Poema da curva

Escrito por Brasília Poética em . Postado em Converse com os Poetas Sem Comentários

Poema da curva

“Céu de Brasília, traço do arquiteto, gosto tanto dela assim”, cantarolo pelo quarto. Essa música  me dá uma alegria, uma sensação de pertencer a essa cidade espacial, fincada no deserto. Como um grande pássaro de concreto que ali pousara e do barro estéril fizera morada, escrevo.

Eu, filha do mar e da enseada, que sonhara um dia navegar por outras plagas, vim parar aqui, nesse mítico planalto com que sonhou Dom Bosco. Foi como nascer de novo, cortar os laços, fincar raízes onde nunca imaginara.

Brasília, nessa esplanada onde amei e fui amada, onde gerei minha prole e lapidei sonhos brutos, quero inscrever esses versos em teu coração de pedra:

Aqui viveu sua saga
a mais humilde poeta,
Brasília, e em homenagem
a tua efígie de mármore,
mandou lapidar na laje:
são curvas, todas as retas.
 
*Poema da curva é o título de poema de Oscar Niemeyer, o arquiteto dos principais palácios e monumentos de Brasília
* “…Céu de Brasília, traço do arquiteto, gosto tanto dela assim…” – trecho da música Linha do Equador, de Djavan e Caetano Veloso.
 
Poema transcrito do livro “Diário da Poesia em Combustão”, de Amneres
Coleção OiPoema, Athalaia Gráfica e Editora

 


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