base e reforço do sub-leito variáveis com as condições locais. Para a pavimentação asfáltica tão somente foram extraídas e britadas 125 mil toneladas de pedra, enquanto 23 mil toneladas de ligantes asfálticos foram transportadas da Refinaria Artur Bernardes, em Cubatão (São Paulo). Trinta e quatro rios exigiram outras tantas pontes de concreto armado para a sua transposição. Incluída uma passagem superior sobre a Rodovia MG-1, no trevo inicial em Lagoa do Jacaré, os cumprimentos dessas obras totalizam 3.177 metros. Isto só por si constitui obra de arrojo, porque significa que 5 metros de ponte tiveram de ser concretados durante dois anos, em cada dia de trabalho, contados domingos e feriados. Entre as pontes da BR-7, destacam-se a do rio São Francisco, a mais longa, com 360 metros de comprimento; a do rio São Marcos, com 270 metros, na divisa Minas Gerais-Goiás; a do rio da Prata, com 190 metros; a do rio São Bartolomeu, com 192 metros; e a do rio do Sono, com 170 metros. As primeiras máquinas chegaram aos canteiros de serviço em abril de 1958, pelo que o prazo efetivo de construção da estrada foi precisamente em dois anos.deduzidos, porém, os domingos, os feriados e os dias santificados, o prazo útil de execução (incluídos os dias de chuva em que não se pode trabalhar) foi de 556 a 570 dias. A média da produção efetiva na BR-7 corresponde, portanto, aum quilômetro de estrada por dia, desde o desmatamento, a construção dos bueiros e dos drenos, as cercas marginais, a implantação propriamente dita do leito estradal até a construção das pontes e da pavimentação betuminosa. O projeto da BR-7, no trecho executado pelo D.N.E.R., obedece às exigências da estrada da classe Especial das “Normas para o Projeto de Estradas de Rodagens” aprovadas pela Portaria no. 19, de 10 de janeiro de 1949, do Ministério da Viação e Obras Públicas. Suas características gerais são as seguintes: Extensão: 566 km; raio mínimo: 214,18 metros, havendo grande predominância de curvas com raio superior a 600 metros; rampa máxima: 6%; pontes e viadutos: 35, com total de 3.177 metros; pavimentação: tratamento superficial duplo com emprego exclusivo de ligantes de produção nacional; investimento realizado pelo DNER: 4,7 bilhões de cruzeiros.   Serviço telefônico – O Presidente Juscelino Kubitschek inaugura, no Palácio das Laranjeiras, no Rio de Janeiro, pedindo uma ligação para Brasília, com o Presidente da NOVACAP, o serviço telefônico entre o Rio e a nova Capital. Ao ser completada a ligação, depois de dizer ao Senhor Israel Pinheiro quem falava, o Presidente Juscelino Kubitschek declara: - Quero congratular-me com você pela inauguração das comunicações telefônicas com Brasília, melhoramento que vem colocar a nova Capital em contato com outras grandes cidades brasileiras e com o mundo inteiro. Estabelece-se um diálogo, no decorrer do qual o Presidente da República comunica que se encontrava presente, no momento da inauguração oficial, o Sr. Wally Watts, vice-presidente da RCA Victor International, a quem iria condecorar, logo em seguida, com a Ordem do Cruzeiro do Sul. Estavam, igualmente, a seu lado, técnicos que haviam previsto que a obra realizada exigiria três anos. Entretanto, a mesma fora completada em cinco meses, tempo recorde. Nesse período foram construídas 26 estações, numa extensão de 1.400 quilômetros, 52 prédios, 190 quilômetros de estradas e erguidas torres num total de 896 metros. A ligação entre Brasília e o Rio, pelo sistema de microndas, dispõe inicialmente de 60 canais, número que será imediatamente elevado para 132.   Cruz de Cabral – Por via aérea, chega ao Rio de Janeiro, o Cônego Luciano Afonso dos Santos, do Cabido da cidade portuguesa de Braga, trazendo a cruz com que foi celebrada por Frei Henrique de Coimbra, em 1500, a Primeira Missa no Brasil. A cruz será levada para Brasília, onde permanecerá durante as solenidades de inauguração da nova Capital brasileira.  

É um domingo agitado na quase oficialmente capital do Brasil. A cidade recebe inúmeros visitantes, os moradores recém chegados vão se acomodando ao ambiente e o presidente Juscelino inaugura, lá do Rio de Janeiro, o serviço telefônico entre a antiga e a nova capital, em um diálogo com o presidente da Novacap, Israel Pinheiro. A fotografia, reproduzida a época pela revista Manchete, retrata intenso movimento no Eixo Rodoviário Sul no dia da inauguração. (Foto: Arquivo Público do DF)