Primeira geração

Escrito por Brasília Poética em . Postado em Poemas para Brasília Sem Comentários

Primeira geração

(final)

à distensão de seus músculos
à sua imperiosa angústia existencial

A cidade-metrópole – eixo do país (dínamo-automação):
a cidade de vidro e alumínio erguida
dos ossos e dos nervos de homens simples e pobres
do norte e do sul do leste e do oeste
homens (antes de tudo) sertanejos
(antes de tudo) fortes – homens
na expressão mais exata da palavra

Ah! Foi do ímpeto de suas determinações que a cidade nasceu:
a mais típica de todas as cidades
a mais socialmente política
a mais original das urbes brasileiras
que nome outro te dariam se não – Brasília?

Nasceu do papel vegetal
da imaginação de dois homens
da determinação de um terceiro
(a quem cabia dar as ordens)
para que a cidade fosse construída acabada habitada
um homem das Minas Gerais – governo de um grande povo

A cidade nasceu da ampla mancha escura do W
(convergência e conjuntura do planalto)
cerrado-agreste – território sem divisão
(inteiriço no mapa)
como um oco um grande oco no estômago da terra
nesse território agora delimitado medido em
toda sua extensão
aqui neste território desenhou-se o espaço da cidade
mistura de muitas raças
unidas pelo ideal de fazer a cidade crescer
inesperadamente como uma estrela irrompendo da noite
uma inseminação artificial.

José Alcides Pinto, poeta cearense, nasceu em São Francisco do Estreito, distrito de Santana de Acaraú.
"Poemas para Brasília", antologia de Joanyr de Oliveira.

 


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