POVO TRANSPLANTADO

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POVO TRANSPLANTADO
Eles vieram de longe:
dos andaimes de construtoras,
da poeira vermelha, da cidade livre, das invasões
do sertão quente e brabo
Eles vieram de longe:
das montanhas cortadas por trens,
do circuito das águas, das escavações dos minérios,
das históricas igrejas
Eles vieram de longe:
das matas fechadas, dos caudalosos rios,
das aldeias mais isoladas, das chuvas eternas e diárias
das terras ainda intocadas
Eles vieram de longe:
de um longe que é quase aqui, de um lugar encravado no centro,
de um recanto de peixe e pequi
Eles vieram de longe:
das fronteiras da América,
do gosto do chimarrão, os galopes nos pampas,
das chulas e dos lenços no pescoço
Eles vieram de longe:
de praias e morros,
do futebol, carnaval, muito samba,
da fala chiada e da ginga
Hoje eles,
sujos de barros e cheios de esperança,
são o povo daqui
 
Climério Ferreira, poeta piauiense
Poema transcrito da seção “Tantas Palavras”, Correio Braziliense -(11/01/2012)

 


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