Ronaldo Costa Fernandes

Escrito por Brasília Poética em . Postado em Decifrando Brasília, Decifrando Brasília Sem Comentários

Ronaldo Costa Fernandes, confronta a Catedral dos fiéis, “reiterativa como um terço”, com a outra, que apenas monumento se lhe afigura, sendo assim “furtiva”/(…) passante e fria”; “…não é mística”: “São cadeiras/as fornalhas das máquinas,/o pequeno inferno/dos pecadores/que ilumina cada igreja”. E prossegue: “Assim, crua,/na linha dissidente/do horizonte,/a Catedral não é obra da arquitetura/nem templo/nem casa de oração. Na estrofe derradeira é ainda mais aguda a contundência: “A Catedral, na Esplanada dos Ministérios,/é apenas repartição pública,/prédio burocrático,/Sé de almas expedientes”. A leveza da ave (que estará no lago agradável, puríssimo, não suscita questionamentos ao espírito mais contestador: “A garça II” diz que o pássaro, fixo, “é flor do cerrado”.
“Tomada de susto,/abre asas,/é flor que voa (…)”. O poeta busca a confirmação do que lhe dita a sensibilidade e a imaginação fértil: “Vem, me diz, não és/garça e flor?”. E a garça, por fim, transmuda-se. A metamorfose surpreende. Suas penas são agora pelos e sutil referência: “teus cabelos voam,/qual asa de garça”.
 
Texto transcrito da antologia “Poemas para Brasília”, de Joanyr de Oliveira.

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