Poetassingular

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Poetassingular

Se eu fosse Cora
Coralinava a vida
Corava tudo de prazer
Deixava simples, felizes
E doces as coisas

Se Manuel
Bandeirava o mundo de branco
Manuelava todos os poetas
Nordestinava e universalizava o puro
E ainda estrelava a vida inteira

Se Mário
Quintandeava a natureza
Mariava o mal
Passarinhava as feras
E deuseificava as mulheres

Se Cecília fosse
Meireleava a poesia
Ceciliava a prosa
Imprimiria cores novas no arco-íris

Se Carlos
Drummondeava o mundo
Carleava as crianças tristes
E os mandava brincar
À sombra de amendoeiras

Se Adélia
Pradeava cidades
Adeliava homens
Feminizava brutos
Transformaria Deus em Deusa
Pelicaneava o resto

Se Manoel
Barreava as coisas
Lesmeava, minhocava e
Desorganizava a coerência
Besta da bosta do mundo

Se vários fosse
seria monótono e plural
viveria na vã tentativa de ser singular

Joilson Portocalvo, poeta alagoano, nasceu em Porto Calvo.
"Geografia Poética do Distrito Federal", de Ronaldo Alves Mousinho.

Joilson Albuquerque de Gusmão é nome escrito na certidão de nascimento de Joilson Portocalvo, radicado em Brasília desde 1961. Publicitário, escritor e roteirista cinematográfico. Publicou Silêncio Inquieto e Cio , poemas. A dança da lua cheia, novela infanto-juvenil e a novela Cinzas de Alfazema. Memórias de um Pirralho, minicontos infanto-juvenis e Coração Tatuado, contos.
Organizou: Confissões em Cadeia – Sete homens privados do direito de ir e vir e Cadeia de sentimentos – comunicação intra e extramuros. Realizou oficinas literárias e palestras em escolas públicas e particulares do DF e na Penitenciária da Papuda. Nesta, organizou a antologia "Confissões em cadeia", reunindo trabalhos de sete detentos; produziu o livro "Interseção entre dois mundos", relato autobiográfico de Manoel Gomes, em forma de Carta para Joilson, contando sua vida intramuros e "viagens" de liberdade.


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